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Ficções abre a temporada de livros nas minhas férias (:

2013-08-06 13.58.09Entrei de férias lendo esse livro, Ficções de Jorge Luis Borges, mas antes preciso contar que  faço parte de um grupo de leitura na faculdade que lê literatura latina…com um puxão de orelha de uma professora querida descobri que leio e conheço muito pouco dos autores que cercam geograficamente o nosso país e esse é um dos motivos pelo qual ela criou o grupo. Ela é mestra e já leu muitos autores fantásticos e vai indicando os livros para a gente ler e depois discutir. Também escrevemos contos em que cada um escreve um pedaço da história e seja o que Deus quiser rsrs. Estamos no terceiro (já escrevi minha parte e estou particularmente curiosa com que pé a coisa toda vai tomar), o segundo não deu muito certo, o primeiro se chama “O gato”, se puder publico aqui depois. Mas voltando aos livros, já lemos Pedro Páramo do Juan Rulfo, A invenção de Morel de Adolfo Bioy Casares: achei os dois livros simplesmente fantásticos! Leiam! Alguns do grupo também leram O jogo de amarelinha do Cortázar que comprei e não consegui acabar de ler, não gostei, acho que é falha no meu intelecto e ainda não estou preparada para ele, vou guardar como um desafio futuro. Um pouco frustrada porque a proposta ele é bem inovadora, mas tudo bem, há tempo para tudo. O legal é que todos esses livros possuem narrativas realmente surpreendentes, fogem totalmente do feijão com arroz que a gente gosta, mas que precisamos variar de vez em quando.

O do Borges é de contos, é o segundo que leio dele o outro foi O livro de areia das mesma coleção e hoje acabei de ler esse rapaz ai, Ficções, meu mais novo bebê. Nessas histórias você não sabe o que esperar, algumas parecem sonhos, outras tem tantos detalhes que parecem uma coisa real e surreal ao mesmo tempo, surreal porque você espera que aquilo não exista afinal é uma ficção mas ao mesmo tempo o autor descreve como se tivesse falando de coisas que aconteceram com ele ou que ele vivenciou, estou bem ansiosa para conversar sobre esse livro com o grupo e ver o que eles acharam. Folheando aqui de novo, para relembrar acho que os contos que mais gostei foram: “As ruínas circulares”, “a loteria na babilônia”, “O jardim das veredas que se bifurcam”, “a morte e a bússola” e “a seita da fênix”. Mas todos dão ao leitor o que pensar, porque  você lê e tem aquela sensação de moral da história, mas não tem nada de óbvio, alguns ainda to refletindo se entendi legal mesmo. Foi uma leitura muito agradável, rica de passagens que gostei e absurdamente bem escrita, nada é esperado, nada é repetitivo, nada é muito normal. Personagens ricos de profundidade, que você só tem um instante para conhecer mas que esse instante é suficiente para você ficar abismada e encantada. Já estou pensando em comprar “O livro dos seres imaginários” para se juntar a coleção, quem sabe não compro na bienal.

“_ O senhor replicará que a realidade não tem a menor obrigação de ser interessante. Eu lhe replicarei que a realidade pode prescindir dessa obrigação, mas não as hipóteses.” Ficções – a morte e a bússola – Borges

jorge-luis-borgesSobre o autor: Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899. Aprendeu inglês antes mesmo do castelhano, por influência de sua avó materna, que era de origem inglesa.  Ainda criança, aos sete anos de idade, escreveu um resumo de literatura grega. E aos oito escreveu seu primeiro conto, “La Visera Fatal”, inspirado em um episódio de Dom Quixote de Cervantes.  Em 1914 foi morar na Europa: primeiro em Genebra, onde Borges concluiu seu bacharelado e depois na Espanha, já em 1919, quando publicou diversos poemas e manifestos de imprensa. Retornou para Buenos Aires e lá escreveu seu primeiro livro de poemas, “Fervor em Buenos Aires”, que foi publicado em 1923. A partir do ano seguinte, Borges entrou em um período de intensa publicação: dois livros, “Luna de Enfrente” e “Inquisiciones”, além de algumas revistas literárias. Sua fama estava consolidada. Nos anos seguintes foi aclamado como um dos mais notáveis escritores da América Latina. Borges foi responsável por introduzir um novo tipo de regionalismo, com uma perspectiva metafísica da realidade. Dentro desses conceitos, escreveu “Cuaderno San Martin” e “Evaristo Carriego”. Inventivo, trilhou por outros caminhos literários, chegando à narrativa fantástica. Foi nessa época que produziu as mais espetaculares ficções, como nos contos de “História Universal de La infâmia”, “Ficciones” e “El Aleph”. Foi nomeado diretor da Biblioteca Pública Nacional, em 1937 e lá trabalhou por nove anos. Esse foi o único emprego oficial que o autor teve.  Acometido por problemas de visão desde cedo, aos 50 anos já havia perdido parcialmente a visão. Quando perdeu totalmente, sua mãe cuidou dele, lendo e escrevendo aquilo que o autor ditava.  Borges recebeu inúmeros prêmios, como reconhecimento pelo seu trabalho e prestígio no mundo literário. Em 1961 recebeu o prêmio concedido pelo Congresso Internacional de Editores, além de prêmios por parte dos governos da Itália, França Inglaterra e Espanha. * Ele tinha uma carinha de rabugento né, adorei!

Catálogo da Companhia das Letras que tem a coleção biblioteca borges.

 

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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