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{eu li} Ordem da escuridão: O substituto (Vol. 1) – Philippa Gregory

ordem da escuridãoSinopse: Dotado de beleza e inteligência fora do comum, Luca Vero foi visto com desconfiança durante toda a vida… até que o jovem é acusado de heresia e expulso de seu monastério. Para escapar da fogueira, aceita se tornar membro de uma Ordem misteriosa cujo objetivo é investigar estranhos relatos que assombram o mundo cristão: feras, possessões. Dono de mente analítica e surpreendentemente cético para um religioso, o rapaz está prestes, no entanto, a se tornar vítima do próprio coração. Isolde, de 17 anos, fora aprisionada como abadessa de um convento cujas freiras sofrem constantes ataques de histeria e estranhas visões. Todas as pistas apontam para bruxaria e colocam a abadessa como bode expiatório. Mas como Luca pode mandar para a fogueira a jovem que faz arder seu coração? Aliados improváveis, Isolde e Luca precisam aprender a confiar um no outro e em seus próprios instintos para vencer os inimigos e combater a crescente atração que sentem um pelo outro. Ou podem acabar num inferno jamais imaginado.

Esse livro foi escrito por uma das minhas autoras favoritas, Philippa Gregory, então foi uma aquisição cheia de expectativas. Imaginei que o livro seria em diferente de seus livros anteriores que são atrelados a fatos históricos e com personagens que realmente existiram, e talvez a linguagem fosse mais simples por ser publicado pelo selo juvenil da editora Record. Posso dizer que confirmei minhas expectativas, o livro é muito bom, continua tendo um fundo histórico muito bem embasado como era de se esperar pela qualidade da autora que também é pesquisadora, mas também é uma narrativa mais simples e dinâmica.

Por que este livro é diferente de meus romances históricos? Minhas histórias de ficção baseiam-se principalmente em tudo que sabemos sobre uma pessoa real, sua vida e sua época. Este romance é baseado em quatro jovens puramente fictícios e no mundo em que vivem. Reflete a realidade histórica de seu tempo, mas naturalmente ninguém além de um herói fictício tem uma vida cotidiana tão excitante! E por que o escrevi? Escrevi este livro pelo prazer e torço para que você também goste.

Como diz a sinopse temos dois personagens que entraram para o serviço religioso sem ter um chamado divino, como era muito comum na época, ser padre ou monge era uma boa opção para famílias pobres que queriam que o filho tivesse uma vida de estudos. E no caso feminino, as mulheres tinham opções na vida, geralmente a escolha era entre se casar ou ir para o convento. Como nem sempre o pretendente no caso era favorável, ir para o convento poderia ser uma opção melhor do que ser subordinada a um mal marido. O livro traz a história de Isolde que acaba virando abadessa de um convento sem querer e Luca que apesar de estar acostumado a ser um monge, tem um pensamento livre e questionador demais para a Igreja. Assim como seu amigo, Freize, que tem o papel de fiel escudeiro, sempre ali para qualquer coisa, e que traz o tom engraçado a história com tiradas cômicas/reveladoras. Isolde também tem uma melhor amiga/irmã, Ishraq, uma jovem de origem muçulmana que é sua defensora e desafia a definição de mulher para os outros personagens, por saber se defender, ser forte além de bela e considerada herege.

Orgulhosa demais de sua posição para ser uma amada ou boa esposa de qualquer homem. Tem um pé na cova fria, como uma solteirona, pensou eu. Isso se não queimar como uma bruxa, como já sugeriram.

A inteligência de Luca apesar de não serem ideias para um monge na história servem a outro tipo de trabalho da igreja, no caso a Ordem das Trevas, que busca solucionar alguns casos misteriosos. A história se passa em 1453, uma época em que muitas respostas ainda não tinham sido dadas, quase tudo podia ser respondido com mitos ou como sendo obra do demônio. Ainda mais no mundo depois que a Igreja perde Constantinopla para o Império Otomano, segundo a autora, além do medo, as superstições eram muito fortes. Como saber se o oculto estava realmente envolvido ou se uma grande confusão ou um embuste está por trás das histórias? Philippa conduz os personagens por dois casos bem interessantes e com resoluções bem inteligentes. Por mim a história poderia até acontecer mais devagar, o caso na abadia faz lembrar o O nome da rosa de Umberto Eco, que é bem grande e descritivo. Philippa optou por uma escrita dinâmica em que não demoramos muito para obter as respostas.

O papa Nicolau V ordenou que explorássemos os mistérios, as heresias e os pecados, que os explicássemos, sempre que possível, e os derrotássemos, quando pudermos. (Trecho sobre a Ordem, a autora baseou-se na Ordem do Dragão do séc. XV.)

A sinopse promete uma atração entre Luca e Isolde e de fato ela acontece, mas Philippa escolheu tratar o romance com muita cautela, nesse primeiro livro temos só a faísca, a maior parte da trama é voltada para a resolução dos mistérios. Essa atração com pequenos passos é bem coerente se pensarmos no comportamento da época e no compromisso de Luca com a Igreja. A história é bem cativante e acabei o livro querendo mais, espeo que as continuações não demorem muito. Em inglês a autora já lançou os outros dois livros da saga: Stormbringers e Fools Good.

A autora já foi muito mencionada aqui no blog, escreveu uma série famosa sobre a Dinastia Tudor e Plantageta, confira as resenhas.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

4 comentários em “{eu li} Ordem da escuridão: O substituto (Vol. 1) – Philippa Gregory

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