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{Eu li} Meu nome é vermelho – Orhan Pamuk

Estou voltando, como contei no post anterior estou as vésperas de entregar meu Trabalho de Conclusão de Curso, o famoso TCC, e me tornar jornalista formada pela UFF. Estou vivendo uma série de expectativas, o medo do futuro tão incerto e um saudosismo dos meus tempos de UFF. Nesse embalo estou finalizando meu documentário, que falta bem pouquinho, mas enquanto esse pouquinho não acaba o coração está na mão.  Isso tudo para justificar mina ausência, entre uma coisa e outra continuo lendo e acabei de ler o livro Meu nome é vermelho do Orhan Pamuk. Nada como um dia de chuva, para ficar em casa, trabalhar no tcc e para descansar a cabeça escrever sobre um livro tão inspirador.

11490_gSinopse: Meu nome é Vermelho alia narrativa policial, uma história de amor proibido e reflexões sobre as culturas do Ocidente e do Oriente. A trama se passa em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da Hégira (a fuga de Maomé para Meca), o sultão encomenda um livro para demonstrar a riqueza do Império Otomano. Para provar a superioridade do mundo islâmico, porém, as imagens devem ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando uma onda de intrigas, e um dos artistas que trabalhava no livro é assassinado. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre o Negro, que voltara a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores – entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas.

É incrível como o livro parece tão bem ilustrado sem ser, o autor é extremamente descritivo num livro em que a arte e as miniaturas são um dos temas principais, existe cor no livro mesmo sem nenhum desenho presente. Apesar de ser uma narrativa policial, o mais importante não é descobrir quem matou e o porquê, é se deliciar com a dúvida. Do contrário você acaba sentindo que o autor está enrolando pra entregar o jogo. Achei muito original os vários narradores do livro, não só temos os personagens principais e seus pontos de vista, mas temos também narradores como o próprio morto, um cachorro, uma árvore chateada por não saber a que miniatura pertence, a cor vermelho que da nome ao livro e o que mais me interessou o próprio assassino. Mas não pense que isso facilita descobrirmos quem foi o autor de terrível ato, muito pelo contrário, conhecemos o personagem que não dá nome a si próprio e dissimula muito bem suas emoções. Seu lado sombrio ganha capítulos, assim como seu lado que todos conhecem deixando o leitor sempre na dúvida, e pelo menos no meu caso não fui capaz de adivinhar qual os miniaturistas era de fato o assassino. Desde o começo do livro são apresentadas algumas possibilidades e as pistas estão escondidas aqui e ali.

Para além do romance policial, outro embate é travado no livro, entre a cultura oriental e ocidental, enquanto alguns pintores tentam proteger a cultura muçulmana em suas obras outros já não se importam em adotar traços renascentistas. Questões como o estilo de cada autor, os modelos, são sempre retomados para tentar definir o que é ser um artista perfeito. Desenhar perfeitamente como os mestres ou ter aquele algo mais que diferencia o artista de tudo que já foi feito antes? No livro temos a possibilidade de aprender sobre o Corão, sobre a cultura islâmica e sobre a arte. O livro é inundado de referências, que para mim eram totalmente desconhecidas, e de contos que me fazem lembrar um pouco o Livro das Mil e Uma Noites (que um dia acabo de ler).

Uma das referências mais repetidas no livro é a história de Khosrow e Shirin e suas miniaturas, que são descritas de várias formas no decorrer do livro. Aqui tem a história completa deles.

Khosrow avista Shirin se banhando no rio, 2011. Imagem do site Yolla Art
khosrow shirin tabriz school
Khosrow no Palácio de Shirin, miniatura persa do séc. XV

O romance presente no livro é bem contraditório, apesar da clara paixão de Negro por Shekure, esse amor é baseado no passado e não necessariamente o que ele amava nela ainda está presente. Já no caso de Shekure, há coisas demais na sua cabeça e coração, ela é mãe de dois meninos e eles sim são seu verdadeiro amor, além disso, os costumes, tradições e o ideal de futuro são muito influentes na sua postura e modo de ver a vida, o que deixa o Negro numa difícil posição e o amor em segundo plano.

