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{final de ano} Melhores lidos do ano #top10

Já que mais um ano está chegando ao fim, tomei a difícil decisão de escolher os 10 melhores livros do meu ano. Ao todo li 39 livros, gostaria de ter lido muito mais, mas esse ano foi de muito trabalho e conclusão de faculdade, então estou muito satisfeita com 2014. Para facilitar minha decisão escolhi os 10 melhores não em uma ordem que coloque um como melhor do que o outro, optei por escolher em diversas categorias que criei.

Categoria romance político e biográfico:  Eu sou Malala – Malala Yousafai com Christina Lamb 

3s

O segundo livro que li no ano, uma história incrível, emocionante e inspiradora, todos deveriam ler. Sinopse: Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida. Malala foi atingida na cabeça por um tiro à queima-roupa dentro do ônibus no qual voltava da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. Resenha

Categoria Romance: Americanah – Chimamanda Ngozi Adichie

AMERICANAH

Esse romance consegue tratar de tantas questões ao mesmo tempo: preconceito, imigração, cultura, amor, política… Que é impossível não gostar. Além de trazer um humor afiado, um certo deboche e ao mesmo tempo reflexões necessárias. Sinopse: Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Resenha

Romance Histórico: A bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe

a bibliotecariaEsse livro foi uma adorável descoberta, principalmente lendo depois a história do encontro do autor com Dita e sabendo do horror que foi o Holocausto, uma lição de vida e de história. Sinopse:  Um emocionante romance baseado na história verídica de uma jovem checa, a bibliotecária do Bloco 31, de Auschitwz – Dita Dorachova – com quem o autor teve oportunidade de falar e que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo cultural. Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. O Bloco 31 tinha 500 crianças, e neste lugar onde os livros eram proibidos, a jovem Dita escondia todas as noites os frágeis oito volumes da biblioteca mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. Resenha

Romance Histórico: A invenção das asas – Sue Monk Kidd

A_INVENCAO_DAS_ASAS_1387406955PAcabei escolhendo dos romances históricos para esse top 10 de 2014 porque li vários livros desse estilo, e esse também me cativou muito. Como é perceptível os direitos humanos é um dos temas que mais gosto de ler, principalmente quando os romances trazem personagens que realmente existiram. E se essas personagens ainda por cima forem mulheres… Sinopse: O livro conta a história de duas mulheres do século XIX que enfrentam preconceitos da sociedade em busca da liberdade. Inspirado pela figura histórica de Sarah Grimke, o romance começa no 11º aniversário da menina, quando é presenteada com uma escrava: Hetty “Encrenca” Grimke, que tem apenas dez anos. Acompanhamos a jornada das duas ao longo dos 35 anos seguintes. Ambas desejam uma vida própria e, juntas, questionam as regras da sociedade em que vivem.Resenha

Clássico: Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez

cemanos2Esse livro já era para eu ter lido há muito tempo, e fiquei muito satisfeita de ter feito isso esse ano. Uma história sobre a América Latina, cheia do realismo fantástico de seu autor. Sinopse: Um comboio carregado de cadáveres. Uma população inteira que perde a memória. Mulheres que se trancam por décadas numa casa escura. Homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas.São esses alguns dos elementos que compõem o exuberante universo deste romance, no qual se narra a mítica história da cidade de Macondo e de seus inesquecíveis habitantes. Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é tido, por consenso, como uma das obras-primas da literatura latino-americana moderna. O livro logo tornou o colombiano Gabriel García Márquez (1928) uma celebridade mundial; quinze anos depois, em 1982, ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura. Resenha

Romance Policial: Meu nome é vermelho

11490_gEsse livro tem uma trama bem intrincada e é um romance policial bem diferente porque traz vários narradores e alguns inesperados como animais e objetos inanimados (que muitas vezes confundem a investigação do leitor). Sinopse: A trama se passa em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da Hégira (a fuga de Maomé para Meca), o sultão encomenda um livro para demonstrar a riqueza do Império Otomano. Para provar a superioridade do mundo islâmico, porém, as imagens devem ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando uma onda de intrigas, e um dos artistas que trabalhava no livro é assassinado. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre o Negro, que voltara a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores – entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas. Resenha

Romance Leve: A vida do livreiro A.J. Fikry – Gabrielle Zevin

avidadolivreiroEsse livro é um verdadeiro sonho, um paraíso para os apaixonados por livros, não há como não se identificar e se deixar levar. Sinopse: “Livrarias atraem o tipo certo de gente”. É o que descobre A. J. Fikry, dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho, tudo em sua vida parece ter dado errado. Até que um pacote misterioso aparece na livraria. A entrega inesperada faz A. J. Fikry rever seus objetivos e se perguntar se é possível começar de novo. Aos poucos, A. J. reencontra a felicidade e sua livraria volta a alegrar a pequena cidade. Resenha

