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108 anos do Quintana

quintanaHoje o poeta Mario Quintana faria 108 anos. Ele também foi tradutor e jornalista, é considerado um dos maiores poetas do século XX. Nasceu na cidade de Alegrete (Rio Grande do Sul) no dia 30 de julho de 1906 e faleceu em na capital gaúcha no dia 5 de maio de 1994. Leia sobre toda sua biografia no site releituras. E o que eu queria hoje era trazer um poema!

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

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{Eu li} Cem anos de solidão de Gabriel García Márquez

cem anos de solidão capasSinopse: Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer a fábrica de gelo”…  Com essa frase antológica, García Marquéz, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, introduz a fantástica Macondo, um vilarejo situado em algum recanto do imaginário caribenho, e a saga dos Buendia, cujo patriarca, Aureliano, fez trinta e duas guerras civis… e perdeu todas. García Marquéz já despontava como um dos mais importantes escritores latino-americanos, no início da década de 1970, quando Cem anos de solidão começou a ganhar público no Brasil. O livro causou enorme impacto. Na época, o continente estava pontilhado de ditaduras. Havia um sentimento geral de opressão e de impotência. Então, essa narrativa em tom quase mítico, em que o tempo perde o caminho, em que os episódios testemunhados e vividos acabam se incorporando às lendas populares, evoca nos leitores uma liberdade imemorial, que não pode ser arrebatada. E tão presente. Tão  familiar e necessária. Em Macondo, os mortos envelhecem à vista dos vivos e os anjos chegam, sempre, em dezembro. Entretanto, García Marquéz nunca aceitou que suas narrativas fossem rotuladas como fantasia. Talvez porque isso exilasse Macondo num outro mundo, que nem a solidão ou a liberdade pudessem alcançar. Cem anos de solidão é a mais pura história do povo latino-americano. Mas ultrapassa o momento e expõe a alma dessa história – ou como é vivenciada.

 Enrolei bastante para ler esse clássico e me arrependo de ter demorado tanto, mas é o tipo de livro que você lê e sente que teve uma boa aula: de como escrever, de riqueza literária, de realismo fantástico e de América Latina. A fictícia Macondo, é espelho das atrocidades ditatoriais, da violência das guerras e do povo latino americano que viveu abandonado durante muito tempo. Entregue a solidão. Mesmo com pequenos avanços como a chegada de trens e de empresas estrangeiras como A Companhia Bananeira, que só serviram para acabar com a paz do lugar, que preferia ficar esquecido, ao invés de ser inserido no capitalismo mundial, apenas para ser explorado. Exemplo de uma América Latina a de eterna exportadora de suas riquezas e levando muito pouco em troca, mantendo o subdesenvolvimento.

Construir a história latino-americana tão repleta de guerras e solidão a partir da árvore genealógica de uma família, que na realidade é a sua. Fazer isso articulando gerações e gerações sem perder o fio da meada não é tarefa para qualquer um. Transportar o leitor para o mundo de solidão dos personagens tão apegados a guerras inúteis, à solidão e magia inerente a sociedades lentas e subdesenvolvidas, léguas distante da modernidade, sem citar explicitamente aonde quer chegar, mas levando leitores mais experientes a intuírem a mensagem do escritor não é tarefa para um autor comum. Enfim, elaborar tudo isso num ambiente narrativo repleto de imaginação, recorrendo à fantasia para revelar a realidade, é o que fez desse escritor um mestre num estilo que conhecemos como realismo mágico. É o que conhecemos como arte. Arte por meio da escrita é o que construiu o colombiano Gabriel García Márquez na obra definitiva, que certamente muito contribuiu para que a ele fosse merecidamente concedido o Prêmio Nobel de Literatura, de 1982. (Salatiel Soares Correia, leia)

Aureliano Segundo resolveu que era preciso trazê-la para casa e protegê-la, mas o seu bom propósito foi destruído pela inquebrantáveis intransigência de Rebeca, que tinha necessitado de muitos anos de sofrimento e miséria para conquistar os privilégios da solidão e não estava disposta a renunciar a eles em troca da velhice perturbada pelos falsos encantos da misericórdia.

