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{Eu li} Cem anos de solidão de Gabriel García Márquez

cem anos de solidão capasSinopse: Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendia havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer a fábrica de gelo”…  Com essa frase antológica, García Marquéz, Prêmio Nobel de Literatura de 1982, introduz a fantástica Macondo, um vilarejo situado em algum recanto do imaginário caribenho, e a saga dos Buendia, cujo patriarca, Aureliano, fez trinta e duas guerras civis… e perdeu todas. García Marquéz já despontava como um dos mais importantes escritores latino-americanos, no início da década de 1970, quando Cem anos de solidão começou a ganhar público no Brasil. O livro causou enorme impacto. Na época, o continente estava pontilhado de ditaduras. Havia um sentimento geral de opressão e de impotência. Então, essa narrativa em tom quase mítico, em que o tempo perde o caminho, em que os episódios testemunhados e vividos acabam se incorporando às lendas populares, evoca nos leitores uma liberdade imemorial, que não pode ser arrebatada. E tão presente. Tão  familiar e necessária. Em Macondo, os mortos envelhecem à vista dos vivos e os anjos chegam, sempre, em dezembro. Entretanto, García Marquéz nunca aceitou que suas narrativas fossem rotuladas como fantasia. Talvez porque isso exilasse Macondo num outro mundo, que nem a solidão ou a liberdade pudessem alcançar. Cem anos de solidão é a mais pura história do povo latino-americano. Mas ultrapassa o momento e expõe a alma dessa história – ou como é vivenciada.

 Enrolei bastante para ler esse clássico e me arrependo de ter demorado tanto, mas é o tipo de livro que você lê e sente que teve uma boa aula: de como escrever, de riqueza literária, de realismo fantástico e de América Latina. A fictícia Macondo, é espelho das atrocidades ditatoriais, da violência das guerras e do povo latino americano que viveu abandonado durante muito tempo. Entregue a solidão. Mesmo com pequenos avanços como a chegada de trens e de empresas estrangeiras como A Companhia Bananeira, que só serviram para acabar com a paz do lugar, que preferia ficar esquecido, ao invés de ser inserido no capitalismo mundial, apenas para ser explorado. Exemplo de uma América Latina a de eterna exportadora de suas riquezas e levando muito pouco em troca, mantendo o subdesenvolvimento.

Construir a história latino-americana tão repleta de guerras e solidão a partir da árvore genealógica de uma família, que na realidade é a sua. Fazer isso articulando gerações e gerações sem perder o fio da meada não é tarefa para qualquer um. Transportar o leitor para o mundo de solidão dos personagens tão apegados a guerras inúteis, à solidão e magia inerente a sociedades lentas e subdesenvolvidas, léguas distante da modernidade, sem citar explicitamente aonde quer chegar, mas levando leitores mais experientes a intuírem a mensagem do escritor não é tarefa para um autor comum. Enfim, elaborar tudo isso num ambiente narrativo repleto de imaginação, recorrendo à fantasia para revelar a realidade, é o que fez desse escritor um mestre num estilo que conhecemos como realismo mágico. É o que conhecemos como arte. Arte por meio da escrita é o que construiu o colombiano Gabriel García Márquez na obra definitiva, que certamente muito contribuiu para que a ele fosse merecidamente concedido o Prêmio Nobel de Literatura, de 1982. (Salatiel Soares Correia, leia)

Aureliano Segundo resolveu que era preciso trazê-la para casa e protegê-la, mas o seu bom propósito foi destruído pela inquebrantáveis intransigência de Rebeca, que tinha necessitado de muitos anos de sofrimento e miséria para conquistar os privilégios da solidão e não estava disposta a renunciar a eles em troca da velhice perturbada pelos falsos encantos da misericórdia.

 Toda a solidão é representada em cada um da família Buendía de uma maneira diferente, ou compartilhada pelo nome. O tempo passa e eles continuam presos as mesmas manias e aflições inexplicáveis, como uma sina.

A longa história da família, a tenaz repetição dos nomes permitiria que ela tirasse conclusões que lhe pareciam definitivas. Enquanto os Aurelianos eram retraídos, ma de mentalidade lúcida, os Josés Arcadios eram impulsivos e empreendedores, mas estavam marcados por um signo  trágico. Os únicos casos de classificação impossível eram os de José Arcadio Segundo e Aureliano Segundo. Foram tão parecidos e travessos durante a infância que nema própria Santa Sofia de la Piedad os podia distinguir.

