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[BEDA] Flip – Festa Literária Internacional de Paraty

flip-logoOi pessoal! Hoje resolvi falar um pouco da Flip, um evento literário que morro de vontade de ir (espero concretizar isso esse ano), que acontece em Paraty aqui no RJ desde 2003. Lá autores nacionais e internacionais se reúnem em mesas de debates sobre temas variados que envolvem várias formas culturais. Esse ano o evento acontece entre 26 e 30 de julho. “Flipinha, FlipZona e FlipMais compõem o programa da festa, com atividades que combinam literatura infantojuvenil, performance, debates, artes cênicas e visuais”.

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Toda edição faz uma homenagem á algum autor brasileiro, e esse ano será sobre Lima Barreto (saiba mais sobre ele). Me sinto numa dívida imensa por não ter lido nada dele ainda, mas pretendo mudar isso em breve. O ator Lázaro Ramos lerá trechos de suas obras, durante uma apresentação ilustrada pela historiadora Lilia Schwarcz. “Conhecido por interpretar personagens marcados por suas condições sociais e raciais, como Zumbi do Palmares e Madame Satã, Lázaro Ramos também lançará no festa o seu livro “Na minha pele”, no qual aborda a sua trajetória como ator negro. Lilia Schwarcz levará a Paraty seu novo olhar sobre o autor homenageado, resultado de pesquisa de mais de uma década que gerou a biografia “Lima Barreto, triste visionário”, que será lançada em junho” (O Globo).

Aluns livros importantes do autor:

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Sinopse: Para Major Quaresma, a Pátria é um ideal que está acima de tudo. Visionário por excelência, suas idéias colocam-no em várias situações embaraçosas e levam-no até a ser internado em um manicômio. Tímido, discreto, ingênuo, é também uma palha de pureza a navegar num oceano de podridão. Este é um livro escrito com todos os nervos, mas principalmente com o coração, e que se destina a quantos tenham orgulho de ser brasileiros.

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Sinopse: “Em Clara dos Anjos relata-se a estória de uma pobre mulata, filha de um carteiro de subúrbio, que apesar das cautelas excessivas da família, é iludida, seduzida e, como tantas outras, desprezada, enfim, por um rapaz de condição social menos humilde do que a sua. É uma estória onde se tenta pintar em cores ásperas o drama de tantas outras raparigas da mesma cor e do mesmo ambiente. O romancista procurou fazer de sua personagem uma figura apagada, de natureza “amorfa e pastosa”, como se nela quisesse resumir a fatalidade que persegue tantas criaturas de sua casta: “A priori”, diz, “estão condenadas, e tudo e todos parecem condenar os seus esforços e os dos seus para elevar a sua condição moral e social.” É claro que os traços singulares, capazes de formar um verdadeiro “caráter” romanesco, dando-lhe relevo próprio e nitidez hão de esbater-se aqui para melhor se ajustarem à regra genérica. E Clara dos Anjos torna-se, assim, menos uma personagem do que um argumento vivo e um elemento para a denúncia.”

CONTOS_COMPLETOS_DE_LIMA_BARRETO_1289603834BSinopse: Com organização, introdução e notas de Lilia Moritz Schwarcz, esta edição reúne os 149 contos do autor, resgatados por meio de pesquisas em manuscritos, edições originais, jornais e revistas da época. Tanto os contos menos conhecidos quanto alguns mais famosos, como “A Nova Califórnia” e “O homem que sabia javanês”, ressaltam o aspecto autobiográfico que, segundo a organizadora, perpassa toda a carreira de Lima Barreto.

Autores confirmados

1492471676300Uma das atrações já confirmadas é a presença da autora Scholastique Mukasonga. Ela nasceu em Ruanda e é radicada na França. “Mukasonga terá os livros Nossa Senhora do Nilo e A Mulher dos Pés Descalços publicados no País, pela editora Nós, com tradução da poeta Marília Garcia” (Fonte: Estadão).