Romance Ficção científica: Novembro de 63 – Stephen King

novembrode63Nunca tinha lido nada do Stephen King, e gostei muito desse primeiro contato. Amei de verdade o livro, os de terror não me atraem muito, mas esse mistura história com viagens no tempo, dois temas que eu adoro. Fora que os personagens são incríveis, muito bem trabalhados e a ideia toda é genial. Sinopse: Enquanto corrigia as redações dos seus alunos do supletivo, Jake se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque… mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. Al mostra a Jake como isso pode ser possível: entrando por um portal na despensa da lanchonete, assim chegando ao ano de 1958, o tempo de Eisenhower e Elvis, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. Após interferir no massacre da família Dunning, Jake inicia uma nova vida na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas. Mas todas as curvas dessa estrada levam ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald. O curso da história está prestes a ser desviado… com consequências imprevisíveis. Resenha

Terror: Bento – Saga Vampiro rei Vol.1 – André Vianco

bentoEsse livro é um enorme espanto do começo ao fim, um história muito bem elaborada que não para de surpreender do começo ao fim. Sinopse: Em uma noite infestada de magia, metade do mundo adormece e a população que ainda está desperta se vê mergulhada em acontecimentos inexplicáveis, como o surgimento de vampiros, o desaparecimento das doenças e mais grandes acontecimentos que acabam fazendo com que as pessoas fujam das grandes cidades e passem a formar fortificações afastadas dos centros abandonados. Durante o dia trabalham para refazer o mundo e entender o que os rodeia, durante a noite lutam para continuarem vivos e manter os vampiros afastados dos novos centros. Quando tudo parece perdido surge a profecia dos 30 guerreiros bentos. Quando eles se unirem, quatro milagres se desencadearão para salvar a humanidade. Resenha

Romance Nacional: O Clube dos anjos – Luis Fernando Verissimo

O_CLUBE_DOS_ANJOS_1332649607PEsse livro além de ser nacional é muito divertido. É um quebra cabeça que te deixa curioso em poucas páginas e assim como os outros livros da coleção Plenos Pecados fala sobre um dos sete pecados capitais, não apenas fala, na verdade faz um verdadeiro manifesto a favor deles. Nesse escrito por Verissimo, temos a Gula servida numa bandeja. Sinopse: Dez amigos reúnem-se desde a adolescência em jantares mensais. São 21 anos em nome dos prazeres da mesa, bebendo e comendo bem. Um certo dia, no entanto, surge um novo cozinheiro com receitas incomparáveis, dando à história nuances de suspense. Um júri formado por profissionais de bibliotecas de Nova York colocou este livro de Veríssimo na lista dos 25 melhores livros da Literatura Mundial. Resenha

Gostaram da minha seleção? Também leu algum desses esse ano? Desejo muita paz, saúde, felicidade para todos os leitores do blog! E é claro muitos e muitos livros bons! Feliz Ano Novo!

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Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog. Pra quem quiser conferir e saber mais sobre o Eu li!

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 8.200 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 3 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

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{eu li} O amante da virgem – Philippa Gregory

oamantedavirgemNeste romance, a escritora traça um retrato da rainha Elizabeth I, conhecida como a “Rainha Virgem”. Coroada aos 25 anos de idade, a jovem monarca encontra as finanças de seu reino em ruínas, além de um exército completamente desmoralizado. Apaixonada por um aristocrata casado, a ambiciosa rainha não vai medir esforços para conquistar seus grandes objetivos. Um romance soberbo cujas descrições transportam o leitor à Inglaterra do século XVI.

Antes que o ano acabe resolvi ler o livro da Philippa Gregory que estava na minha estante, um livro impossível de não gostar, já que amo os livros da autora. Alguns já foram resenhados aqui no blog.

Esse narra parte do reinado de Elizabeth I, uma rainha que no começo não me interessou muito, até aos poucos o livro revelar sua personalidade dividida entre as responsabilidades reais e sua vida amorosa. Esse livro é como olhar pelo buraco da fechadura direto na corte elisabetana os rumores palacianos ganham vida e contornos na história contada pela Philippa.

