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{euLi} As aventuras de Sherlok Holmes – Arthur Conan Doyle #Sherlock3

SHERLOCK_HOLMES_1440117798520956SK1440117798BChegou a hora, finalmente, de falar sobre o livo de contos As aventuras de Sherlock Holmes. Como já comentei aqui, eu estou lendo a obra completa no box Sherlock Holmes. E no primeiro volume esse é o terceiro e último livro. Já conversamos aqui sobre Um estudo em vermelho e O sinal dos quatro, que são romances, e agora vamos falar sobre o primeiro de contos publicado em 1892. Eu demoro um pouco mais para ler livros de contos do que romances e por isso estou atrasada com esse post.

O livro As aventuras de Sherlcok Holmes é excelente para você conhecer mais o personagem e ver como ele trabalha em situações diferentes. São 12 contos. Nele temos não só os êxitos mas também alguns casos que não saem como o planejado. E também vemos várias formas de investigação como disfarce, vários disfarces, Holmes tem a capacidade de ficar irreconhecível até para Watson.

Holmes não mudava apenas de roupa; sua expressão, sua atitude, sua própria alma pareciam variar com qualquer papel que representasse.

Alguns também mostram como o detetive é reconhecido e requisitado por pessoas ilustres, mas isso não quer dizer que ele ache mais importante o caso por isso. A busca incessante do detetive é sempre pelo grau de desafio.

No primeiro conto, Escândalo na Boêmia, ficamos conhecendo Irene, a primeira a conseguir “passar a perna” em Sherlock. Seu delito não é grave e acredito que esse conto tenha sido criado mais para introduzir a personagem.

Para Sherlock Holmes, ela é sempre a mulher. Poucas vezes eu o ouvi referir-se a ela de outra maneira. Aos seus olhos, ela ofusca e predomina no seu sexo. Não é que ele sentisse uma emoção parecida com o amor por Irene Adler.

O segundo A liga dos ruivos traz uma história bem mirabolante mas com uma conclusão super plausível. As conclusões de Sherlock geralmente são assim, o interessante está mais no método. Um que gostei muito é A pedra azul, porque ele começa de uma forma inusitada e sem grandes pretensões, com Sherlock tentando adivinhar tudo através de um simples chapéu. E é claro surpreendendo. E também do Os cinco caroços de laranja, que não acaba bem.

Nesse livro temos um retrato das preocupações da sociedade inglesa da época que giravam em torno de conforto, posição social e bem estar. Ou seja, dinheiro. Então muitos dos contos giram em torno de furtos, golpes e heranças. Acho que eu gosto mais de crimes pacionais. rs Então os casos em si não me despertaram grandes emoções, o que mais gostei foi de conhecer mais das excentricidades de Sherlock, é um bom mergulho no personagem que vive surpreendendo.

Creio que não sou mais denso que meus semelhantes, mas sempre me senti oprimido por uma sensação de minha própria estupidez quando lidava com Sherlock Holmes.

Nós entendemos Watson. Eu só descobri o que estava acontecendo antes do fim em um dos casos, só em um consegui adivinhar. Sherlock é um detetive que só expõe seu raciocíneo no final, então só vemos várias coisas quando ele explica. Anda mais que a maioria das pistas definitivas não se baseiam no que ele ouve dos investigados, há poucos diálogos diferente dos livros com o Poirot de Agatha. A resolução vem quase sempre das menores pistas, como uma pegada (ele é especialista em pegadas) ou cinzas de fumo (outra especialidade dele).

Os crimes maiores tendem a ser mais simples, pois quanto maior o crime, mais óbvio costuma ser o motivo.

A admiração e Watson só cresce e ele é o grande contador dessas histórias. Sherlock e ele vão discutir em vários momentos sobre como deveriam ser escritos essas memórias. E o detetive em alguns momentos elogia o trabalho do amigo, que gosta muito de ter por perto, e em outras deprecia os “enfeites” que ele põe na história. Se dependesse de Sherlock os fatos seriam escritos de forma muito crua e direta. Os contos não são contados em ordem cronológica, e algumas histórias se passam antes do casamento de Watson quando ele ainda morava com Sherlock, e muitos começam com uma explicação dele do porque que resolveu retratar esse especificamente.

Quando consulto minhas anotações sobre os casos de Sherlock Holmes entre os anos 1882 e 1890, encontro tantos que presentam aspectos estranhos e interessantes que não é nada fácil resolver quais devo escolher e quais os que devo deixar de lado. Alguns entretanto, já ganharam publicidade nos jornais, e outros não ofereceram oportunidade para a demonstração das qualidade peculiares que meu amigo possui em tão alto grau, e que é meu objetivo mostrar nessas páginas. Alguns também, frustraram sua perícia analítica e seriam, como narrativas, começos sem ter um fim, enquanto outros só foram desvendados parcialmente, e as explicações são baseadas mais e deduções do que em provas lógicas absolutas, que lhe são tão caras.

E para finalizar, um trecho que mostra o deslumbre de Sherlock com os mistérios que podem acontecer no cotidiano de qualquer um.

_Meu caro amigo _ disse Sherlock Holmes, quando estávamos sentados diante da lareira em seus aposentos na Baker Street _, a vida é infinitamente mais estranha do que qualquer fantasia concebida pelo homem. Não ousaríamos imaginas coisas que são meros lugares ´comuns da existência. Se pudéssemos voar por aquela janela de mãos dadas, pairar sobre esta grande cidade, remover delicadamente os telhados e espiar as coisas esquisitas que estão acontecendo, as estranhas coincidências, os planos, os objetivos contrários, as maravilhosas cadeias de acontecimentos gindo através das gerações e levando aos resultados mais absurdos, isso tornaria toda a ficção, com suas convenções e conclusões óbvias, corriqueira e desinteressante.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

7 comentários em “{euLi} As aventuras de Sherlok Holmes – Arthur Conan Doyle #Sherlock3

  1. Oi Thamiris, muito legal a resenha… Confesso que nunca li nada sobre Sherlock Holmes, talvez por falta de oportunidade mesmo, porque gosto de livros com investigação, nos faz ficar tentando adivinhar o final. Também demoro um pouco mais nos livros de contos. Bjss

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