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Wild Cards – O começo de tudo

imagesO que aconteceria com o mundo se um alienígena viesse para a terra? E se um vírus for disseminado? E se pessoas virarem heróis e outras monstros? A temática não é original e essas respostas já foram imaginadas por roteiristas e escritores de HQ, mas a maestria com que George Martin e seus amigos escreveram essa história faz tudo isso parecer bem real e adulto. A história que surgiu como RPG nos anos 1980, começa quando um alienígena parecido com um humano fantasiado de rei sol chega a terra tentando prevenir a todos de um desastre terrível. Mas o desastre acontece, os humanos são atingidos por um vírus, chamado Wild Cards (carta selvagem), que cai em Nova York e se espalha pelo mundo, matando muita gente, transformando outros em aberrações, os curingas, e dando a outros poderes especiais, os Às. Poderes que podem ser uma benção ou maldição tanto para um grupo quanto para o outro. Pessoas super poderosas mas reais e com problemas reais que tentam sobreviver sem essa de capa e máscara e com o governo no pé para usufruir delas. Com essas mudanças os autores aproveitam para discutir segregação social, política e poder no pós guerra de uma forma inesperada. A segregação é o tema mais surpreendente, enquanto em histórias de heróis os monstros são os vilões e aceitamos isso de forma natural, Wild Cards nos faz revermos nossos conceitos. O que aconteceria se os monstros fossem pessoas normais que tentam continuar vivendo a sua vida e sofrem preconceito, perdem o emprego e são banidas da sociedade “normal”. Não é difícil de imaginar isso acontecendo de verdade não é? Além disso, o livro tem personagens muito interessantes pro bem e pro mal, histórias brutais, sensíveis, perturbadoras, engraçadas, divertidas e heroicas.  A série tem 22 livros e continua sendo escrita, são muitos os grupos de personagens e só me resta torcer para que todos sejam lançados no Brasil. Além de escrever sobre alguns personagens, George é o editor responsável de juntar as peças do quebra cabeça feito por vários autores. Só no primeiro livro são 14: Herbert L. Cranston Howard Waldrop, Walter Jon Willians, Melinda M. Snodgrass, Michael Cassutt, David D. Levine, Lewis Shiner, Victor Milán, Edward Bryant, Leanne C. Harper, Stephen Leigh, Carrie Vaughn, John J. Miller e o próprio George.

George Martin deu uma entrevista para a folha e explicou algumas coisas (não considero spoiler, eu mesma li a entrevista antes de ler o livro e não vi problema):

Acontece de um autor escrever para “Wild Cards” algo que o Sr. acha que não vai caber na história como um todo e isso ser vetado? Como é escrever em equipe para um autor tão acostumado a escrever sozinho [como em “As Crônicas de Gelo e Fogo”]?
Isso acontece o tempo todo. Vem acontecendo há 20 anos, e por isso sou necessário como editor. Os autores escrevem suas histórias e meu trabalho principal, além de também escrever as minhas, é juntá-las. E há um grande trabalho de reescrita envolvido, porque as histórias nunca ficam perfeitas juntas de primeira. Às vezes, tenho autores que escrevem duas cenas que se contradizem ou que se duplicam, e essencialmente eu conduzo a sinfonia aqui, como se fosse uma “big band”, com todos os instrumentos e personagens funcionando juntos.

É um trabalho difícil. Editei uma série de publicações ao longo dos anos, mas o trabalho envolvido em “Wild Cards” é certamente o mais desafiador tipo de edição, simplesmente porque você tem que pensar em equipe e ao mesmo tempo conseguir boas histórias dos escritores. Criamos um mecanismo pelo qual o criador de cada personagem revisa o texto quando seu personagem é usado por outro escritor. Além de mim como editor, os escritores interagem. Então, se alguém vai usar um personagem meu, como o Tartaruga, posso dizer: ”Não, ele não diria isso dessa maneira”, ou “Ele nunca faria isso”. Muita reescrita. Mas, felizmente, a maior parte dos escritores faz o trabalho com muita vontade, adora escrever sobre esses personagens e esse universo.

