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{euLi} Cela sem portas – Marcel Trigueiro

CELA_SEM_PORTAS_1477418308622431SK1477418308BSinopse: Portador de uma forma rara de esclerose, Miguel consegue mover apenas os olhos, pálpebras e parte da mão direita, o que lhe permite ter um mínimo de independência para portar-se normalmente no mundo cibernético e sair-se relativamente bem na escola. Como ontem foi dia dos professores, Miguel redigiu e sua mãe transcreveu de próprio punho uma pequena carta que pretendem entregar à professora preferida dele, numa singela homenagem, assim que ela chegar para dar aula.

Nessa mesma manhã excepcionalmente quente de primavera, pouco mais de quinze pessoas são feitas reféns por dois homens armados dentro de um ônibus próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Tirar as vítimas das garras daqueles sequestradores deveria ser competência exclusiva das forças policiais cariocas. Entretanto, depois que a Polícia Civil começa a agir e a imprensa monta seu aparato para que todo o país fique ciente do que está acontecendo, uma fatalidade faz com que o agente federal de Inteligência Matheus Erming entre na operação. A partir daí, a situação vai ficando cada vez mais desesperadora para todos os que acompanham o sequestro. Para Miguel e sua mãe, que assistem a tudo na escola, o desespero e a sensação de impotência são amplificados quando se deparam com uma dura realidade e uma possibilidade talvez não tão remota. A realidade: a professora não chegará a tempo para a aula. A possibilidade: que aquela carta jamais seja lida.
O Marcel Trigueiro me enviou seu livro Cela sem portas como um romance policial e para mim foi uma adorável descoberta perceber que ele trata de muitos temas além de resolver um crime. Gostei bastante do livro como vocês podem conferir no vídeo abaixo. Confira como adquirir o livro no fim do post.
Entrevista feita por e-mail com o Marcel
1. Me fale um pouco sobre você.. Como começou a escrever? Seus livros? Próximos projetos?
Sou formado em Ciências da Computação. Na faculdade havia um pequeno jornal de circulação interna onde cada curso tinha uma coluna, e quem escrevia a coluna de Ciências da Computação era eu. Várias pessoas elogiavam a minha escrita e meu estilo, inclusive os professores e os editores do jornal. Eu sempre achei que escrever bem significa reescrever, e era assim que eu fazia com todos esses pequenos textos: escrevia com paciência. Nunca havia pensado em escrever nada que se parecesse com um livro de ficção, e nós sabemos que escrever uma redação é bem diferente de escrever um livro. Um tempo depois, quando eu estava já casado, comentei com minha esposa sobre minha coluna no jornal da faculdade, e ela então sugeriu: “por que você não escreve um livro?”. Isso foi a semente, que se transformou em iniciativa, que se transformou no embrião de meu primeiro livro: O Próximo Alvo.
O caminho natural para mim foi pensar no protagonista primeiro, para então pensar em alguma história. Pensei num analista de sistemas, ou engenheiro de sistemas; porém, as histórias que eu conseguia imaginar com isso seriam muito chatas. Pensei então que seria melhor se o protagonista tivesse porte de armas, e com isso veio a ideia do perito computacional federal. Uma vez decidido que o protagonista seria um perito, as coisas começaram a fluir melhor.
Cela sem portas foi decorrência natural de escrever um segundo livro. Decidi que tentaria fazer algo parecido com uma série policial, daquelas em que não é necessário seguir uma ordem de leitura (como os mais de doze livros (acho) da série Scarpetta, de Patricia Cornwell, que têm uma médica legista como protagonista). Claro, há algumas referências em Cela sem portas ao primeiro livro, mas a trama não tem dependência. Em Cela sem portas, Matheus já não é mais perito (é agente de inteligência), mas ainda põe a mão na massa.
Como próximo projeto, estou achando que vai ser algo que se passa daqui a 40 anos, aproximadamente, pois tenho algumas ideias para uma trama que aproveite certos elementos desse período, num exercício de futurologia. Essa história teria, sim, relação com a série policial. Porém, ainda não posso revelar como. Obviamente, Matheus Erming seria um vovô nesse livro, mas quem disse que será ele, necessariamente, o protagonista? Veremos… Pretendo lançar esse terceiro livro no ano que vem. No processo de criação, tudo pode mudar. Posso começar a escrever isso e ter uma outra ideia melhor, para uma história que se passe nos dias atuais, e então seguir outra linha. Nada é certo.
2. Como fez para publicar o Cela sem portas de forma independente? O que acha do mercado editorial hoje?
Eu já tinha publicado O próximo alvo através da já falida Editora Bookmakers. Uma das integrantes dessa editora fundou outra editora (Lumos) e eu a contratei. Porém, devido à crise, a Lumos parou de ser editora e passou a prestar serviços editoriais somente, e depois nem isso. Então decidi que, para Cela sem portas, eu faria tudo. Eu mesmo contrataria diretamente os serviços de revisão, leitura crítica, diagramação, ficha catalográfica, capa, etc, etc… É meio trabalhoso ser o editor do seu próprio livro, mas o lado bom é que se tem mais liberdade. Nesse caminho, acabei fundando minha própria micro editora, e pretendo relançar ambos os livros com acabamento mais caprichado, e já com a nova logomarca (não mais com “Publicação Independente” na capa).
