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Dose dupla de Miss Marple – Agatha Christie

Para o terceiro post sobre a obra de Agatha Christie eu li dois livros com a personagem Miss Marple e mais uma vez me surpreendi com a variedade dos personagens criados pela autora que completaria 125 anos no dia 15 de setembro (data do sorteio do KIT Agatha Christie e Mistérios).

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Joan Hickson na série Agatha Christie’s Miss Marple (1984-1992)

Jane Marple é uma velhinha, que resolve mistérios de forma brilhante e assim como quem não quer nada. Ela recebe muitos indícios através de outros personagens e conversa com alguns poucos conforme sua posição social (de velhinha fofoqueira que sabe de tudo), em nenhum momento nos dois livros que li ela se intitula detetive e quer a glória da descoberta para si. Prefere continuar por debaixo dos panos e ser considerada uma conhecedora dos muitos perfis humanos. Alguns personagens não vão levar a menor fé nela e outros por já conhecerem nutrem profunda admiração por geralmente ela estar certa, mesmo sem as provas.

Nos dois livros ela também ajudará pensando em armadilhas para pegar o criminoso. Nos dois livros ela até demora a aparecer e vai ganhando espaço como quem não quer nada. A personagem é a segunda em número de livros em que aparece, são ao todo 16 obras (lista de livros da autora).

Assassinato na casa do pastor

assassinatonacasadopastorSt. Mary Mead. Um pacato vilarejo onde há quinze anos não ocorre um homicídio e onde as pessoas discutem a vida alheia tomando chá. Quando um sangrento crime acontece em plena casa do pastor, o alvoroço é grande. O arrogante inspetor Slack é escalado para investigar o caso. O mistério também intriga uma discreta moradora que gosta de jardinagem e de observar pássaros de binóculo, mas cujo principal hobby é o estudo do comportamento humano: Miss Marple. A estreia da sagaz velhinha, o aparecimento de personagens inusitados e a engenhosidade da trama fazem deste romance de 1930 um dos clássicos de Agatha Christie.

Gostei muito de começar a conhecer Miss Marple por esse livro (e não sabia ainda que era o primeiro mesmo), a história se passa no vilarejo em que ela mora, então os outros personagens já possuíam opiniões diversas sobre a velhinha. Para alguns ela era curiosa demais, há também os que não gostam de ouvir suas verdades e aqueles como o pastor que narra a história sabem que ela sempre está certa.

_O senhor sabe _ começou finalmente _vivendo só, como eu vivo, num canto remoto do mundo, é preciso ter um hobby. Há, é claro, os trabalhos com lã, as escoteiras, o serviço social e a pintura, mas meu hobby é , e sempre foi, a natureza humana. Tão variada e fascinante! E, naturalmente, numa aldeia sem discrição nenhuma, a gente tem ampla oportunidade de se tornar o que posso chamar de eficiente nesse estudo. Começamos a classificar as pessoas como se fossem passaros.

Como diz a sinopse o inspetor é bem arrogante e parece mais decidido a achar algum culpado, não necessariamente o certo. O pastor por conhecer bem sua paróquia, sabendo que foi um dos moradores que cometeu o assassinato (ninguém gostava do morto), assume a missão de falar várias vezes com todo mundo e tentar juntar as peças. Achei ele meio lerdo em alguns momentos em fazer seus próprios raciocínios… Se não fosse a Miss Marple deduzir tudo certinho algo daria bem errado nessa história. A fofoca rola solta nesse vilarejo também, todo mundo quer saber tudo de todo mundo, e tem várias opiniões para dar ao pobre do pastor que é procurado o tempo todo.

Tantas pessoas são desequilibradas, não é mesmo? Na verdade, a maioria das pessoas o é, quando a gente as conhece bem. E as pessoas normais fazem coisas surpreendentes às vezes, enquanto as pessoas anormais são à vezes bem equilibradas e naturais… Na verdade, o único método consiste em comparar as pessoas co outras que o senhor conheceu ou encontrou na vida.

