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{tag} 10 começos

Eu vi uma matéria na Revista Bula sobre os 15 melhores começos da literatura, até divulguei, a partir daí resolvi fazer uma lista de dez começos muito bons de livros. Não necessariamente os melhores, porque eu teria que rever os começos tooodos para não ser injusta. Decidi chamar de tag 10 começos. Muita gente acredita que o começo de um livro tem que prender muito o leitor para ele continuar lendo. Assim, vou listar aqui alguns começos curiosos, emocionantes, que fazem a gente grudar… Não está na ordem do melhor, são apenas fragmentos pescados aqui e ali, da estante e do computador, o primeiro parágrafo de livros que li. Espero que você fique curioso com pelo menos um deles…

*Desculpem-me se andei sumida esses dias, estava ocupadíssima com o aniversário da minha irmã e estou lendo Queda dos Gigantes do Ken Follet, que é gigante mesmo, tô amando, já já a resenha chega.

Eu sou Malala – A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo Talibã

No dia em que nasci, as pessoas da nossa aldeia tiveram pena de minha mãe, e ninguém deu os parabéns a meu pai. Vim ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga. Nós, pachtuns, resenha logoconsideramos esse um sinal auspicioso. Meu pai não tinha dinheiro para o hospital ou para uma parteira; então uma vizinha ajudou minha mãe. O primeiro bebê de meus pais foi natimorto, mas eu vim ao mundo chorando e dando pontapés. Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar. Veja o primeiro capítulo. Também existe a versão juvenil do livro.

A confissão da leoa – Mia Couto

Deus já foi mulher. Antes de se exilar para longe da sua criação e quando ainda não se chamava Nungu, o atual Senhor do Universo parecia -se com todas as mães deste mundo. Nesse outro tempo, falávamos a mesma língua dosresenha logo mares, da terra e dos céus. O meu avô diz que esse reinado há muito que morreu. Mas resta, algures dentro de nós, memória dessa época longínqua. Sobrevivem ilusões e certezas que, na nossa aldeia de Kulumani, são passadas de geração em geração. Todos sabemos, por exemplo, que o céu ainda não está acabado. São as mulheres que, desde há milénios, vão tecendo esse infinito véu. Quando os seus ventres se arredondam, uma porção e céu fica acrescentada. Ao inverso, quando perdem um filho, esse pedaço de firmamento volta a definhar. Veja o primeiro capítulo.

Crônica de uma morte anunciada – Gabriel Garcia Márquez

No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 para esperar o navio em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava um bosque de grandes figueiras onde caia uma chuva branda, e por um instante foi feliz no sonho, mas quando acordou sentiu-se completamente salpicado de cagada de pássaros. “Sempre sonhava com árvore”, disse-me sua mãe 27 anos depois, evocando os pormenores daquela segunda-feira ingrata. Livro em pdf.

A coisa terrível que aconteceu com Barnaby Brocket – John Boyne

Esta é a história de Barnaby Brocket. E para entender Barnaby, primeiro você precisa entender os pais dele: duasresenha logo pessoas queque tinham tanto medo de gente diferente que acabaram fazendo uma coisa terrível, com consequências aterradoras para todos que amavam. Veja um trecho.

A menina que roubava livros – Markus Zusak

Primeiro as cores.
Depois, os humanos.
Em geral, é assim que vejo as coisas.
Ou pelo menos, é o que tento.

– Eis um pequeno fato – Você vai morrer.

O silêncio das montanhas – Khaled Hosseini

ENTÃO, É ISSO. VOCÊS QUEREM uma história, e eu vou contar uma. Mas somente uma. Nem pensem em pedirresenha logo mais. É tarde e temos um longo dia de viagem pela frente, Pari, você e eu. Você precisa de uma boa noite de sono. E você também Abdulllah. Estou contando com você, garoto, enquanto sua irmã e eu estivermos fora. E sua mãe também. Bem. Uma história então. Escutem, vocês dois, escutem com atenção. E não me interrompam.

NÃO HÁ SILÊNCIO QUE NÃO TERMINE – Meus anos de cativeiro na selva colombiana
Ingrid Betancourt

Tomei a decisão de fugir. Era minha quarta tentativa, mas depois da última vez as condições de detenção tinham se tornado ainda mais terríveis. Eles haviam nos instalado numa jaula construída com tábuas de madeira e folhas de  zinco à guisa de telhado. O verão estava chegando, fazia mais de um mês que não tínhamos tempestades à noite. Ora, uma tempestade era indispensável para nós. Eu localizara uma tábua meio podre num canto de nosso cubículo. Empurrando-a fortemente com o pé, consegui rachá-la o suficiente para criar uma abertura. Fiz isso numa tarde, depois do almoço, enquanto o guarda cochilava em pé, equilibrado sobre seu fuzil. O barulho o assustou. Ele se aproximou, nervoso, e deu a volta na jaula devagar, como um animal selvagem. Eu o acompanhava pelas fendas que separavam as tábuas, prendendo a respiração. Ele não conseguia me ver. Parou duas vezes, chegando a grudar o olho num buraco, e por um instante nossos olhares se cruzaram. Deu um pulo para trás, assustado. Depois, para disfarçar, plantou-se bem na entrada da jaula; estava indo à forra, pois não tirava mais os olhos de mim. Veja o primeiro capítulo completo.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios – Marçal Aquino

Não adianta explicar. Você não vai entender. Às vezes, como num sonho, vejo o dia da minha morte. É uma coisa meio espírita, um flash. E, embora a mulher não apareça, sei que é por causa dela que estão me matando. E tenho tempo de saber que não me deixa infeliz o desfecho da nossa história. Terá valido a pena. Comentário

Meu nome é vermelho – Orhan Pamuk

Agora, sou meu cadáver, um morto no fundo de um poço. Faz tempo que dei o último suspiro, faz tempo que meuresenha logo coração parou de bater mas, salvo o canalha que me matou, ninguém sabe o que aconteceu comigo. Esse crápula desprezível, para certificar-se de que tinha mesmo dado cabo de mim, observou minha respiração, espreitou minhas derradeiras palpitações, depois deu-me um chute nas costelas, arrastou-me até um poço, passou-me por cima da mureta e precipitou-me fosso abaixo. Minha cabeça, já rachada a pedra, esfacelou-se na queda; meu rosto, minha testa, minhas faces se estraçalharam; moeram-se meus ossos, minha boca encheu-se de sangue. Veja o primeiro capítulo completo.

O livro de areia – Jorge Luis Borges

*É um livro de conto, então escolhi o primeiro parágrafo do primeiro conto: O outro.

O fato aconteceu no mês de fevereiro de 1969, ao norte de Boston, em Cambridge. Não o escrevi de imediato porque meu primeiro propósito era esquecê-lo, para não perder a razão. Agora, em 972, penso que, se o escrever, os outros o leram como um conto e , com os anos, talvez o seja para mim.

Então ficou curioso com algum? Não esquece de me contar nos comentários um começo de livro que você amou!

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

6 comentários em “{tag} 10 começos

  1. Você reuniu começos de vários livros que são os meus preferidos. Teria uma porção de outros para acrescentar a sua lista, mas vou ficar no melhor de todos, Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquéz: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo”.

    1. É difícil de escolher né, eu quase coloquei esse, mas como coloquei o Crônica e outros que falam da morte, acabei deixando de fora. Obrigada pelo comentário!

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