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Vocação para o mal – Robert Galbreith

VOCACAO_PARA_O_MAL_1459883276576254SK1459883276BSinopse: Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade. Depois de O chamado do Cuco (resenha) e O bicho-da-seda (resenha), o terceiro romance da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling,  estreou em segundo lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times. Com o título e os nomes dos capítulos retirados de músicas da banda Blue Öyster Cult, cujas letras são baseadas na literatura de horror e tratam de temas como maldições e ocultismo, Vocação para o mal tem um clima sombrio, que mistura pedofilia, assassinatos em série e Transtorno de Identidade da Integridade Corporal (TIIC), distúrbio psicológico raro que faz uma pessoa querer amputar seus membros saudáveis. Será que a dupla de investigadores consegue identificar seu perseguidor e sair ilesa?

Essa leitura foi um pouco mais difícil nesse #SetembroPolicial depois de ter lido dois livros seguidos com narrativas muito ágeis. Os livros de “Galbreith” são livros com uma trama mais lenta, em que sentimos a passagem de tempo com mais calma, uma investigação que dura meses. Então não temos cenas de ação de tirar o fôlego o tempo todo, temos alguns “quases” ao longo do livro, já que nosso assassino decide caçar Robin, mas os grandes confrontos ficam para o final da história.

Já a história é excelente, vale a pena essa leitura mais tranquila porém não sem peso e sem choque. Um livro recheado de detalhes em que você se acostuma com o ritmo e a ficar raciocinando junto com os personagens. Temos 4 suspeitos e ficamos até o final com dúvida sobre pelo menos 3, e olha que há capítulos que acompanham o serial killer, mas mesmo assim a dúvida é grande. Porque são 3 personagens perversos, com histórias brutais, todas muito ligadas a história do Strike, para mim todos os 3 eram possíveis, variando conforme a leitura, mas sem descartar ninguém. O final para mim foi uma surpresa.

Nesse livro nos aprofundamos mais nos sentimentos de Cormoran e Robin, o passado dos dois guardava vários segredos que eles acabam revelando um para o outro. Quem acompanha a série sabe que eles ora estão próximos ora mais reservados, Strike, principalmente, não quer que Robin saiba de todos os seus demônios. E também quer manter uma amizade controlada, algo que não passe do limite, mas ao mesmo tempo eles passam por muitas coisas juntos então isso fica complicado.

O noivo de Robin também não ajuda, muitas vezes é um cretino, o que faz ela reconsiderar a relação. Eu shipo Robin e Strike, mas acho que como a autora já previu uma série longa isso vai demorar a acontecer. Me lembra muito o casal da série policial de tv Bones, que fiquei bastante tempo vendo eles se relacionarem com outras pessoas, brigarem e sentirem ciúmes, até ficarem juntos. Se Robin e Strike forem ficar juntos em algum momento, percebemos nesse livro que vai demorar bastante. Faz sentido, não é uma história de amor, e poderia até não haver envolvimento, mas a própria autora sugere isso em alguns momentinhos.

O mais importante no momento é resolver as funções de Robin, ela vem deixando de ser a secretaria, e quer muito isso. Ela quer ser a parceira, uma investigadora em pé de igualdade com o chefe. Os acontecimentos e a ameaça a ela podem jogar um balde de água fria nisso, pela necessidade natural de que ela seja protegida. Mas nesse livro temos uma Robin cada vez mais corajosa, desafiadora e que vem estudando para conquistar seu sonho e ser valorizada. Amei isso. Ela não é um acessório, não quer só ficar no escritório, e toma sim a rédia da situação em muitos momentos no livro. Já estou curiosa com o quarto!

E esse transtorno que faz a pessoa querer amputar partes do corpo? Muito louco isso! Nem vou contar como se encaixa na trama para não quebrar o suspense.

>> A resenha em vídeo sai semana que vem, acabei a leitura domingo, então não tive tempo. Deve sair junto com minha última leitura do mês policial que foi Bufo e Spallanzani do Rubem Fonseca.