Para ilustrar bem esse post, resolvi colocar aqui um capítulo inteiro do livro, o do dinheiro que gostei tanto para vocês entenderem um pouco da essência do livro:

Eu, o Dinheiro Vejam! Sou um escudo otomano, de ouro de vinte e dois quilates, arvorando emblemas de Sua Gloriosa Majestade, Protetor do Mundo. Noite alta, aqui neste fino café, abalado pela tristeza do funeral desta manhã, Cegonha, um dos mestres pintores do Nosso Sultão, acaba de me desenhar, apesar de não ter a tinta dourada para me embelezar — mas deixo esse detalhe por conta da imaginação de vocês. Minha imagem está pendurada na parede, mas eu estou na bolsa do querido irmão de vocês, Cegonha, o ilustre miniaturista. Ele se levanta, me tira e me exibe, orgulhoso, a cada um dos aqui presentes. Olá, boa noite a todos! Os olhos de vocês se arregalam, refletem meu brilho. Vocês admiram essa luminosidade que a luz das lâmpadas me empresta e sentem crescer no seu íntimo a inveja do meu possuidor, Mestre Cegonha! E têm razão, pois que sou o árbitro, a medida do talento.

Nestes três últimos meses, Mestre Cegonha amealhou exatamente quarenta e sete escudos de ouro, iguaizinhos a mim. Estamos todos aqui, nesta bolsa, e Mestre Cegonha, como vocês podem constatar, não esconde esse fato e sabe perfeitamente que nenhum dos seus colegas, aqui em Istambul, ganha tanto. Tenho muito orgulho de ser reconhecido como o juiz inconteste do talento dos artistas e de dirimir as desnecessárias desavenças que surgem entre vocês. Antigamente, antes que o consumo do café viesse iluminar-lhes as mentes, aqueles pintores obtusos passavam a noite discutindo acaloradamente quem era o mais talentoso, quem tinha o melhor senso das cores, quem desenhava melhor as árvores ou reproduzia com maior perícia os céus nublados; e muitas vezes chegavam às vias de fato, a ponto de voarem dentes arrancados a soco. Agora que entrei em circulação, mantenho a ordem e, sob o meu juízo, reina no ateliê uma doce paz, uma harmoniosa concórdia, numa atmosfera digna dos antigos mestres de Herat.

Isso, para não falar de todos os outros bens que podem adquirir comigo, além dessa harmonia, desse ambiente ameno: o lindo pé de uma jovem escrava, pois que, para comprá-la inteira, é preciso contar com cinqüenta vezes mais; um espelho de barbeiro de boa feitura, com o fundo de nogueira e a moldura de marfim; uma cômoda pintada, ornada de rosáceas e ramagens de prata folhada, que só elas valem noventa moedas de prata; cento e vinte fôrmas grandes de pão; uma sepultura no cemitério para três pessoas, com os respectivos caixões; um bracelete de prata; um décimo de um cavalo; as coxas grossas e gordas de uma velha concubina; um bezerro de búfala; dois pratos chineses de boa qualidade; o salário mensal do pintor de Tabriz, Mehmet, o Dervixe, assim como da maioria dos estrangeiros requisitados, como ele, para servir ao Nosso Sultão; um bom falcão caçador com sua gaiola; dez garrafas do melhor vinho resinado; uma hora paradisíaca com Mahmut, por exemplo — um desses jovens, célebres em todo o mundo por sua beleza —; além de outras opções mais insólitas, é claro.

Mas antes de chegar aqui, passei dez dias na meia suja de um miserável aprendiz de sapateiro. Todas as noites o coitado dormia enumerando, em sua cama, todo o sem-fim de coisas que compraria comigo. Esse seu verdadeiro poema épico, suave como uma canção de ninar, persuadiu-me de que não há lugar neste mundo em que uma moeda não possa ir parar.

