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{eu li} John Boyne para todas as idades

A coisa terrível que aconteceu com Barnaby Brocket é um livro para crianças que todos deveriam ler. Futuros papais e mamães deveriam ler. Pessoas preconceituosas deveriam ler, mas não sei se compreenderiam o que qualquer criança é capaz. No livro, John Boyne trata principalmente do respeito às diferenças, discute com uma simplicidade encantadora que a normalidade não existe. A história é uma linda alegoria ao preconceito que as pessoas têm com aquilo que consideram anormal, lembra muito uma fábula. Barnaby é um menino que nasceu com o dom de flutuar, sem o menor controle sobre isso, o que para muitos é uma situação fantástica, pareceu algo terrível aos olhos de seus pais que se consideravam normais demais. Juntos decidiram que era melhor abrir mão do filho caçula para sua vida voltar a ser perfeita, e o abandonam com muito pouco pesar.

Eles acabam proporcionando ao menino, além de muito medo e muitas dúvidas, uma grande aventura em que ele conheceimages pessoas tão diferentes quanto ele, mas muito mais humanas do que seus pais. John consegue tratar de várias diferenças, até mesmo do homossexualismo com um jeito tranquilo e delicado, perceptível, mas para crianças. Em várias passagens do livro, ele lembra a todos que os filhos não são uma extensão dos pais, que não se deve querer que as crianças sonhem os sonhos “padrões” e muito menos acabar com a criatividade e a imaginação. Quando seu filho ou filha nascer lembre que ele é um individuo com características próprias que você deve ama-lo independente do que a sociedade hipócrita vai pensar dele. Ainda não sou mãe, meu exemplo são meus irmãos pequenos, mas eu não quero ter nenhum tipo de preconceito contra meus futuros filhos.

Sou estudante de jornalismo, já tive oportunidade de fazer uma reportagem sobre o Autismo e estou fazendo uma sobre a Síndrome de Down. Nunca vou esquecer o que uma mãe me disse uma vez: “Ser humano, ninguém é igual a ninguém, autista ninguém é igual a ninguém”. E no final ainda arrematou falando que depois do nascimento do Beny ela e o marido viraram mais gente. Sem mais, respeite o próximo e o muito próximo. (Para quem quiser assistir a reportagem, ganhei prêmio na faculdade com ela *.*)

Outra questão é como a mídia muitas vezes transforma em circo o que é diferente, me lembrei logo dos anões que aparecem em programas de televisão, que já são adultos mas são exibidos como crianças ou como menos que gente, com a  desculpa que isso é engraçado. Temos vários e vários exemplos.

Fiquei muito encantada com o livro, muito mesmo, todos esses aspectos da crueldade do mundo tratadas de maneira bem leve, de forma educativa mas passando longe do chato e do lugar comum. O livro é todo ilustrado por Oliver Jeffers, desenhos lindos lindos….barnaby

Assim descobri que John Boyne é para todas as idades. Já era apaixonada pelo autor, pelos livros para adultos. O primeiro que li foi O palácio de inverno, romance histórico, que se passa na Rússia cazarista e na Inglaterra dos anos Thatcher. Amei! Depois li O pacifista, e fiquei chocada, é um romance muito surpreendente, um dos meus livros favoritos, os personagens são muito peculiares, uma história de amor e de guerra que vai muito além do esperado. Outro que li foi O garoto no convés, que não é menos especial que os outros e nem menos surpreendente. Vou colocar as sinopses, é impossível não se interessar. Foram lançados a pouco tempo os livros TormentoO Ladrão do Tempo (que preciso muito obter). Além desses ele é o autor de O menino do pijama listrado, premiadíssimo (adaptado para o cinema em 2008, trailer), e de Noah foge de casa (infantil).

Sinopse Palácio de Inverno

palacioGeórgui Jachmenev passou a vida inteira se debatendo com essas questões, e agora, prestes a perder o grande amor de sua vida, tenta encontrar uma resposta para elas ao refletir sobre seu percurso num século XX que sempre lhe pareceu longo demais.
Seus feitos começaram cedo: aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada, o rapaz impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. Uma reviravolta impressionante, que o levou da taiga russa para o fausto dos palácios moscovitas, cenário que, apesar da amplidão e luxo de seus imensos corredores, iria se revelar bem mais inóspito que os frios grotões de sua vida anterior.  A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados, e a história deixou pouco espaço para idílios: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso – mas e para Zoia, o que teria custado?
Numa narrativa fascinante, em que presente e passado vão convergindo em capítulos alternados, da Inglaterra dos anos Thatcher para a época dos czares russos, e dos anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para o turbilhão da Revolução Bolchevique, acompanhamos Geórgui em meio a acontecimentos históricos decisivos que acabam por se revelar mero pano de fundo para uma história de amor que esconde um grande mistério, talvez maior mesmo que a própria história.

