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{Conhecendo Cervantes} Novelas exemplares: Novela do ciumento da estremadura e Novela da ilustre fregona

Oi pessoal! Mais um post sobre duas novelas presentes no livro Novelas Exemplares, dessa vez falarei sobre a Novela do Ciumento da estremadura e a Novela da ilustre fregona. Esse post faz parte do projeto Conhecendo Cervantes que também inclui a leitura de Dom Quixote.

18254449_1480685845338731_212869109_nEu adorei a primeira novela, mesmo o final não sendo tão interessante para mim. Nessa novela temos um cara que leva o ciúme ao extremo e com isso se dá mal (ótima lição de que isso não vale a pena). Ele começa a história rico, mas gasta tudo (não é lá muito esperto) mas depois reconquista riquezas indo para as Índias. Que segundo Cervantes era (…)refúgio e amparo dos desesperados da Espanha igreja dos falidos, salvação dos homicidas, couto e ninho de jogadores (…). Mas mesmo assim ele não conseguiu uma vida tranquila e resolve arrumar uma esposa mesmo já tendo cabelos brancos. Só que ele é um cara ciumento e compra a mão de uma mocinha e a mantem dentro de quatro paredes para que ninguém a veja. É claro que isso não dá certo.

A segunda novela eu já achei muito enrolada e com temas repetidos das outras, aquelas reviravoltas de paixão e parentesco. Temos novamente uma jovem muito bela que “trabalha” numa estalagem, não faz muita coisa ali, mas os patrões a amam e ninguém sabe sua história. Misturado a isso temos dois amigos que apesar de ricos querem viver livremente e sem pouco, fogem de seus pais e acabam indo parar na estalagem, um se apaixona perdidamente e tenta conquistar a moça. Aí temos várias reviravoltas.

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{euLi} Meio sol amarelo – Chimamanda Ngozi Adichie

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Sinopse: Filha de uma família rica e importante da Nigéria, Olanna rejeita participar do jogo do poder que seu pai lhe reservara em Lagos. Parte, então, para Nsukka, a fim de lecionar na universidade local e viver perto do amante, o revolucionário nacionalista Odenigbo. Sua irmã Kainene de certo modo encampa seu destino. Com seu jeito altivo e pragmático, ela circula pela alta roda flertando com militares e fechando contratos milionários. Gêmeas não idênticas, elas representam os dois lados de uma nação dividida, mas presa a indissolúveis laços germanos – condição que explode na sangrenta guerra que se segue à tentativa de secessão e criação do estado independente de Biafra.
Contado por meio de três pontos de vista – além do de Olanna, a narrativa concentra-se nas perspectivas do namorado de Kainene, o jornalista britânico Richard Churchill, e de Ugwu, um garoto que trabalha como criado de Odenigbo -, Meio sol amarelo enfeixa várias pontas do conflito que matou milhares de pessoas, em virtude da guerra, da fome e da doença. O romance é mais do que um relato de fatos impressionantes: é o retrato vivo do caos vislumbrado através do drama de pessoas forçadas a tomar decisões definitivas sobre amor e responsabilidade, passado e presente, nação e família, lealdade e traição.

O que dizer desse livro maravilhoso dessa autora maravilhosa? A vontade é falar apenas: leiam! Esse livro é necessário para entender um pouco a situação de alguns países africanos, principalmente da Nigéria. A Nigéria nos anos 60 estava tentando encontrar a saída da colonização, mas a influência inglesa e de outros países ainda era muito grande e o apoio diferente há grupos que já não eram exatamente unidos geram uma guerra de secessão. Um país chamado Biafra é criado no sul da Nigéria, depois que muitos Igbos são massacrados pelos grupos do norte.

Nossos personagens estão em Biafra, então acompanhamos toda a guerra e todas as dificuldades absurdas que eles passam. A fome, a miséria e uma vida totalmente insalubre. Biafra não tinha a menor condição de ganhar, nem dinheiro, nem armas nem alimentos suficientes, mas o governador fica enganando a população e muita vida é desperdiçada. É muito triste de acompanhar.

