Publicado em Eu li, Projetos de Leitura

{Projeto Uns e Outros} Marriage à la mode + A rainha das fadas

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Oi pessoal! Esse é o meu primeiro post do projeto Uns e Outros (saiba mais aqui, não deixe de participar do sorteio) e vou começar pelo par de contos Marriage à la mode  de Katherine Mansfield e seu conto espelhado escrito por Ivana Arruda Leite que ela chamou de A rainha das fadas. E já aviso que gostei muito dessa dupla de contos, principalmente pelo complemento que a Ivana fez mostrando um contraponto do primeiro.

Em Marriage à la mode conhecemos a história de William, um pai que quer levar algum mimo para os filhos e logo nos apiedamos dele. Ele é casado com Isabel que depois de conhecer alguns artistas (acredito que o conto se passe nos anos 20) se deslumbra por uma vida glamourosa e divertida que eles não tinham, sempre enchendo a casa com esses amigos que o marido não aprecia muito e que acabam gastando muito dinheiro com bebidas e outras coisas finas (dinheiro dele). Ele que passa muito tempo trabalhando em Londres, chega sempre cansado e tem que aturar as festas e mal reconhece a esposa. Ele reclama ao mesmo tempo com muito amor e carinho, então é fácil ficar do lado dele de início.

Até que lemos um outro ponto de vista em A rainha das fadas, da Ivana Arruda, em que ela nos chama a real sobre o machismo presente nesse contexto e utiliza os mesmos personagens. Pode uma mulher se divertir? Ter amigos? Ter interesses diferentes do marido? Isabel vivia no contexto comum para a época e infelizmente ainda para muitas mulheres que dependem de alguma forma do marido: fechada em casa,  tendo como única obrigação manter a casa e cuidar dos filhos. Mas ela não se sentia satisfeita com isso e o marido nunca imaginou que sua mulher poderia querer algo mais do que isso. Porque para ele a felicidade era ela ficar esperando com tudo arrumado e junto com as crianças.

E o conto de Ivana não é narrado pelo ponto de vista de Isabel, mas sim pela sua amiga, que a “influencia” mais, também percebemos que ela tem suas próprias opiniões e intensões para com o casal. E que Isabel não é tão manipulável assim, gostaria de um conto também sob o olhar dela. Ivana ampliou os olhares sobre essa cena familiar e me deu muito o que pensar. Fiquei entre a futilidade de Isabel e o machismo do marido. Nada tem só um lado. Amei!

Esses dois contos você encontra no livro Uns e Outros da TAG. Um clube de assinatura de livros que envia mensalmente um kit contendo um livro surpresa, uma revista com conteúdo sobre a obra do mês e um mimo relacionado. A escolha do título fica sempre por conta de um curador do meio literário e no mês de julho eles fizeram um livro inédito de contos de autores renomados junto com releituras de autores da língua portuguesa. (Saiba mais e participe do sorteio!)

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Katherine Mansfield: Neolandesa radicada na Inglaterra, escreveu oitenta e oito contos, gênero ao qual se dedicou com exclusividade. Sua obra está reunida em algumas coletâneas como Felicidade, Aula de canto e Je ne parle pas français. (Fonte: Uns e Outros)

 

 

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Ivana Arruda Leite: Nasceu em 1951, em Araçatuba (SP). É mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Publicou três livros de contos: Histórias da mulher do fim do século, Falo de mulher e Ao homem que não me quis (reunidos na antologia contos Reunidos). Seu mais recente livro de contos é Cachorros (2014). (Fonte: Uns e Outros)

Confira também os blogs que também estão nesse projeto de leitura: Ponto para LerLeitora Sempre e Jeniffer Geraldine.

 

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Vocação para o mal – Robert Galbreith

VOCACAO_PARA_O_MAL_1459883276576254SK1459883276BSinopse: Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade. Depois de O chamado do Cuco (resenha) e O bicho-da-seda (resenha), o terceiro romance da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling,  estreou em segundo lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times. Com o título e os nomes dos capítulos retirados de músicas da banda Blue Öyster Cult, cujas letras são baseadas na literatura de horror e tratam de temas como maldições e ocultismo, Vocação para o mal tem um clima sombrio, que mistura pedofilia, assassinatos em série e Transtorno de Identidade da Integridade Corporal (TIIC), distúrbio psicológico raro que faz uma pessoa querer amputar seus membros saudáveis. Será que a dupla de investigadores consegue identificar seu perseguidor e sair ilesa?

