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{News} Eu li notícias literárias da semana

Na Bienal do Livro, Míriam e Matheus Leitão discutem busca por delator da ditadura militar
Mãe e filho conversaram no auditório do espaço Cubovoxes nesta terça-feira. Fonte: O Globo. Continue lendo

17 canecas para quem ama livros
Essa é para os apaixonados por livros e por canecas. Fizemos um TOP só com canecas legais e criativas. Fonte: Literaturapolicial.com Veja

Filme mostra vida pessoal de Malala, ganhadora do Prêmio Nobel
Ganhadora do Prêmio Nobel tem nome em homenagem mártir. Documentário mostra raízes familiares e bastidores de sua militância. Fonte: G1. Continue lendo

Editor espanhol afirma que lançamento de “The Winds of Winter” está previsto para 2016

Na manhã de hoje, em uma entrevista ao programa EL MON A RAC1 da rádio catalã RAC1, o editor da Ediciones Gigamesh (que possui os direitos de publicação das Crônicas de Gelo e Fogo na Espanha), Alejo Cuervo, falou sobre as filmagens de Game of Thrones em Girona e outras localidades, e ainda deu uma previsão de quando pode ser lançado o aguardado sexto volume da saga, The Winds of Winter (Os Ventos do Inverno). Fonte: GOTBR. Continue lendo

Biblioteca transforma sótão no Beco Diagonal, do universo de Harry Potter
O Centro Nacional de Livros Infantis Seven Stories, no Reino Unido – uma espécie de museu e biblioteca para livros infanto-juvenis britânicos – reabriu no final do mês de julho e traz uma novidade que vai levar os fãs de Harry Potter à loucura: uma das áreas para leitura de livros, localizada no sótão, foi transformada no Beco Diagonal! Fonte: Adoro Cinema. Continue lendo

Com ‘Te Vendo Um Cachorro’, Juan Pablo Villalobos completa trilogia em que ironiza os problemas do país
Humor corrosivo dá o tom do novo livro do mexicano. Fonte: Estadão. Continue lendo

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{tag} No país das maravilhas

alice_pais_maravilhas-disneyOlá, para comemorar o aniversário, de 150 anos, do livro Alice no país das maravilhas, do Lewis Carroll, resolvi responder a tag No país das maravilhas!A regra é simples encontrar um livro de acordo com cada personagem da lista. A tag foi criada pelo canal Menino dos Livros. Eu respondi em vídeo e em texto, pode escolher o que você preferir! Não deixe de comentar

alice caindo 21 Alice: um livro que te fez cair em um mundo completamente diferente

Harry Potter e a Pedra Filosofal, da J.K. Rowling. Fácil a resposta, porque é um dos meus livros favoritos até hoje. Esse livro que li bem novinha me fez literalmente cair num mundo novo, o bruxo, e me encantar totalmente. É um livro muito bem escrito, com muitas criaturas, poções, novos esportes, lugares incríveis, costumes, tudo muito diferente do real. Mas ao mesmo tempo o leitor se reconhece nos momentos de amizade e amor, que apesar de toda aventura e desafios que acontecem na história, para mim são os temas chaves. O amor é a maior magia que há e isso fica muito claro. Acredito que todo mundo conheça  história, então não vou ficar repetindo. Quem não leu tem que ler. Todos os livros viraram filmes e apesar de algumas escorregadas são boas adaptações. Qual livro fez você cair em outro mundo?

chapeleiro2. Chapeleiro Maluco: um livro com um protagonista louco

Uma estranha simetria da Audrey Niffenegger. O termo louco é complicado, porque todo mundo tem sua loucura interior, problemas que para os outros possam parecer maluquice. Mas escolhi esse livro porque nele tem alguns personagens que não conseguem viver da forma mais saudável possível por alguns problemas. É difícil escolher quem são os personagens principais desse livro, porque todos são importantes. Temos gêmeas que tem uma dificuldade de viver cada uma a sua vida e isso da muita confusão. Suas mães também eram assim então segredos de família aos poucos são revelados.Temos uma fantasma que deixa a dúvida se é real ou imaginação, mas que também não aceita sua condição. Temos relacionamentos difíceis. E temos um personagem com um TOC muito grande, que foi o que eu mais gostei na história toda. Que é o Martin. E ele para mim é o personagem mais interessante e bem colocado (comentário sobre o livro).

white-rabbit-with-watch-53. Coelho branco: um livro que atrasou sua leitura; 