Dizendo isso, percebo que, se precisasse detalhar todas as minhas tribulações até o dia de hoje, haveria matéria para muitos volumes. Mas como não há estranhos entre nós, como somos todos amigos, se vocês me prometerem não contar nada a ninguém, vou lhes revelar, somente a vocês — e se Cegonha Efêndi não tiver nada contra —, um segredo. Prometem?

Pois bem, confesso: não sou um autêntico escudo de ouro de vinte e dois quilates, estampado com a efígie do Nosso Sultão em sua fundição da Coluna Queimada. Sou falso. Sou de proveniência obscura, cunhado em Veneza com raspas de outras moedas e introduzido fraudulentamente aqui, como escudo otomano. Conto com a indulgência de vocês e desde já agradeço. Pelo que fiquei sabendo em Veneza, na oficina em que fui cunhado, esse tráfico de moedas falsas vem de longe. Até pouco tempo atrás, as moedas adulteradas que os infiéis punham em circulação no Oriente eram ducados de Veneza, cunhados no mesmo molde dos ducados autênticos. E nós, otomanos, que sempre demonstramos um respeito reverenciai por tudo o que está escrito, nem cogitamos de verificar a porcentagem de ouro contida nessas moedas — pois que a porcentagem que vinha gravada era sempre a mesma —, e esses falsos ducados inundaram Istambul. Mais tarde, quando descobriram que as moedas falsas, por terem menos ouro e mais cobre, são mais duras que as verdadeiras, começamos a verificá-las com os dentes. Por exemplo, louco de amor, você corre em busca dos favores do sublime Mahmud, o amante universal; a primeira coisa que ele vai pôr na boca vai ser a sua moeda — e não a outra coisa — e, cravando nela seus belos dentes, vai declarar que é falsa. E dirá que, por esse valor, vai levar você ao Paraíso por apenas meia hora, em vez de uma! Esses infiéis de Veneza, ao verem que suas moedas estavam assim desacreditadas, decidiram que o melhor a fazer era falsificar moedas otomanas, com o que iam novamente tapear os otomanos.

Deixem-me chamar-lhes a atenção para uma coisa muito esquisita: quando esses infiéis venezianos pintam, é como se não estivessem fazendo uma pintura, mas na verdade produzindo o objeto que pintam! Já quando se trata de moeda, em vez de produzirem moeda verdadeira, produzem moeda falsa.

Fomos despejados em arcas de ferro, depois embarcaram-nos e, jogados de um navio a outro, desembarcaram-nos em Istambul. Foi assim que me encontrei na boca de um cambista que fedia terrivelmente a alho. Ainda bem que não demorou a aparecer um camponês, um boboca que queria trocar a moeda de ouro verdadeira que ele possuía. O cambista, um escroque de primeira, disse que tinha de morder aquela moeda, para verificar se por acaso não era falsa, e meteu-a na boca.

Quando nós dois nos encontramos nessa boca, cara a cara, se ouso dizer, vi que o outro era um verdadeiro escudo de ouro otomano, autêntico como o camponês, seu dono. Ele me vê naquele fedor de alho e me diz: “Você é falso!”. Era verdade, mas como aquele pretensioso só queria implicar gratuitamente comigo, menti respondendo-lhe: “De jeito nenhum, o falso aqui é você!”. Enquanto isso, o camponês esbravejava: “Falsa, minha moeda? Eu a escondi num buraco, na minha terra, vinte anos atrás! E lá havia dessas trapaças, vinte anos atrás?”.