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Outra presença confirmada é a do autor jamaicano Marlon James, vencedor do Man Booker Prize em 2015 pelo livro A Brief History of Seven Killings. O livro de Marlon James, no Brasil, vai se chamar Breve História de Sete Assassinatos e será publicado pela Intrínseca. A obra é de ficção mas fala sobre o ataque a Bob Marley em  1976 (saiba mais).

{News} Eu li notícias literárias da semana

Sete ideias para comemorar o Dia Mundial do Livro
23 de abril é dia de celebrar os livros e o prazer da leitura. Já sabe como vai participar da festa?. Fonte: Estadão. Continue lendo

Último livro de Elena Ferrante ganha data de lançamento no Brasil
Obra chega em fim de abril, editora divulgou a capa de ‘História da menina perdida’. Fonte: Estadão. Continue lendo

Flip 2017 anuncia a escritora Scholastique Mukasonga
Escritora terá os livros ‘Nossa Senhora do Nilo’ e ‘A Mulher dos Pés Descalços’ publicados no País. Fonte: Estadão. Continue lendo

Lázaro Ramos e Lilia Schwarcz abrirão a Flip 2017
Ator lançará livro sobre sua trajetória de ator e historiadora apresenta sua biografia de Lima Barreto. Fonte: O Globo. Continue lendo

Morre Vivian Wyler, gerente editorial da Rocco, aos 62 anos
Editora estava na companhia há 30 anos. Fonte: O Globo. Continue lendo

Nova antologia reúne 62 poesias de autores trans
Composto por alunos de um cursinho popular, livro mostra realidade pouco presente no mercado editorial. Fonte: O Globo. Continue lendo

Fahrenheit 451 | Michael B. Jordan e Michael Shannon estarão no longa produzido pela HBO
O canal por assinaturas HBO está trabalhando em uma adaptação cinematográfica do clássico Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, e revelou dois dos atores escalados para dar vida ao livro: Michael B. Jordan e Michael Shannon. Fonte: Jovem Nerd. Continue lendo

Como a leitura de livros muda de acordo com a idade no Brasil
Preferência por obras religiosas aumenta com o avanço da idade. Capa e título são fatores importantes na escolha dos mais jovens. Fonte: Nexo Jornal. Continue lendo

Sonhos distópicos: uma linha do tempo da ficção científica feita por mulheres
De Mary Shelley até Margaret Atwood, até onde vai a ficção?. Fonte: Blog da Estante Virtual. Continue lendo

Publicado em Dicas, Lista de livros

[BEDA] O que tem na prateleira? [1- Fantasia]

Oi pessoal! Me sugeriram aqui falar de livros que são meus favoritos e poucas pessoas sabem que eu li. Então resolvi aproveitar o BEDA para fazer um pouco mais. Vou tentar mostrar todos os livros que tenho nas prateleiras do meu quarto, livros que li e que não li, e assim vocês ficam sabendo de livros que não falei por aqui e mais ou menos como organizo as coisas.

Para começar resolvi mostrar a prateleira de livros que envolvem fantasia ou tem um pezinho no fantástico.

Essa é a prateleira de fantasia, olha que lindinha, ela é um xodó, e ficou ainda mais fofa com esses funkos do Dumbledore e da Mione *.*

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Olha gente! No começo estão os meus livros de As Crônicas de Gelo e Fogo do George R.R. Martin, eu sou uma que está na eterna espera do sexto livro. Eu gostei muito de ler, principalmente o primeiro, o terceiro e o quinto. O segundo e o quarto são mais parados. Para quem gosta de um livro de fantasia, um pouco brutal eu recomendo. O autor não economiza em mortes, o cenário é medieval, e há uma constante guerra entre as casas” pelo trono de Westeros. Até agora foram lançados cinco volumes (com alguns extras) e esse grandão na ponta é o O mundo de Gelo e Fogo que conta as histórias anteriores aos livros principais, um pouco da mitologia também, ainda não li, só folheei mas pretendo ler em breve. As ilustrações são bem lindas.

