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{news} Eu li notícias literárias da semana

P.D. James, autora de livros policiais, morre aos 94 anos

Best-seller britânica era conhecida como ‘a baronesa do crime’. Criadora do inspetor Adam Dalgliesh foi adaptada para cinema e TV. Fonte: G1. Continue lendo

Veja a resenha do livro Morte em Pemberley de P.D James

Livro infantil de Marina Colasanti vence o prêmio de ficção do ano na 56ª edição do Prêmio Jabuti

Livro do ano de não ficção é ‘1889’, do jornalista Laurentino Gomes. Fonte: O Globo. Continue lendo

A vida de revolucionário de Luís Carlos Prestes em biografia de Daniel Aarão Reis

Livro traz a material inédito como documentos sobre a Intentona de 1935 e a reconstrução do PCB nos anos 1970. Fonte: O Globo. Continue lendo

Espanhol Juan Goytisolo vence o Cervantes pelo conjunto da obra

O autor de 83 anos é considerado um dos escritores mais importantes da Espanha desde a Guerra Civil; edições em português são encontradas em sebos. Fonte: Estadão. Continue lendo

Livro reconstitui história de Jimi Hendrix com suas entrevistas

‘Autobiografia’ organizada por Peter Neal e Alan Douglas, que chega agora ao País, dá voz a um dos músicos mais fundamentais de todos os tempos. Fonte: Estadão. Continue lendo

Veja o primeiro teaser da 5ª temporada de Game Of Thrones

O twitter oficial de Game Of Thrones publicou o primeiro teaser da 5ª temporada de Game Of Thrones. O clipe apresenta Maisie Williams como Arya Stark e visões de seu passado, é possível ver rapidamente portas em preto e branco. Fonte: GOT BR. Continue lendo

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{eu li} Fique onde está e então corra – John Boyne

55046_gAlfie Summerfield nunca se esqueceu de seu aniversário de cinco anos. Quase nenhum amigo dele pôde ir à festa, e os adultos pareciam preocupados – enquanto alguns tentavam se convencer de que tudo estaria resolvido antes do Natal, sua avó não parava de repetir que eles estavam todos perdidos. Alfie ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas a Primeira Guerra Mundial tinha acabado de começar. Seu pai logo se alistou para o combate, e depois de quatro longos anos Alfie já não recebia mais notícias de seu paradeiro. Até que um dia o garoto descobre uma pista indicando que talvez o pai estivesse mais perto do que ele imaginava. Determinado, Alfie mobilizará todas suas forças para trazê-lo de volta para casa.

O livro Fique onde está e então corra me trouxe de volta um dos meus autores favoritos, John Boyne, mas por gostar tanto, acho que eu esperava bem mais do livro. Acho que achei o que o menino fez fácil demais para uma criança de nove anos, mas talvez isso seja só uma questão de olhar. Mas o livro não pode ser considerado ruim, é envolvente e traz vários elementos da narrativa de Boyne. Ele definitivamente sabe trabalhar a partir do olhar de uma criança sobre momentos alegres e tristes. E é a característica mais forte do livro, como Alfie lida com as situações e vê as pessoas agindo de uma forma que ele muitas vezes não é capaz de compreender. E em outras , quando ele já está maior, é o único capaz de entender a resposta para o desespero do pai.

Além disso, é um ótimo retrato da sociedade do pós guerra, uma forma de tentar imaginar como os horrores da guerra podem afetar para sempre uma pessoa, como a guerra é um ato desumano para todos os envolvidos, como os inocentes são os que mais sofrem. E como elas não deveriam existir. O livro é narrado em terceira pessoa, pequeno e rápido de ler, mas as mensagens ficam gravadas na cabeça. E o autor amarra a história de um jeito inspirador como sempre faz.

sair daqui, vou? eles estão por todos os lados,. Comendo nos meus pés. Minhas pernas doem. deve estar enorme, não o reconheceria. Atiramos nele, atiramos sim, porque ele estava reclamando de tudo. Pare com isso, pare com isso. Eu não queria ter nada a ver com isso, mas o sargento disse que eu não tinha escolha, que senão eu  também acabaria na corte marcial.

