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{euLi} Agatha Christie From My Heart – Tito Prates #SETEMBROPOLICIAL

capa Agatha Frente ModeloOi pessoal! Essa semana Agatha Christie estaria completando 126 anos, e a Rainha do Crime ganhou uma biografia esse ano de um brasileiro. Tito Prates fez uma profunda pesquisa e dedicou vários anos de sua vida a pesquisar tudo sobre sua autora favorita. Quem não gostaria de poder escrever um livro sobre o autor que mais gosta?  Tito representa o maior grupo de fãs da autora no facebook, do qual eu faço parte também, um cantinho que é um verdadeiro lugar para quem gosta de falar sobre sua obra. Esse não é o primeiro livro do autor e nem o primeiro sobre Agatha, ele também já escreveu um sobre os lugares que podemos visitar que fizeram parte de sua vida e tem contos publicados. O livro faz parte do nosso primeiro sorteio do #SETEMBROPOLICIAL e você pode participar até hoje, veja mais aqui.

Resenha em vídeo no final da página ou clicando aqui.

O livro está excelente, logo percebemos que Tito não se baseou somente no que já foi escrito sobre ela, mas fez sua própria pesquisa, tendo acesso tanto a sua família quanto ao The Christie’s Arquive. Também consultou muitos jornais da época, visitou os lugares que ela viveu, conhece toda a sua obra, já leu todos os livros mais de uma vez. O autor tece várias críticas e comparações entre as biografias que apresentam vários erros bobos ou até distorcem os fatos para que se encaixem nas teorias dos biógrafos. Achei os comentários pertinentes e fiquei orgulhosa desse livro ter sido produzido por um brasileiro.

A leitura é bem fluída, eu não tenho experiência com biografias então para mim foi um excelente começo. Mesclando datas, fatos importantes para sua vida pessoal e profissional, lançamento dos livros, adaptações, opiniões de Agatha, sucesso, mistérios, o autor me prendeu até o final. O livro também traz um capítulo destinado a história do romance policial o que é muito bom para nos situar de que em momento na literatura surgiu Agatha Christie. Já tinha lido algumas coisas sobre a vida de Agatha, mas não tinha dimensão do que ela foi e foi muito bom conhecer vários detalhes. Eu fiz muitas marcações no livro e vou contar um pouco para vocês sobre a vida dela.

Tímida, sem grandes ambições, muito preocupada com sua família. Agatha Miller foi uma mulher inteligente, a frente do seu tempo, mas não feminista, escritora de talento e com grande criatividade desde cedo. Ela nasceu em 1890, no reinado da rainha Victória, filha de Clara e Frederick que já tinham Madge e Monty (que já estava na escola quando Agatha nasceu), e moravam em Torquay, na propriedade Ashfield. Agatha sempre gostou de histórias, tinha amigos imaginários e observando os livros aprendeu a ler por associação aos 4 anos de idade, mas demorou bastante a ir para a escola. Antes de pensar em ser escritora, ela queria ser pianista ou cantora, também gostava de atuar em peças familiares, mas não como profissão que não seria coisa de “moça de família” na época.

Num dia de forte gripe e repouso, na adolecência, Agatha escreveu alguns contos por sugestão de sua mãe para passar o tempo: Casa da Beleza, Deus Solitário e o Chamado das Asas. Tito ressalta que não são as primeiras histórias da Agatha, que já tinha escrito contos dramáticos e tipicamente vitorianos que nunca foram publicados, além de poesias. Nessa época Agatha enviava esses contos e poemas para revistas com pseudônimo masculino. O primeiro livro, Neve no Deserto, também seguiria a linha vitoriana. O romance policial viria bem depois de um desafio feito pela irmã que disse que ela não conseguiria fazê-lo. Ela só cumpriu o desafio quando já estava casada, anos depois, e sua vivência como enfermeira  e os lugares em que vivia e trabalhava inspiraram O Misterioso Caso de Styles. Livro que só foi publicado, com um final diferente, em 1920, primeiro serializado em um jornal (isso aconteceu com quase todos os seus livros, era comum na época) e depois em livro nos Estados Unidos (1920) e na Inglaterra (1921). Com os livros conseguiu autonomia financeira para ajudar a mãe na velhice e também sustentar a filha e manter empregados quando se separou do primeiro marido.

Usando seus conhecimentos farmacêuticos e químicos aprendidos no dispensário, Agatha Christie usaria o veneno como arma, com toda propriedade de conhecedora científica no assunto. Sua habilidade no tema renderia artigos de jornais especializados elogiando sua técnica (…).