Sinopse do livro 1 A Guerra dos Tronos: Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, aceita a prestigiada posição de Mão do Rei oferecida pelo velho amigo, o rei Robert Baratheon, não desconfia que sua vida está prestes a ruir em sucessivas tragédias. Sabe-se que Lorde Stark aceitou a proposta porque desconfia que o dono anterior do título fora envenenado pela manipuladora rainha – uma cruel mulher do clã Lannister. E sua intenção é proteger o rei. Mas ter como inimigo os Lannister pode ser fatal: a ambição dessa família pelo poder parece não ter limites e o rei corre grande perigo. Agora, sozinho na corte, Eddard percebe que não só o rei está em apuros, mas também ele e toda a sua família. Quem vencerá a guerra dos tronos?

Acredito que todo mundo já tenha ouvido falar da adaptação da HBO. Guerra dos Tronos é uma série que não é completamente fiel, algumas coisas aconteceram de forma diferente, mas ainda sim eu gosto de ver. A série ultrapassou o ponto em que os livros passaram, então não sei até que ponto o final será o mesmo.  Esse ano estreará a sétima temporada em julho e a série será encerrada ano que vem com a oitava.

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Depois vem a quadrilogia As Brumas de Avalon (também existe uma edição livro único) da autora Marion Zimmer Bradley, que li por indicação da minha mãe. Esses livros contam a história do Rei Arthur e de Avalon só que pelo ponto de vista das personagens femininas, principalmente da Morgana. Eu gostei muito!

Coladinho neles está As Crônicas de Nárnia de C.W. Lewis que acredito que despensa apresentações, não é? Esse volume único reúne as sete histórias, eu só li as três primeiras, preciso retomar. Gostei muito do que li até aqui.

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Depois vem os favoritos desse canto, meus livros de Harry Potter da J.K Rowling (e eu ainda quero ter os ilustrados! hahah). Estão aí o primeiro, o quinto e o sexto da primeira edição (os do meio eu li emprestado, depois quero completar), o livro com o roteiro da peça que se passe 19 anos depois e esse box lindo que ganhei em 2015. Eu não vou comentar muito aqui sobre os livros, mas se você procurar na lupa vai achar um post para cada livro. É muito amor por essa série.

17758158_1446133648793951_847245225_nNessa foto está faltando um livro da Deborah Harkiness, o primeiro dessa trilogia (Trilogia das Almas), está emprestado. Eu amei essa trilogia e tem muita gente que não conhece (confere a resenha).

Sinopse do primeiro livro A Descoberta das Bruxas: A professora Diana Bishop foi convencida pelo medo de que é melhor ser humana do que bruxa. Mas quando descobre um antigo manuscrito com a origem de espécies sobrenaturais, fica muito próxima do mundo do qual sempre fugiu. Demônios e vampiros passam a cruzar seu caminho, e o instinto de sobrevivência dessas criaturas faz Diana ser uma presa vulnerável. Até que ela seja capaz de dominar os próprios dons e usar seus poderes.

Ao lado está a trilogia As Peças Infernais da Cassandra Clare, gente eu tinha um pouco de preconceito com os livros da Cassandra, mal sabia que ia gostar tanto, uma amiga me perturbou muito para ler Os Instrumentos Mortais. Eu li e gostei, e gostei mais ainda dessa trilogia que conta a história dos ancestrais deles lá na época vitoriana. DEMAIS! Aqui no blog e no canal tem resenha tanto de Instrumentos, quanto das Peças, só procurar na lupa.

Espremidinhos aí junto estão O Oceano no fim do caminho do Neil Gaiman (tem resenha) que amei e O Gigante enterrado de Kauo Ishguro que ainda não li. Não sei se tem muito a ver com os outros da prateleira, mas eles tem um pé na fantasia.

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A mulher do viajante do tempo da Audrey Niffienegger não tinha muito onde ficar, mas como é um livro que tem viagem no tempo ficou por aqui também. Ele é um dos meus livros favoritos.

