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{euLi} Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

admiravel_mundo_novo_1370482256bSinopse: Ano 634 df (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (precondicionados) têm comportamentos (preestabelecidos) e ocupam lugares (predeterminados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime.

Gente que livro! Um livro que te permite discutir muitos assuntos e questionar tantas coisas, vamos falar de algumas delas por aqui. Essa foi a leitura de janeiro do grupo de leitura #NomeProvisório (conheça) e eu amei. A leitura desse mês é Entrevista com o vampiro da Anne Rice, que estou gostando muito e já está aberta a votação para o livro do mês que vem.

Quando comecei a ler esse livro fiquei abismada com o mundo criado nessa distopia, mas depois fiquei ainda mais surpresa com quantas comparações conseguimos fazer com a sociedade atual, Aldous Huxley foi um visionário. Tem vídeo sobre o livro também, basta clicar aqui, ou assistir no final da página.

Um ovo bokanovskizado tem a propriedade de germinar, proliferar, dividir-se: de oito a noventa e seis germes, e cada um destes se tornará um embrião, um adulto completo. Assim se consegue noventa e seis seres humanos em lugar de um só, como no passado. Progresso.

Isso mesmo, várias pessoas iguais! É claro que não foi isso que comparei com hoje, mas chegaremos lá. Para garantir “Comunidade, identidade e estabilidade” nessa sociedade pós guerra seria necessário abrir mão, pelo menos para a massa, da personalidade de cada um. E também uma identificação com o todo, mas não através de formações como família e laços, ninguém é de ninguém e isso é visto por todos como a melhor forma de viver. Palavras como mãe e casamento são verdadeiros tabus. Outra questão é a sociedade dividida em castas, as inferiores são responsáveis pelos serviços mais pesados é claro. E ninguém é insatisfeito? Não porque há um condicionamento desde o berço literalmente, assustador, para que todos aceitem a situação como uma verdade e como motivo de felicidade. E para quando bate aquela dúvida e incerteza estranha, não é necessário ser infeliz, basta tomar sua dose de soma. O soma é uma droga distribuída para todos, que todos usam para se distrair, ficar feliz ou até participar de reuniões que substituíram a religião.

Além dessa influência desde a infância outra coisa que mantém o comportamento das pessoas de casta inferior é a inteligência reduzida geneticamente. A questão de pessoas serem criadas sem inteligência para fazer o trabalho pesado para mim bate certinho com o que vemos hoje com a precarização da educação. Os governantes não se importam que a educação não chegue a todos ou que não chegue de forma adequada porque precisam de pessoas que não tenha informação para contestar o que vivemos e para fazer os trabalhos considerados piores. Isso alimenta o sistema de hoje.

A fuga da realidade para ter felicidade é outro ponto. Ser feliz é o principal? Se não temos questionamentos e momentos melancólicos, como aprendemos? Aprender com os erros é necessário? Ou simplesmente esquecer qualquer situação desagradável e continuar sorrindo mesmo que anestesiando o cérebro para isso vale a pena? A questão da felicidade e do eu é muito debatida no livro.

Outro ponto bem diferente é que apesar de tudo temos alguém que discorda um pouco das coisas, tem sempre alguém com que o efeito não funciona muito bem, mas o diferencial é que o comportamento de Bernard não é o esperado. Fiquei parte do livro esperando que houvesse uma jornada do herói e ele derrubasse o sistema. Mas essa não foi a proposta do autor, e há sim uma forma de escrever um livro top sem isso.

Um dos personagens mais interessantes do livro é o “Selvagem”, há um lugar em que as pessoas vivem de forma “primitiva” ainda e de lá sai um personagem que vai parar na cidade onde a vida já é “civilizada”. No começo ele não me interessou tanto, mas o personagem vai crescendo ao longo da história e os seus questionamentos são os mais interessantes. E ele tem condições de debater de igual para igual com os líderes, e aí vai de religião, a trabalho, felicidade, razão de ser… além de proporcionar um final totalmente inesperado.

Recentemente houve um lançamento de várias distopias desencadeado pela saga Jogos Vorazes, mas se você quer ler alguma realmente diferente, recomendo que volte aos clássicos como esse que foram fonte de inspiração. Eu ainda quero ler Fahrenheit 451 e outras do gênero. Por coincidência ou não, ontem me enviaram a notícia: Governo de Trump traz romances distópicos de volta às listas de mais vendidos. Os americanos estão se vendo com um governante que representa uma ameaça a individualidade, respeito ao próximo e quer fechar os americanos para as culturas diferentes e os imigrantes. Tomara que a leitura os ajude a reverter isso.

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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