Convite para um homicídio

conviteparaumhomicidioDe repente toda a vizinhaça lê nos jornais: Convite para um homicídio, Littee Paddock às 6:30h. Todos estão ansiosos para a brincadeira, mas são pegos de surpresa… ouvem um estalo e e então as luzes se apagam. Pensaram que a brincadeira já havia começado, até que um homem mascarado abre uma porta, atira, e morre de um jeito misterioso. Nesse livro, a autora une suspense, humor e mistério em mais esta aventura de Miss Marple, uma senhora miúda e frágil, que vai solucionar um estranho homicídio ocorrido no vilarejo de Chipping Cleghorn.

Gostei bem mais desse livro por esse enredo bem interessante, mesmo sendo de novo em um vilarejo e ficando claro que o perigo pode estar na porta ao lado, o homicídio ser anunciado no jornal dessa forma como uma brincadeira é algo bem diferente. No começo do livro vemos as reações de cada morador recebendo o jornal em sua casa e lendo a nota durante o café. E o sentimento do leitor é o mesmo; curiosidade, assombro e interesse. Se você morasse naquele vilarejo provavelmente também iria para a casa em questão querer saber o que ia rolar de verdade. Como boa leitora de Agatha já tentei da-li descobrir quem estava aprontando, mas nada… Esse livro é bem surpreendente, muitos segredinhos e um sentimento de que ninguém se conhece de verdade. á uma queixa do pós guerra ter mudado muito as relações sociais no campo na Inglaterra, muita gente nova chegando, com histórias verdadeiras ou não.

Há quinze anos, a gente sabia quem era todo mundo. Os Bantrys, na mansão, e os Hartnells, os Price Ridleys, s Weatherbys… Eram pessoas cujos pais e mães e avós e avôs, ou tios e tias, haviam morado no mesmo lugar antes delas.

A Miss Marple só aparece no capítulo oito, já tinha sido citada como a ideal para resolver esse tipo de caso (pelo amigo policial). E surge com um pretexto, mas fica na cara que ela não veio a toa para a vila, e bem na hora em que o caso que parecia claro está incomodando muito o inspetor Craddock.

Na verdade parecia ser bastante idosa. Seus cabelos eram muito brancos; sua pele, enrugada e rosada. Seus olhos eram extremamente azuis, suaves e inocentes. Estava coberta de lã até o pescoço, envolto no xale de bordas rendadas, e até as mãos, ocupadas em tricotar um cobertor de criança. Estava encantada em rever sir Henry. Mostrou-se terrivelmente encabulada ao ser apresentada ao chefe de polícia e ao inspetor Craddock.

No começo uma solução logo é apresentada e quem lê fica desconfiado porque casos escritos por Agatha não são simples assim. E o final realmente é surpreendente, eu tive um vislumbre da verdade, mas fiquei na dúvida.. Gostei muito desse recomendo. E é um queridinho dos leitores também, os dos livros foram muito indicados usando perguntei quais eram os melhores com a personagem.

As pessoas que têm raiva do mundo são sempre perigosas. Pensam que a vida lhes deve alguma coisa.

Cinema e TV

Julia McKenzie em Agatha Christie's Marple
Julia McKenzie em Agatha Christie’s Marple

No cinema, uma série de filmes com Miss Marple sendo interpretada por Margareth Rutherford, começou com o filme Menção (des) honrosa (1962) (segundo o que li os 4 filmes não agradaram a escritora e foram bem modificados em relação ao livro, apesar de terem feito sucesso). Outro filme com a velhinha de olhos azuis foi A maldição do espelho, adaptado em 1980, do livro com o mesmo nome. Também tem uma série que foi produzida pela BBC Agatha Christie’s Miss Marple  (1984-1992) e uma Agatha Christie’s Marple (2004-2013) produzida pela ITV e exibida pela HBO (pequenos filmes por temporada, cada um sobre um livro. Ainda não assisti nada com a Miss Marple.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

2 comentários em “Dose dupla de Miss Marple – Agatha Christie

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