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{euli} As Memórias de Cleópatra – A Filha de Ísis (vol.1) – Margaret George

afilhadeisisSinopse: Numa magistral reconstituição do antigo Egito e da Roma dos césares, Margaret George conta – pela voz da própria Cleópatra – uma história épica e hipnotizante. Reis, rainhas, tribunos, senadores, gladiadores, eunucos, escravos e guerreiros movem-se numa saga luxuosa, que traz de volta à vida o reluzente reinado de Cleópatra, a rainha do Nilo. As memórias de Cleópatra, narradas por ela mesma, têm início quando a rainha do Egito, meio século antes de Cristo, conhece Júlio César, então o homem mais poderoso do mundo, e só termina quando, tendo sobrevivido ao assassinato dele pelos senadores romanos e à derrota de Marco Antônio, o segundo homem por quem se apaixona, ele planeja e executa a própria morte, para não ser levada em triunfo, como prisioneira, pela ruas de Roma. O deserto, as pirâmides e os monumentos em torno do Nilo, as tumbas dos antigos faraós, o esplendor de Alexandria, então a capital cultural do mundo, as sangrentas lutas de gladiadores no coliseu, em Roma, as guerras de conquista de Júlio César e Marco Antônio, as paixões e a volúpia de sexo e poder em que os personagens se envolvem estão no centro deste romance absorvente, que tornou Margaret George uma das maiores romancistas históricas da atualidade.

Para ver o vídeo da resenha vá ao final do post 😉

A sinopse abrange os 3 livros da coleção, mas hoje vou falar do primeiro que vai até a morte de Julio César. Assim que vi esse box fiquei inteiramente curiosa. O que eu sabia sobre Cleópatra? Muito pouco! Lendo esse livro vi como sei pouco sobre ela e o Egito e fiquei bem interessada na história do começo ao fim. Nesse livro conhecemos Cleópatra ainda pequena, já órfã da mãe, que se afogou, a deixando com um vazio enorme de atenção. Mas ela era sem dúvidas a favorita do pai, embora não a mais velha. Antes de ser rainha, ela viu o pai ter que fazer um difícil jogo com os romanos para que eles não dominassem o Egito. Nesse começo, ela só tem 8 anos e talvez a autora tenha exagerado um pouco na compreensão que a menina já tinha de política. Ela conseguia enxergar, embora não compreendesse tudo é claro, os porquês das atitudes de seu pai. O rei Ptolomeu era considerado fraco por ser tão aberto aos romanos mas sua filha mesmo tão pequena já era capaz de entender a situação do pai como a saída “menos pior”.

A infância de Cleópatra é recheada de informações sobre sua família e os costumes do Egito, cenários muito bem construídos, me senti lá quando ela vê pela primeira vez as pirâmides.

piramides-do-egitoAs pirâmides cresceram até parecer que preenchiam o céu; e quando finalmente alcançamos a base delas e olhamos para cima era como se fosse totalmente possível que o topo alcançasse o sol. Agora eu sabia que elas se assemelham a montanhas, mas naquela época eu nunca vira uma montanha, e a visão me deixou pasmada.

Eu não sabia por exemplo que os Ptolomeus eram descendentes de Alexandre O Grande, na minha ignorância Cleópatra era descendente dos faraós do Egito antigo.

Todas as mulheres da minha linhagem eram chamadas Cleópara, Berenice ou Arsínoe. Estes nomes também vêm da Macedônia, onde nossa família se originou. Assim, minhas duas irmãs mais velhas se chamam Cleópatra (sim, éramos duas) e Berenice, e minha irmã mais nova se chama Arsínoe.

Sua família é amplamente conhecida pela traição, estiveram ao longo dos reinados derrubando uns aos outros e isso não seria diferente entre seus irmãos. Ao longo do governo de seu pai, suas irmãs tomaram o poder e depois de rainha Cleópatra tem que enfrentar outros dois. Apesar de a princípio ter duas irmãs mais velhas, a autora a coloca como recebendo o direito inesperado de governar como uma benção. No livro também fica claro o costume e obrigação dos príncipes e princesas do Egito de casarem entre si.

O livro é narrado pela própria Cleópatra e ela também conta detalhes íntimos de seus temores, mesmo os mais adolescentes, como uma grande preocupação com a aparência.

É claro que eu queria ser linda, porque é o que todo mundo quer. Se não fosse possível, queria pelo menos ter uma aparência agradável para os outros. Mas, e se fosse pior? E se eu acabasse sendo feia? Não me parecia justo ter começado a vida de uma maneira em uma categoria e depois, aos doze anos mais ou menos, ser relegada para outra.

Cleópatra é muito apegada a deusa Ísis, vemos no Egito uma grande mistura de deuses egípcios com gregos/romanos. Mas é a deusa mãe dos egípcios que Cleópatra sempre vai recorrer. Mesmo depois de assumir o governo ela também enfrentará insubordinações, enchente e seca. Vemos no livro o quanto o Egito vivia do Nilo, que não podia ser cheio de mais mas também na seca matava as pessoas de fome. Gostei de vê-la como uma rainha preocupada e que fez realizações pelas pessoas. É claro que como rainha possui esse quê de ser melhor do que alguns outros, mas não é o sentimento predominante.