Sinopse: “A Mulher do Viajante no Tempo” conta a história do casal Henry e Clare. Quando os dois se conhecem Henry tem 28 anos e Clare, 20. Ele é um moderno bibliotecário; ela, uma linda estudante de arte. Os dois se apaixonam, se casam e passam a perseguir os objetivos comuns à maioria dos casais: filhos, bons amigos, um trabalho gratificante. Mas o seu casamento nunca poderá ser normal. Henry sofre de um distúrbio genético raro e de tempos em tempos, seu relógio biológico dá uma guinada para frente ou para trás e ele então é capaz de viajar no tempo, levado a momentos emocionalmente importantes de sua vida tanto no passado quanto no futuro. Causados por acontecimentos estressantes, os deslocamentos são imprevisíveis e Henry é incapaz de controlá-los. A cada viagem, ele tem uma idade diferente e precisa se readaptar mais uma vez à própria vida. E Clare, para quem o tempo passa normalmente, tem de aprender a conviver com a ausência de Henry e com o caráter inusitado de sua relação.

Ainda não li Outlander, é uma série que mistura romance histórico com viagens no tempo (tem adaptação para série também). Eu troquei ele por um outro livro, mas ainda não sei quando vou ler.

O mundo de sofia é um livro em que a personagem tem uma aula de filosofia através de cartas anonimas, e nós também. Li esse livro e fiquei muito interessada no tema, ele é bem bacana e tem um final meio viagem se me lembro bem, acho que é por isso que ele está aí.

Os outros próximos livros que são da Pilippa Gregory, série A Ordem da Escuridão, misturam romance histórico com um pouco de mistério e fantasia. Esses são os dois primeiros volumes: O Substituto e Os Feiticeiros da Tempestade, eu só li o primeiro, clique para ver a resenha.

Depois vem Jogos Vorazes da Suzanne Collins que também dispensa apresentação né? É uma distopia e não exatamente uma fantasia, mas não tinha outro lugar para colocar hahaha Fazer o que né. Ficou melhor aí.

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E no fim estão esses tijolinhos que serviram muito bem para escorar os outros. Labirinto e Sepulcro são livros da Kate Mosse, uma autora que conheci antes do blog então comentei muito pouco aqui. Esses livros tem um pouco de fantasia e sobrenatural apesar de não serem sobre isso. Foram duas ótimas leituras. E o último é da Audrey que já falei aqui, o Uma Estranha Simetria tem nada de história de amor, tem uma relação muito estranha entre irmãs gêmeas e tem um pouco de sobrenatural também (saiba mais na resenha).

Sinopse do livro Sepulcro: Em Sepulcro, duas histórias paralelas estão separadas por mais de um século. Em outubro de 1891, a jovem Léonie Vernier e seu irmão Anatole saem apressadamente de Paris para o Domaine de la Cade, a imponente propriedade da família de sua mãe, próxima da cidadela medieval de Carcassonne. O rapaz corre risco de vida e divide um segredo com sua tia Isolde, que mora no local. Logo, Léonie também terá seu segredo guardado sob a copa das árvores das florestas escuras da região, dentro da sinistra câmara mortuária que ali se esconde desde tempos imemoriais. E cuja chave é um baralho de tarô muito particular, de poder inimaginável.
Mais de cem anos depois, em outubro de 2007, a bordo de um trem recém-saído de Paris, Meredith Martin tem muito sobre o que refletir. O que a leva ao exclusivo Hotel Domaine de la Cade parece ser apenas a pesquisa de uma biografia do compositor Claude Debussy. Mas ela sabe que há mais: o desejo de descobrir as origens de sua família, que parecem remontar à misteriosa região. A velha partitura de piano amarelada e as fotos antigas que foram só o que sua mãe lhe deixou são a única chave de que dispõe. E as cartas, em que até então nunca acreditara.
As encruzilhadas que ligam Léonie e Meredith são o grande mistério de Sepulcro. Os antigos enigmas que as cercam – se desvendados – podem levar a um grande tesouro, de serenidade e crescimento pessoal.