Essa leitura foi um pouco mais difícil nesse #SetembroPolicial depois de ter lido dois livros seguidos com narrativas muito ágeis. Os livros de “Galbreith” são livros com uma trama mais lenta, em que sentimos a passagem de tempo com mais calma, uma investigação que dura meses. Então não temos cenas de ação de tirar o fôlego o tempo todo, temos alguns “quases” ao longo do livro, já que nosso assassino decide caçar Robin, mas os grandes confrontos ficam para o final da história.

Já a história é excelente, vale a pena essa leitura mais tranquila porém não sem peso e sem choque. Um livro recheado de detalhes em que você se acostuma com o ritmo e a ficar raciocinando junto com os personagens. Temos 4 suspeitos e ficamos até o final com dúvida sobre pelo menos 3, e olha que há capítulos que acompanham o serial killer, mas mesmo assim a dúvida é grande. Porque são 3 personagens perversos, com histórias brutais, todas muito ligadas a história do Strike, para mim todos os 3 eram possíveis, variando conforme a leitura, mas sem descartar ninguém. O final para mim foi uma surpresa.

Nesse livro nos aprofundamos mais nos sentimentos de Cormoran e Robin, o passado dos dois guardava vários segredos que eles acabam revelando um para o outro. Quem acompanha a série sabe que eles ora estão próximos ora mais reservados, Strike, principalmente, não quer que Robin saiba de todos os seus demônios. E também quer manter uma amizade controlada, algo que não passe do limite, mas ao mesmo tempo eles passam por muitas coisas juntos então isso fica complicado.

O noivo de Robin também não ajuda, muitas vezes é um cretino, o que faz ela reconsiderar a relação. Eu shipo Robin e Strike, mas acho que como a autora já previu uma série longa isso vai demorar a acontecer. Me lembra muito o casal da série policial de tv Bones, que fiquei bastante tempo vendo eles se relacionarem com outras pessoas, brigarem e sentirem ciúmes, até ficarem juntos. Se Robin e Strike forem ficar juntos em algum momento, percebemos nesse livro que vai demorar bastante. Faz sentido, não é uma história de amor, e poderia até não haver envolvimento, mas a própria autora sugere isso em alguns momentinhos.

O mais importante no momento é resolver as funções de Robin, ela vem deixando de ser a secretaria, e quer muito isso. Ela quer ser a parceira, uma investigadora em pé de igualdade com o chefe. Os acontecimentos e a ameaça a ela podem jogar um balde de água fria nisso, pela necessidade natural de que ela seja protegida. Mas nesse livro temos uma Robin cada vez mais corajosa, desafiadora e que vem estudando para conquistar seu sonho e ser valorizada. Amei isso. Ela não é um acessório, não quer só ficar no escritório, e toma sim a rédia da situação em muitos momentos no livro. Já estou curiosa com o quarto!

E esse transtorno que faz a pessoa querer amputar partes do corpo? Muito louco isso! Nem vou contar como se encaixa na trama para não quebrar o suspense.

>> A resenha em vídeo sai semana que vem, acabei a leitura domingo, então não tive tempo. Deve sair junto com minha última leitura do mês policial que foi Bufo e Spallanzani do Rubem Fonseca.

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Feliz aniversário Stephen King!

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Stephen King – Ilustração de  Roberto Parada

Stephen King hoje está comemorando 70 anos e já escreveu mais de 70 livros! Eu já li alguns livros do autor e só me surpreendo com a qualidade do que leio. Então hoje vou relembrar os que li e recomendo nesse post 😉

LIDOS DO KING:

sobaredomalivro“Sob a redoma é um livro impactante e surpreendente, apesar da redoma cair sob a cidade de Chester’s Mill logo no começo do livro, Stephen King consegue manter o suspense e o interesse na leitura do começo ao fim (e olha que o livro é beeeem grande). Aos poucos o mistério de como e porque foi criada a redoma para mim deixou de ser tão importante e sim a torcida para que os personagens do bem se salvassem”. (Confira a resenha).

 

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“O livro traz uma abordagem clássica do personagem que vai ao passado com o intuito de mudá-lo, mesmo sabendo que as consequências podem não ser boas. Como somos advertidos a todo momento no livro o passado não que se mudado. A vida é cheia de possibilidades, podemos tomar muitas medidas e fazer escolhas diferentes, e ainda assim tudo é muito complicado. Como ficaria a nossa cabeça se além das decisões para o futuro, tivéssemos o poder de alterar o que já aconteceu? E assim mudar o curso da história mundial?” (Confira a resenha).

 

E não deixe de participar dos nossos sorteios do #SetembroPolicial!