A neurose pós guerra, retratada no livro, foi um dos termos que surgiu na psicologia da época. Não se escreve um livro como o de Boyne sem um grande conhecimento da história. E essa é a grande marca do autor, temos livros sobre a Segunda Guerra, Revolução Russa, a maioria deles você pode encontrar a resenha aqui no blog. Se você não gosta de personagens infantis sendo o centro da trama, eu indico o livro O Pacifista (o meu livro favorito dele), que tem uma linguagem bem mais adulta, também trata da guerra, mas ainda fala do homossexualismo e do que era ser um objetor de consciência, como era mal visto e difícil assumir essa posição.

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{News} Eu li notícias da semana

Ler um livro pode mudar seu cérebro – pelo menos por um tempo

Uma das coisas mais legais de se mergulhar em um livro é a sensação de sair da sua realidade e se colocar no corpo de outra pessoa. Mas isso não acontece só no sentido figurado – pode acontecer num sentido biológico também. Cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram que ler pode afetar nosso cérebro por dias, como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo. Fonte: Guia do estudante. Continue lendo

40 escritoras para ler antes de morrer
Se você é uma pessoa que está interessada em ler mais obras escritas por mulheres, quer valorizar “as minas”, mas não sabe por onde começar, seus problemas acabaram! Fique com essa lista de nomes de escritoras e suas principais obras. Fonte: Fórum. Continue lendo

Ascensão da Amazon faz editores brasileiros voltarem a discutir lei do preço fixo para o livro

Seminários no Rio e em São Paulo debatem o tema; veja o que dizem os defensores e os opositores da ideia. Fonte: O Globo. Continue lendo

Biografia investiga Princesa Isabel pelo aspecto feminino

Fonte: Folha. Continue lendo

Liberado o primeiro trailer da versão com atores de Cinderela!

Tem abóbora, magia, sapato de cristal e Cate Blanchett fazendo maldades. Fonte: Adoro Cinema Continue lendo

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{Dicas} 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra

Hoje, dia 20 de Novembro, é comemorado em lembrança a morte de Zumbi dos Palmares o Dia da Consciência Negra.
Continua sendo muito importante discutir a questão racial, não é só importante, é fundamental. O preconceito infelizmente ainda está aí.

Recentemente eu li dois livros, cujas resenhas estão aqui no blog, que trazem essa questão, ler um livro desses é uma boa ferramente para quem ainda sente algum preconceito aprender, para quem já sofreu se identificar e ver que tem todo o direito de expressar sua revolta e para quem quer entender mais sobre essa questão. Não deixe de ler!

consciencia

Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie. Sinopse: Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Resenha

A invenção das Asas de Sue Monk Kidd. Sinopse: Em sua terceira obra, Sue Monk Kidd, cujo primeiro livro ficou por mais de cem semanas na lista de mais vendidos do New York Times, conta a história de duas mulheres do século XIX que enfrentam preconceitos da sociedade em busca da liberdade. Sue Monk Kidd apresenta uma obra-prima de esperança, ousadia e busca pela liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e juntas questionam as regras da sociedade em que vivem. Resenha

Outra dica é o poeta Solano Trindade, eu nunca ouvi falar sobre ele, até recentemente na faculdade. E venho aqui prestar a minha queixa aos livros paradidáticos quem nunca tocaram no nome dele. Nada contra os outros autores que são trabalhados quando estudamos escravidão, mas porque em vez de repetir e repetir os mesmos nomes não buscar outras vozes. Vozes que lutaram contra o preconceito e defenderam sua cor.

Solano Trindade nasceu no dia 24 de julho em 1908, em Recife, filho de sapateiro mulato e de doméstica cafuza. Mesmo pobre conseguiu se revelar um ícone da cultura brasileira. Foi cineasta, pintor, ator de cinema, homem de teatro, militante e, sobretudo, poeta. Morreu no Rio, em 1974. As poesias de Solano estão repletas de referências aos ritmos, costumes, religiões africanas, além de mitos e lendas do povo negro. Em Pernambuco, criou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-Brasileiro. No Rio Grande do Sul, o Grupo de Arte Popular. No Rio de Janeiro, o Comitê Democrático Afro-Brasileiro, o I Congresso Afro-Brasileiro, o Teatro Experimental do Negro, Teatro Folclórico Brasileiro, o Teatro Popular Brasileiro e o grupo de dança Brasiliana.