Elisabeth viveu um caso de amor com Robert Dudley, um nobre que antes de sua coroação estava fracassado e sem nada, e que ascende primeiro como grande amigo e cortesão da nova rainha e aos poucos como seu amante. Muitos planos para casar a rainha e afasta-lá de seu amante casado e da difamação são feitos, mas o destino e alguns atores que sabem representar muito bem seu papel frustam esses planos até a rainha ficar  em uma posição insustentável. Sem ter certeza de quanto pode ser guiada por suas emoções e se pode confiar em seu charmoso e ambicioso cavalheiro de armadura, são os conselhos de William Cecil s que ela mais escuta.

Lembrando que Elisabeth foi aprisionada e esperou muito para ter a coroa, então ela acaba tomando decisões desesperadas para manter o poder. Um poder que é constantemente posto a prova pelos homens de seu governo, suas capacidades por se mulher são sempre questionadas mesmo que não abertamente e todos estão sempre preocupados com que ela se case, gere um herdeiro e coloque um homem de confiança ao seu lado.

Diferente dos filmes que já assisti sobre a rainha, Philippa a retrata como alguém capaz de tomar decisões difíceis, mas não tão corajosa. Mais como alguém que sente muito medo de perder o que conquistou, pensa pouco no povo inglês e mais na imagem que as pessoas tem dela e também que precisa ouvir muitos conselhos antes de decidir. Alguém capaz de mudar de ideia do dia para a noite. Temos no livro somente os primeiros anos de seu reinado, então não sei se seu caráter para a autora que também é historiadora se mantém nos anos seguintes.

Robert também é um personagem bem dúbio que usa todas suas armas para se manter ao lado da rainha e conquista-lá, o quanto disso é amor e o quanto é ambição de ser o futuro rei, é uma linha bem tênue. Se ele não fosse tão infiel a esposa e egoísta ao abandona-lá a infelicidade, logo a Amy uma esposa tão dedicada, talvez o leitor conseguisse ter algum carinho por ele. O final é bem interessante, e ficamos com um dilema tão grande com personagens que aos poucos aprendemos a amar e odiar ao mesmo tempo.

A narrativa mostra a diferença das preocupações de quem vive no campo e na corte, quais são os costumes e tradições dos dois mundos. Amy foi criada com dinheiro mas é alguém que se preocupa em como ele será mantidos e renderá, com a fertilidade de suas terras, enquanto seu marido só se preocupa em conquistar riquezas através de favores da rainha e esbanja-las (o que traz muitos inimigos). Essa dicotomia ajudou muito a afastar o casal na história, tanto quanto o desejo de Robert pela rainha.

Os outros livros sobre a dinastia Tudor publicados no Brasil:

  • A Princesa Leal (1491) (resenha)
  • A Irmã de Ana Bolena (1521)
  • A Herança de Ana Bolena (1539)
  • O Bobo da Rainha (1548)
  • O Amante da Virgem (1558)
  • A Outra Rai­nha  (1568)

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{news} Eu li notícias literárias da semana

Série baseada em romance policial de JK Rowling será produzida pela BBC

Roteiro será inspirado em ‘O chamado do cuco’ e ‘O bicho de seda’. Fonte: O Globo. Continue lendo

HBO e BBC anunciam o elenco da adaptação de “Morte Súbita”, livro de J. K. Rowling. Fonte: Spinoff. Continue lendo

Veja as resenhas de O Chamado do Cuco e de Morte súbita.

Leia trecho do conto ‘O lenhador’, de Luis Fernando Verissimo

História, ambientada em Bangu, faz parte da antologia ‘Rio noir’. Fonte: O Globo. Continue lendo

Americanah | Lupita Nyong’o e Brad Pitt vão repetir parceria de 12 Anos de Escravidão no filme

Longa adaptará romance da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Fonte: Omele Uol. Continue lendo

Veja a resenha do livro aqui do blog.

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{eu li} A bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe

a bibliotecaria

Sinopse: Um emocionante romance baseado na história verídica de uma jovem checa, a bibliotecária do Bloco 31, de Auschitwz – Dita Dorachova – com quem o autor teve oportunidade de falar e que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo cultural. Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. O Bloco 31 tinha 500 crianças, e neste lugar onde os livros eram proibidos, a jovem Dita escondia todas as noites os frágeis oito volumes da biblioteca mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazista. Pela primeira vez ficamos a saber da existência de livros num campo de extermínio. Minuciosamente documentado, e tendo como base o testemunho de Dita Dorachova, a jovem bibliotecária checa do Bloco 31. Este livro é uma homenagem a Dita, com quem o autor tanto aprendeu, e à memória e valentia de Fredy Hirsh, o infatigável instrutor judeu do Bloco 31 que criou em segredo uma pequena escola e uma ainda mais minúscula biblioteca, apenas com oito livros. (skoob)

