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{eu li} Queda de Gigantes – Ken Follet

quedadegigantesSinopse: O primeiro volume da trilogia “O Século”, do consagrado Ken Follett, começa no despertar do século XX, quando ventos de mudança ameaçam o frágil equilíbrio de forças existente – as potências da Europa estão prestes a entrar em guerra, os trabalhadores não aguentam mais ser explorados pela aristocracia e as mulheres clamam por seus direitos. Follett constrói sua trama entrelaçando as vidas de personagens fictícios e reais, como o rei Jorge V, o Kaiser Guilherme, o presidente Woodrow Wilson, o parlamentar Winston Churchill e os revolucionários Lênin e Trótski. O resultado é uma envolvente lição de história, contada da perspectiva das pessoas comuns, que lutaram nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, ajudaram a fazer a Revolução Russa e tornaram real o sonho do sufrágio feminino. Ao descrever a saga de famílias de diferentes origens, o autor apresenta os fatos sob os mais diversos pontos de vista.

 De volta com as resenhas, uma das razões da demora é o tamanho desse gigante, do Ken Follet. Nunca tinha lido nada do autor, gostei muito do livro, ele é um prato cheio para quem gosta de romances históricos. O livro traz personagens muito interessantes e de vários lados da Primeira Guerra, temos personagens da Tríplice Aliança e Entente. Alguns deles eram amigos ou mais que amigos antes da guerra e foram forçados a romper, outros em idade de entrar para o exército foram arrastados para o front.

Em Gales do Sul conhecemos os Williams uma família fantástica, o chefe de família é um dos líderes dos sindicatos dos mineradores, e que luta para que esses trabalhem com o mínimo de condições. Follet faz um retrato da situação de miséria e de exploração a que os mineradores passavam. As famílias se viam forçadas a mandar para o trabalho meninos de 12 anos. É o que acontece com Billy, que sobrevive a esse horror para ter um importante papel nessa história. Assim como sua irmã, Ethel, que é governanta na casa dos nobres locais e donos das terras onde sua família mora e trabalha, os aristocráticos Fitzherberts. Esses também vão ver o mundo a sua volta mudar bastante e influenciar muito na vida da família Williams.

Enquanto isso na Rússia, dois irmãos órfãos, Grigori e Lev Peshkov, possuem caráter bem diferentes. Eles são fruto de uma família que sofreu muito devido ao regime czarista,  a história dos dois ajuda a contar vários momentos da história que culminam na Revolução Russa. Também temos na história um romance interrompido pela guerra entre um alemão, Walter, diplomata, e a inglesa Lady Maud. E a história do americano Gus Dewar, o assessor do presidente Wilson. No livro vemos o governo dos Estados Unidos como aquele que trabalhou pela paz mas não conseguiu escapar da guerra.

Enquanto a ação se desloca entre Londres, São Petersburgo, Washington, Paris e Berlim, Queda de gigantes retrata um mundo em rápida transformação, que nunca mais será o mesmo. O século XX está apenas começando.

O livro ajuda a entender como a guerra não foi culpa exclusiva da Alemanha, como os países tentaram declarar quando ela acabou. Uma série de interesses políticos, rivalidades e a vontade dos ingleses de serem maiores de que todas as outras nações, são alguns dos motivos desencadeados pelo assassinato do Arqueduqui  Francisco Ferdinando, príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro, e de sua mulher, Sofia.

O crime aconteceu em 28 de junho de 1914. O autor dos disparos foi Gavrilo Princip, estudante sérvio-bósnio ligado a uma organização nacionalista. Um mês depois, em 28 de julho, o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia, dando início ao confronto. Diante da declaração de guerra dos austríacos, os russos se mobilizam para ajudar os sérvios, seus “irmãos” eslavos dos Bálcãs. No dia 3 de agosto de 1914, a Alemanha, aliada dos austríacos, declara guerra à França. O exército alemão avança rumo à França. Por causa da política de alianças, em pouco tempo praticamente toda a Europa está envolvida no conflito. De um lado estavam os países da Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro) e, do outro, a Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia). (entenda a primeira guerra mundial)

Apesar desse efeito cascata, Ken tenta mostrar no livro os bastidores da política, mostrando que os países tinham outras opções, mas a vontade exacerbada de ter mais poder político ou imagem de potência militar fez com que eles optassem pela guerra. E a guerra sempre será uma estupidez pois muito é gasto e o desperdício de vidas inocentes é enorme. Muitos pagaram nas trincheiras por escolhas de políticos e nobres. Em vários momentos temos o sentimento de revolta de soldados e esposas que não queriam a guerra. O autor também mostra a importância da opinião pública, conduzida para querer a guerra e depois para ter raiva dos alemães.

Ken Follet soube mesclar com maestria personagens reais com ficcionais, no final do livro ele explica que tentou ser fiel ao máximo aos fatos. Usando frases que realmente foram ditas pelas “reais”, mesmo que para outras pessoas ou em discurso e que não mudou a posição geográfica deles, respeitando viagens e compromissos políticos.

A parte que mais gostei foi a sobre a Revolução Russa, como o livro mostra que ela foi necessária e como alguns personagens fictícios foram envolvidos de forma muito coerente. E de, infelizmente, como o que começa com um propósito idônico, visando o melhor para a população pode degringolar, veremos mais disso na continuação do livro, Inverno do Mundo.

Outro ponto forte do livro é a busca por direitos das mulheres na Inglaterra, o afastamento dos homens para o fronte deu mais liberdade para as mulheres andarem sozinhas e forçou as famílias a aceitarem que as mulheres trabalhassem em jornadas iguais ao dos homens. A falta de homens nas fábricas forçou os empregadores a aceitarem mais mulheres. Elas por sua vez era forçadas a aceitar salários mais baixos para sustentar seus filhos, isso gerou um grande sentimento de revolta, aliado ao surgimento de líderes femininas, que exigiram o voto e melhores condições para as mulheres. A construção desse cenário é brilhante no livro.

A narrativa é bem intensa, em terceira pessoa, mesmo tratando de vários anos no livro é uma narrativa dinâmica, que fica variando o ponto de vista, mudando o cenário em que a história se passa. Em alguns momentos de batalha achei a história um pouco cansativa, mas importante para a geografia da guerra e sempre despertado em seguida por um acontecimento marcante.

As continuações são Inverno do Mundo, com pano de fundo a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial, e Eternidade da alma, com os fatos marcantes dos anos 60 a 80. E traz de volta as novas gerações das famílias conhecidas em Queda de Gigantes. Muito interessante, né?

O autor

Ken_FollettKen Follett irrompeu no cenário da literatura aos 27 anos com O buraco da agulha, thriller premiado que chegou ao topo das listas de mais vendidos em vários países. Depois de outros sucessos do gênero, surpreendeu a todos com Os pilares da terra, um romance sobre a construção de uma catedral na Idade Média que até hoje, mais de 20 anos após seu lançamento, continua encantando o público mundo afora.  O autor vive na Inglaterra com a mulher, Barbara.

 Seu mais novo livro é o  As espiãs do dia D, que se passa na Segunda Guerra.

Infográfico sobre a Primeira Guerra Mundial

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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