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{euLi} Homens Imprudentemente Poéticos – Valter Hugo Mãe

homens_imprudentemente_poetico_1477087811621473sk1477087811bSinopse: Em Homens imprudentemente poéticos, Valter Hugo Mãe apresenta os personagens Itaro, o artesão, e Saburo, o oleiro, vizinhos e inimigos num Japão antigo, onde a morte e a ausência de amor servem de pano de fundo para a linguagem lírica do autor que, com sua linguagem única, tornou-se a grande voz da literatura portuguesa contemporânea.

Oi pessoal! Hoje chegou a vez de falar sobre esse livro lindo e intrigante, um daqueles livros que posso ler muitas vezes e acredito que sempre vou extrair mais algum pensamento sobre ele. Homens Imprudentemente Poéticos é o mais novo livro do Valter Hugo Mãe, terceiro que leio, em que ele aposta novamente em uma cultura bem diferente. Somos levados ao Japão, há uma área perto do Monte Fuji por uma narrativa com um ritmo único, especial, além da escrita poética do autor. O prefácio de Laurentino Gomes, não é o melhor dos livros dele que já li mas traz uma definição bem verdadeira:

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Então o que posso dizer: se aventure nas obras do autor e experimente algo novo. Acho que o livro que mais gostei do autor continua sendo O filho de mil homens, que me arrancou vários suspiros durante  leitura. A escrita do Valter é muito poética, mas nesse ela está mais voltada para te cutucar do que te fazer suspirar. O que é muito importante também.

O mais surpreendente da história é que ela se passa nas margens da Floresta dos Suicidas, um lugar em que as pessoas entram para pensar se vão continuar vivas e voltar, seguindo a linha que desenrolaram (como num labirinto) ou se vão se suicidar nas árvores. Arrepiante né, o autor visitou a floresta e ficou muito impressionado. Lembrando que lá o suicídio não é visto da mesma forma que no Ocidente, é uma atitude honrosa. Para minha cabeça ocidental é bem complicado isso.

Na história conhecemos Itaro e Saburo, lembra muito uma fábula a história desses dois, o primeiro é artesão mas não é muito sensível a beleza das coisas e dos sentimentos. Itaro tem pequenas visões de coisas ruins que vão acontecer toda vez que mata algum inseto ou outras formas indefesas de vida. E um dia ele vai ter visão do que vai devastar a vida de Saburo. Saburo é um oleiro, mas que dedica a maior parte do seu tempo a plantar flores no pé da montanha, um jardim belíssimo, criticado e amado ao mesmo tempo. Sua esperança é pacificar feras e demover das ideias de suicídio quem passa por ali, muitas vezes o efeito dá certo. Devido ás suas diferenças e algo triste que acontece na trama eles passam a se odiar e querer matarem um ao outro, mas a presença de um sábio na aldeia que mexe com todos de alguma forma ensina muito aos dois.

Por isso, Itaro o rejeitava. Era Fraco. Suspirava pelos mortos sem os honrar por perdia a robustez. Era mais velho pela covardia e pela opção de ser um sonhador do que pela idade. Itaro seu pudesse, gostaria de o matar.
Por seu lado, Saburo, sentimental, pensava que, se pudesse, gostaria de matar o artesão. Depois, ponderava e pensava que gostaria de o ver morto.

Itaro tem uma irmã mais nova cega e os dois moram com a empregada que virou segunda mãe dos dois. Todos na aldeia são muito pobres, então em certo momento ele faz uma escolha muito controversa que aos poucos vamos vendo de diferentes formas. E uma das passagens mais interessantes é envolvendo Itaro num momento que ele quer ser melhor e encara um desafio proposto pelo sábio. O autor também brinca e nos faz duvidar a todo momento da real existência dese monge sábio.

Quem por sorte se pusesse de conversa com ele estaria simplesmente a meditar. Era um homem interior a todos os homens.

Eu tive a oportunidade de ir ao lançamento do livro e conhecer o autor, fiquei encantada com tudo que ele disse. Uma das coisas que ele criticou no nosso mundo, é que ninguém consegue mais divergir e se respeitar ao mesmo tempo, sem partir para a agressão ou para as ofensas. E que a cultura japonesa tinha muito a ensinar ao mundo sobre isso, como o exemplo de Itaro e Saburo, custei a entender o que eles ensinavam, e adianto que a compreensão só vem com o fim do livro. Outro ponto relevante levanto por ele é que hoje não sabemos quem são nossos inimigos, que tudo é camuflado e que eles sempre tentam disfarçar que não estão tentando nos prejudicar… Dá muito o que pensar. O autor também contou muitas história engraçadas sobre esse livro, sobre a viagem e sobre sua forma de escrever no celular.

No vídeo fala sobre o livro e também coloquei um trecho dele falando sobre o livro e conto algumas histórias que ele contou:

Veja também as resenhas de O filho de mil homens e de A desumanização.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

5 comentários em “{euLi} Homens Imprudentemente Poéticos – Valter Hugo Mãe

  1. Que resenha mais encantadora menina, fico cada vez mais encantada tamanha qualidade dos livros que tu sempre procura trazer ao blog, com algo da nossa literatura riquíssima ou de outra, que querendo ou não marcaram as épocas, gostei muito do cenário da obra, parece ser emocionante.
    Abraços

  2. Oi.
    Acho que é a segunda vez que comento. Não sei o que se passou da primeira.
    Nunca li nada de Vitor Hugo Mãe, mas pelo que descreves parece ser uma boa obra. Ah! Amo o teu blog, eu amo blogs.
    Beijinhos, Cinha.

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