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{Eu li} Novembro de 63 – Stephen King

novembrode63Sinopse: A vida pode mudar num instante, e dar uma guinada extraordinária. É o que acontece com Jake Epping, um professor de inglês de uma cidade do Maine. Enquanto corrigia as redações dos seus alunos do supletivo, Jake se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque… mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. Al mostra a Jake como isso pode ser possível: entrando por um portal na despensa da lanchonete, assim chegando ao ano de 1958, o tempo de Eisenhower e Elvis, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. Após interferir no massacre da família Dunning, Jake inicia uma nova vida na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas. Mas todas as curvas dessa estrada levam ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald. O curso da história está prestes a ser desviado… com consequências imprevisíveis.

Precisei de duas semana para ler esse livro, por isso não tivemos resenha na semana passada. É uma sensação muito prazerosa a de acabar um livro muito bom, e foi assim que fiquei ao terminar de ler esse. Nunca tinha lido nada do Stephen King, uma amiga já tinha me alertado para o quanto ele escreve bem e como a leitura simplesmente flui. E acho que Novembro de 63 se tornou uma excelente forma de começar a conhecer a obra do autor. Eu tenho um grande fraco por viagens no tempo, é um tema que consegue realmente me prender. O livro traz uma abordagem clássica do personagem que vai ao passado com o intuito de mudá-lo, mesmo sabendo que as consequências podem não ser boas. Como somos advertidos a todo momento no livro “o passado não que se mudado”. A vida é cheia de possibilidades, podemos tomar muitas medidas e fazer escolhas diferentes, e ainda assim tudo é muito complicado. Como ficaria a nossa cabeça se além das decisões para o futuro, tivéssemos o poder de alterar o que já aconteceu? E assim mudar o curso da história mundial?

É nesse novelo de linhas e possibilidades que entra Jake, com uma nova identidade: George Amberson, ele não sabia mas nessa busca por alterar o passado ele conseguiria mudanças definitivas no seu ser. Eu fiquei bem impressionada como o autor consegue  conduzir a história por cinco anos sem que o leitor perca o interesse. Jake chega ao passado em 1958 com a missão de fazer uma grande alteração em 1963, um grande tempo para planejamentos e pesquisas além da eliminação de incertezas. Afinal, quem é Lee Oswald? Jake tem o direito de interferir na sua vida? no final King conta como fez a pesquisa, os lugares que visitou para contar a sua história 50 anos depois. Explica também que esse é um projeto bem antigo, mas que só pode se concretizar no ano passado.Toda a busca pela verdade sobre o assassinato de Kenedy antes que ele aconteça é muito interessante.

Eis outra coisa que sei. O passado é obstinado pela mesma razão que o casco de tartaruga é obstinado: porque a carne viva dentro dele é tenra e indefesa.

Mas o que mais me prendeu é como nosso herói se envolve e cria laços com o passado, que o fazem duvidar da importância de sua missão, por conta do lugar que outras pessoas passam a ocupar em seu coração. Como todo bom herói ele terá aquela divisão entre o dever e seus desejos pessoais.

Tudo que vai, volta, dizem, e embora eu nunca fosse capaz de imaginar quem seriam os misteriosos sábios que tudo diziam, sem dúvida estavam certos no caso das viagens no tempo.

O livro nos faz viajar no tempo, não tem como não se sentir na década de 60 ao ler o livro. Roupas, carros, dança, a moda do tabagismo (que ninguém sonhava que faria tão mal, e era sim um sinal de status). A ambientação é muito bem feita, King também tenta mostrar um pouco do clima político que estudamos nos livros de história mas de uma forma superficial como uma simples decoreba de datas. No clima da guerra fria, com uma guerra atômica podendo ocorrer, como você se sentiria? Crise dos mísseis, e outras grandes tensões histórias eclodem na história em que qualquer alteração pode transformas o mundo que conhecemos. O final é extremamente coerente e vale a pena ler as 700 páginas que compõe o livro. Os personagens são extremamente cativantes, ele com certeza entrou pro hall dos meus livros favoritos.