Sinopse de Labirinto: Em Julho de 1209: na cidade francesa de Carcassonne, uma moça de 17 anos recebe do pai um misterioso livro, que ele diz conter o segredo do verdadeiro Graal. Embora Alaïs não consiga entender as estranhas palavras e símbolos escondidos naquelas páginas, sabe que seu destino é proteger o livro. Será preciso grandes sacrifícios e muita fé para garantir a segurança do segredo do labirinto – um segredo que remonta a milhares de anos, e aos desertos do antigo Egito…
Julho de 2005: durante uma escavação arqueológica nas montanhas ao redor de Carcassonne, Alice Tanner descobre por acaso dois esqueletos. Dentro da tumba escondida onde repousavam os antigos ossos, experimenta uma sensação de malevolência impressionante, e começa a entender que, por mais impossível que pareça, de alguma forma ela é capaz de entender as misteriosas palavras ancestrais gravadas nas pedras. Mas já é tarde demais, Alice percebe que acaba de desencadear uma aterrorizante seqüência de acontecimentos que é incapaz de controlar, e que seu destino está irremediavelmente ligado à sorte dos cátaros, oitocentos anos antes.

Espero que tenham gostado, assim dá para vocês pegarem as dicas como se estivessem pegando os livros emprestados direto da minha prateleira 😉 . Ainda essemês vou mostrar outras. Me fala de você nos comentários, qais desses livros também estão na sua casa? Como você organiza sua prateleira? Boas leituras! beijos

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{euLi} Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

admiravel_mundo_novo_1370482256bSinopse: Ano 634 df (depois de Ford). O Estado científico totalitário zela por todos. Nascidos de proveta, os seres humanos (precondicionados) têm comportamentos (preestabelecidos) e ocupam lugares (predeterminados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime.

Gente que livro! Um livro que te permite discutir muitos assuntos e questionar tantas coisas, vamos falar de algumas delas por aqui. Essa foi a leitura de janeiro do grupo de leitura #NomeProvisório (conheça) e eu amei. A leitura desse mês é Entrevista com o vampiro da Anne Rice, que estou gostando muito e já está aberta a votação para o livro do mês que vem.

Quando comecei a ler esse livro fiquei abismada com o mundo criado nessa distopia, mas depois fiquei ainda mais surpresa com quantas comparações conseguimos fazer com a sociedade atual, Aldous Huxley foi um visionário. Tem vídeo sobre o livro também, basta clicar aqui, ou assistir no final da página.

Um ovo bokanovskizado tem a propriedade de germinar, proliferar, dividir-se: de oito a noventa e seis germes, e cada um destes se tornará um embrião, um adulto completo. Assim se consegue noventa e seis seres humanos em lugar de um só, como no passado. Progresso.

Isso mesmo, várias pessoas iguais! É claro que não foi isso que comparei com hoje, mas chegaremos lá. Para garantir “Comunidade, identidade e estabilidade” nessa sociedade pós guerra seria necessário abrir mão, pelo menos para a massa, da personalidade de cada um. E também uma identificação com o todo, mas não através de formações como família e laços, ninguém é de ninguém e isso é visto por todos como a melhor forma de viver. Palavras como mãe e casamento são verdadeiros tabus. Outra questão é a sociedade dividida em castas, as inferiores são responsáveis pelos serviços mais pesados é claro. E ninguém é insatisfeito? Não porque há um condicionamento desde o berço literalmente, assustador, para que todos aceitem a situação como uma verdade e como motivo de felicidade. E para quando bate aquela dúvida e incerteza estranha, não é necessário ser infeliz, basta tomar sua dose de soma. O soma é uma droga distribuída para todos, que todos usam para se distrair, ficar feliz ou até participar de reuniões que substituíram a religião.

