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{eu li} As Memórias de Cleópatra Vol.2 – Sob o Signo de Afrodite – Margaret George

Hoje vou falar do segundo livro da trilogia As Memórias de Cleópatra, que conta a história da rainha do nilo de forma ficcional mas fiel aos fatos históricos registrados. Nesses livros a própria rainha conta detalhes íntimos e sua visão da história, como num livro de memórias. O segundo, Sob o signo de Afrodite, eu demorei um pouco mais para terminar de ler do que o primeiro que gostei mais (resenha primeiro livro).

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AS_MEMORIAS_DE_CLEOPATRA_VOL_2_1297009873BSinopse: Numa magistral reconstituição do antigo Egito e da Roma dos césares, Margaret George conta – pela voz da própria Cleópatra – uma história épica e hipnotizante. Reis, rainhas, tribunos, senadores, gladiadores, eunucos, escravos e guerreiros movem-se numa saga luxuosa, que traz de volta à vida o reluzente reinado de Cleópatra, a rainha do Nilo. Cleópatra, no auge de sua beleza e poder, descreve seu tórrido romance com outro general romano, Marco Antônio, e seus planos para construírem um novo império.

Esse livro eu gostei, mas achei o começo bem parado, não só porque vemos Cleópatra sofrendo pela morte de Júlio César (em várias páginas), mas o livro não traz grandes novidades até a chegada de Marco Antônio na história. Após a morte de JC, roma passou a ser governada por um Triunvirato  (associação política entre três homens) formado por  Marco António, Otávio e Lépido. Para tristeza de Cleópatra que voltou para o Egito, se filho não foi reconhecido no testamento do pai, então nenhum direito sobre Roma. Tudo vai bem no Egito, até que Marco Antônio “ordena” que a rainha vá até ele prestar satisfações políticas, mas como Cleópatra é Cleópatra e não se sentiu verdadeiramente ameaçada, ela decide ir quando quer. E deixa Marco esperando um bom tempo, até que decide ir e vestida de Afrodite. Apesar de no livro ela não planejar conquistar mais um amante, é o que acontece. Os romanos não perdem tempo nesse sentido!

Os amigos (conselheiros e servos) de Cleópatra, são muito fiéis a rainha, ela exalta várias vezes o quanto eles são importantes para que ela possa viajar enquanto eles cuidam de tudo sem traí-la. Dois são amigos de infância, um conselheiro e outro seu médico pessoal. Mas ela também conta com a ajuda de um judeu, quem diria, que assume as finanças e impostos, por merecimento e competência. E seus amigos vão censurá-la um pouco por causa de sua aventura amarosa.

_Primeiro César, e agora Antônio! _ exclamou Maridian, erguendo as sobrancelhas. _Você tem algum problema médico que a faz entrar no cio sempre que um romano aparece no horizonte?
_E comente romanos de alto posto – Olímpio acrescentou secamente.
_Não eles têm de ter mais que altos postos, eles tê de ser os mandachuvas absolutos. Os governantes. – Disse Maridian. Ele olhava para mim sacudindo a cabeça e o dedo.
_Acho que vocês estão sendo cruéis! _ eu disse, só meio contrariada. Eu nunca me importava com provocações.
_Não, somos seus amigos. Só estamos dizendo exatamente o que os romanos irão dizer _ Olímpio riu. _Para que você possa praticar sua defesa.

O amor entre os dois é avassalador, mas para azar de Cléo seu novo interesse também é casado. E muito ligado a Roma, mesmo tendo essa queda pelo Oriente e vai demorar bastante para ele resolver ficar de vez ao seu lado (perante todos, não fisicamente, por causa das guerras né). Otávio é a grande pedra no sapato nesse livro, para Cleópatra ele sempre foi um falso, mas durante boa parte do livro Marco Antônio insiste em não ser o primeiro a romper e isso dá bastante dor de cabeça. Ele até acusa a rainha de querer corrompe-lo e compra-lo com as riquezas do Egito. Mas se diz muito apaixonado e faz algumas loucuras por ela também. A personalidade de M. Antônio é bem diferente da de JC e ela sente isso, seu novo amor é influenciável e se molda a quem ele tem por perto.