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Suicidas – Raphael Montes #SetembroPolicial

imagemSinopse: Um porão, nove jovens e uma Magnum 608. O que poderia ter levado universitários da elite carioca – e aparentemente sem problemas – a participarem de uma roleta-russa? Um ano depois do trágico evento, que terminou de forma violenta e bizarramente misteriosa, uma nova pista, até então mantida em segredo pela polícia, ilumina o nebuloso caso. Sob o comando da delegada Diana Guimarães, as mães desses jovens são

reunidas para tentar entender o que realmente aconteceu, e os motivos que levaram seus filhos a cometerem suicídio. Por meio da leitura das anotações feitas por um dos suicidas durante o fatídico episódio, as mães são submersas no turbilhão de momentos que culminaram na morte dos seus filhos. A reunião se dá em clima de tensão absoluta, verdades são ditas sem a falsa piedade das máscaras sociais e, sorrateiramente, algo muito maior começa a se revelar.

Minha primeira leitura do Raphael Montes não poderia ter sido melhor e foi justamente da primeira história escrita pelo autor, que vem marcando seu nome na Literatura Policial brasileira. Suicidas é um livro forte, fácil de ler, empolgante, envolvente, marcante, trágico e pesado.

Esse livro é uma história de reconstituição em que já de início “sabemos o que aconteceu”, mas isso é ilusório já que muitos detalhes são cruciais para completar o cenário dessas mortes. Como está na sinopse do livro, esse esclarecimento vem através de um narrador no caderno de um dos jovens. Alessandro estava escrevendo um livro sobre o dia, registrando cada movimento e diálogo. Seu sonho era ser um escritor famoso. Também temos uma parte da história nos diários do mesmo, para entendermos o relacionamento dos personagens antes do dia fatal.

Os capítulos intercalam esses dois relatos de Alessandro com as reações das mães ao descobrirem o que os filhos estavam fazendo, disseram e em alguns casos até vislumbram seus pensamentos e intensões. É claro que reunir as mães de jovens que se suicidaram para discutir se alguém tem culpa nisso gera muita confusão. Elas vãos das lágrimas às acusações ferozes conforme a história vai se desenrolando na frente delas, é cruel, quase como se elas estivessem assistindo a morte de cada um deles. A história narrada é muito pesada, os filhos fizeram coisas que elas nem imaginavam possíveis e sofreram muito também.

Ao descobrir os passos desses jovens, aparecem também suas angústias, relações, uso de drogas e álcool exagerado e perversidades. Principalmente as do personagem Zek, melhor amigo de Alessandro, um típico filhinho de papai. Acostumado ao luxo e a conquistar todas que quer, e depois de passar por uma tragédia familiar, o personagem tem os piores atos da história. Tem que ter estômago para seguir até o fim do livro, uma curiosidade mórbida nos impede de parar. Em alguns momentos algumas reviravoltas podem parecer novelescas, mas acredito que o autor fez isso funcionar bem. Pista gincana: pegue as letras em negrito e forme a frase (já estão na ordem).

Participe!

 


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Psicose – Robert Bloch #SetembroPolicial

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Sinopse: Livro que deu origem ao mais famoso filme de suspense de todos os tempos. Psicose conta a história de Marion Crane, que foge após roubar o dinheiro que foi confiado a ela depositar num banco. Ela então vai parar no Bates Motel, cujo proprietário é Norman Bates, um homem atormentado por sua mãe controladora. Belo suspense, de tirar o fôlego!

Um grande suspense mesmo, um clássico da literatura policial que inspirou o filme de Hitchcock que deve ser até mais famoso que o livro em si. Mas não haveria filme se não fosse o livro, que impressionou tanto o cineasta que o fez comprar todas as 3 mil cópias disponíveis em livrarias na época.

Esse livro é daqueles que só conseguimos largar no final, foi mais uma leitura excelente do meu Setembro Policial. Obrigada pelo envio Darkside! Se você quer ler o livro não pode deixar de participar do sorteio e concorrer a ele e outros da editora. (Veja aqui).

