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Insatisfação com o Prêmio Kindle de Literatura

O Prêmio Kindle de Literatura divulgou, no último sábado, a lista de 10 finalistas do concurso, mas o que era para ser um incentivo a autores que nunca tiveram seus livros publicados acabou se revelando uma decepção para boa parte dos participantes que se queixaram nas redes sociais do prêmio.

Um dos finalistas o livro Curral de Pedras de Jards Nobre já foi publicado anteriormente pela ABC Editora, no skoob está registrado como um livro de 2009 (confira), há também fotos do livro na internet, resenhas anteriores em blogs (aqui e aqui), o que desclassificaria o livro por não ser uma publicação inédita no edital divulgado anteriormente, segundo participantes. Outro finalista com o livro Glitter, segundo a própria amazon, já foi “ROMANCE FINALISTA DO PRÊMIO SESC DE LITERATURA 2016“. A lista de finalistas pode ser conferida no site da Amazon.

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Nessa página, está escrito: “O Prêmio Kindle de Literatura irá premiar obras literárias inéditas na categoria Ficção/Romance. Por Romance, entende-se narrativas ficcionais longas, que podem ser classificadas em diversas subcategorias, como: fantasia, ficção científica, suspense, romance histórico, entre outras”. (Link 19/12 – 12:17pm). Já no Regulamento completo, em que segundo diversos autores antes estava escrita a mesma coisa, hoje ressalta que os livros precisam ser inéditos apenas na plataforma Kindle Direct Publishing da Amazon (a “Plataforma KDP”) (veja aqui).

Quando se vê uma oportunidade de uma premiação gratuita, de âmbito nacional para alavancar o interesse das pessoas escrever, o que pedimos é só respeito. Essa desorganização da premiação não só prejudica quem realmente se comprometeu em participar e entregar uma obra inédita como desmotiva a produção de literatura. Essa alteração no edital foi o fim. Realmente vivemos no país dá corrupção. _Paulo Souza

Jader Gomez que também participou do concurso afirma que o edital foi mudado e que quando se inscreveu tinha certeza de que não havia a especificação de que os inéditos precisavam ser novos apenas na plataforma. Ele e outros autores se sentiram prejudicado s já que produziram livros somente para o concurso, e com a mudança poderiam ter inscrito livros que já estavam finalizados há mais tempo.

Se tivesse ficado claro que o livro não precisava ser de fato inédito, eu poderia ter inscrito outro livro que acredito que teria mais chances. Eles alteraram o edital e levaram pessoas com livros já publicados há final. Acredito que a prestadora de serviços como fomentadora da literatura nacional, deveria se ater a organização de quaisquer concurso que realize. É um ultraje submeter nosso trabalho a tantos jogos de cartas marcadas, uma vez que a literatura brasileira pede socorro com tanta visibilidade gringa no mercado._ Jader Gomez

Para a autora Fernanda Lima, além do problema da mudança, também houve falta de transparência e ressalta que as etapas poderiam ter sido avaliadas de uma forma melhor.

Porque não tentar achar e dar oportunidade para aqueles que realmente estão a margem do mercado editorial? Parece que só agora os jurados oficiais terão acesso aos livros e irão julgar. Antes dessa etapa foi feita uma seleção e essa seleção que estamos criticando. Por que não foram chamados voluntários, sérios e comprometidos, para lerem? Coloca ai coisa de 100 ou mais. Seria dado a eles certos quesitos para a avaliação. Cada voluntário receberia 3 livros no máximo. No final seria rankeado os livros com as melhores notas. Assim, sobrariam uns 50 que acho ser um número mais justos, para os jurados lerem._Fernanda Lima

O prêmio foi organizado pela Amazon.com.br, por meio da sua ferramenta de autopublicação Kindle Direct Publishing (KDP), com o apoio da Editora Nova Fronteira. O Eu li ou vou ler já entrou em contato com a Amazon e está tentando entrar em contato com a Editora Nova Fronteira para ouvir a resposta de ambas às reclamações dos participantes. O blog está aberto para os esclarecimentos necessários.

Segundo o edital, para concorrer ao Prêmio, os autores tiveram que publicar no KDP obras inéditas,  no programa KDP Select (gratuito), em regime de exclusividade por 90 dias a partir da data de publicação. Dentre as obras inscritas, foram pré-selecionadas dez e o júri escolherá três obras finalistas e um vencedor. Entre os prêmios estão: um plano especial de marketing na Loja Kindle, na Amazon.com.br, para as 3 finalistas; publicação do livro pela Editora Nova Fronteira (versão impressa) para o vencedor e em versão audiolivro pela Audible, Inc. O vencedor também receberá um prêmio em dinheiro no valor de R$ 20.000,00. As 3 finalistas serão divulgadas em 9 de janeiro de 2017, e o vencedor será apresentado ao público no evento de premiação, em 17 de janeiro de 2017.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

7 comentários em “Insatisfação com o Prêmio Kindle de Literatura

  1. A obra O Homem de Duas Cidades, recentemente incluído entre os dez finalistas do prêmio,recebeu resenhas anteriores à sua participação no concurso e por tal motivo o “ineditismo” é posto em cheque.

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