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{eu li} Fique onde está e então corra – John Boyne

55046_gAlfie Summerfield nunca se esqueceu de seu aniversário de cinco anos. Quase nenhum amigo dele pôde ir à festa, e os adultos pareciam preocupados – enquanto alguns tentavam se convencer de que tudo estaria resolvido antes do Natal, sua avó não parava de repetir que eles estavam todos perdidos. Alfie ainda não entendia direito o que estava acontecendo, mas a Primeira Guerra Mundial tinha acabado de começar. Seu pai logo se alistou para o combate, e depois de quatro longos anos Alfie já não recebia mais notícias de seu paradeiro. Até que um dia o garoto descobre uma pista indicando que talvez o pai estivesse mais perto do que ele imaginava. Determinado, Alfie mobilizará todas suas forças para trazê-lo de volta para casa.

O livro Fique onde está e então corra me trouxe de volta um dos meus autores favoritos, John Boyne, mas por gostar tanto, acho que eu esperava bem mais do livro. Acho que achei o que o menino fez fácil demais para uma criança de nove anos, mas talvez isso seja só uma questão de olhar. Mas o livro não pode ser considerado ruim, é envolvente e traz vários elementos da narrativa de Boyne. Ele definitivamente sabe trabalhar a partir do olhar de uma criança sobre momentos alegres e tristes. E é a característica mais forte do livro, como Alfie lida com as situações e vê as pessoas agindo de uma forma que ele muitas vezes não é capaz de compreender. E em outras , quando ele já está maior, é o único capaz de entender a resposta para o desespero do pai.

Além disso, é um ótimo retrato da sociedade do pós guerra, uma forma de tentar imaginar como os horrores da guerra podem afetar para sempre uma pessoa, como a guerra é um ato desumano para todos os envolvidos, como os inocentes são os que mais sofrem. E como elas não deveriam existir. O livro é narrado em terceira pessoa, pequeno e rápido de ler, mas as mensagens ficam gravadas na cabeça. E o autor amarra a história de um jeito inspirador como sempre faz.

sair daqui, vou? eles estão por todos os lados,. Comendo nos meus pés. Minhas pernas doem. deve estar enorme, não o reconheceria. Atiramos nele, atiramos sim, porque ele estava reclamando de tudo. Pare com isso, pare com isso. Eu não queria ter nada a ver com isso, mas o sargento disse que eu não tinha escolha, que senão eu  também acabaria na corte marcial.

A neurose pós guerra, retratada no livro, foi um dos termos que surgiu na psicologia da época. Não se escreve um livro como o de Boyne sem um grande conhecimento da história. E essa é a grande marca do autor, temos livros sobre a Segunda Guerra, Revolução Russa, a maioria deles você pode encontrar a resenha aqui no blog. Se você não gosta de personagens infantis sendo o centro da trama, eu indico o livro O Pacifista (o meu livro favorito dele), que tem uma linguagem bem mais adulta, também trata da guerra, mas ainda fala do homossexualismo e do que era ser um objetor de consciência, como era mal visto e difícil assumir essa posição.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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