E como surgem esses novos heróis com o tempo, à medida que os outros envelhecem?
Isso depende. A genética de “Wild Cards” é complicada. É uma mudança na estrutura genética e se torna uma… Se os dois pais têm o vírus do “Wild Cards”, então a criança seria um Carta Selvagem [na tradução da LeYa, embora o título do livro seja em inglês, os infectados recebem no texto o nome em português], mas poderia também morrer, porque 90% das pessoas que pegaram o vírus e tornaram Rainha Negra [gíria para morte usada nos livros], como dizemos, morrendo. E 10% viram Curingas [personagens que ficam deformados], só um em cem se torna Ases e acabam como super-heróis. O bebê infectado tem as mesmas chances de qualquer um, não é algo simplesmente herdado.

Os Curingas, nesse sentido realista, são importantes para tratar de questões como o preconceito, não?Sim, sim. Muitas mutações não são boas. Queríamos dizer: ‘Sabe, se você sofresse uma mutação como essas dos quadrinhos, seria possível que isso não fosse tão bom, e isso é muito mais provável que uma mutação boa, inclusive’. Isso torna a história diferente de qualquer outra da Marvel, da DC Comics, Universal, a comunidade Coringa e a existência desse segundo time junto com os superpoderosos Ases, isso é algo que ninguém mais faz.

Os direitos de adaptação foram comprados pela Universal para o cinema. Em que pé está isso? O sr. lida bem com a ideia de transformar a série em um único filme, algo que não quis aceitar para “As Crônicas de Gelo e Fogo”?

Bom, Wild Cards não é bem uma história, são centenas de histórias, é um mundo. Esperamos que o primeiro filme conte uma história de um grupo particular de personagens, e, se fizer sucesso, o segundo filme pode ser com um time completamente diferente de personagens. E pode ser no passado, no futuro. Temos centenas de personagens e histórias. É uma franquia incrível, que funciona para uma série de filmes, que é o que esperamos conseguir, ou para uma série de TV, o que pode vir a acontecer se os filmes fizerem sucesso. Mas agora estamos no estágio inicial, Melinda Snodgrass [uma das autoras da série e coprodutora, com GRRM, do fillme] está escrevendo o roteiro, está no segundo rascunho. Estamos esperando.

Leia a entrevista completa

Livros da série:
capas wil copy◾Wild Cards (1987)
◾Aces High (1987)
◾Jokers Wild (1987)
◾Aces Abroad (1988)
◾Down and Dirty (1988)
◾Ace in the Hole (1990)
◾Dead Man’s Hand (1990)
◾One-Eyed Jacks (1991)
◾Jokertown Shuffle (1991)
◾Double Solitaire (1992)
◾Dealer’s Choice (1992)
◾Turn of the Cards (1993)
◾ Card Sharks (1993)
◾Marked Cards (1994)
◾Black Trump (1995)
◾Deuces Down (2002)
◾Death Draws Five (2006) (novel)
◾Inside Straight (2008)
◾Busted Flush (2008)
◾Suicide Kings (2009)
◾Fort Freak (2011)

O editor e autorimagesCA4ZHX75

George R.R. Martin não é só autor de ficção científica, ele também escreveu As Crônicas de Gelo e Fogo, uma saga de fantasia que está no quinto livro e é incrível! Ela ficou muito famosa, principalmente depois do lançamento da série “Game of Thrones” da HBO baseada nos livros. Merece um post só para falar um pouquinho e pretendo fazer isso quando sair o sexto livro que aguardo ansiosamente. Para saber mais indico o blog Game of Thrones BR, que tem até uma wiki própria e é muito bem informado. Foi nele também que li que a Editora Leya lançara outro livro do autor, Sonho Febril, sobre vampiros.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

2 comentários em “Wild Cards – O começo de tudo

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