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{eu li} O ladrão do tempo – John Boyne

Esse livro foi o primeiro escrito por um dos meus autores favoritos, John Boyne, e recentemente lançado pela Companhia das Letras. Eu acho que houve uma grande evolução do autor, se comparamos esse com os outros, mas o livro é muito bom! O personagem principal é Matthieu Zela, um homem com uma característica muito interessante, ele tem duzentos e cinquenta e seis anos de vida. Isso mesmo. Nosso ladrão do tempo, viveu bastante, teve muitas esposas e viu morrer todas elas, e curiosamente não conseguiu ter nenhum herdeiro. Com esse personagem surpreendentemente humano, apesar da peculiaridade, John nos leva por vários períodos históricos (característica de sua obra comprovada nos outros livros), por fatos marcantes como a Revolução Francesa, a crise de 29 e a Revolução Industrial e outros acontecimentos. Além de trazer nomes como Charlie Chaplin e o papa Pio IX.

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Sinopse: O ano é 1758 e Matthieu Zela resolve abandonar Paris e fugir de barco para a Inglaterra, depois de ter testemunhado o assassinato brutal da mãe pelo padrasto. Apenas um garoto de quinze anos na época, ele leva consigo o meio-irmão caçula, Tomas, criança que se vê impelido a proteger. Começando com uma morte e sempre em busca de redenção, a vida de Zela é marcada por uma característica incomum: antes que o século XVIII acabe, ele irá descobrir que seu corpo parou de envelhecer. Sua aparência é de um homem de cinquenta anos, mas o tempo passa e seu físico continua imutável. Ele simplesmente não morre e não faz ideia de qual seja a razão para que isso ocorra. Ao final do século XX, ele resolve olhar para o passado e rememorar sua experiência de vida, incomparável à de qualquer outro ser humano. Da Revolução Francesa à Hollywood nos anos 1920, da época das Grandes Exposições à quebra da Bolsa de Nova York, Zela transitou por inúmeros lugares, exerceu diversas profissões e conheceu pessoas notáveis, além de ter se apaixonado por muitas mulheres. Mas, mesmo séculos depois, ele continua certo de que seu verdadeiro amor foi Dominique Sauvet, uma jovem que conheceu no barco que tomou com o irmão para escapar da França. O trio se uniu para começar a nova vida na Inglaterra e Matthieu se viu totalmente encantado por Dominique. Mais.

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“Não sou um desses personagens imortais da ficção que imploram pela morte como libertação da clausura da vida eterna; os prantos e as lamúrias perpétuas dos mortos-vivos não são para mim. Afinal, minha felicidade é plena. Minha existência é construtiva.”

A história não é linear, aos poucos o leitor vai entendendo o passado de Matthieu, porque ele fugiu da França quando criança com o irmão do meio e como foi a sua primeira aventura amorosa com Domenique, a mais importante de sua vida mesmo depois de tanto tempo. você percebe que algo deu errado entre eles, mas fica esperando até o final para saber o que.

“Às vezes, você percebe que uma pessoa não merece o seu amor, mas a ama mesmo assim. Você cria um vínculo afetivo inexplicável com ela, que não se rompe nem mesmo quando o seu objeto de amor se quebra a confiança que você depositara nele. Às vezes, a pessoa que você ama é cega para os seus sentimentos e mesmo tendo à disposição todas as palavras do mundo, você não encontra palavras para expressá-lo.”

Intercalando isso tudo com outros períodos e situações que marcaram sua vida, amarradas com o presente (que se passa em 1999), onde ele tenta ajudar o “sobrinho” (tarataratara…) ator e dependente químico, para não ver acontecer com ele o mesmo que aconteceu com os antepassados Tommy.

“A epifania foi esta: eu faria alguma coisa que devia ter feito há muito tempo. Iria salvar um dos Thomas. Para ser mais específico, iria salvar Tommy”.

Enfim, vale muito a pena ler! Quem quiser saber mais sobre o John, pode ver nesse outro post que falei do livro  A coisa terrível que aconteceu com Barnaby Brocket, um pouco do autor e seus outros livros.

“Quando nasci, viajávamos em cavalos e em carroças. Agora viajamos para a Lua. Escrevíamos com canetas em papéis, mandávamos cartas para nos comunicarmos. não mais. Descobrimos uma maneira de escapar da única coisa que nossa existência nos garante_ a vida neste planeta.”

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

2 comentários em “{eu li} O ladrão do tempo – John Boyne

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