Publicado em Debates e Reflexões, Eu li...

{eu li e vi} Vamos falar sobre Cinquenta Tons de Cinza

tumblr_n99tx8W05G1tf2uwwo1_400O livro e o filme estão mais do que falados então vou pular a parte da sinopse, e esse post vai ter spoilers para eu poder comentar algumas críticas em relação ao filme ser uma propaganda de opressão à mulher.

Eu comecei a ler o primeiro livro, Cinquenta tons de cinza, da E L James porque fico curiosa com alguns best-sellers, confesso, e também porque achei a história bem diferente. Lembrando que o livro veio antes do boom de livros com a mesma ideia que se seguem até agora (se tá dando dinheiro se publica e publica e publica). Mas voltando a história, fiquei com medo da mocinha que na trama é totalmente inexperiente se render totalmente aos caprichos do Mr. Grey e não ter vontade própria, mas não foi o que vi.

O livro tem seus defeitos, mas não acredito que seja uma propaganda anti feminista e que ensine que o prazer do homem é mais importante, como vem sendo levantado. Primeiro que é só um livro, uma obra, seus personagens não precisam agir como quem lê gostaria. Até gosto de discordar dos personagens. E o BDSM existe antes dele e pode ser sim o pano de fundo de uma história. Segundo que não se confunde com violência no livro e nem no filme. Violência seria se algo fosse feito contra a vontade da personagem, ou se ao se sentir machucada e pedir para parar ele continuasse batendo. Em nenhum momento Christian faz algo com Anastasia que não esteja de comum acordo com ela.

Spoiler vem ai….

Na cena mais forte e final da história Grey bate em Anastasia com um cinto, e é um tanto chocante, faz pensar porque alguém gostaria disso. E muitas pessoas devem ter torcido o nariz para uma cena de uma mulher sendo subjugada assim. Mas foi ela que pediu, para entender o comportamento do Grey. E qual foi o resultado, ela não gostou. E não gostou e resolveu cair fora, passou por cima de sentimentos, de gostar dele e do que for, mas viu que para ele se relacionar precisava disso ela não podia fazer parte. O que há de submissa nisso? Quantos namorados machucam suas namoradas, não fisicamente, mas tão dolorosamente quanto e elas continuam ali para manter a relação?

Voltando ao que ficou famoso, o BDSM (“Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”). Não sei tanto sobre o assunto, mas tem homens e mulheres que topam ser submissos e sentem prazer dessa forma. O próprio Christian em seu passado foi submisso. E pelo que entendi e como é mostrado na história é tudo feito de comum acordo e para que as duas pessoas sintam prazer. Christian tem um contrato para a pessoa definir o que gosta e o que admite. Então quando um jovem, como saiu no O Globo e muitos compartilharam (e o link não abre de jeito nenhum) diz que abusou de uma menina porque estava inspiradinho no filme, ele é um imbecil/maníaco que merece cadeia. Imbecil porque não entendeu a história, em que a pessoa pode até sinalizar com palavras amarelo/vermelho que não está gostando. É tudo feito dentro dos limites do outro. E maníaco porque a violência já estava presente na intenção, não acho que a história possa ser responsabilizada.

Problemas do Christian

Ele só sabe se relacionar assim porque prefere ter controle até de onde as pessoas encostam nele por traumas do seu passado, situações terríveis da infância. Ele também é muito fechado sobre isso e diz não ao romance. Mas para quem seguir a continuação verá que ele só tem um happy ending com Ana porque aceita mudar e rever seus conceitos.

Porque a mulherada se apaixonou por ele?

50tonsNo livro tem muito mais motivos do que no filme! Mas apesar dos defeitos apresentados acima Grey é bom de cama. E antes de fazer algo que Ana não gostou ele fez muitas outras (ela é virgem, coisa que acho exagerada pela sua idade) que deixaram a mocinha pegando fogo ( e quem foi lendo também tirou uma casquinha). Vivemos num tempo em que se fala muito de sexo, mas muitas mulheres tem muitas dúvidas sobre como chegar lá, como ajudar o paceiro, guiá-lo, sentir prazer junto….. E encontram um Grey sabe tudo (utópico até), cada canto do corpo feminino ele conhece. Acredito que deve ter ajudado muita gente a abrir o jogo com o parceiro. Até porque virou febre, mãe lendo com filha, emprestando pra prima, pra tia, pra todo mundo. Fora isso o fato de ele estar disposto a mudar por ela, criar cenas românticas só para agradá-la. As pessoas gostam de ver uma paixão irresistível, gostam de acreditar que o amor muda, que muitas coisas não estão nos eixos na vida amorosa porque não encontraram ainda a pessoa. Isso tudo fez dele um personagem desejável mesmo com todos os problemas. E um prazer literário pra quem se deixou conquistar.