 Toda a solidão é representada em cada um da família Buendía de uma maneira diferente, ou compartilhada pelo nome. O tempo passa e eles continuam presos as mesmas manias e aflições inexplicáveis, como uma sina.

A longa história da família, a tenaz repetição dos nomes permitiria que ela tirasse conclusões que lhe pareciam definitivas. Enquanto os Aurelianos eram retraídos, ma de mentalidade lúcida, os Josés Arcadios eram impulsivos e empreendedores, mas estavam marcados por um signo  trágico. Os únicos casos de classificação impossível eram os de José Arcadio Segundo e Aureliano Segundo. Foram tão parecidos e travessos durante a infância que nema própria Santa Sofia de la Piedad os podia distinguir.

 O realismo fantástico ou mágico é o que mais me atraiu na obra, a fantasia que a princípio pode causar estranhamento ao ser narrada como parte da nossa realidade leva a reflexão e nos faz tentar interpretar os mínimos detalhes. Como a história de Remédios, a Bela, que vivia com tal pureza e não se prendia a nada, que nenhum homem era capaz de conquistar e que acabou se elevando aos céus. A história é repleta de casos assim que desafiam as leis da razão, mas que nos dão um imenso prazer de ler. Ou como a do cigano Melquíades que fez uma previsão sobre a família Buendía, que só seria decifrada cem anos depois por um dos homens da família que conseguisse compreender e decifrar o que ele escreveu.

 *A principal particularidade desta corrente literária é fundir o universo mágico à realidade, mostrando elementos irreais ou estranhos como algo habitual e corriqueiro. Além desta característica, o realismo mágico apresenta os elementos mágicos de forma intuitiva (sem explicação). (infoescola)

gabriel gmO autor:

Escritor, jornalista, editor e ativista político, Gabriel García Márquez nasceu no dia 6 de março de 1927, em Aracataca, Colômbia. O seu pai era o farmacêutico Gabriel Eligio García e a mãe Luisa Santiaga Márquez que, para além do autor, tiveram mais 10 filhos. Devido a este factor foi criado primeiramente pelos avós maternos, o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía e Tranquilina Iguarán. Depois se mudou pra Barranquilla, onde passou a conviver com os avós, que o criaram em sua primeira infância, e de quem recebeu intensa influência. Do avô, um veterano da Guerra dos Mil Dias, escutou histórias que muito influenciaram suas obras literárias. Estudou Direito e Ciências Políticas na Universidade Nacional da Colômbia, mas não chegou a se graduar.Foi-lhe concedido o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra. “Cem Anos de Solidão” é considerado o romance introdutor de um estilo literário: o realismo mágico. Como ativista político, García Márquez se tornou um respeitado interlocutor de governos latino-americanos. Dentre seus amigos, destacam-se Fidel Castro, de Cuba, e o ex-presidente francês François Mitterrand. Ele faleceu em abril de 2014, deixando para trás inúmeros fãs no mundo inteiro. Mas prefiro acreditar que autores como ele não morrem nunca.

Romances, contos e crônicas:

· Folhas mortas
· Ninguém escreve ao coronel
· Cem anos de solidão
· Doze contos peregrinos
· O general em seu labirinto
· O amor nos tempos do cólera
· A aventura de Miguel Littin clandestino no Chile
· Cheiro de Goiaba: Conversas com Plinio Apuleyo Mendoza
· Como Contar um Conto
· Crônica de uma Morte Anunciada
· Do Amor e Outros Demônios
· O Enterro do Diabo: A Revoada
· Entre Amigos
· Os Funerais da Mamãe Grande
· A Má Hora (o Veneno da Madrugada)
· A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada
· Olhos de Cão Azul
· O Outono do Patriarca
· Relato de um Náufrago
· Oficina de Roteiro de Gabriel García Márquez: Me Alugo Para Sonhar
· Notícia de um seqüestro
. Viver para contar (memórias)
. Memórias de minhas putas tristes
. Obra jornalística – Vol. 1 – Textos caribenhos
. Obra jornalística – Vol. 2 – Textos andinos.
. Obra jornalística – Vol. 3 – Da Europa e da América, 1955 1960
. Obra jornalística – Vol. 4 – Reportagens políticas
. Obra jornalística – Vol. 5 – Crônicas