No livro conhecemos a doentia relação de Bates com sua mãe, uma obsessão que extrapola tudo que já tinha lido. Normam controla um hotel em um lugarzinho ermo onde por obra do acaso vai parar a jovem Mary. Ela está em fuga, então ninguém sabe que ela parou ali, e ela acaba sendo assassinada numa das mais famosas cenas no banheiro, não é spoiler, isso é logo no começo do livro!

Depois vem a investigação, o sumiço de Mary traz a irmã numa busca preocupada, e também o noivo e um investigador que está mais preocupado com outras questões. E eles tem que tomar muito cuidado porque nada é o que parece e vários mistérios serão revelados. Um deles me pareceu claro desde o começo, não sei se eu não tivesse nenhuma informação sobre o livro eu perceberia antes. Na resenha em vídeo eu até comentei, aqui vou deixar o mistério, quem conhece a história vai saber. ^^ Mas não faz diferença já que os detalhes é que são surpreendentes. LEIA!

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Achados e Perdidos + Último Turno – Stephen King #SetembroPolicial

ACHADOS_E_PERDIDOS_1463492037584509SK1463492037BFoi com muita satisfação que terminei de ler essa trilogia do Stephen King, ainda não li nada do autor que me fizesse esperar por menos, mas ele me fez ter um carinho especial por esses personagens. Estou com saudades! E vendo a série pra matar um pouco dela <3. Já falei aqui sobre o primeiro livro, o Mr. Mercedes, então se você ainda não leu, fique a vontade para ir lá conferir a resenha (clique aqui).

A série acompanha a luta entre o assassino do Mercedes (Brady) e o detetive Bill Hodges (acompanhado de sua “equipe”), mas no segundo livro, Achados e Perdidos, há uma pequena pausa, para acompanharmos os problemas de outras pessoas. Conhecemos a história de Peter, cujo pai foi debilitado pelo ocorrido no primeiro livro no fatídico dia da feira de empregos. Peter e sua família ficaram dependentes do dinheiro de um auxílio que devido a crise vai minguando, muito preocupado, esse menino de excelente coração encontra uma solução que o coloca em perigo. Ele acha um tesouro enterrado por um assassino, muito dinheiro e manuscritos valiosos de um escritor famoso.

O assassino é um louco obcecado por seu autor e personagem favorito, que fica raivoso pelo final que esse personagem tem. Isso te lembra alguém? (Para fãs de King lembra). O autor gosta de retomar alguns temas em suas obras mas sempre faz isso de forma magistral, nada repetitivo. Dessa vez o autor recluso realmente é assassinado, mas o fã louco não tem tempo de aproveitar o dinheiro e os manuscritos que acha, ele é preso por outros motivos. Passam 35 anos e estamos na história principal, ele sai da cadeia e vai atrás do seu tesouro.

Esse livro é de luta contra o tempo, o assassino vai encontrar Peter? Quem vai ajudá-lo? É certo o que ele está fazendo, usando um dinheiro que não lhe pertence para ajudar a família? E o que fazer com os manuscritos que ele também passa a se afeiçoar? Você vai ter que ler pra descobrir.

E onde entra Bill Hodges nisso tudo? Isso eu posso falar, há várias conexões na série e ele acaba atendendo a um pedido de ajuda já que agora tem seu escritório de investigação particular: Achados e Perdidos. Junto com Holly, que é uma das minhas personagens favoritas também, com todas as suas questões próprias, a dificuldade de se relacionar, e o talento para enxergar os problemas a sua volta, eles vão acabar tentando ajudar Peter. Ela é peça chave nesse livro e na continuação. É claro que Jerome acaba participando também, mostrando que o trio é a melhor equipe.

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Pista gincana: Lucas precisava de sinal de celular para postar uma foto no Instagram.

Já o Último Turno é um livro que te deixa louco até a última página, ainda mais que você sabe que vai acabar, você precisa saber como vai acabar, é um desespero, porque tem horas que parece que não tem como ter solução para o problema. Mas calma!

Na história temos Brady de novo, tudo gira em torno desse maluco e em torno do tema do suicídio. Tem até um alerta fofo do King no final para as pessoas procurarem ajuda quando estiverem achando a vida horrível, até dentro da história tem. Não custa nada lembrar as pessoas que elas podem pedir ajuda. Amei isso, o tema permeia toda a série, e se intensifica nesse de forma responsável.