Conversa

– Eita negro!

quem foi que disse

que a gente não é gente?

quem foi esse demente,

se tem olhos não vê…

– Que foi que fizeste mano

pra tanto falar assim?

– Plantei os canaviais do nordeste

– E tu, mano, o que fizeste?

Eu plantei algodão

nos campos do sul

pros homens de sangue azul

que pagavam o meu trabalho

com surra de cipó-pau.

– Basta, mano,

pra eu não chorar,

E tu, Ana,

Conta-me tua vida,

Na senzala, no terreiro

– Eu…

cantei embolada,

pra sinhá dormir,

fiz tranças nela,

pra sinhá sair,

tomando cachaça,

servi de amor,

dancei no terreiro,

pra sinhozinho,

apanhei surras grandes,

sem mal eu fazer.

Eita! quanta coisa

tu tens pra contar…

não conta mais nada,

pra eu não chorar –

E tu, Manoel,

que andaste a fazer

– Eu sempre fui malandro

Ó tia Maria,

gostava de terreiro,

como ninguém,

subi para o morro,

fiz sambas bonitos,

conquistei as mulatas

bonitas de lá…

Eita negro!

– Quem foi que disse

que a gente não é gente?

Quem foi esse demente,

se tem olhos não vê.

              Solano Trindade

 

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{eu li} O Prisioneiro do Céu – Carlos Ruiz Zafón

O_PRISIONEIRO_DO_CEU_1368629307BSinopse: Barcelona, 1957. Daniel Sempere e seu amigo Fermín, os heróis de A sombra do vento, estão de volta à aventura para enfrentar o maior desafio de suas vidas. Já se passa um ano do casamento de Daniel e Bea. Eles agora têm um filho, Julián, e vivem com o pai de Daniel em um apartamento em cima da livraria Sempere e Filhos. Fermín ainda trabalha com eles e está ocupado com os preparativos para seu casamento com Bernarda no ano-novo. Quando tudo começava a dar certo para eles, um personagem inquietante visita a livraria de Sempere em uma manhã em que Daniel está sozinho na loja. O homem misterioso entra e mostra interesse por um dos itens mais valiosos dos Sempere, uma edição ilustrada de O conde de Montecristo que é mantida trancada sob uma cúpula de vidro. O livro é caríssimo, e o homem parece não ter grande interesse por literatura; mesmo assim, demonstra querer comprá-lo a qualquer custo. O mistério se torna ainda maior depois que o homem sai da loja, deixando no livro a seguinte dedicatória: “Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro”. Esta visita é apenas o ponto de partida de uma história de aprisionamento, traição e do retorno de um adversário mortal. Ao descobrir a verdade, Daniel compreenderá que o destino o arrasta na direção de um confronto inevitável com a maior das sombras: aquela que cresce dentro dele.

O livro O Prisoneiro do Céu amarra as histórias de A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo, do mesmo autor, liga os personagens de uma maneira surpreendente e intrigante. Quando comecei a ler o livro o mistério não me pegou logo, confesso que não fiquei tao curiosa pelo velho. Mas bastou insistir um pouco para eu perceber que isso nem era o principal, e que o mais importante era me aprofundar nas histórias dos personagens. Lembrei o quanto Fermín é um personagem extremamente interessante e marcados pelo horror da ditadura franquista na Espanha. Que  vale a pena explicar aqui o que foi.

Franquismo

O Franquismo foi um regime político ditatorial que vigorou na Espanha entre os anos de 1939 e 1976. Na década de 1930, a Espanha passou por uma guerra civil muito intensa. Estima-se que aproximadamente um milhão de pessoas tenha morrido durante os conflitos da ocasião. Os combates no território espanhol chegaram ao fim no ano de 1939, marcando a vitória de um grupo nacionalista que colocou no poder o general Francisco Franco. Assim que se encerrou a guerra civil em território espanhol, teve início o maior conflito internacional do século XX, a Segunda Guerra Mundial. Francisco Franco, que recebeu apoio de Itália e da Alemanha durante a Guerra Civil Espanhola, tratou de retribuir a ajuda apoiando esses regimes fascistas que integravam um dos grupos durante a guerra. O Franquismo se manteve vivo e forte na Espanha mesmo com a derrota de outros países fascistas na Segunda Guerra Mundial, caso de Itália e Alemanha. O Franquismo chegou a ser condenado nos tribunais que julgaram as ditaduras após o término do conflito internacional, mas manteve-se de pé através do poderio de Francisco Franco. A partir daí, foram décadas de dominação do regime Franquista na Espanha. Mais informações. Fonte: Infoescola