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img-621272-assista-ao-trailer-de-50-tons-de-cinza20140724091406205617E a faixa etária? Olha eu acho esse assunto muito complicado e acho que depende de cada adolescente, uma preocupação pros pais, que precisam estar sempre orientando. Até para a galera mais nova também não supervalorizar a história, de “ai quero um príncipe assim pra mim”. Como disse o personagem tem muitos problemas! Em relação a assistir o filme e assistir as cenas de sexo depende também de cada responsável, até porque é meio hipócrita deixar o filho ver a novela mas não deixar ir ao cinema ver o filme nem que seja para matar a curiosidade. E não chega a ser um filme pornô, muitos cortes e edições para fazer que vai mostrar, mas não mostrar tanto.

Uma coisa que me incomoda na história é o festival de presentes, Christian é muito rico, podre de rico. E para muitas pessoas acredito que esse seja mais um motivo para achá-lo um partidão. Ele enche Ana de presentes, e no livro isso incomoda bastante ela, coisa que no livro virou só uma pontadinha. No livro ela chega a questionar se não está sendo comprada, ou errando ao aceitar mesmo que com relutância os presentes. Mas como uma pessoa que não tem dinheiro lida com um namorado endinheirado? Eu sei lá! Quem define o limite? Acredito que seja como a pessoa se sente em relação a isso.

Essa história de ter que arrumar um marido rico vai contra os meus valores pessoais, e contra o lugar que as mulheres já conquistaram de ter sua própria autonomia financeira e almejarem isso. Mas em nenhum momento na história isso é o ponto. Acredito que Christian se comporta como uma pessoa que pode gastar dinheiro com passeios caros, viagens, mas que são normais para o seu mundo. (Ele também ajuda as pessoas através das pesquisas da empresa se bem me lembro). Mas acho que a ideia dele ser rico vendeu para muita gente como mais uma “vantagem”. Prova disso é a sequência de livros que só observo as capas, de personagens adeptos do BDSM e que são ricos. Ou como são chamados os CEO. Como um livro divulgado recentemente com o título de Função CEO. Fala sério né quer dizer que o importante é que o cara tem muito dinheiro, essa não é a sinopse mas para mim é a imagem que passa. Não to dizendo que ninguém pode ler, ou que todo livro pós Cinquenta Tons é necessariamente uma bosta, mas eu fico com um zilhão de pés atrás e prefiro nem gastar meu tempo.

Voltando aos Cinquenta, fico imaginando como seria a história se Mr. Grey fosse um cara pobre, acho que seria outra com cenas bem diferentes, mas por isso que é um livro né, e acho que tem que lidar com isso dessa forma. É um livro, um romance, uma ideia, não um manual, é um filme, não um “como a vida deve ser”. Até porque imagina o que seria dos livros e filmes de assassinos?

Esse é um livro de entretenimento, não é uma obra prima, algo que vá virar um clássico. Mas distrair a cabeça com essas tramas também faz parte da vida. Uma coisa que me fez curtir a história, apesar dos problemas de cinderelismo, é que ela é divertida, tem diálogos engraçados e situações inusitadas sem serem forçadas e o romance é bom de acompanhar. Também gostei das partes apimentadas. Nas continuações, Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade, tem umas partes de ação que não acho que foram muito prováveis de acontecer. Mas pra mim deu pra passar, o saldo ficou positivo.

Acho que o começo ficou um tanto abrupto pela velocidade com que as coisas acontecem, problema dos cortes que as adaptações fazem, por isso que dificilmente o filme será perfeito aos olhos do leitor (poucos casos de total satisfação).Espero que o ator Jamie Dornan, continue no filme (sim, há rumores de que ele abandone a continuação), acho que ele fez um bom trabalho, sua cara de mal não ficou tão como eu imaginava mas… Até porque a Dakota Johnson fez um trabalho muito bom, tive medo de que fosse inexpressiva. Os outros atores apareceram muito pouco, não deu nem tempo de avaliar muito. A adaptação diminuiu bem a relevância dos outros personagens, que ficaram um tanto quanto ofuscados pelo casal principal.

E você o que acha da história e de toda a polêmica?

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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