Infanto-juvenis:

. A última viagem do navio fantasma
. Maria dos prazeres
. A sesta da terça-feira
. A luz é como a água
. Um senhor muito velho com umas asas enormes
. O verão feliz da senhora Forbes

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{News} Eu li notícias literárias da semana

Cinquenta Tons de Cinza ganha primeiro trailer legendado

Longa estrelado por Jamie Dornan e Dakota Johnson chega aos cinemas brasileiros em fevereiro de 2015. Fonte: Adoro Cinema Continue lendo.

 

Ao som de maracatu, família e amigos se despedem de Ariano Suassuna

Escritor foi enterrado na tarde desta quinta-feira, no município de Paulista, em Pernambuco. Fonte : O Globo. Continue lendo

Marvel lançará quadrinhos com balões vazios e linguagem de sinais

Para emular deficiência auditiva de personagem, número do Gavião Arqueiro inova e abre mão dos diálogos tradicionais. Fonte : O Globo. Continue lendo

Não quero que a morte seja súbita, escreveu Rubem Alves à Folha

O escritor e educador Rubem Alves morreu no dia 19, aos 80 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos. Fonte: Folha de S. Paulo. Continue lendo

J. K Rowling planeja mais de sete livros para série de detetive

Em sua primeira aparição pública no ano como Robert Galbraith, pseudônimo que usou para escrever a série do detetive Cormoran Strike, J. K. Rowling afirmou que deseja escrever mais do que sete livros da sua trama policial. O segundo livro do personagem (“The Silkworm”) ficou no topo da lista dos mais vendidos do “Sunday Times” depois que foi publicado em junho. Em fevereiro, rumores que a sequência teria sete livros foram negados por editores responsáveis pela publicação. Fonte: O Globo. Continue lendo

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4° e último sorteio de aniversário! #1anodeblog

Hoje é o último sorteio do nosso mês de aniversário! Gostaria de continuar compartilhando presentes literários, mas não posso. E como não poderia deixar de ser, o último sorteio será de um livro. Esse livro é a cara do blog e me encantou muito: A vida do livreiro A. J. Fikry da Gabrielle Zevin. Tenho certeza que quem ama ler vai se apaixonar pelo livro.

avidadolivreiroSinopse:
“Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island. (resenha que fiz).

Regulamento (atenção para a nova regra):

– Ter endereço no Brasil.
– Clicar em participar no link. Clique aqui.
– Curtir a pagina do blog no facebook. Clique aqui.
– Seguir o blog Eu li ou vou ler.
– Novo: Comentar a resenha do blog sobre o livro. Clique aqui.
– Compartilhar a imagem promocional como pública no seu facebook. Essa aqui.

Boa sorte a todos! Obrigada ao participantes!

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{Eu li} A vida do livreiro A.J. Fikry – Gabrielle Zevin

avidadolivreiroSinopse:
“Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena Alice Island.

A sinopse parece bem simples e revela pouco sobre o tal “pacote”, das muitas possibilidades do que ele poderia ser, a escolhida pela autora me surpreendeu, então não vou contar! Mas é uma daquelas que podem causar uma mudança real na vida.

A vida o livreiro A.J. Fikry é um elogio, um carinho para todos que amam livros. Pessoas que amam ler, amam falar sobre os livros que  leu, indicar livros. Eu como blogueira literária, gosto de me sentir um pouco livreira e não é uma ideia que me é estranha, se for para ter meu próprio negócio um dia é o que gostaria de ter, uma livraria.

E, no fim, não é que gosto de livrarias?  Sabe, conheço muita gente nesse meu emprego. Muita gete passa por Alice Island, ainda mais no verão. Já vi gente do cinema de férias, e já vi gene da música, e gente de jornal também. Não tem ninguém no mundo como o pessoal dos livros. É um negócio de cavalheiros e damas.

