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{Eu li} A Invenção das Asas – Sue Monk Kidd

A_INVENCAO_DAS_ASAS_1387406955PSinopse: Em sua terceira obra, Sue Monk Kidd, cujo primeiro livro ficou por mais de cem semanas na lista de mais vendidos do New York Times, conta a história de duas mulheres do século XIX que enfrentam preconceitos da sociedade em busca da liberdade. Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem.

A Invenção das Asas é um livro que conta a história da luta de Sarah Grimké, Angelina Grimké e da escrava Encrenca por liberdade. Nascida em uma família escravista da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Sarah sempre foi uma menina diferente, a frente do seu tempo como a maioria dos grandes tranformadores. Desde criança, sempre teve seus ideias abolicionistas por não enxergar os escravos de seus pais como pessoas inferiores e que nasceram para servir. Incentivada pelo pai a ler livros de filosofia e direito e aprender a debater suas ideias, esse sentimento de injustiça foi alimentando sua alma e formando alguém que não se contentaria em ser uma dama da sociedade da época. Mas seus pais e irmãos nunca a viram como alguém que ajudaria a mudar o curso da história e tentaram cortar sua educação e suas asas. A personagem precisou primeiro crescer para romper com suas próprias correntes e ai sim poder lutar. Teve que deixar para trás a religião e a família para ser que nasceu para ser.

invencaoParalela a vida de Sarah, temos a narração de Encrenca, criança que já nasceu escrava mais que sempre teve um espírito muito mais liberto do que o de sua dona. Encrenca foi presenteada a Sarah, com 1o anos, e encontrou na outra menina não uma causa de martírio, mas uma pessoa tão confusa quanto ela e que não desejava o seu mal. E que acaba prometendo a sua mãe um dia libertá-la, mas ela não é pessoa de ficar esperando que outra a liberte. Encrenca nos conquista a ponto que não baixa a cabeça nem mesmo diante dos horrores e castigos que sofre e vê os outros sofrerem.

Bens e escravos. As palavras do caderno de couro apareceram na minha cabeça. A gente era como o espelho de moldura dourada e a sela do cavalo. Não pessoas de verdade. Não acreditava nisso, nunca acreditei um dia de minha vida, mas se você escuta os brancos por muito tempo, uma parte triste e derrotada de você começa a acreditar. Todo o orgulho por causa de nosso valor me deixou. Pela primeira vez senti dor e vergonha por quem eu sou. Depois de um tempo, desci pro porão. Quando mamã viu meus olhos vermelhos, ela disse: Ninguém pode escrevê num livro quanto ocê vale.

O livro é composto por personagens riquíssimos e cativantes. No livro também temos Angelina, a irmã mais nova e afilhada de Sarah, que se torna quase que sua filha e cresce disposta também a lutar contra a escravidão por influência da irmã mais velha. Angelina é a personagem necessária para dar um grande empurrão em Sarah, para que ela que é muito ponderada comece a agir mais e encarar a luta. A luta aos poucos vai deixando de ser só pela causa abolicionista, mas também pela liberdade da mulher de se expressar.

O que quer que seja correto moralmente para um homem fazer é moralmente para uma mulher fazer. Ela está dotada por seu Criador dos mesmos direitos e dos mesmos deveres.

Esse é um tema muito instigante. Confesso, que apesar disso, na metade do livro estava ficando um pouco impaciente com Sarah, querendo que ela começasse logo a batalha, mas como se trata de uma mulher da época, a trama é muito coerente pois sua tarefa não era nada fácil, principalmente porque dentro dela também haviam outros sentimentos que eram contraditórios com o que ela queria como o amor pela família e a dor de não construir a sua própria. Então cheguei ao final do livro mito feliz em saber que essas duas irmãs realmente existiram, na nota da autora ela explica que fatos da história delas foram mantidos e o que foi alterado para dar mais sabor a narrativa que é uma ficção.

Elas foram importantes para a causa abolicionista, foram as primeiras mulheres a escreverem manifestos publicados, foram consideradas párias pela sociedade. É muito importante que histórias como essas sejam contadas, a escravidão teve fim mas o preconceito racial ainda existe. A dívida do mundo para com a África ainda existe e temo que nunca será sanada. Infelizmente há pessoas que ainda consideram os negros como pessoas inferiores. E não só os negros mas também os homossexuais. Os mesmos argumentos religiosos que justificavam a escravidão e a onediência da mulher, hoje, apesar de diferentes, ainda ensinam muitas pessoas a acharem que o homossexualismo deve ser eliminado e é prejudicial a sociedade. Abram os olhos e parem de fazer mal a humanidade, as Igrejas já condenaram os negros e depois tiveram que voltar atrás. Porque você acha que com o homossexualismo vai ser sempre tão diferente? Leiam os livros que contam histórias como essas e repensem.

 sueA autora: Sue mora perto de Charleston, na Carolina do Sul. Primeiro livro de Sue, A vida secreta das abelhas ficou por mais de um ano e meio na lista de mais vendidos do New York Times e foi adaptado para o cinema em 2008. Seu segundo romance, O monge e a sereia, que alcançou a primeira posição na lista de mais vendidos do New York Times, ganhou o prêmio Quill de 2005 para melhor obra de ficção e foi transformado em um filme para a TV. Em março, Oprah Winfrey anunciou que a Harpo Films, sua produtora, adquiriu os direitos de filmagem do livro A Invenção das Asas..  Mais informações

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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