Ao mesmo tempo os personagens são sensacionais, seus dramas interiores (que não são ligados só a guerra) se destacam e são profundamente explorados. Temos um pouco da cultura do país e de costumes que muitas vezes só atrapalham a vida deles. Alguns pais querendo que seus filhos se casem e vivam da maneira x e fazendo de tudo para prevalecerem. Vemos a força e a dor do amor na guerra e as coisas que os seres humanos acabam fazendo em meio a tanto horror. E fica aquela mensagem que guerra é um desperdício de vida e gera um revanchismo entre as populações que chega a ser ridiculamente óbvio que elas não deveriam existir.

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{ConhecendoCervantes} Novelas Exemplares: Novela do Licenciado Vidraça e Novela da Força de Sangue

NOVELAS_EXEMPLARES_144936356132519SK1449363561BOi pessoal! Como explico no vídeo precisei fazer essa mudança no cronograma, hoje falaremos sobre mais duas novelas de Cervantes. Cheguei a “metade” de Novelas Exemplares com a quinta e sexta novela: Novela do Licenciado Vidraça e Novela da Força de Sangue, de uma eu gostei muito e da outra nem tanto pelo desfecho.

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Continuo apaixonada pelas ilustrações, principalmente de mulheres.

A primeira achei muito criativa a forma que Cervantes traz a loucura na novela, temos um personagem que enlouquece e passa a acreditar que é de vidro e que ninguém pode encostar nele. Ao mesmo tempo ele fica muito sábio e várias pessoas passam a segui-lo pedindo conselhos ou que ele fale algo inteligente.

A segunda novela já foi difícil para mim, nela acontece um estupro e a personagem fica arrasada e se sente desonrada. Sua família a consola e esconde de todos o filho fruto dessa relação forçada. Ela nem sabe quem a violentou por ter ficado desacordada e depois vendada, até o clímax da história em que tudo é revelado e um laço de família reparado. Eu não gostei do final porque apesar de ser uma solução de acordo com a época foi difícil d engolir.

Saiba mais sobre o projeto Conhecendo Cervantes.

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{Conhecendo Cervantes} Novelas Exemplares: Novela de Rinconete e Cortadillo e Novela da Espanhola Inglesa

No post de hoje continuamos com o Conhecendo Cervantes, falando de Novelas exemplares, com as novelas: Novela de Rinconete e Cortadillo e Novela da Espanhola Inglesa. Se você não conferiu o post sobre as duas primeiras clique aqui.

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Essas duas novelas são bem diferentes uma da outra, Rinconette e Cortadillo são dois jovens chamados Rincon e Cortado que se conhecem e se reconhecem como iguais. Dois meninos que fugiram d suas famílias e que acabaram aprendendo a se virar com roubos e golpes. Quando chegam a Sevilha descobrem que lá o crime é organizado e entram para uma organização toda estruturada. Os casos desse grupo e os costumes, além da honra entre ladrões ficamos conhecendo na novela. Fiquei esperando alguma grande aventura dos dois, mas ela termina prometendo isso somente.

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Já a Novela da Espanhola Inglesa conta a história de uma menina espanhola bélissima que é tirada dos pais quando criança por um nobre inglês e criada por ele como filha. Ela cresce e desperta o amor do filho do casal, mas para ficarem juntos o que parecia muito fácil escondia uma série de barreiras, a trama é cheia de reviravoltas cerventinas. Ficamos torcendo pelo casal durante a leitura.

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[BEDA] Quem era Noll?

“— Quando você aprender a ler vai possuir de alguma forma todas as coisas, inclusive você mesmo.”

38785223_2209.2004DivulgacaoE-mailPV-EXCLUSIVOJoao-Gilberto-Noll-escritorOi pessoal! Semana passada faleceu o autor João Gilberto Noll e eu fiquei triste porque nem o conhecia, nunca tinha sabido nada de sua obra, mesmo ele sendo um autor premiado. Quando compartilhei a notícia a Camila do A Bookaholic Girl comentou que tinha se apaixonado pela escrita dele e me recomendou o conto Alguma coisa urgentemente (você pode ler no site releituras, clique aqui) e eu gostei.