Na história podemos ver como as pessoas que leem podem influenciar positivamente outras pessoas a lerem e que a caminhos para isso, como escolher o tipo de livro certo, e ir aos poucos abrindo esse novo mundo para quem não lê. Porque ler é uma “cachaça” né, quem toma como vício num larga mais. Ainda bem!

Porque um livro é diferente do outro? São diferentes, decide A.J., porque são. Temos que abrir muitos. Temos que acreditar. Concordamos com ocasionais decepções para ficarmos maravilhados de vez em quando.

Essa narrativa traz aquela sensação de um texto completo e redondinho, as situações que vão acontecendo durante a vida do livreiro A.J. e das pessoas que o cercam, são amarradas no final do livro, assim como os pequenos mistérios da trama. No livro o personagem principal começa com uma terrível perda, que o faz se fechar no seu casulo de livros, as primeiras pessoas que retomam o contato com ele tem que primeiro experimentar a rejeição para depois poderem conhecer quem é o A.J. de verdade, que nem ele mesmo conhecia. Depois do “pacote” ser entregue, ele é forçado a mudar de vida, e acaba abrindo uma brecha para as pessoas voltarem a fazer parte da vida dele e da livraria. Mesmo que tudo comece por curiosidade pela vida de A.J., quem disse que esse é um necessariamente um mal caminho? Não é assim que começamos a ler um bom livro? Por curiosidade?

Acho que fiquei mole depois da meia-idade. Mas também acho que minha nova reação está relacionada com a necessidade de encontrarmos histórias no momento certo de nossas vidas. Lembre, Maya: as coisas que nos tocam aos vinte não são necessariamente as que nos tocam aos quarenta, e vice-versa. Isso é verdade para livros e para a vida.

Os personagens do livro são todos muito cativantes, a narrativa não se restringe em A.J., mas também desperta nossa vontade de saber mais sobre seus amigos e ficar amigos deles também. Temos muitos diálogos sobre livros, mas todos muito divertidos e espirituosos, não um diálogo intelectual clássico. Além, de várias referências à personagens conhecidos e à outros que nem tanto, então o leitor pode descobrir várias indicações de romances e de contos (que são os favoritos de A.J.).

Sua mãe gosta de falar que os romances arruinaram Amelia para homens reais. O comentário insulta Amelia porque insinua que ela só lê livros com heróis românticos clássicos. De vez em quando até que curte, mas seu gosto literário é bem mais variado. Além disso, adora  Humbert Humbert como personagem, mas aceita o fato de que não iria querê-lo como parceiro, namorado ou até como um casinho. Sente o mesmo por Holden Caulfield, sr. Rochester e Darcy.

O livro é antes de tudo muito sincero, as reações são muito humanas, amores, medos, receios e frustrações estão ali o tempo todo, numa vida que como a nossa não é um mar de rosas. Eu fiquei muito emocionada com o livro, me reconheci em muitas páginas. Fui dormir de madrugada até terminar de ler. Esse é um livro que você não quer que termine, mas ele é fininho, então você vê o fim chegando rápido, mas a autora soube aproveitar muito bem esse pequeno espaço. E cheguei ao fim com sensação de que tinha lido uma história enorme, porque ela me preencheu. EU poderia recomeçar a ler o livro, assim que vi as últimas linhas.

Na parte de trás da capa do livro, as famosas opiniões sobre o livro, dessa vez não são apresentadas por escritores famosos ou jornalistas, mas são os livreiros de quatro livrarias conhecidas que trazem a sua opinião. Achei de um cuidado bem legal.

Trecho do livro.

A autora

gabrielleGabrielle Zevin começou sua carreira de escritora aos 14 anos. Formada pela Universidade Harvard, é roteirista e A vida do livreiro A. J. Fikry é seu oitavo romance. Depois de muitos anos morando em Nova York, hoje vive em Los Angeles. Ainda não achei muito mais que isso sobre a autora, só em inglês no site gabriellezevin.com .