Publicado em Eu li, Halloween

{mês halloween} Frankenstein – Mary Shelley

Frankenstein ou o Moderno Prometeu

frankA princípio, tratava-se de um pequeno conto sobre um jovem estudante suíço que ambicionava criar um ser ideal, injetando vida a um corpo morto. Mais tarde, transformado em romance, tornou-se um marco na literatura do gênero. Frankenstein ou o Moderno Prometeu (Frankenstein; or the Modern Prometheus, no original em inglês), mais conhecido simplesmente por Frankenstein, é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, de autoria de Mary Shelley, escritora britânica nascida em Londres. O romance relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório. Mary Shelley escreveu a história quando tinha apenas 19 anos, entre 1816 e 1817, e a obra foi primeiramente publicada em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição. Atualmente costuma-se considerar a versão revisada da terceira edição do livro, publicada em 1831, como a definitiva. O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.

Para ver a resenha em vídeo clique aqui.

A autora tem muitos méritos como diz na sinopse, quantas histórias não viriam depois beber da mesma fonte? A vontade humana de criar e a responsabilidade e arrependimentos que isso pode trazer. Pois bem, a única coisa que não me fez gostar de verdade do livro foi o personagem Victor Frankenstein, que em muitos momentos é covarde e fica se queixando extensamente da bobagem que fez e tragédia que vira sua vida. Não que ele não tenha motivos para se sentir mal, muito pelo contrário, mas sua inércia em muitos momentos são irritantes. O que mais me frustrou na verdade foi após a criação ele ter se horrorizado de modo tal com o “monstro” que fugiu e abandonou a criatura. Vai me dizer que ele não tinha percebido que ela não estava ficando bonita?

Por que não morri? Sendo o mais miserável entre os homens, por que não mergulhei para sempre no esquecimento e no descanso? Se a morte arrebatava crianças, flores mal desabrochadas, se noivas, em pleno vigor da juventude e no limiar de seu futuro de esperanças, eram, de um dia para outro, presa dos vermes na terra fria do túmulo, de que fibras, de que matéria era feito eu, que podia resistir a tantos abalos, ao girar incessante da roda da vida, que tamanhas torturas me infligia?

Mas a história também tem várias partes interessantes, apesar de não explicar exatamente seus métodos, vemos o Dr. ir a cemitérios e necrotérios nos eu arroubo de necessidade de criar. E para mim a melhor parte é quando a criatura entra em cena para explicar o mal que fez, acusar seu “pai” de abandono e contar tudo o que sofreu. O “monstro” não nasceu mal ou perverso, era como um bebê aprendendo o que é o mundo sozinho, até aprendeu a falar e ler por conta própria. E poderia ser muito gentil, até tenta o contato com os humanos, que por sua terrível aparência não dá certo. É claro que depois de tamanha rejeição ele não suporta, culpa seu pai e busca vingança. Ainda dá uma chance a Frankenstein mas na história só vão caber tragédias.

Vale ressaltar que a história não é contada pelos dois personagens principais, mas por um terceiro que está fazendo uma expedição no Ártico e encontra Victor perseguindo seu “filho”, e ele vai contar a esse viajante toda sua história, que por sua vez vai contar a irmã através de cartas.

As partes de lamentações que me cansaram, apesar de me quebrarem são muito bem escritas, e a história é muito interessante. Só não consegui sentir pena do personagem e simpatizar com ele. O que me fez querer terminar logo o livro. Mas valeu muito a pensa conhecer essa história chocante que já foi tão adaptada (cinema, séries…) E você já leu? Não esquece de me contar o que achou!

A autora

mary shelleyNasceu em Londres, em 1797, filha de William Godwin e Mary Wollstonecraft, célebres escritores radicais da época. A mãe de Mary morreu de forma trágica onze dias depois de dar à luz. Sob a tutela consciente e especializada de Godwin, Mary teve uma infância intelectualmente estimulante, embora emocionalmente carente. Em 1814, foi apresentada ao então desconhecido Percy Bysshe Shelley, por quem logo se apaixonou, e em julho daquele ano os dois fugiram para o continente. Em dezembro de 1816, depois de a primeira esposa de Shelley, Harriet, ter cometido suicídio, Mary e Percy se casaram. Dos quatro filhos do casal, apenas Percy Florence sobreviveu. Viveram na Itália entre 1818 e 1822, quando Shelley morreu afogado no naufrágio de seu barco Ariel numa tempestade. Mary voltou com Percy Florence para Londres, onde continuou a viver como escritora profissional até sua morte, em 1851. A ideia deFrankenstein surgiu em 1816, quando Mary Godwin passou o verão com Percy Shelley às margens do lago de Genebra, onde Lorde Byron também estava hospedado. O estímulo para que começasse a escrever o conto original veio depois de Byron sugerir um concurso de histórias de fantasmas. O próprio Byron produziu “Um fragmento”, o qual mais tarde inspirou seu médico, John Polidori, a escrever “O vampiro: um conto”. De volta à Inglaterra, Mary completou sua história, publicada como Frankenstein ou O Prometeu moderno, em 1818. Entre seus outros romances estão The Last Man, uma história distópica ambientada no século XXI (1826), Perkin Warbeck (1830), Lodore (1835) e Falkner (1837). Além de várias colaborações, com contos e ensaios para publicações como Keepsake e Westminster Review, contribuiu com diversos ensaios biográficos para a Cabinet Cyclopaedia (1835, 1838-9), editada por Dionysius Lardner. Entre seus outros livros estão a primeira edição coligida da Obra poética de P. B. Shelley (4 vols., 1839) e um livro baseado nas viagens pela Europa que Mary fez com Percy Florence e os amigos do filho, Rambles in Germany and Italy (1844). Mary Shelley morreu em Londres, em 10 de fevereiro de 1851. Fonte: Companhia das Letras.

Trailer do filme Frankenstein de Mary Shelley (1994)

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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