Me surpreendi muito positivamente com esse livro, me emocionei até os fios de cabelo. Um livro de uma força que às vezes precisamos ler e conhecer a história para nos lembrar que existe. Também é um livro sobre uma das maiores atrocidades já cometidas pela humanidade: o holocausto. Nunca tinha lido um livro sobre o dia a dia no campo de concentração e as verdades sobre, um narrador observador conta em terceira pessoa o que acontece com Dita e outros personagens do bloco 31. Além de outros personagens importantes no campo de concentração. O autor fez uma grande pesquisa sobre personagens que realmente viveram em Auschiwitz e acabou conhecendo Dita Dorachova, Edita no livro.

dita polachova
Dita Polachova (álter ego de Dita Adlerova)

A adolescente viveu a maior parte da guerra no campo familiar em Auschiwitz, essa parte do grande campo de concentração abrigava além dos aptos a trabalhar, crianças e idosos, uma coisa incomum, mas que servia de propaganda de que os nazistas não estariam exterminando os judeus. Dentro dessa parte do campo, havia o bloco 31, em que as crianças ficavam acompanhadas por professores, que mesmo sem ser permitido e com parcos recursos ensinavam o que sabiam as crianças. E davam a elas acesso a alguns livros que ficavam escondidos em um buraco no final do expediente e nos bolsos do casaco de Dita durante as aulas e quando fosse necessário.

Alguns não acreditaram que isso fosse possível: pensaram que Hirsch era um louco ou um ingênuo: como escolarizar crianças num brutal campo de extermínio, onde tudo é proibido? E ele sorria. Hirsch sempre sorria, enigmático, como se soubesse algo que os demais desconheciam. Não importa quantos colégios os nazistas fechem, respondia. cada vez que alguém se detiver num canto para conta ralgo e algumas crianças se sentarem ao redor para escutar, ali terá sido fundada uma escola.

Fredy Hirsch era judeu também e responsável pelo bloco 31, responsável por encorajar todos a ensinar os pequenos, protege-los e tentar manter longes suas cabecinhas dos horrores. Uma tarefa bem difícil, já que suas vidas estavam constantemente ameaçadas. Ele foi uma figura também real e intrigante, seus mistérios você terá que ler o livro para saber. Mas para Dita ele foi um herói.

Dita foi muito corajosa aceitando sua missão de cuidar dos livros, mesmo sabendo que eles eram proibidos, figuras banidas do lugar em que os que não eram os de carga morriam nas câmaras de gás. O jeito eficiente que os alemães encontraram para matar milhões de judeus. Mas ir para a câmera de gás não era a única forma de morrer, lá eles estavam expostos a um frio intenso, mal recebiam o que comer, seus colchões e roupas eram infestados de pulgas, carrapatos, piolhos, ácaros e outros insetos que espalhavam doenças. Os doentes não recebiam o tratamento correto e eram considerados menos um na lista dos que ainda seriam assassinados.

Dita forma uma concha com as mãos para pegar um pouco dessa chuva de almas e não consegue conter as lágrimas, que abrem sulcos brancos em seu rosto fuliginoso.

A violência dos SS, os agentes do regime que trabalhavam no campo, é gritante no livro. Também são levantadas histórias de crianças usadas para pesquisa pelo médico Josef Mengele que era obcecado com as características genéticas arianas e os gêmeos. Essas e outras situações bizarras que aconteceram lá são retratadas no livro. Mas também os casos de coragem, as pessoas que conseguiram fugir, que conseguiram viver para ver o fim da guerra e que puderam contar suas histórias para alertar o mundo sobre o que realmente aconteceu.

O autor traz com grande habilidade, datas e depoimentos, fatos, links com personagens da história que conhecemos de outros livros, e informações que não aprendemos na escola sobre o holocausto. E também faz uma homenagem a Dita, uma mulher extremamente forte que conseguiu escapar do extermínio, mas que também não saiu intacta de todo esse horror. E que mesmo que de forma dolorosa conseguiu contar sua história para Antonio.

 antonioiturbeO autor:

Antonio G Iturbe nasceu em Zaragoza na Espanha. Dedica-se há mais de vinte anos ao jornalismo cultural. Foi coordenador do suplemento televisivo de El Periódico, redactor da revista de cinema Fantastic Magazine e trabalha há dezassete anos na revista Qué Leer, de que é actualmente director. Colaborou, entre outros órgãos de comunicação social, nas secções de livros dos programas de rádio de «Protagonistas» Ona Catalana, ICat FM e a Cope, e em suplementos culturais de jornais como La Vanguardia ou Avui. Publicou dois romances, e é autor de uma série de êxito de livros infantis.