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{euLi} O alforje – Bahiyyih Nakhjavani

28879071_1880682825339029_463911384_oSinopse: Ao contrário do que se diz, o deserto é um território fértil. Ao menos para Bahiyyih Nakhjavani, que, a partir de uma trama complexa, faz convergir nas areias árabes um grupo de personagens que têm suas trajetórias costuradas por um misterioso alforje. Uma noiva que viaja para encontrar o futuro marido, um sacerdote em peregrinação, um beduíno de alma livre e uma escrava falacha são alguns dos retratos que a autora pinta com maestria e profundidade. Ainda que tenham origens, crenças e desejos muito diferentes, todos os viajantes terão a vida transformada pelas escrituras sagradas.

Sabe aquele livro que enche os olhos?  É esse, a tag acertou em cheio o coração de quem gosta de edições bonitas, toda trabalhadas e diferentes. Eu amei! E de vez em quando meus olhinhos são atraídos para esse livro na estante, e me deixa feliz olhar para ele. E não só pela beleza, eu fico feliz porque foi um livro que eu gostei muito de ler, sem queixas sem porém, amei.

O livro se passa a maior parte no deserto, uma caravana está indo para Meca e Medina e nesse grupo se encontram personagens de diferentes religiões, ideais, propósitos e moral. Em cada capítulo o narrador conta a história de um dos personagens, sua origem e o ponto de vista dele da situação principal. Temos um ladrão, uma noiva, uma escrava, o líder dos bandoleiros, um sacerdote, um cadáver, um cambista, um velho e um dervixe.  E o mais importante é que por mais que não concordemos com as atitudes de cada um, eles são personagens riquíssimos, profundos, em alguns trechos você fica totalmente tomado pela história, e ao ver o cenário de cada um a gente acaba relativizando um pouco sobre eles.

Li alguns comentários de que o livro é repetitivo, e discordo completamente, porque cada vez que a história se repete no capítulo é em um ângulo novo, com informações que não saberíamos se estivéssemos acompanhando outro personagem. Tudo vai ganhando novos contornos e explicações que se complementam, ou sentidos até bem contrastantes.

E o alforje? O alforje é um tipo de bolsa que vai transitar entre esses personagens, primeiro ele é roubado e depois vai mudando de mãos. O mais interessante é que o que ele traz dentro é interpretado de forma diferente por cada um e influencia nas suas decisões. A noiva por exemplo é tomada de uma forma que interfere em toda a caravana, ela é uma virgem indo para seu casamento, mas uma personagem que acredita-se ter visões premonitórias e ver anjos. E o conteúdo vai faze-la esperar algo divino e querer se purificar com mil banhos. Já outros podem querer o conteúdo por dinheiro, ou para se livrar dele. Ou nem querem mas lá aparece o alforje.

Tem passagens que são bem pesadas como a da escrava, a objetificação de alguém é bem triste e seu destino bem dolorido. O cambista também passou por muito nessa vida, acabou se transformando em um homem que quer sempre se dar bem em cima de qualquer um, mas seu fim é chocante. O capítulo do líder mostra o que um homem faz para manter seu domínio sobre os outros, e como seus princípios (mesmo que os torpes) regem sua vida.  Aos poucos as histórias vão se complementando e esses personagens diferentes acabam se encontrando e fazendo parte da história um do outro. Leiam!

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{euLi} Como dizer adeus em robô – Natalie Standford

COMO_DIZER_ADEUS_EM_ROBO_1367980252BSinopse: Com um toque melancólico, o livro conta a singular ligação entre Bea e Jonah. Eles ajudam um ao outro. E magoam um ao outro. Se rejeitam e se aproximam. Não é romance, exatamente mas é definitivamente amor. E significa mais para eles do que qualquer um dos dois consegue compreender… Uma amizade que vem de conversas comprometidas com a verdade, segredos partilhados, jogadas ousadas e telefonemas furtivos para o mesmo programa noturno de rádio, fértil em teorias de conspiração. Para todos que algum dia entraram no maravilhoso, traiçoeiro, ardente e significativo mundo de uma amizade verdadeira, do amor visceral, Como dizer adeus em robô vai ressoar profunda e duradouramente.

Olha a sinopse aí, promete mais que o livro cumpre infelizmente. Não foi uma leitura que fez muita diferença para mim, não chega a ser um livro ruim, mas não tem nada demais. Ele conta a história de dois jovens um pouco deslocados e com relacionamentos complicados com suas famílias. A narradora é Beatrice, a garota robô, mas que rouba mais a cena é Jonah. Tudo começa com Bea indo morar novamente em uma nova cidade, e sem grandes expectativas, ela também tenta lidar com o comportamento excêntrico da mãe (uma sensibilidade exagerada que pode mascarar algo que ela não sabe).

Na nova escola ela até faz alguns colegas, mas quem se torna realmente amigo é Jonah, um menino que perdeu a mãe e o irmão em um acidente e hoje mora sozinho com o pai. O drama mais interessante é o vivido por ele, não posso contar sem dar spoiler, mas achei mal resolvido, muito baseado em planos que nunca poderiam se concretizar. E o final acabou ficando meio capenga para mim.

O que é diferente no livro são os personagens, que infelizmente ficamos conhecendo pouco, que conversam através do rádio. Logo no começo da amizade, Jonah convida Bea para escutar um programa (ela já gostava bastante dessas coisas). O programa reuni pessoas bem diferentes que ligam e ficam trocando ideias bem loucas. O livro tem muitos diálogos, boa parte do texto, é uma leitura bem rápida.

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De volta no canal! Livros lidos no 2º trimestre ;)

Quem acompanha o Eu li ou vou ler deve ter notado minha ausência, mas tive grandes motivos para isso 😉 E no vídeo de hoje eu falo deles e das leituras que foram feitas em abril, maio e junho (bora recapitular!).