Mike e Bobbi Jill danaram no seu tempo, e o seu tempo era 1963, aquela época de cabelo reco, televisores com gabinete e rock de garagem feito em casa. Dançaram num dia em que o presidente Kennedy prometeu assinar um tratado de proibição de testes nucleares e disse aos repórteres que não tinha “intenção de permitir que as nossas foras militares se atolem na política oculta e nos rancores antigos do sudeste da Ásia.

stephen-kingO autor: Stephen Edwin King (Portland, 21 de setembro de 1947) é um escritor norte-americano, reconhecido como um dos mais notáveis escritores de contos de horror fantástico e ficção de sua geração. Os seus livros venderam mais de 350 milhões de cópias e foram publicados em mais de 40 países e muitas das suas obras foram adaptadas para o cinema. Embora seu talento se destaque na literatura de terror/horror, escreveu algumas obras de qualidade reconhecida fora desse gênero e cuja popularidade aumentou ao serem levadas ao cinema, como nos filmes Conta Comigo, Um Sonho de Liberdade (contos retirados do livro As Quatro Estações),Christine, Eclipse Total, Lembranças de um Verão e À Espera de um Milagre. O  livro The Dead Zone, originou a série da FOX com o mesmo nome.  E um dos recentes sucessos Under the dome (Sob a redoma) ganhou uma adaptação para a TV (CBS) com o mesmo nome  e está na segunda temporada.

Pergunta retirada da entrevista do blog Companhia das Letras, leia ela completa.

Qual o seu processo de trabalho, de criação?
É difícil de explicar, porque não é uma coisa clara e verbal para mim, mas vou tentar. Quando eu começo a visualizar as pessoas, onde elas estão, o que estão fazendo, o que vão fazer, como elas falam, como se sentem, qual seu discurso interior, então elas se tornam reais e não tenho vontade de me levantar da cadeira, o que é ótimo mas também terrível, porque é uma coisa muito exigente e muito difícil e absolutamente retira você do mundo ao seu redor, do mundo das outras pessoas à sua volta… E eu não quero sair do mundo das pessoas sobre as quais estou escrevendo, não consigo usar a palavra “personagens”, eu quero ficar no mundo que está na minha cabeça, porque estou vendo com clareza o mundo na minha cabeça e mais nada tem a mesma importância. Deu pra entender? Isso explica alguma coisa?

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

9 comentários em “{Eu li} Novembro de 63 – Stephen King

  1. Para começar só há uma única palavra que defina King: Amor! Oh escritor maravilhoso, meu senhor!rs Quando leio algo dele me pego pensando: “Quando eu crescer quero ser igual a esse moço!” rs Uma construção de personagens monstruosa e impecável, uma densidade na conduta da narrativa, uma responsabilidade e prova de que o exercício contínuo é mesmo uma coisa necessária. Admiro demaaaaaais. Tem peito e faz as coisas não meramente para chocar e impressionar, como infelizmente muitos acabam por fazer hoje, mas porque ele tem aquela responsabilidade de cumprir com o que se propôs. Não sei, King é só amor. Um escritor que fica assim no topo, não há um lugar melhor para ele. E que bom que te viciei nesse moço também, assim tenho com quem conversar sobre como é viciante a narrativa profunda, cheia de densidade mesmo sem aquela coisa superficial, e de uma construção maravilhosa e monstruosa das personagens dele. E convenhamos, ele tem e terá sempre as melhores notas e prefácios ahahahaha

    1. Verdade mille, quero ler os outros que não são de terror (que não é muito a minha praia). E as notas e prefácios realmente valem a pena! Nesse ele ainda indica um livro de viagem no tempo, que só tem em inglês pensando seriamente em me aventurar uhauhauh

  2. Oi Thami, como vai?
    Desejo esse livro há um tempinho, mas ainda não tinha conferido uma resenha contemporânea sobre ele. Fiquei com mais vontade ainda de ler, principalmente depois que vc o favoritou.
    Beijos

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