Além dessa influência desde a infância outra coisa que mantém o comportamento das pessoas de casta inferior é a inteligência reduzida geneticamente. A questão de pessoas serem criadas sem inteligência para fazer o trabalho pesado para mim bate certinho com o que vemos hoje com a precarização da educação. Os governantes não se importam que a educação não chegue a todos ou que não chegue de forma adequada porque precisam de pessoas que não tenha informação para contestar o que vivemos e para fazer os trabalhos considerados piores. Isso alimenta o sistema de hoje.

A fuga da realidade para ter felicidade é outro ponto. Ser feliz é o principal? Se não temos questionamentos e momentos melancólicos, como aprendemos? Aprender com os erros é necessário? Ou simplesmente esquecer qualquer situação desagradável e continuar sorrindo mesmo que anestesiando o cérebro para isso vale a pena? A questão da felicidade e do eu é muito debatida no livro.

Outro ponto bem diferente é que apesar de tudo temos alguém que discorda um pouco das coisas, tem sempre alguém com que o efeito não funciona muito bem, mas o diferencial é que o comportamento de Bernard não é o esperado. Fiquei parte do livro esperando que houvesse uma jornada do herói e ele derrubasse o sistema. Mas essa não foi a proposta do autor, e há sim uma forma de escrever um livro top sem isso.

Um dos personagens mais interessantes do livro é o “Selvagem”, há um lugar em que as pessoas vivem de forma “primitiva” ainda e de lá sai um personagem que vai parar na cidade onde a vida já é “civilizada”. No começo ele não me interessou tanto, mas o personagem vai crescendo ao longo da história e os seus questionamentos são os mais interessantes. E ele tem condições de debater de igual para igual com os líderes, e aí vai de religião, a trabalho, felicidade, razão de ser… além de proporcionar um final totalmente inesperado.

Recentemente houve um lançamento de várias distopias desencadeado pela saga Jogos Vorazes, mas se você quer ler alguma realmente diferente, recomendo que volte aos clássicos como esse que foram fonte de inspiração. Eu ainda quero ler Fahrenheit 451 e outras do gênero. Por coincidência ou não, ontem me enviaram a notícia: Governo de Trump traz romances distópicos de volta às listas de mais vendidos. Os americanos estão se vendo com um governante que representa uma ameaça a individualidade, respeito ao próximo e quer fechar os americanos para as culturas diferentes e os imigrantes. Tomara que a leitura os ajude a reverter isso.

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Publicado em Eu li, Projetos de Leitura

{ConhecendoClarice} A cidade sitiada

a-cidade-sitiada-2010Sinopse: Lucrécia Neves vive num subúrbio em crescimento, São Geraldo, na década de 1920. O desejo de ser rica e de sair dos limites da cidade a fazem apostar no casamento com Mateus, que a leva para morar na cidade grande. No entanto, a nostalgia do subúrbio a invade de tal forma que ela retorna a São Geraldo, agora tão diferente daquela em que vivera. Viúva, ela se vê diante da possibilidade de iniciar uma relação amorosa mais verdadeira com o doutor Lucas, fato que não se concretiza. A carta da mãe chamando-a para mudar-se para a fazenda dá-lhe uma nova chance de jogar-se numa aventura amorosa e na busca de si mesma.

Confira o segundo vídeo sobre a biografia: Clarice, de Benjamim Moser.

Sabe aqueles livros que você termina sem ter certeza se gostou ou não, ainda estou nessa reflexão com esse. Não achei fácil de ler o começo, várias vezes precisei voltar e reler e toda vez que interrompia a leitura por um tempo precisava voltar algumas páginas para reler. Mas gostei do esforço.

Lucrécia é muito envolvida com o meio em que vive, o meio molda suas ações até que ela resolve mudar e rompe com aquele lugar e estilo de vida. A cada mudança uma nova Lucrécia em comportamento, sua satisfação ou insatisfação com o lugar que está varia muito também.

Se ao menos a moça estivesse fora de seus muros. Que minucioso trabalho de paciência o de cercá-la. De gastar a vida tentando geometricamente assediá-la com cálculos e engenho para um dia, mesmo decrépita, encontrar a brecha. Mas não havia como sitiá-la. Lucrécia Neves estava dentro da cidade.