3. Que tipo de pesquisa fez sobre os bastidores da polícia para se basear e escrever o livro?
Eu tentei, juro que tentei, entrevistar policiais para escrever meus livros, sobretudo o primeiro. Quando estava escrevendo O próximo alvo, tentei contato com um ex-professor de faculdade meu, que atualmente é perito computacional lá em Natal/RN. Mas não tive sucesso. O contato seria através da esposa dele, que trabalha com um amigo meu, mas ela começou a colocar empecilhos (“ah, mas para que ele quer o telefone dele?”), e eu entendo. Quando se é policial federal, você não quer muita exposição, até por questões de segurança. Também entrei em contato com a delegada (na época) da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI, da Polícia Civil do Rio), e ela me respondeu. Me mandou um e-mail com um inspetor em cópia, dizendo que eu poderia enviar perguntas a ele. Enviei os e-mails e ele não respondeu nenhum.
Fiz outras tentativas, mas acabei desistindo e fazendo minhas pesquisas na Internet mesmo. Liguei umas duas vezes para a ouvidoria da Polícia Federal, mas só para saber, por exemplo, em que andar fica o Departamento Técnico-Científico da PF em São Paulo, ou para saber que devo usar o termo “Departamento Técnico-Científico” em vez de “Divisão Técnico-Científica”. A maioria das pesquisas foi pela internet mesmo (hierarquia da polícia, os cargos, etc).
4. O que te motivou a falar de sequestros?
Cada livro tem uma semente que dá origem à premissa principal. No caso de O próximo alvo, essa semente era o protagonista. A única coisa certa era que o protagonista seria um perito computacional. No caso de Cela sem portas, essa certeza era: um dos personagens vai ser Miguel, um garoto que já havia participado, digamos, de uma das minhas duas ou três crônicas que eu havia escrito sobre educação especial.
A ideia do sequestro veio de uma tentativa de criar um roteiro mais ágil, de dar algum senso de urgência maior, trazendo uma diferença na forma como a história é narrada (se comparada com o primeiro livro). De início, imaginei sequestro em shoppings, mas depois imaginei um ônibus. A ideia da professora veio justamente porque essas crônicas tratavam de educação especial, e eu queria de alguma forma falar sobre isso, mesmo que não fosse “um livro sobre educação especial”.
5. A política é um tema bem polêmico e para mim o Cela não é só policial, fala também de corrupção. Como você vê o tema no livro? E o que vc acha do assunto em geral?
A corrupção é um veneno que está entranhado em todas as esferas de poder. Eu também já havia falado sobre isso em algumas crônicas críticas. É algo que também aparece no meu primeiro livro, mas surgiu naturalmente durante a construção das tramas. Não decidi “vou fazer um livro de cunho político, ou com críticas à corrupção”. Foi um elemento que surgiu naturalmente na construção das tramas e sub-tramas.
6. Quais são os autores que te inspiram dentro da Literatura Policial?
Curiosamente, não leio tanto literatura policial. Apenas quando já havia escrito alguns rascunhos de Cela sem portas eu comecei a ler Agatha Christie. Acho que já li uns doze livros dela. Scott Turrow também é um autor de que gosto bastante. Para cada livro que leio, sendo policial ou não, tomo nota do que gostei, do que não gostei, que artifícios foram usados para se chegar ao climax ou para “enganar” o leitor, etc.
7. Pretende escrever sobre outro gênero?
No momento, não tenho pretensão de escrever sobre outro gênero, mas me vejo escrevendo, no futuro, talvez ficção científica. Mas atualmente pretendo seguir somente com a série policial.
Para adquirir o livro físico entre em contato com o e-mail: contato@freezeshadoweditora.com.br
E na Amazon: O próximo alvo e Cela sem portas
*Comprando pelo link vc ajuda a manter o blog*
Espero que tenham gostado! Beijos
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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

5 comentários em “{euLi} Cela sem portas – Marcel Trigueiro

  1. Oiii Thamiris, tudo bem?
    Confesso pra ti que não conhecia esse livro e sei que seria uma ótima dica para me tirar da zona de conforto, aliás, ótima resenha.
    Beijos

  2. Oie!
    Ainda não conhecia o livro e adorei as perguntas que vc fez na sua entrevista. Adoro saber o caminho que o autor tem que trilhar pra chegar até aqui, com seu sonho finalmente publicado. Foi bem difícil pro autor, o que me deixou curiosa. Adorei as respostas dele; senti que estávamos conversando, rs.
    Não é o tipo de temática que eu leria, mas gostei bastante. Ótima resenha!
    Bjos,

    http://www.umdiamelivro.com.br

    1. Oi Andresa, pois é, ia ser até entrevista em vídeo mas acabou não rolando… Que bom que gostou dela! 😀 Adoro fazer entrevistas e quero trazer mais isso pro blog/canal. Obrigada! bjos

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