Publicado em Eu li, Outros

{euLi} Concerto a quatro mãos – Paulo Viegas #SETEMBROPOLICIAL

14111728_1499573963401611_750213461_nO livro de hoje é um suspense diferente, estamos na cabeça confusa do assassino e ao mesmo tempo na cabeça de um inocente. Através de “diários” em que só temos a visão de dois personagens, há um verdadeiro mergulho na alma deles. E o final surpreende e assusta. Concerto a quatro mãos é um dos prêmios do segundo sorteio que faremos, fique de olho no #SETEMBROPOLICIAl. E não deixe de participar do primeiro! (Não sabe o que é? Confere aqui.)

CONCERTO_A_QUATRO_MAOS_1445278818532629SK1445278818BSinopse: Rita, uma promissora violinista, desaparece quando se prepara para viajar para o Algarve, onde atuaria como solista num concerto. A narração do desaparecimento de Rita é feita a duas vozes. Existe a história contada pela mão assassina, que prevê o seu ato, que expõe o crime, tudo fazendo para ocultá-lo e não ser incriminada. Intercalada com este relato, surge a narração nas palavras que descrevem o sentimento da perda da Rita, o sofrimento causado pelo seu desaparecimento e a necessidade de perceber o que aconteceu. As duas narrativas alternam até ao desenlace. Um duelo entre a procura da verdade e a tentativa desesperada de esconder provas; entre a busca da explicação para o crime e a autojustificação desse mesmo crime. Poderão estas duas vidas cruzar-se, quando uma delas se perde em zonas escuras que a mantêm na ignorância de alguns factos? Quando a outra não consegue descortinar nada no branco da tela que lhe oculta momentos passados? Poderia esse encontro permitir que a verdade fosse realmente descoberta?

Para assistir a resenha em vídeo clique aqui ou assista no final da página.

Esse livro eu recebi em parceria com a Chiado Editora, e é de um autor português. Gostei do livro, mas há algumas quebras na narrativa com muitos pensamentos dos narradores em que o livro fica um pouco cansativo. Muito angustiados eles acabam se repetindo algumas vezes e períodos que não acontecem algum fato novo. Mas logo volta a reacender a curiosidade somando novas evidências e detalhes importantes para a construção da história e dos personagens. Como temos uma história somente sob o ponto de vista desses personagens que estão escrevendo é bem interessante, embora às vezes peque nesse lado que falei e fruste porque você fica curiosa de saber mais sobre a reação e os que estão pensando os outros envolvidos na trama. O pensamento dos outros é visto pelo que eles pensam então não é em primeira mão, mas eles são bons em captar.

Esses dois narradores, um no seu laptop e o outro escrevendo no papel, se intercalam em cada capítulo e não sabem da existência um do outro. Os dois amam Rita mas cada um a sua maneira. Um é ciumento e teme que ela tenha outro o outro compreensivo e seguro, um está torcendo pelo sucesso da esposa enquanto o outro não quer que ela viaje para tocar e muito menos para estudar fora. E um é claro, cometerá uma loucura deixando o outro totalmente perdido.

Vivo para adorar. Existo pra servir. Subsisto para amar.

Ando preocupado. Votou a dúvida. Será que ela me mente? Diz que me contou factos que não contou que não contou. Eu finjo que já sei. Mas é mentira. Ela não me contou nada. Será que ela me confunde? Existirá outro a quem contou o que disse que contou a mim?

E logo percebemos que…. pequeno spoiler porque isso o leitor logo percebe ou pelo menos desconfia muito…. eles são mesma pessoa. Fica um pouco óbvio quando para os dois a Rita diz algo que não teria feito, ou eles tem apagões em que não lembram o que fizeram em um dia ou mais. O espaço em que vivem também logo se mostra como sendo a mesma casa. O que gostei é que horas as pessoas tratam com um, oras com outro, então ele vive confuso de porque as pessoas estão agindo de tal e tal forma ou porque dizem que falaram algo que não falaram. Também são acusados por Rita de mudarem muito de ideia. Com isso as reações dele devem ser muito estranhas para os outros, já que ele é cada hora ou dia de um jeito, por isso que fiquei curiosa de saber o que os outros estão pensando. Também levanta minha dúvida sobre até que ponto o lado inofensivo é inocente, ou não quer saber e é descuidado com o problema que tem. FIM do spoiler.

O assassinato não demora a acontecer e o assassino é muito bom em ocultar suas provas até mesmo do outro que se acredita totalmente inocente. Depois temos uma investigação da polícia e a visão de ambos da situação. Fiquei com medo da história não progredir muito, mas fui surpreendida. Nosso narrador se revela muito mais perigoso do que se imaginei a princípio.

Mato-a se descobrir que ela me trai. Mato-a se descobrir que ela pretende me trair. Mato-a se as ausências continuarem sem explicação. Mato-a se ela insistir em ir para a Áustria. Mato-a para não a perder.

É chocante como o assassino consegue se justificar para si mesmo a todo momento, a ponto de conseguir ter desejo de vingança por outras pessoas, como se nem de longe a culpa fosse dele.

E se eu for apanhado? Que me acontecerá? Ninguém me entenderá. Serei julgado como assassino. Eu não sou um assassino. Um assassino é aquele que age por maldade. Que investe com ódio. Que busca o lucro. Eu só pretendi o amor. Só quis segurar o afeto.

O livro tem 342 páginas, mas a diagramação tem um espaçamento entrelinhas bem confortável, uma página separa os capítulos, então não é tão grande quanto aparenta. É o primeiro livro do autor Paulo Viegas e ele tem uma escrita bem simples que ainda pode ser desenvolvida, a história prende e é interessante. Mas além das quebras que já falei, há muitas repetições e frases curtas. Entendo a ideia de escrever como pensamos, como escrevemos em um diário ou anotação rápida, mas achei que deveria haver um pouquinho mais de cuidado para que isso seja um problema para o leitor como essa sucessão de “Ques”.

Odores. Aromas. Sabores. Persistentes. Que o tempo não apaga. Que me percorrem. Que me invadem. Que me passeiam. Que inalo sem cheirar. Que saboreio sem provar….

É um livro que recomendo com essas pequenas ressalvas, mas que tem uma história muito interessante.

Confira todos os posts #SETEBROPOLICIAL.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

11 comentários em “{euLi} Concerto a quatro mãos – Paulo Viegas #SETEMBROPOLICIAL

  1. Não costumo ler livros policiais, mesmo começando a amar a leitura lendo Agatha Cristie.
    Já li alguns livros da editora mais voltado para o romance ou fantasia.
    É difícil dizer quando poderei ler algum do gênero, espero que em breve. Resenha incrível e espontânea.

    Beijos^^

  2. Oi Thamiris, fiquei super curiosa para ler esse livro, amei tua resenha – porém “pulei” a parte do spoiler – vou colocar ele na minha lista para ler em breve. Estou lendo Harlan, em breve resenha para o #SetembroPolicial… bjss

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