Algo muito enfatizado é que Lucrécia é o que vê, dá a impressão de que ela não pensa e não interpreta o que vê, como se tomasse tudo literalmente e em alguns momentos isso é uma escolha. Dessa vez não temos fluxo de consciência como nos outros romances, é tudo narrado em terceira pessoa então passa a impressão de que não sabemos realmente o que ela está pensando. Mas a narrativa continua cheia de analogias, metáforas e poesia.

A moça não tinha imaginação mas uma atenta realidade das coisas que a tornava quase sonâmbula; ela precisava de coisas para que estas existissem.

No começo do livro ela quer progredir, sair do subúrbio ou ser alguém nele pelo menos, e acaba se casando por interesse, depois de cortejar algumas opções de relação amorosa. A relação com Mateus vence o deslumbramento e cai na decepção, incluindo a decepção com a cidade para onde ele a leva (grande, barulhenta, estranha e onde ela continua sendo mais uma na multidão). O mais próximo do amor que Lucrécia chega é com o doutor Lucas, mas ele não corresponde sua afeição e os dois tem uma estranha relação (onde você fica na dúvida em que parte ela está sonhando e o que está realmente acontecendo).

Mas não era nenhuma ingênua sacrificada. Lucrécia Neves desejava ser rica, possuir coisas e subir de ambiente.]

Com Lucas li um perdão bem bonito:

Não sei qual é a minha culpa mas peço perdão. _ A luz do farol revelou-os tão rapidamente que não se puderam ver. _Peço perdão por não ser uma “estrela” ou “o mar” – disse irônico – ou por não ser alguma coisa que se dá, disse corando. Peço perdão por não saber me dar nem a mim mesmo – até agora só me pediram bondade – mas nunca que eu… – para me dar desse modo eu perderia minha vida se fosse preciso – mas peço de novo perdão Lucrécia: não sei perder minha vida.

Como diz a sinopse que conta a história toda, brincadeira, não conta porque nos livros da Clarice o que menos importa são esses fatos (pelo menos nos romances que li até agora). Minha experiência de leitura fica esperando durante o livro que algo grande aconteça, e  no livro isso é muito diluído, talvez por isso não sei dizer se gostei ou não. Depois das desilusões e de perder de vez o marido, para alegria e tristeza, ela é convidada a morar na fazenda da sua irmã pela mãe que já morava lá. Fiquei curiosa de como seria de novo Lucrécia morando com a mãe, no livro não passa a relação delas como sendo sadia, o tempo toda uma disputa por espaço e fuga de Lucrécia para não ser sufocada pela mãe quando moravam juntas.

Para mim o livro faz críticas aos casamentos levianos ou por interesse, Clarice não está totalmente descrente ao amor nesse livro mas aos sonhos embutidos pela sociedade. Ela cria um personagem totalmente diferente de si, uma mulher que não pensa, Benjamim Moser vai dizer que Lucrécia é um alter ego dela.

O nome Lucrécia esconde o nome da própria Clarice, e diferentemente de tantas personagens de Clarice, que são extensões ou enunciações dela mesma, Lucrécia é um verdadeiro alter ego, uma pessoa que pensa o mínimo possível e analisa menos ainda. Ao contrário da essencial e dolorosamente viva Clarice, Lucrécia atinge o ápice em matéria de mudez e ausência de reflexão. (Clarice, – Benjamim Moser – pg 304)

E relacionando com a vida da própria Clarice, como ele vai fazendo ao longo da biografia, mostrando como a dificuldade entre por na balança seu próprio casamento e a vontade de ser livre para voltar ao Brasil, ele diz que ela gostaria de ser como Lucrécia.

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Clarice, – Benjamin Moser (pocket)

Posts relacionados: Perto do Coração Selvagem, O lustre, Clarice, Maratona Clarice, Laços de família.

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A Bela e a Fera
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