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{euli} A Noite Maldita – André Vianco

Ainda no clima do mês que se foi, mais uma história arrepiante! Hoje falo do livro A Noite Maldita do André Vianco, autor paulista que está sempre ligado ao terror e sobrenatural. Para ver o vídeo sobre o livro no canal só clicar.

anoitemalditaQuando metade dos seres humanos adormece inexplicavelmente, o que surge é um cenário apocalíptico: prédios em chamas, falta de eletricidade e pessoas desesperadas correndo sem rumo pelas ruas. Nada mais funciona como de costume, e os hospitais ficam lotados com vítimas do que parece ser uma terrível epidemia. Porém, tudo piora quando uma parte dos “adormecidos” desperta com uma sede incontrolável de sangue. Inicia-se então uma guerra de proporções nunca antes registradas, entre humanos e vampiros, naquela que, para sempre, seria chamada de A noite maldita.
Ambientado em diversas cidades do Brasil, o livro leva o leitor a um mundo caótico e sombrio, onde a luta pela sobrevivência é constante e qualquer descuido pode ser fatal. Conheça a origem da aclamada saga “O Vampiro-Rei” e descubra como as batalhas entre humanos e vampiros começaram.

Esse livro se passa 30 anos antes da saga Vampiro-Rei em que a guerra entre vampiros e humanos já está estabelecida e as pessoas já convivem com ela como podem. Fiz resenha aqui do primeiro livro, Bento, que conta quando acorda o 30° Bento (que são aqueles capazes de lutar de igual para igual com os vampiros) e a profecia que envolve esses despertar. Muitas pessoas nesse livro ainda estão dormindo e a Terra mudou muito com a pouca interferência dos homens.

A Noite Maldita foi lançado ano passado e eu recomendaria que quem não leu o livro Bento, fosse ler ele primeiro. Porque a historia fica muito mais interessante se você já conhece alguns personagens que vão ter suas histórias contadas no A Noite Maldita. Sabe aquele pulinho de alegria quando um personagem que você gosta aparece e ainda por cima ele tem uma história muito interessante no passado? Quem leu a saga do Vampiro Rei, tem esse presentinho do autor. Mas quem quiser ler cronologicamente, também vai gostar do livro.

Dona Miriam começou a caminhar de costas, lentamente, para não tropeçar nas coisas lançadas ao chão num ataque anterior do rapaz. Ela já sabia que ele não estava bem da cabeça. Jessé tinha sido um adolescente doce e pacato, aquilo que se chamava de sujeito normal. Tinha crescido  virado um belo homem. Sempre cordato, sempre amável, com ela e com os vizinhos. Então ele ficara doente naquela noite e não estava bem da cabeça, nada que assustasse. Dona Miriam cria que o rapaz ia melhorar. Era só influência daquela loucura toda, culpa daquela noite maldita que tinha vindo e deixado todos sem televisão. Sem televisão o povo ficava nervoso.  Ela sabia. Então viu um olhar. Aquele olhar que poucas vezes ira em sua vida. O olhar de um louco insano, do vilão da novela das oito. Ela sabia que alguém com aquele olhar boa coisa não queria. Aquilo ligou todos os seus sentidos de alerta, colocando todo o seu corpo velho em rota de fuga. Já virava no corredor do aparamento, pronta para correr. Porém uma mão fria aferrou-se doloridamente ao seu ombro, comprimindo seu nervo e fazendo-a soltar um grito.

Como dito na sinopse, essa noite contada no livro muda totalmente a vida dos pobres humanos. O que torna o caos pior com certeza é a impossibilidade das pessoas se comunicarem, e assim não saberem como estão seus familiares. E, é claro, a polícia, corpo de bombeiros, forças armadas, governantes, não conseguem se comunicar também deixando a população agir quase sem apoio e plano. É claro que os policiais e bombeiros e esforçam mas a situação fica muito complicada. E no hospitais é a mesma coisa, eles vão ficando super lotados de pessoas adormecidas e de pessoas que se revelam agressivas sem saber como tratar toda essa gente. Muitos médicos e enfermeiros também ficam “doentes” e outros ficam divididos em procurar a família e descansar um pouco. O mesmo acontece com todos os serviços, como transporte, energia, tudo vai parando devido a fata de pessoal.

O livro é muito bem escrito, e o narrador conta sua história por essas várias “frentes”. Vários tipos de pessoas vão sendo desenhadas para o leitor, vigias, médicos, donas de casa, pessoas que não sabem o que fazer com seus parentes adormecidos e também os vampiros (alguns com mais consciência da transformação que estão sofrendo e outros mais animalescos). É claro que algumas histórias se destacam e aparecem em mais capítulos, e até se chocam. No livro um dos principais personagens é o policial Cássio, que começa indo trabalhar e enfrenta a preocupação com sua irmã e sobrinhos, mas acaba se tornando um “líder” inteligente, enquanto também lida com seus dramas internos. Outra personagem importante é a promotora Raquel que viu o marido ser assassinado por bandidos que também cassava anos antes, e a “noite maldita” acontece justamente durante o julgamento do principal culpado. Ela passa por maus bocados no livro e vai acabar vendo seu destino virar do avesso. As histórias dos vampiros que acabam atacando seus parentes e dos que despertam gerando uma enorme confusão nos hospitais, são de arrepiar e trazem as melhores cenas de ação do livro.

A história é dividida em 4 noites e 4 dias, e a cada mudança vemos uma evolução no quadro. Primeiro o total despreparo dos humanos e a especulação de que doença seria essa. O termo vampiro demora a surgir no livro. O que é muito coerente, com tantos distúrbios de comportamento, quem pensaria que aquelas pessoas estão querendo se alimentar de sangue humano? Então nada mais natural do que tentar tratar essas pessoas. O que vai se revelando impossível e sinistro. O medo das pessoas também vai aumentando. A consciência de alguns vampiros, de que eles viraram outra coisa também é muito interessante de acompanhar, porque no começo tudo é muito confuso, as cólicas, a sede, a dificuldade de se expor ao sol. Agora imagine isso acontecendo em todos os lugares do Brasil e do mundo? No livro a maioria dessas histórias se passam em São Paulo, mas também vamos acompanhar personagens mais brevemente em outros lugares como Foz do Iguaçu e Belém. Conforme os dias vão passando a consciência dos ataques noturnos das feras via fazer as pessoas começarem a se organizar, unir e tentar se defender como podem.

_Muitos acreditavam em Deus e em vida após a morte. Muitos acreditavam em vários deuses e em várias continuações, outros não acreditavam em nada disso, mas todos concordavam em uma coisa. O tempo de morrer chegaria para todos que respiram. Agora, minha amiga,  não sei de mais nada. Veja, ao cair do sol nós morremos, mas por alguma razão que ainda passa despercebida, continuamos por aqui, animados, caminhando, como se fossemos vivos, mesmo com esse coração silencioso e morto em meu peito. Ludmyla essa quietude, esse silêncio e essa quietude me dão medo.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

2 comentários em “{euli} A Noite Maldita – André Vianco

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