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{euLi} No seu pescoço – Chimamanda Ngozi Adichie

NO_SEU_PESCOCO_1497459540687673SK1497459540BSinopse: A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vem conquistando um público cada vez maior, tanto no Brasil como fora dele. Agora é a vez de os leitores brasileiros conhecerem a face de contista dessa grande autora já consagrada pelas formas do romance e do ensaio. Publicado em inglês em 2009, No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.

Empatia é algo que bate muito forte em quem lê o livro, e não só isso, uma revolta, um entendimento de que as coisas precisam mudar no mundo. E que não dá para relativizar algumas questões por serem culturais, se a cultura não funciona para todos e é injusta ela pode ser mudada, como já li/ouvi da própria autora. Ela mostra faces da Nigéria, para muitos pela primeira vez. São 12 contos sensacionais, alguns merecem mais destaque, mas não há conto ruim.

O primeiro conto, A cela um, mostra uma família em que o filho acaba preso e vê os horrores numa delegacia e esse já nos deixa com um buraco no estômago e nos mostra o que vem por aí. E a sequência toda é de tirar o fôlego, em alguns reconhecemos temas já retratados pela autora em seus romances como nos contos Fantasmas e Uma experiência privada em que Biafra aparece. Em Meio Sol Amarelo conhecemos justamente esse momento da história da Nigéria em que a guerra civil aconteceu entre os igbos e os muçulmanos.

Jumping Monkey Hill e No seu pescoço são dois contos tão bons que você acha que vão ser os melhores do livro, e olha que eles estão bem na metade. O primeiro é sobre um workshop de escritores em que o preconceito impera, aquilo das imagens que se tem que ter sobre os africanos, que se quer ter, e difere da que eles mesmos tem. E o paralelo do que acontece com as mulheres, sobre o machismo que falam na nossa cara que não existe.

No seu pescoço mostra a dificuldade de quem chega nos Estados Unidos e tem que lidar com todas as expectativas e diferentes costumes, sempre com aquele discurso de que nos EUA as coisas são melhores. Muitas vezes o discurso é incorporado pelos próprios africanos que estão lá a mais tempo quando chega um novo, uma forma de defesa/aceitação, isso também aparece em outros contos, e que é um assombro para quem chega no país. E fora outros abusos sofridos pela protagonista relacionados ao machismo/preconceito também.

O choque entre as culturas dos personagens também é um tema recorrente, quem já foi tocado por outras culturas e até aculturado de certa forma tendo que lidar com os parentes que ainda são ligados as raízes. E que acabam se tornando inconvenientes em vários momentos, ou forçando a barra para que o outro se comporte da maneira X ainda.

O casamento arranjado é uma daquelas questões que não dá para concordar e relativizar, não dá certo e não é certo que aconteça ainda hoje. E nós compreendemos toda a dificuldade em alguns contos e como as mulheres sofrem e são subjugadas com isso. Embora nem todas as personagens femininas sejam realmente submissas e muitas vez procurem formas de fazer sua vontade prevalecer um pouco.

O último conto fecha o livro de forma necessária e mostra a busca das raízes e a necessidade de ligação e conexão que não pode ser tirada. Uma vó e uma neta emocionam no conto Uma historiadora obstinada.

Leiam o livro que está incrível!

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Autor:

Estudante de Jornalismo na UFF, leitora voraz, que gosta muito de dividir com os amigos o que lê, o que gosta de ler e o que amou ler.

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