Não tem como não contar um pouco de spoiler se você não leu os livros anteriores e não sabe o que aconteceu com os personagens! Até nas propagandas do livro tem, na sinopse…

Quando Holly acertou Brady e evitou uma desgraça, ele ficou nocauteado por um tempo, mas ele acorda e acorda pior ainda. Continua sem poder se mexer, mas dessa vez consegue utilizar um lado da mente que não temos acesso, ele passa a conseguir utilizar sua mente doentia para mover coisas e até influenciar outras pessoas. E para que ele quer fazer isso? Além de se vingar de Hodges, para terminar de matar as pessoas que sobreviveram a seus ataques anteriores…. TENSO! Muito TENSO! E tudo isso é feito de forma bem explicadinha, para você embarcar nessa viagem e ficar com medo pelos seus personagens queridos.

Os 3 livros são conectados, os personagens possuem ligações com tudo que desencadeou a primeira história. Assim, revemos personagens que já apareceram e fazemos conexões com novos mas que na verdade já estavam ali em algum lugar. Tudo de forma criativa, emocionante, impactante, sufocante e real. Leia!

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O Sorriso da Hiena – Gustavo Ávila #SetembroPolicial

O_SORRISO_DA_HIENA_773835496BÉ possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem? Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no crescimento delas.
Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos?

Gostei muito do livro, para mim não há justificativa para os planos de David e o envolvimento de William, eles não conseguem o meu perdão. O tema é riquíssimo: como o que as crianças vivenciam são capazes de influenciar suas vidas. Há muitas teorias sobre isso, duas filosóficas, como a de Rousseau que acreditava que o homem nasce bom mas é corrompido pela civilização. E a de Thomas Hobbes que acreditava que o homem não possui uma disposição natural para a vida em sociedade:  que a natureza humana é regida pelo egoísmo e pela autopreservação.”O homem é o lobo do homem.” Filosofia a parte sabemos da importância de criar as crianças em ambiente saudável e seguro emocionalmente.

Nós sem querer acabamos discutindo o tema quando o jornalismo e as pessoas caem no debate se dá para justificar os atos de criminosos que cresceram sem condições de vida e sempre maltratados ou se bandido bom é bandido morto. Não vou entrar nessa discussão aqui, porque o livro não entra, mas como podem ver o tema é polêmico e a trama se arrisca ao tocar no assunto, faz isso muito bem.

Esse livro é do Gustavo Ávila, ele primeiro pagou sua edição independente e recentemente o livro foi publicado com a mesma capa (ainda bem) pela Editora Verus, selo da Record. Percebi alguns momentos o trabalho de um escritor que está começando, mas a todo tempo fui surpreendida por uma trama policial que foge totalmente do esperado. Cheguei a pensar que sabia os caminhos que William ia tomar, os de David já sabemos de antemão, mas a grande surpresa é o psicólogo. O cara não é má pessoa e quer ajudar as pessoas, então fiquei esperando várias coisas dele  e fui constantemente surpreendida conforme sua vida vai se desmoronando.

Outro personagem principal é Artur, a trama acaba girando entre esses 3 homens, e o último é um detetive da polícia. E ele não é um personagem simples, poderia ser já que já temos duas mentes complicadas, mas não, ele tem um dos espectros do Autismo: a síndrome de Asperger. E com isso toda sua personalidade, a forma mais direta de falar e a dificuldade de entender os duplos sentidos. Também é muito inteligente e focado. Gostei muito dele, o livro não tem aquele apelo conscientizante, o detetive simplesmente existe e cumpre seu papel como todos. Aquela inclusão nada forçada e bem escrita.

Fiquei muito feliz com a leitura, embora o tema deixe a gente refletindo nas mazelas, mas fiquei feliz por conhecer um autor nacional tão bom. E ter minhas expectativas sanadas já que me recomendaram muito a leitura. Então leiam que não posso dar muito spoiler. E fiquem de olho que em breve ele será sorteado aqui no #SetembroPolicial.

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