Nesse livro vemos uma Cleópatra mais ambiciosa, que quer territórios de volta e expandir o Egito. Ela vai ver em Marco Antônio a aliança para isso também, que infelizmente está fadada ao fracasso como já sabemos, mas que poderia dar certo se não fossem as traições e até um certo “azar”. Nesse livro os filhos de Cleópatra aparecem mais (ela tem partos bem difíceis), Cesarion (filho com César) é de suma importância e o interesse pelo personagem cresce.

O livro melhora muito do meio pro fim, ficando mais interessante, embora as partes em que a rainha fica esperando e esperando notícias se tornaram um pouco cansativas para mim, já que tudo é visto do ponto de vista dela. Mas o mais importante e interessante é ver como Cleópatra tem os vários lados da mulher e consegue ser representada bem no livro. Ela é mulher e política, e essas coisas não são dissociadas já que todos têm de obedecê-la, muitas vezes para assegurar sua posição ela vai tomar decisões que a farão perder do lado afetivo, mas em outras seus conselheiros torcem o nariz para uma decisão afetiva. Ela pode mudar de ideia e pensa muito antes de agir, mesmo quando decide atender o seu coração.

Me perguntaram no post do livro um sobre a beleza da rainha do Nilo, e pelo livro ela é sim bela, mas não algo fora do comum. Ela não se acha exatamente uma beldade, se comparada a sua irmã mais nova, mas ela sabe valorizar seus atributos, se vestir de tal forma e pensa/pesa muito bem a impressão que quer causar. Para alguns ela consegue ser uma visão, quase uma deusa. E sua personalidade presença e força também chamam muita atenção. É engraçado ver tantas representações de Cleópatra com a pele clara, quando já sabemos que ela não era assim, até na capa do livro, principalmente o terceiro ela aparece bem branca. Tem uma parte bem interessante no livro em que ela e Cesarion visitam um templo onde acabou de ser feita uma representação dos dois, e ele aparece bem diferente do que esperava. Ela explica pra ele que os reis e rainhas do Egito são representados sempre da mesma forma. Já no primeiro livro ela também se queixa de não parecer com a cara que fazem na moeda. Ou seja, se sempre houveram distorções na retratação de sua aparência até mesmo pelo seu povo (culturalmente), imagina pelos de fora.

Representação de Cleópatra no templo de Hathor, em Dendera: sem individualização conforme o cânone egípcio.

_Lá estamos – acima de nós estavam duas figuras talhadas na pedra, em trajes do antigo Egito, segurando incenso e oferendas com os braços abertos. Tinham pelo menos sete metros de altura; parados exatamente abaixo deles, como estávamos, ficava muito difícil enxergar suas cabeças. _Temos de nos afastar para ver melhor – eu disse.
_Mas não se parece comigo! – foi a primeira coisa que ele disse.
_ Não. Claro que não. É apenas uma representação. Todos os faraós são feitos exatamente iguais.
Ele estudou o meu perfil.
_ E também não se aprece com você.
_ Não. É uma rainha comum. Porque há uma aparência que uma rainha do Egito sempre deve ter, e ela é sempre desenhada e talhada dessa maneira em paredes e quadros. Assim todo mundo sabe exatamente quem ela é.
_ E você não veste roupas assim também. E certamente eu nunca usei um saiote transparente!

É claro que preferir representar Cleópatra como branca em vez de mulata não tem nada de nobre, no filme Cleópatra (1963) ela é vivida por Elizabeth Taylor (super branca). O filme é considerado péssimo e eu nunca assisti.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

3 comentários em “{eu li} As Memórias de Cleópatra Vol.2 – Sob o Signo de Afrodite – Margaret George

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