Publicado em Eu li...

{eu li} A bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe

a bibliotecaria

Sinopse: Um emocionante romance baseado na história verídica de uma jovem checa, a bibliotecária do Bloco 31, de Auschitwz – Dita Dorachova – com quem o autor teve oportunidade de falar e que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo cultural. Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. O Bloco 31 tinha 500 crianças, e neste lugar onde os livros eram proibidos, a jovem Dita escondia todas as noites os frágeis oito volumes da biblioteca mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem: não se rende e nunca perde a vontade de viver nem de ler porque, mesmo naquele terrível campo de extermínio nazista. Pela primeira vez ficamos a saber da existência de livros num campo de extermínio. Minuciosamente documentado, e tendo como base o testemunho de Dita Dorachova, a jovem bibliotecária checa do Bloco 31. Este livro é uma homenagem a Dita, com quem o autor tanto aprendeu, e à memória e valentia de Fredy Hirsh, o infatigável instrutor judeu do Bloco 31 que criou em segredo uma pequena escola e uma ainda mais minúscula biblioteca, apenas com oito livros. (skoob)

Me surpreendi muito positivamente com esse livro, me emocionei até os fios de cabelo. Um livro de uma força que às vezes precisamos ler e conhecer a história para nos lembrar que existe. Também é um livro sobre uma das maiores atrocidades já cometidas pela humanidade: o holocausto. Nunca tinha lido um livro sobre o dia a dia no campo de concentração e as verdades sobre, um narrador observador conta em terceira pessoa o que acontece com Dita e outros personagens do bloco 31. Além de outros personagens importantes no campo de concentração. O autor fez uma grande pesquisa sobre personagens que realmente viveram em Auschiwitz e acabou conhecendo Dita Dorachova, Edita no livro.

dita polachova
Dita Polachova (álter ego de Dita Adlerova)

A adolescente viveu a maior parte da guerra no campo familiar em Auschiwitz, essa parte do grande campo de concentração abrigava além dos aptos a trabalhar, crianças e idosos, uma coisa incomum, mas que servia de propaganda de que os nazistas não estariam exterminando os judeus. Dentro dessa parte do campo, havia o bloco 31, em que as crianças ficavam acompanhadas por professores, que mesmo sem ser permitido e com parcos recursos ensinavam o que sabiam as crianças. E davam a elas acesso a alguns livros que ficavam escondidos em um buraco no final do expediente e nos bolsos do casaco de Dita durante as aulas e quando fosse necessário.

Alguns não acreditaram que isso fosse possível: pensaram que Hirsch era um louco ou um ingênuo: como escolarizar crianças num brutal campo de extermínio, onde tudo é proibido? E ele sorria. Hirsch sempre sorria, enigmático, como se soubesse algo que os demais desconheciam. Não importa quantos colégios os nazistas fechem, respondia. cada vez que alguém se detiver num canto para conta ralgo e algumas crianças se sentarem ao redor para escutar, ali terá sido fundada uma escola.

Fredy Hirsch era judeu também e responsável pelo bloco 31, responsável por encorajar todos a ensinar os pequenos, protege-los e tentar manter longes suas cabecinhas dos horrores. Uma tarefa bem difícil, já que suas vidas estavam constantemente ameaçadas. Ele foi uma figura também real e intrigante, seus mistérios você terá que ler o livro para saber. Mas para Dita ele foi um herói.

Dita foi muito corajosa aceitando sua missão de cuidar dos livros, mesmo sabendo que eles eram proibidos, figuras banidas do lugar em que os que não eram os de carga morriam nas câmaras de gás. O jeito eficiente que os alemães encontraram para matar milhões de judeus. Mas ir para a câmera de gás não era a única forma de morrer, lá eles estavam expostos a um frio intenso, mal recebiam o que comer, seus colchões e roupas eram infestados de pulgas, carrapatos, piolhos, ácaros e outros insetos que espalhavam doenças. Os doentes não recebiam o tratamento correto e eram considerados menos um na lista dos que ainda seriam assassinados.

Dita forma uma concha com as mãos para pegar um pouco dessa chuva de almas e não consegue conter as lágrimas, que abrem sulcos brancos em seu rosto fuliginoso.

A violência dos SS, os agentes do regime que trabalhavam no campo, é gritante no livro. Também são levantadas histórias de crianças usadas para pesquisa pelo médico Josef Mengele que era obcecado com as características genéticas arianas e os gêmeos. Essas e outras situações bizarras que aconteceram lá são retratadas no livro. Mas também os casos de coragem, as pessoas que conseguiram fugir, que conseguiram viver para ver o fim da guerra e que puderam contar suas histórias para alertar o mundo sobre o que realmente aconteceu.

O autor traz com grande habilidade, datas e depoimentos, fatos, links com personagens da história que conhecemos de outros livros, e informações que não aprendemos na escola sobre o holocausto. E também faz uma homenagem a Dita, uma mulher extremamente forte que conseguiu escapar do extermínio, mas que também não saiu intacta de todo esse horror. E que mesmo que de forma dolorosa conseguiu contar sua história para Antonio.

 antonioiturbeO autor:

Antonio G Iturbe nasceu em Zaragoza na Espanha. Dedica-se há mais de vinte anos ao jornalismo cultural. Foi coordenador do suplemento televisivo de El Periódico, redactor da revista de cinema Fantastic Magazine e trabalha há dezassete anos na revista Qué Leer, de que é actualmente director. Colaborou, entre outros órgãos de comunicação social, nas secções de livros dos programas de rádio de «Protagonistas» Ona Catalana, ICat FM e a Cope, e em suplementos culturais de jornais como La Vanguardia ou Avui. Publicou dois romances, e é autor de uma série de êxito de livros infantis.

Anúncios

Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

4 comentários em “{eu li} A bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s