Sinopse O pacifista

o pacifistaInglaterra, setembro de 1919. Tristan Sadler, vinte e um anos, toma o trem de Londres a Norwich para entregar algumas cartas à irmã mais velha de William Bancroft, soldado com quem combateu na Grande Guerra. As cartas, porém, não são o verdadeiro motivo da viagem de Tristan. Ele já não suporta o peso de um segredo que carrega no fundo de sua alma, e está desesperado para se livrar desse fardo, revelando tudo a Marian Bancroft. Resta saber se o antigo combatente terá coragem para tanto. Enquanto reconta os detalhes sombrios de uma guerra que para ele perdeu o sentido, Tristan fala também de sua amizade com Will, desde o campo de treinamento em Aldershot, onde se encontraram pela primeira vez, até o período que passaram juntos nas trincheiras do norte da França. O leitor testemunha o relato de uma relação intensa e complicada, que proporcionou alegrias e descobertas, mas também foi motivo de muita dor e desespero. O pacifista é uma história de amor e de guerra que se insere na tradição do romance Reparação, de Ian McEwan. Nada é o que parece nesta trama envolvente e vigorosa, que revela as consequências de uma vida tragicamente marcada pelo silêncio. Com uma abordagem original e relevante para o nosso tempo, o autor do best-seller internacional O menino do pijama listrado revisita neste romance o universo da guerra, tendo dessa vez como pano de fundo a Primeira Guerra Mundial. Sensível e engenhoso, John Boyne esmiúça um dos capítulos mais traumáticos da história da humanidade pela perspectiva de dois jovens soldados que lutam, acima de tudo, contra a complexidade de suas emoções.  Leia um trecho em pdf

Merece um post só sobre esse livro.

Sinopse O garoto no convés

convésEm abril de 1789, semanas após concluir no Taiti uma curiosa missão com fins botânicos, o navio de guerra britânico HMS Bounty foi palco de uma revolta de parte da tripulação contra o capitão William Bligh, que acabou deixado à própria sorte em um bote em alto-mar, com os marinheiros ainda fiéis a seu comando. Sem provisões e instrumentos de navegação adequados, o grupo enfrentou 48 dias de duras provações até alcançar a costa do Timor. O episódio inspirou numerosos livros e filmes.
Em O garoto no convés, agora publicado em edição econômica, a história da expedição é narrada do ponto de vista de John Jacob Turnstile, um garoto de Portsmouth, sul da Inglaterra, que sofre abusos de toda sorte, inclusive sexuais, no orfanato e pratica pequenos furtos nas ruas da cidade. Detido pela polícia após roubar um relógio, é salvo pela própria vítima do roubo quando esta lhe faz uma proposta: em vez de ficar encarcerado, embarcaria no HMS Bounty para passar pelo menos dezoito meses como criado particular do respeitado capitão Bligh. Turnstile aceita a barganha, planejando fugir na primeira oportunidade. Mas a rígida disciplina da vida no mar e uma relação cada vez mais leal com o capitão transformarão sua vida para sempre. É pela voz desse adolescente insolente e sagaz, mas ao mesmo tempo frágil e ingênuo, que o leitor acompanhará uma viagem repleta de intrigas, tempestades intransponíveis, cenários exóticos e lições de lealdade, paixão e sobrevivência.

johnO autor

Nasceu na Irlanda, em 1971, e mora em Dublin. Escreveu outros seis romances e foi traduzido para mais de quarenta idiomas. Seu livro mais célebre, O menino do pijama listrado (2007) lhe rendeu dois Irish Book Awards, vendeu mais de 5 milhões de exemplares pelo mundo e foi adaptado para o cinema em 2008.

Site: www.johnboyne.com

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

13 comentários em “{eu li} John Boyne para todas as idades

  1. Adorei a resenha, aliás foi mto além de uma resenha. Nunca li nada do autor, mas tive que incluir na minha lista. Sabe que eu nunca tinha refletido sobre o modo em que os anões são tratados pela mídia?
    Bjos
    aculpaedosleitores.blogspot.com.br

    1. É tem coisas que passam batidas pelo nosso olhar cotidiano, mas depois que li o livro fiquei matutando matutando… e me vieram vários problemas na cabeça. É claro que diferente da situação do livro, no caso dos anões eles não são obrigados a fazer nada, e nada contra eles serem artistas, é mas quando parece humilhação que me incomoda…
      Leis os livros John sim, são muito profundos e densos, as histórias passam longe do superficial.

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