Fermín sofreu muito com o começo desse período e esteve preso, refém de vários tipos de tortura. Nesse livro o autor recupera a história dele e é a parte mais interessante do livro para mim. O Castelo de Montijuic citado no livro é real e um dos pontos turísticos da Espanha.

montjuicO Castelo de Montjuic é uma antiga fortaleza militar que teve um importante papel na história da cidade de Barcelona. Fica no morro de Montjuic (em catalão, Montjuïc). A fortaleza data, em grande parte do século XVII, mas tem adições do século XVIII. Em 1842, a guarnição (leais ao governo Madrid) bombardeou partes da cidade. O castelo serviu como prisão, muitas vezes de presos políticos, até o governo do General Franco. O castelo também foi o local de numerosas execuções. Em 1897, um incidente conhecido popularmente como “Os Processos de Montjuïc” determinando a execução de anarquistas, que, em seguida, levou a uma severa repressão da luta dos trabalhadores por seus direitos. Em diferentes ocasiões, durante a Guerra Civil Espanhola, tanto nacionalistas e republicanos foram lá executados. Fonte: Nativo

É claro que os mistérios da vida de Daniel também são e a amizade dele com Fermín é a parte mais bela do livro. O que somos capazes de fazer por um amigo. No final temos várias respostas, mas não todas. E uma revelação que deixa uma boa margem para uma possível continuação por parte do autor, basta querer. Um lado sombrio de Daniel é bastante cutucado. A narrativa é dividida entre os dois amigos.

Naquele dia, ao ver o meu amigo a beijar a mulher que amava, dei por mim a pensar que aquele momento, aquele instante roubado ao tempo e a Deus, valia todos os dias de miséria que nos haviam levado até ali e outros tantos que nos esperavam ao sair de regresso à vida, e que tudo quanto era decente e puro neste mundo e tudo por que valia a pena continuar a respirar estava naqueles lábios, naquelas mãos, no olhar daqueles dois afortunados que, soube, ficariam juntos até ao fim das suas vidas.

Sobre a ordem dos livros que pertencem ao Cemitério dos Livros Esquecidos, por mais que os livros não tenham que necessariamente ser lidos na ordem. A Sombra do Vento e O Jogo do Anjo podem ser tranquilamente lidos em qualquer ordem. Eu prefiro a mais ortodoxa, mas O prisioneiro do céu me sentiria meio perdida se não tivesse lido os dois anteriores primeiro. Mas os 3 são portas para a mesma história, recomendo que você embarque!

SEMPRE soube que, um dia, regressaria a estas ruas para contar a história do homem que perdeu a alma e o nome, por entre as sombras daquela Barcelona submersa no turvo sono de um tempo de cinzas e de silêncio. São páginas escritas a fogo, escoradas na cidade dos malditos, palavras gravadas na memória do que regressou dos mortos com uma promessa cravada no coração e arrastando o peso de uma maldição. O pano sobe, o público faz silêncio e, antes de a sombra que paira sobre o seu destino fazer a sua aparição, um elenco de espíritos brancos entra em cena, de comédia nos lábios e com a bendita inocência de quem, tendo o terceiro acto por derradeiro, nos vem narrar um conto de Natal, ignorando que, ao virar a última página, a tinta do seu esforço o arrastará lenta e inexoravelmente para o coração das trevas.

JULIÁN CARAX, O Prisioneiro do Céu Éditions de la Lumière, Paris, 1992

Para saber mais sobre o autor e os livros anteriores, só conferir as resenhas dos outros livros do Cemitério dos Livros Esquecidos.