Agatha gostava muito de dançar e foi em um baile que conheceu seu primeiro marido Archie Christie, um homem descrito como impulsivo e decidido que insistiu para se casar com Agatha que já tinha um compromisso (frio e distante, mas tinha). O primeiro casamento foi durante a Primeira Guerra Mundial, os dois tiveram pouco tempo juntos, ele na guerra e ela trabalhando como enfermeira (depois de fazer um curso). O casal teve uma filha chamada Rosalind que por sua vez teve Mathew, no final da vida ela tinha vários bisnetos.  Archie e Agatha se separaram depois que ela viveu um intenso luto por sua mãe Clara, o marido deixou a esposa por estar apaixonado por outra. Agatha sofreu muito e isso acabou culminando em um polêmico episódio.

Tito nos apresenta o sumiço de 15 dias de Agatha, em 1926, que na época já era uma famosa escritora, através de várias teorias que foram feitas sobre o assunto. Ele refuta muito bem a maioria delas (que parecem fofocas) e principalmente acredita na honestidade da escritora. Agatha justificou seu sumiço, que foi amplamente divulgado, com uma perda de memória, ela só reapareceu quando empregados do hotel que ela estava denunciaram para a polícia que já até procurava por seu corpo. Uma situação estranha, mas se pensarmos que Agatha havia sofrido fortes abalos é fácil acreditar em pelo menos um colapso nervoso ou numa necessidade grande de se afastar de tudo. Agatha escreveu alguns livros com o pseudônimo Mary Westmacott que falavam muito sobre ela mesa e pessoas com quem viveu. Em O Retrato/ Retrato Inacabado, por exemplo, Tito nos explica que o drama que viveu com o primeiro marido está li em seus personagens.

Como o livro é de 1934 e Agatha escreveu sob pseudônimo, alterando nomes, lugares e algumas situações, não existia necessidade dela fazer nenhum tipo de média com ninguém e ela podia ser ela mesma, falando a verdade e o que ela pensava.

O salto na vida pessoal de Agatha chega com o segundo casamento, dessa vez seu segundo marido ficaria do lado dela até o fim. A vida deles foi muito interessante, Max era arqueólogo e foi em uma escavação que se conheceram através de amigos em comum. Agatha teve muita dúvida se deveria se casar com alguém tão mais jovem, ela tinha 40 na época e Max Mallowan 25. Mas ele soube ser insistente e romântico e fez Agatha muito feliz. Ela foi sua companheira em várias escavações no Iraque e trabalhou também ficando responsável por várias tarefas como a fotografia. Max também fez a própria fama, sempre conseguindo fundos para suas escavações e se tornou um arqueólogo de renome. O ambiente também rendeu muitos panos de fundo para livros da autora.

O livro O assassinato de Roger Ackroyd foi o que deu grande impulso na carreira de Agatha (resenha). Mas ele gerou uma grande polêmica, por ter um final ousado. Parte dos leitores de Agatha se disseram enganados pela autora, o que é um absurdo já que quem gosta de romance policial deveria justamente esperar por reviravoltas. Mas acredito que eram pessoas que só gostam da mesma coisinha sempre. Tito nos conta que o livro lhe rendeu mais leitores do que os que ela possa ter perdido e que o livro foi o best seller do ano dos romances policiais. Esse livro foi primeiro serializado pelo The Evening News, em 1925, e publicado em 1926. E então Agatha nunca mais parou, publicando mais de um livro por ano, em vários países, ela foi traduzida para mais de 100 línguas. A biografia traz várias informações sobre a criação de seus emblemáticos personagens como Poirot e Miss Marple e também como a autora se inspirava nos cenários a sua volta e nos próprios amigos e conhecidos. No livro tem tabelas com todas as publicações por ano, país e editora.

A biografia também traz todas as informações sobre familiares e principais amigos, viagens de Agatha, lançamentos de livros e filmes baseados em suas obras. Agatha não teve medo de criticar abertamente vários deles que fugiram muito de suas histórias originais. Também conhecemos a Agatha dramaturga, uma de suas peças (A Ratoeira) está em cartas até hoje e outras também fizeram grande sucesso. Sua obra também foi muito adaptada para a tevê com seriados e telefilmes, e isso acontece até hoje. A BBC acabou de anunciar novas adaptações que virão e um novo filme de Assassinato no Expresso do Oriente também está sendo produzido.

Tito Prates conseguiu reunir todos esses dados e exprimir sua opinião sobre a autora sem soar somente como fã. Em alguns momentos ele coloca seus comentários sobre, por exemplo,  lugares que visitou, peça que assistiu e livro favorito, mas eles transparecem naturalidade  e não egocentricidade. Se você é fã da autora, deve com certeza conhecer Agatha Christie From My Heart. Compre o livro aqui.

Aqui no blog há várias resenhas de seus livros, só procurar pelo nome na área de pesquisa ou assistir a playlist Agatha Christie lá no canal.

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