 

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Achados e Perdidos + Último Turno – Stephen King #SetembroPolicial

ACHADOS_E_PERDIDOS_1463492037584509SK1463492037BFoi com muita satisfação que terminei de ler essa trilogia do Stephen King, ainda não li nada do autor que me fizesse esperar por menos, mas ele me fez ter um carinho especial por esses personagens. Estou com saudades! E vendo a série pra matar um pouco dela <3. Já falei aqui sobre o primeiro livro, o Mr. Mercedes, então se você ainda não leu, fique a vontade para ir lá conferir a resenha (clique aqui).

A série acompanha a luta entre o assassino do Mercedes (Brady) e o detetive Bill Hodges (acompanhado de sua “equipe”), mas no segundo livro, Achados e Perdidos, há uma pequena pausa, para acompanharmos os problemas de outras pessoas. Conhecemos a história de Peter, cujo pai foi debilitado pelo ocorrido no primeiro livro no fatídico dia da feira de empregos. Peter e sua família ficaram dependentes do dinheiro de um auxílio que devido a crise vai minguando, muito preocupado, esse menino de excelente coração encontra uma solução que o coloca em perigo. Ele acha um tesouro enterrado por um assassino, muito dinheiro e manuscritos valiosos de um escritor famoso.

O assassino é um louco obcecado por seu autor e personagem favorito, que fica raivoso pelo final que esse personagem tem. Isso te lembra alguém? (Para fãs de King lembra). O autor gosta de retomar alguns temas em suas obras mas sempre faz isso de forma magistral, nada repetitivo. Dessa vez o autor recluso realmente é assassinado, mas o fã louco não tem tempo de aproveitar o dinheiro e os manuscritos que acha, ele é preso por outros motivos. Passam 35 anos e estamos na história principal, ele sai da cadeia e vai atrás do seu tesouro.

Esse livro é de luta contra o tempo, o assassino vai encontrar Peter? Quem vai ajudá-lo? É certo o que ele está fazendo, usando um dinheiro que não lhe pertence para ajudar a família? E o que fazer com os manuscritos que ele também passa a se afeiçoar? Você vai ter que ler pra descobrir.

E onde entra Bill Hodges nisso tudo? Isso eu posso falar, há várias conexões na série e ele acaba atendendo a um pedido de ajuda já que agora tem seu escritório de investigação particular: Achados e Perdidos. Junto com Holly, que é uma das minhas personagens favoritas também, com todas as suas questões próprias, a dificuldade de se relacionar, e o talento para enxergar os problemas a sua volta, eles vão acabar tentando ajudar Peter. Ela é peça chave nesse livro e na continuação. É claro que Jerome acaba participando também, mostrando que o trio é a melhor equipe.

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Pista gincana: Lucas precisava de sinal de celular para postar uma foto no Instagram.

Já o Último Turno é um livro que te deixa louco até a última página, ainda mais que você sabe que vai acabar, você precisa saber como vai acabar, é um desespero, porque tem horas que parece que não tem como ter solução para o problema. Mas calma!

Na história temos Brady de novo, tudo gira em torno desse maluco e em torno do tema do suicídio. Tem até um alerta fofo do King no final para as pessoas procurarem ajuda quando estiverem achando a vida horrível, até dentro da história tem. Não custa nada lembrar as pessoas que elas podem pedir ajuda. Amei isso, o tema permeia toda a série, e se intensifica nesse de forma responsável.

Não tem como não contar um pouco de spoiler se você não leu os livros anteriores e não sabe o que aconteceu com os personagens! Até nas propagandas do livro tem, na sinopse…

Quando Holly acertou Brady e evitou uma desgraça, ele ficou nocauteado por um tempo, mas ele acorda e acorda pior ainda. Continua sem poder se mexer, mas dessa vez consegue utilizar um lado da mente que não temos acesso, ele passa a conseguir utilizar sua mente doentia para mover coisas e até influenciar outras pessoas. E para que ele quer fazer isso? Além de se vingar de Hodges, para terminar de matar as pessoas que sobreviveram a seus ataques anteriores…. TENSO! Muito TENSO! E tudo isso é feito de forma bem explicadinha, para você embarcar nessa viagem e ficar com medo pelos seus personagens queridos.

Os 3 livros são conectados, os personagens possuem ligações com tudo que desencadeou a primeira história. Assim, revemos personagens que já apareceram e fazemos conexões com novos mas que na verdade já estavam ali em algum lugar. Tudo de forma criativa, emocionante, impactante, sufocante e real. Leia!

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