O que iria acontecer? Mas eis que meu cambista me tira da boca, no lugar do escudo daquele labrego, e diz: “Tome sua moeda de volta! Não aceito essas moedas falsas que os infiéis de Veneza querem que passemos adiante!”. E para zombar ainda mais do coitado, acrescenta: “Você não tem vergonha na cara?”. O outro responde alguma coisa cheia de ressentimento e vai-se embora comigo. Mas, ao ver que os demais cambistas davam o mesmo veredicto, acabou, em desespero de causa, me cedendo por apenas noventa moedas de prata. Era o começo de sete anos de vagabundagem. Permitam-me dizer que posso me gabar de, moeda sabida que sou — pois valho duas —, ter circulado a maior parte do tempo em Istambul, passando de bolso em bolso e de bolsa em bolsa. Meu maior pesadelo era o de dormir por lustros e mais lustros numa enxovia, gelar numa talha, debaixo de uma pedra de jardim — não é que não tenha passado por isso, mas foi sempre por pouco tempo. A maioria das pessoas, assim que percebia que eu não era autêntica, tratava de me passar logo pra frente. Mas nunca encontrei ninguém que avisasse a um receptor ingênuo que sou falsa. Se um cambista é bobo o bastante para pagar por mim cento e vinte moedas de prata, é a si mesmo que ele culpa, arranca os próprios cabelos por ter se deixado enganar desse jeito, e só uma idéia lhe ocupa a cabeça: tapear outro. Mas a raiva e a pressa farão que suas tentativas de passar a perna em outro fracassem um sem-número de vezes, e cada vez ele xinga furioso o “indecente” que o tapeou.

Assim, nos últimos sete anos, mudei de mãos quinhentas e sessenta vezes, e não há casa, loja, mercado, bazar, mesquita, igreja ou sinagoga nesta cidade em que eu não tenha estado. Em todo esse trajeto, vi e ouvi a meu respeito mexericos e histórias muito mais graves do que eu imaginava. O tempo todo esfregam-me na cara que eu passei a ser a única coisa de valor, que não tenho piedade, que sou cega a tudo o que não sou eu, o Dinheiro, que só gosto de mim, que o mundo de hoje repousa unicamente em mim e que, comigo, pode-se agora comprar e vender tudo, apesar de eu ser vil, vulgar e repugnante. Os que descobrem que sou falsa ficam furiosos e me amaldiçoam a não mais poder. Sem dúvida, devo me consolar com o fato de que meu valor simbólico não pára de subir, enquanto meu valor real despenca sem cessar. Porque, a despeito das calúnias gratuitas, de todas essas farpas dolorosas, vejo que a maioria das pessoas olha para mim com uma afeição profunda e sincera. Nesses tempos de maldade, creio que todas nós deveríamos nos regozijar com esse afeto sincero e até apaixonado. Passei, pois, por todas as mãos, de judeus e árabes, de mingrelianos e abkhazes, conheci cada ruela, cada bairro, cada polegada de Istambul, antes de sair da cidade na bagagem de um hodja, que vinha de Andrinopla e ia para Manisa. Na estrada, é atacado por salteadores. Um deles grita: “A bolsa ou a vida?”. Apavorado, o pobre hodja me esconde onde imagina que eu estaria mais segura: dentro do cu! Esse lugar fedia mais que a boca do apreciador de alho, além de ser nitidamente menos sossegado, porque a situação azedou quando, em vez de “a bolsa ou a vida?”, os bandoleiros passaram a dizer: “a honra ou a vida?”. Puseram-se em fila e entraram em meu esconderijo, um depois do outro. Prefiro não contar os ultrajes que sofri, metida naquele buraco apertado. E por isso que detesto sair de Istambul.

Porque, em Istambul, sempre fui muito bem tratada: as moças casadouras me cobrem de beijos, como se eu fosse o partido com que sonham, guardam-me na seda dos seus porta-moedas, sob seus travesseiros, entre seus seios volumosos e até na roupa de baixo. Elas me apalpam, dormindo, para se certificar da minha presença. Já me esconderam perto da estufa de um hamam, numa bota, no fundo de um frasco, na cheirosa loja de um perfumista ou na bolsinha secreta que um cozinheiro costurou no fundo do seu saco de lentilhas.

