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{eu li} Dose dupla de Hercule Poirot – Agatha Christie

poirot6Continuando a mini maratona para comemorar os 125 anos da Agatha Christie, hoje vou falar de dois livros que ela escreveu com o personagem Hercule Poirot. Ele é o personagem mais famoso de Agatha Christie, seu primeiro detetive, e o que aparece em mais livros da rainha do crime. Poirot tem características muito peculiares, é belga e veio morar na Inglaterra, tem um bigode famoso, é cheio de métodos, desvenda os crimes principalmente a partir de deduções em cima do que as pessoas envolvidas falam. Faz várias perguntas teste e é capaz de perceber pistas que ninguém mais consegue.

O misterioso caso de Styles

 mcs7Esse é o primeiro livro que Agatha escreveu, em 1920, nele ela introduziu não só Poirot mas também os personagens Arthur Hastings (aspirante a detetive) e o Chief Inspector Japp da Scotland Yard. O desejo da autora de escrever esse primeiro livro veio do desafio de sua irmã que disse que era impossível que o leitor só soubesse no final quem era o assassino, característica presente sempre nos livros da autora. E ela teve grnde sucesso na empreitada, na história todos sãos suspeitos e a dúvida permanece até o final.

Sinopse:  O caso Styles começa quando uma aristocrata inglesa morre trancada em seu quarto, vítima de um aparente ataque cardíaco. A coisa ficaria por aí, não fosse a suspeita de envenenamento levantada pelo médico da família.

Resolvi ler esse livro por ser o primeiro, desde o começo o envenenamento fica claro, mas não como aconteceu e quem envenenou a senhora. A autora levanta tantas pistas e suspeitas que em vários momentos o detetive se coloca em dúvida. E o leitor é bem enganado também.. O detetive belga foi convidado a resolver o caso pelo amigo Hastings que é quem narra a história e amigo da família (estava hospedado com eles), já Poirot estava na cidade em uma casa com outros belgas (refugiados da guerra). Conhecendo Poirot, Hastings achou que ele era o melhor para desvendar o assassino, mas em muitos momentos vai desconfiar da investigação de Poirot por não conseguir acompanhar o raciocínio de seu mestre, sua vaidade de também querer ser detetive o faz achar que poderia superar Poirot (tolinho, espero que nos outros livros ele perca isso).

Em alguns momentos achei que a história enrolou um pouco, dá para ver a evolução de Agatha como escritora de mistérios se comparamos com outros livros, esse é cheio de vaivéns e as mesmas pistas são repassadas muitas vezes. Mas Poirot para mim é um dos melhores detetives já criados, que sabe usar a “massa cinzenta”, como ele diz, como ninguém. E especialista em ver a verdade através de detalhes que a princípio podem aparecer não fazer sentido nenhum, o leitor só sabe que faz sentido por eles serem levados em conta por Poirot. Nesse livro ele é bem reservado por não confiar no que os outros possam fazer com suas descobertas, e muitas das suas atitudes são feitas para que o bandido não fuja. Temos um Poirot bem ativo, que faz viagens rápidas e pega carros apressadamente.

Poirot era um homem extremamente baixinho. Não deveria ter mais do que 1,60m, mas tinha seu orgulho próprio e andava de cabeça erguida. Sua cabeça tinha o exato formato de um ovo, mas ele nunca ligou para isso. Tinha um estilo militar; a limpeza de suas roupas era de invejar, acredito que causaria mais dor nele uma mancha de sujeira do que um tiro. Este homenzinho esquisito foi na sua época um dos melhores membros da polícia Belga. Como detetive, tinha um talento extraordinário, conseguindo resolver casos complexos e emaranhados. _ Hastings

O Assassinato no Expresso do Oriente

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Gostei muito desse livro, é um dos bem famosos que ainda não tinha lido, nesse livro o leitor se vê embananado porque os suspeitos tem sempre um álibi e/ou parecem honestos e pessoas boas demais. Percebi a verdade pouco antes do detetive “revelar” a todos, suspeitei mas achei que estivesse errada, mas isso não desmerece o livro nem de longe.

Sinopse: Pouco depois da meia-noite, uma tempestade de neve pára o Expresso do Oriente nos trilhos. O luxuoso trem está surpreendentemente cheio para essa época do ano. Mas, na manhã seguinte, há um passageiro a menos. Uma americano é encontrado morto em sua cabina, com doze facadas, e a porta estava trancada por dentro. Pistas falsas são colocadas no caminho de Hercule Poirot para tentar mantê-lo fora de cena, mas, num dramático desenlace, ele apresenta não uma, mas duas soluções para o crime.

_ Desculpe-me, senhor Poirot; não o entendo. _Eu também não me entendo – replicou Poirot. – Não entendo coisa alguma, como vê, e isto me aborrece.

Isso das duas soluções não vou comentar porque seria um spoiler, mas o que posso comentar é que o morto se revela um criminoso durante o livro e muita gente poderia querer mata-lo. Poirot estava voltando de viagem no famoso trem, mas a viagem vira mais um caso para ele resolver. Por ser amigo do dono da companhia que também estava a bordo, ele aceita a missão, como o trem estava parado ele teria um certo tempo antes da polícia. Assim, ele vai entrevistar todos no trem, ele já havia feito suas observações sobre essas pessoas durante a viagem, mas ainda assim vai se surpreender com a quantidade de mentiras envolvidas.

Poirot sorveu o seu vinho e relanceou um olhar pensativo pelo salão. Viam-se ali, à roda das mesas, umas treze pessoas, pertencentes, como bem dissera Bouc, a todas às classe e nacionalidades. O belga pôs-se a observa-lás.

Nesse livro é retratado também uma série de preconceitos, acharem que o assassino foi uma mulher por que esfaquear é coisa de mulher, ou de algum “latino” por terem fama de ter o sangue quente e agir sem pensar. Já Poirot vai dizer que não que foi um crime bem calculado o que denuncia um cérebro “anglo-saxão”. E coisas do tipo.

Esse livro e outros que se passam em lugares distantes como o Egito ou Bagdá, foram inspirados pelas viagens de Agatha com seu segundo marido, que era arqueólogo, Max Mallowan, pelo Oriente.

O filme

Assinato no Oriente Express foi lançado em 1974, com um elenco cheio de estrelas da época como: Albert Finney, Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Jaqueline Bisset, Sean Connery e Vanessa Redgrave Foi dirigido por Sidney Lumet.

O filme foi muito fiel ao texto original, e não poupou esforços para caracterizar o glamour da época; os figurinos foram impecáveis e chegaram a ser usados vagões reais do Expresso Oriente. Sucesso de público e crítica, ganhou os prêmios de melhor filme, ator e atriz coadjuvantes no Bafta e o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Ingrid Bergman (foi indicado em seis categorias).

No filme temos um Poirot bem engraçado, suas manias são evidenciadas e ele tem um jeito meio duro de se mexer e falar (quase grita em alguns momentos). Mas achei bem fiel a história original, tirando o fato que corta uma rodada de entrevistas em que Poirot descobre a mentira, que foi uma das partes que mais gostei do livro :/. O glamour do trem é bem enfatizado com várias passagens em que ele aparece com uma música ao fundo. Alguns personagens me pareceram mais suspeitos no filme do que no livro, suas expressões, “cara d culpado”.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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