O conto traz uma relação pai  filho bem conturbada na década de 60, há muita união entre eles no começo da infância do narrador, apesar dele dizer que o pai é inconstante.

Os primeiros anos de vida suscitaram em mim o gosto da aventura. O meu pai dizia não saber bem o porquê da existência e vivia mudando de trabalho, de mulher e de cidade. A característica mais marcante do meu pai era a sua rotatividade. Dizia-se filósofo sem livros, com uma única fortuna: o pensamento. Eu, no começo, achava meu pai tão-só um homem amargurado por ter sido abandonado por minha mãe quando eu era de colo. Morávamos então no alto da Rua Ramiro Barcelos, em Porto Alegre, meu pai me levava a passear todas manhãs na Praça Júlio de Castilhos e me ensinava os nomes das árvores, eu não gostava de ficar só nos nomes, gostava de saber as características de cada vegetal, a região de origem. Ele me dizia que o mundo não era só aquelas plantas, era também as pessoas que passavam e as que ficavam e que cada um tem o seu drama. Eu lhe pedia colo. Ele me dava e assobiava uma canção medieval que afirmava ser a sua preferida. No colo dele eu balbuciava uns pensamentos perigosos:

— Quando é que você vai morrer?

— Não vou te deixar sozinho, filho!

Até que há uma notícia brusca em que o narrador nos informa que o pai foi preso em 1969, pelas insinuações no texto e o estado do pai quando volta el foi preso e torturado por algum crime político na ditadura militar. Depois disso as relações mudam e tudo perde o rumo. Uma pequena família abalada para sempre por esse fato.

Gostei muito da narrativa, a escrita é de imensa qualidade e fiquei com vontade de ler outras coisas dele. Ele tem aquela forma de narrar que não omite nada e traz a verdade nua e crua.  O conto publicado no livro Romances e Contos Reunidos em 1997, e foi selecionado por Italo Moriconi para figurar no livro Os cem melhores contos brasileiros do século.  E foi adaptado para o cinema com o filme Nunca fomos tão felizes (Murilo Salles/1983).

Lendo sobre ele vi que trabalhou no jornal Última Hora na década de 70 e era um jornal que criticou a ditadura, teve um papel importante na história, me fez ficar ainda mais interessada. 🙂

Sobre o autor (fonte: Releituras):

João Gilberto Noll nasceu em 1946 na cidade de Porto Alegre (RS). Em 1969, após ter abandonado o Curso de Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, muda-se para o Rio de Janeiro, onde começa a trabalhar como jornalista nos jornais “Última Hora” e “Folha de São Paulo. Em 1970, publica seu primeiro conto na antologia “Roda de Fogo”, organizada por Carlos Jorge Appel, de Porto Alegre. Transfere-se para São Paulo, indo trabalhar como revisor da Cia. Editora Nacional. Retorna ao Rio e à “Ultima Hora”, em 1971, onde escreve sobre teatro, literatura e música. No ano de 1974 volta aos estudos de Letras e, no ano seguinte, leciona no Curso de Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em 1980, um ano após concluir o Curso de Letras, publica seu primeiro livro, “O cego e a dançarina”. Recebe os Prêmios “Revelação do Ano”, da Associação Paulista de Críticos de Arte, “Ficção do Ano”, do Instituto Nacional do Livro e o “Prêmio Jabuti”, da Câmara Brasileira do Livro. Recebeu cinco prêmios Jabuti e vários prêmios internacionais, teve livros lançados da Inglaterra, foi bolsista e professor convidado na Universidade de Berkeley – E.U.A.

Livros do autor:
1981 – “A fúria do corpo”
1985 – “Bandoleiros”
1986 – “Rastros de verão”
1989 – “Hotel Atlântico”
1991 – “O quieto animal da esquina”
1993 – “Harmada” (Prêmio Jaboti)
1996 – “A céu aberto”  (Prêmio Jaboti)
1997 – “Contos e romances reunidos”
1999 – “Canoas e marolas”
2002 – “Berkeley em Bellagio”
2003 – “Mínimos múltiplos comuns”