Percorri toda Istambul escondida em cintos de couro de camelo, em forros de jaqueta feitos de tecido xadrez do Egito, no pano grosso de uma pantufa ou nas dobras multicores de um chalvar. O relojoeiro Pietro encafurnou-me num relógio de pêndulo, e um merceeiro grego meteu-me numa grossa fôrma de queijo. Dividi o mesmo esconderijo com jóias, sinetes e chaves: éramos enrolados num pano espesso, depois metidos no fundo de uma estufa, de um cano de chaminé ou sob um parapeito de janela; em travesseiros cheios de palha, num alçapão no assoalho, em baús com fundo falso. Conheci pais de família que se levantavam bruscamente da mesa para verificar se eu continuava onde tinham me posto, mulheres que, sem mais nem menos, me chupavam como se eu fosse açúcar-cande, crianças que me cheiravam e me enfiavam no nariz, velhotes com o pé na cova que não ficavam sossegados se não me tiravam da bolsa de pele de carneiro sete vezes por dia no mínimo. Houve uma circassiana tão maníaca que, depois de passar o dia lavando e lustrando sua casa, tinha de nos tirar da bolsa para nos esfregar, uma a uma, com uma escova de pau. Lembro-me do cambista caolho que passava o tempo nos empilhando em pequenos bastiões; do porteiro que recendia a madressilva e que ficava nos contemplando, com toda a família, como se fôssemos uma linda paisagem; e do dourador, aquele que acaba de nos deixar — inútil dizer mais, creio —, que passava suas noites nos arrumando de todas as formas possíveis e imagináveis. Viajei em grandes barcaças de acaju; percorri todo o Grande Serralho; fui introduzida nas encadernações de manuscritos costurados em Herat, nos tacões de borzeguins perfumados com rosa, nas tampas dos sacos de correio, e manipulada por centenas de mãos: sujas, peludas, gorduchas, pegajosas, velhas e trêmulas; recolhi o cheiro e o suor de Istambul, dos fumadouros de ópio às fábricas de vela e às barricas de arenque.

Depois de tantas emoções e de tanta tensão, um assaltante horrível que acabava de degolar sua vítima num canto escuro me embolsou e, de volta a seu antro infame, cuspiu em mim, dizendo: “Maldita, tudo por sua causa!”. Eu me senti tão mal que me deu vontade de desaparecer. Mas, se eu não existisse, ninguém distinguiria um bom pintor de um mau pintor, e os miniaturistas acabariam se massacrando. Foi por isso que não desapareci, fui simplesmente me meter no bolso do mais sabido, do mais talentoso entre eles. E cá estou. Se vocês se acham melhores pintores do que Cegonha, dêem um jeito de vir me pegar.

orhanO autor:

Orhan Pamuk nasceu em 1952, em Istambul. Principal romancista turco da atualidade, já foi traduzido para mais de quarenta idiomas e ganhou o prêmio Nobel de literatura em 2006. Foi um dos primeiros turcos a falar abertamente sobre o massacre de armênios promovido pela Turquia no início do século XX.

 

 

 

Já li também o livro Neve (prêmio Nobel de Literatura em 2006).

neveSinopse: Na década de 1990, após um longo exílio político na Alemanha, o poeta Ka retorna a Istambul para o enterro da mãe. Acometido por uma crise de esterilidade que ameaça liquidar sua vocação literária, ele se vê impelido a viajar até a antiga cidade de Kars, nos confins da Anatólia Oriental, castigada pelo rigor do inverno e famosa pelos intermitentes conflitos étnicos e religiosos. Acreditando que o amor é sua única esperança de recuperar a potência criativa, Ka se faz passar por um jornalista que investiga um surto de suicídios entre estudantes muçulmanas da escola local para aproximar-se de Ipek, antiga colega de universidade e ex-mulher do candidato às eleições municipais pelo principal partido islâmico. Desviando-se dos bairros populosos de Istambul, cenário privilegiado dos romances de Pamuk, Neve imerge nas raízes profundas da Turquia para investigar a mecânica brutal dos conflitos que dilaceram o Oriente Médio. Encenado como um irônico caleidoscópio de referências históricas e literárias, o livro explora os caminhos concorrentes da memória, da razão e da imaginação na travessia espiritual e artística de Ka. O poeta e sua luta espelham a trajetória do romancista, inserida criticamente na literatura de um país sempre dividido entre o secularismo europeu e as tradições otomanas e islâmicas ancestrais.

Então, gostaram?

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

Um comentário em “{Eu li} Meu nome é vermelho – Orhan Pamuk

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