 O realismo fantástico ou mágico é o que mais me atraiu na obra, a fantasia que a princípio pode causar estranhamento ao ser narrada como parte da nossa realidade leva a reflexão e nos faz tentar interpretar os mínimos detalhes. Como a história de Remédios, a Bela, que vivia com tal pureza e não se prendia a nada, que nenhum homem era capaz de conquistar e que acabou se elevando aos céus. A história é repleta de casos assim que desafiam as leis da razão, mas que nos dão um imenso prazer de ler. Ou como a do cigano Melquíades que fez uma previsão sobre a família Buendía, que só seria decifrada cem anos depois por um dos homens da família que conseguisse compreender e decifrar o que ele escreveu.

 *A principal particularidade desta corrente literária é fundir o universo mágico à realidade, mostrando elementos irreais ou estranhos como algo habitual e corriqueiro. Além desta característica, o realismo mágico apresenta os elementos mágicos de forma intuitiva (sem explicação). (infoescola)

gabriel gmO autor:

Escritor, jornalista, editor e ativista político, Gabriel García Márquez nasceu no dia 6 de março de 1927, em Aracataca, Colômbia. O seu pai era o farmacêutico Gabriel Eligio García e a mãe Luisa Santiaga Márquez que, para além do autor, tiveram mais 10 filhos. Devido a este factor foi criado primeiramente pelos avós maternos, o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía e Tranquilina Iguarán. Depois se mudou pra Barranquilla, onde passou a conviver com os avós, que o criaram em sua primeira infância, e de quem recebeu intensa influência. Do avô, um veterano da Guerra dos Mil Dias, escutou histórias que muito influenciaram suas obras literárias. Estudou Direito e Ciências Políticas na Universidade Nacional da Colômbia, mas não chegou a se graduar.Foi-lhe concedido o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra. “Cem Anos de Solidão” é considerado o romance introdutor de um estilo literário: o realismo mágico. Como ativista político, García Márquez se tornou um respeitado interlocutor de governos latino-americanos. Dentre seus amigos, destacam-se Fidel Castro, de Cuba, e o ex-presidente francês François Mitterrand. Ele faleceu em abril de 2014, deixando para trás inúmeros fãs no mundo inteiro. Mas prefiro acreditar que autores como ele não morrem nunca.

Romances, contos e crônicas:

· Folhas mortas
· Ninguém escreve ao coronel
· Cem anos de solidão
· Doze contos peregrinos
· O general em seu labirinto
· O amor nos tempos do cólera
· A aventura de Miguel Littin clandestino no Chile
· Cheiro de Goiaba: Conversas com Plinio Apuleyo Mendoza
· Como Contar um Conto
· Crônica de uma Morte Anunciada
· Do Amor e Outros Demônios
· O Enterro do Diabo: A Revoada
· Entre Amigos
· Os Funerais da Mamãe Grande
· A Má Hora (o Veneno da Madrugada)
· A Incrível e Triste História da Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada
· Olhos de Cão Azul
· O Outono do Patriarca
· Relato de um Náufrago
· Oficina de Roteiro de Gabriel García Márquez: Me Alugo Para Sonhar
· Notícia de um seqüestro
. Viver para contar (memórias)
. Memórias de minhas putas tristes
. Obra jornalística – Vol. 1 – Textos caribenhos
. Obra jornalística – Vol. 2 – Textos andinos.
. Obra jornalística – Vol. 3 – Da Europa e da América, 1955 1960
. Obra jornalística – Vol. 4 – Reportagens políticas
. Obra jornalística – Vol. 5 – Crônicas

Infanto-juvenis:

. A última viagem do navio fantasma
. Maria dos prazeres
. A sesta da terça-feira
. A luz é como a água
. Um senhor muito velho com umas asas enormes
. O verão feliz da senhora Forbes

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

6 comentários em “{Eu li} Cem anos de solidão de Gabriel García Márquez

  1. Uma obra excelente da qual me rendeu inúmeros momentos de prazer. Por dias, fiquei absorto em pensamentos, idealizando todas aquelas desgraças que, quando tudo parecia estar bem, adentravam a vida dos Buendías e como que um furacão sem dó destruíam tudo que tinha aparência de inteiro. Acompanhei (e confesso, com grande aflição) as frustrantes guerras de Aureliano e o fim de cada filho seu. Mas me divertir, diverti com a insonia que se alastrou entre o povo de Macondo, que, a princípio, foi tratado como algo bom, até todos começarem a esquecer tudo; aquela chuva interminável (que loucura); e, claro, a escrita de Gabriel García, que conseguia, com uma destreza genial, fazer tudo ficar realmente magnífico. E para finalizar, parabenizo a autora (da página) pelo cantinho, aqui, muito bem organizado.
    Abs

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