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{eu li} Morte em Pemberley (cont. quem conta um conto aumenta um ponto)

MORTE_EM_PEMBERLEY_1363011208PComo contei para vocês no post sobre autores que continuam ou recriam em cima da obra de outros autores, o livro Morte em Pemberley é uma continuação (romance policial) do livro Orgulho e Preconceito da Jane Austen, um clássico que gosto muito, um dos meus livros favoritos. Coloquei em xeque no post se esse tipo de livro daria conta de seguir a mesma linha de personagens queridos e não desapontaria o público fiel. Fico feliz em contar que pelo menos no caso desse livro, a autora fez uma continuação muito feliz. No livro Phyllis soube tratar com muito cuidado da alma dos personagens envolvidos. Ela mesma começa pedindo desculpas ao espírito da Jane Austen.

“Peço desculpas ao espírito de Jane Austen por envolver sua estimada Elizabeth no trauma da investigação de um assassinato, principalmente considerando que no último capítulo de Mansfield Park a srta. Austen deixou sua posição bastante clara: “Que outras penas se debrucem sobre coisas como culpa e pesar. Eu abdico de assuntos odiosos como esses assim que posso, ansiosa para restituir todos os que nada tenham feito de muito grave a um tolerável conforto e para deixar de lado os outros”. Sem dúvida, ela teria respondido ao meu pedido de desculpas dizendo que, se desejasse se debruçar sobre assuntos odiosos como esses, ela própria teria escrito esta história, e melhor”.

É claro que há diferenças na forma de narrar, até por ser um romance policial, mas em vez de destacar um investigador para desvendar os mistérios como acontece na maioria dos livros do gênero, são os próprios envolvidos que escolhem a hora acertada de revelar os segredos. Como acontece com frequência nas histórias da Jane em que os personagens são reservados por escolha ou necessidade e revelam seus desejos íntimos e ações para poucas pessoas de confiança. E onde a honra e força moral são valores muito importante por conta da sociedade da época. Outra vantagem que quem gosta dos livros da Jane ficará feliz, é ver um final feliz estendido aos Sr. E Sra. Darcy e aos Sr. E Sra. Bingley, que virão suas famílias crescerem unidas e com fortes laços de amizade. A autora também trouxe a baila os antigos sentimentos de Darcy sobre o que aconteceu entre Wickham e Georgiana, revelando novidades e desatando alguns nós. Darcy está mais aberto a falar dos sentimentos nesse livro, do que em Orgulho e Preconceito, o que é normal se a ouvinte é Lizzie que agora é sua esposa, aceitável a mudança sutil. A autora também aproveitou para reafirmar o caráter detestável de Wickham e Lydia que fizeram um par muito parecido no fim das contas.

Fora isso o mistério foi muito bem conduzido, deixando o livro bem interessante, misturando no leitor a curiosidade de saber mais sobre como está a situação dos personagens e deixando aqui e ali psitas do motivo do crime em questão, mas deixando só para o final a resposta para tudo. Outra coisa que a autora não esqueceu, e é um dos elementos chaves na literatura da Jane é o casamento, a discussão já um pouco mais aberta nesse livro do que é um bom casamento e o quanto os outros devem interferir ou não na escolha dos envolvidos. Além disso, Phyllis presenteia os fãs, que já leram todos os livros da Jane Austen, incluindo na trama os personagens de Emma e Persuasão(com uma grande distância), e umas das informações foi bem divertida de ler. Resumindo, gostei bastante!!! Espero que o mesma aconteça quando a continuação da Trilogia Millenium chegar..

Sinopse completa do livro.

As autoras:

00241_mPhyllis Dorothy James White nasceu em Oxford, Inglaterra, em 1920. Durante a Segunda Guerra trabalhou na Cruz Vermelha e, em 1949 no Serviço de Segurança Britânico. Em 1968, entrou para o Departamento de Polícia do Ministério do Interior. Estreou na literatura aos 42 anos, tornando-se uma das maiores escritoras de romances policiais da atualidade.

janeJane Austen, nasceu no dia 16 de dezembro de 1775, em Steventon, perto de Basingstoke. Sétima filha do reitor da paróquia, viveu com a família em Steventon até se mudarem para Bath, após a aposentadoria do pai, em 1801. Após a morte dele, em 1805, ela se mudou com a mãe; em 1809, estabeleceram-se em Chawton, perto de Alton, Hampshire, onde permaneceria, com exceção de algumas visitas a Londres, até maio de 1817, quando se mudou para Winchester a fim de ficar perto de seu médico. Ali morreu no dia 18 de julho de 1817. Jane Austen era extremamente modesta com relação ao próprio gênio, descrevendo sua obra ao sobrinho, Edward, como “um pouco (duas Polegadas de espessura) de Marfim, que eu esfrego bem com uma Escova, de modo a produzir pouco efeito depois de muito trabalho”. Quando menina escrevia contos, incluindo versões burlescas de romances populares. Suas obras só foram publicadas após muitas revisões, e ela teve quatro de seus romances editados em vida: Razão e sensibilidade (1811), Orgulho e preconceito (1813), Mansfield Park (1814) e Emma (1815). Dois outros romances, A abadia de Northanger e Persuasão, foram publicados postumamente em 1817, com uma nota biográfica de seu irmão, Henry Austen, anunciando formalmente pela primeira vez a identidade da autora. Persuasão foi escrito enquanto ela lutava contra problemas cardíacos, entre 1815 e 1816. Deixou ainda duas obras: um romance epistolar curto, Lady Susan, e um romance inacabado, The Watsons. No momento de sua morte, ela trabalhava em um novo livro, Sandition, do qual sobrevivem apenas fragmentos.

Sinopse de Orgulho e Preconceito:

85017_gNa Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista.
Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína – recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

A minha querida amiga, Camille Velloso, escreveu uma resenha para o site do Jornal O Casarão (da UFF) que traz uma boa análise e mais sobre a autora. Confira.

Sobre a série Death comes to Pemberley

imagesAcabei de assistir a série, no geral eu gostei da adaptação, mas teria gostado mais se não tivessem feito tantas mudanças. O problema foi que no decorrer do segundo e no começo do terceiro episódio, surgiram vários diálogos e confusões, criados para dar mais emoção e tensão na vida familiar  que não alteram o rumo da história mas mostram um caráter diferente de Darcy e Georgiana. Isso para mim foi uma grande falha, mas vale a pena assistir. Para deixar a série mais dinâmica, as pequenas pistas deixadas pela autora no livro se transformaram em confissões enormes e evidenciaram boa parte do mistério antes do fim. Deram certezas  ao que no livro são suspeitas, o que para mim perde um pouco a graça comparando com o livro, não deixa o telespectador com o mesmo suspense do leitor.

Ah, e me permitam um comentário bem mulherzinha, que Darcy feio que arrumaram, sou muito mais o ator que fez Orgulho e Preconceito (em 2006), Matthew MacFadyen.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

2 comentários em “{eu li} Morte em Pemberley (cont. quem conta um conto aumenta um ponto)

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