O livro é dividido em capítulos, mas também em 3 partes que a autora chamou de  “pergaminhos”. Antes de acabar o primeiro, enquanto Cleópatra viajava pelo Egito, os “conselheiros” de seu irmão e futuro marido (um menino manipulável), tomam o poder. A rainha arruma um exército, mas se vê em desvantagem. E para “concertar” as coisas no Egito, um dos generais romanos, o famoso Júlio Cesar vai até lá. Ao saber que Julio César está no Egito, e temerosa de que ele tome partido de seu irmão, Cleópatra vai aceitar falar com ele. Como está com poucos homens, o romano não promete proteger sua entrada em Alexandria, mas a chama para uma conferência. Assim, temos a famosa cena do tapete. Cleópatra, engenhosamente, teria entrado no Egito enrolada em um tapete, disfarçada. Antes de aparecer para Julio César, ela já sabendo de sua fama de namorados, pediu orientações de como conquista-lo, mas não foi necessário, ao rolar do tapete ela fisgou César.

Fui tocada e toquei outro ser humano, permiti que alguém passasse pelos portões vigiados da minha intimidade que penetrasse meu próprio ser  levantando todas as minhas barreiras. O que tinha temido por toda a vida como aniquilação, estava agora recebendo como complemento. Meu mundo se transformou naquele instante. Abracei-o como se nunca fosse perdê-lo. Desejei que aquela revelação, aquele momento de transfiguração, nunca se esvanecesse. Mas iria esvanecer. E esvaneceu. Com ele aprendi duas coisas naquela noite e no dia seguinte: a perfeição de um momento e sua natureza efêmera.

Gostei muito dessa passagem no livro, em nenhum momento o general obrigou à ir para a cama com ele, mas com o interesse mútuo eles não perderam tempo. A relação deles no livro é retratada com uma paixão profunda, mas nenhum dos dois esquece seus deveres políticos. Ela que nunca havia se apaixonado primeiramente se frusta, quando ele a manda casar com o irmão como o pai ordenou em testamento. Ele já era casado e Roma não reconheceria uma união entre estrangeiros. E para ele Roma era quase tudo. Mas seu apoio a Cleópatra em uma guerra civil foi fundamental, sua habilidade para a guerra foi vital, e ele não teria a apoiado tanto se não fosse o amor. O primeiro pergaminho termina com eles se despedindo e ela já grávida de seu primeiro filho Ptolomeu César.

No segundo pergaminho, se sentindo muito sozinha, Cleópatra vai por ordem na casa, e vai ter muitas dificuldades com o Egito, mas que serão enfrentadas. E no terceiro ela vai aceitar o convite de Julio César e conhecer Roma. Muitas questões entraram entre eles: o reconhecimento do filho, o amor reavivado, a sede dele por poder… Apesar de Roma ser governada por um Senado, o fato de César ter conquistado muitos territórios para o governo o faz ser extremamente honrado na cidade e receber muitos títulos até o de Ditador, como se Roma inteira devesse obediência a ele. E todo esse poder gera inimigos. Cleópatra presenciou mais esse desafio político, sua estadia em Roma não foi fácil, mas também se surpreendeu com o grande amor de César até o fim trágico.

Para mim o trabalho da autora, nesse primeiro volume foi comprido, nos mostra os problemas dos regimes monárquicos, o povo sempre sofrendo de alguma forma, mas também uma mulher capaz de ser admirada. Como romance histórico o livro também é muito bom, com muitas informações sem ser maçante, a curiosidade do leitor é aguçada a todo momento com as reviravoltas e conspirações. Alguns trechos só que se arrastam um pouquinho…

Se você já viu o livro pessoalmente vai achar que ele tem umas mil páginas mas não tem só 487! Isso porque as folhas são bem grossas, gostei muito do capricho com a edição. As folhas são tão grossinhas que toda hora achava que tinha passado mais de uma página. haha

Em breve volto com mais da vida de Cleo!

A autora:

Margaret_George_credit_PaulKaufmanMargaret George nasceu em Nashville, no Tennessee, e vive com o marido em Madison, Wisconsin. Escreveu outros romances históricos como The Autobiography of Henry VIII e Mary, Queen of Scotland and the Isles. Memórias de Cleópatra foi adaptado para uma série de TV, protagonizada por Leonor Varela (Cleópatra), Billy Zane (Marco Antonio) e Timothy Dalton (Júlio César). Não vi a série, não sei se ficou boa!

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

13 comentários em “{euli} As Memórias de Cleópatra – A Filha de Ísis (vol.1) – Margaret George

  1. Oooi! Gosto de livros que tratem sobre fatos históricos, apesar de não ser o gênero favorito. Eu gosto da história do Egito e tudo mais, tanto é que prefiro a mitologia egípcia a grega. Parabéns pela resenha! E é mesmo, parece que o livro é enorme Kkkkkkkk Beeijos

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