Isso de atrasar a leitura é um termo complicado, porque ler não é perda de tempo nunca. Mas o Queda de Gigantes eu demorei um pouco mais a ler, amei o livro, mas tinha algumas passagens da guerra um pouco arrastadas, mas que não me impediram de gostar. Ele fala da primeira guerra mundial, desde os primórdios do conflito, o que levou a ele e também das transformações que ocorreram durante a guerra. Mostrando o conflito por várias frentes, com personagens de diferentes países, você nem tem como torcer para país nenhum porque todos os personagens estão em perigo e todos  os países tem sua parcela de culpa. E também das mudanças sociais geradas por conta da I Guerra Mundial (resenha).

cheshire24. Gato risonho: um protagonista que te fez rir muito

Pensei de cara no Gus de A culpa é das estrelas do John Green, porque ele é um personagem leve que apesar de ter um grande problema de saúde raramente perde o bom humor. Ele é ao mesmo tempo fofo e engraçado. Tanto vendo o filme quanto lendo o livro não tem como não achar graça das tiradas dele (resenha).

lagarta azul5. Lagarta Azul: um livro que fez você refletir;

 A resposta certa seria todos os livros que eu considero meus favoritos, porque eu gosto de livro que me faz pensar, e não os que você fecha e acabou. Americanah conta a história de um Nigeriana que vai morar nos Estados Unidos e ela passa inúmeros perrengues. Ele foi escrito pela também nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. O livro fala muito sobre o choque cultural e o preconceito contra as pessoas negras e as mulheres. A autora é brilhante, a personagem tem um blog em que ela faz avaliações das situações que vive de maneira sarcástica, inteligente e afiada. Se você não sabe o que argumentar com uma pessoa preconceituosa aí está mais um motivo para ler o livro. todos deveriam ler nesse momento surto de preconceito que estamos vivendo aqui. Não é porque a história se passa na Nigéria e nos EUA que não dá para fazer muitos paralelos com o Brasil, infelizmente, estamos vivendo um preconceito assustador contra negros e homossexuais (resenha). A autora além de ser uma grande escritora, é ativista e feminista.

Tweedledee e Tweedledum6. Tweedledee e Tweedledum: Dois livros parecido

As brumas de Avalon da Marion Zimmer e A senhora das águas da Philippa Gregory. Essa tag foi difícil, é fácil pensar em livros que são dos mesmo autor como os do Zafón e do Da Brown que tem muitas semelhanças entre si. Ou em Jogos Vorazes e Divergente que vi que teve blogueiro que escolheu, apesar de Jogos ser muito melhor. Mas eu queria escolher um livro diferente, então escolhi esses porque neles temos a história de reis e rainhas, as tramoias políticas, nos dois a atitude e importância das mulheres é valorizada no enredo. E também tem um lado místico na história, nas Brumas tem mais por ter Avalon com as sacerdotizas, a Morgana (fala da história do Rei Arthur), e no A Senhora das Águas temos uma família que é considerada descendente de Melusina, um ser como uma sereia, mas que tem vários amuletos, simpatias e até mesmo bruxarias, pode se dizer assim, e são envolvidas e influenciam na política e na vida da corte inglesa (o enredo é a história dos Plantagenetas – resenha).

rainha7. Rainha de copas: Um autor que mata varios personagens.

Acho que ninguém ganha do George R.R. Martin, impossível escolher outro autor do que o de As crônicas de gelo e fogo. É um livro que se passa em outro mundo e em que as Casas (clãs/famílias) estão em guerra, então muita gente morre, mas esse autor é ímpar porque personagens heróicos, importantes, e que normalmente não morrem nos livros vão morrendo. Até chegar um ponto em que você não faz ideia do que pode acontecer. Porque o autor ainda não terminou de escrever.E ainda tem a série da HBO também, Guerra dos tronos, que está adiantada em relação ao livro, dando spoilers e matando mais gente.

Espero que tenham gostado da tag! Quem quiser responder fique a vontade!

beijos

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{eu li} Wild Cards – Ases nas alturas – livro 2

Resenha! Estou há algum tempo sem publicar nenhuma resenha, mas hoje consegui! Trabalhei tanto semana passada que estava sem forças para escrever, só tive tempo de falar do concurso. Então, vamos lá! Levei algum tempo para ler o segundo volume de Wild Cards, mais do que o normal, o livro começa num ritmo muito intenso e depois diminui um pouco, foi quando enrolei um pouco para terminar de ler, mas me esforcei e valeu a pena, porque depois de algumas páginas o ritmo acelerado de acontecimentos volta e então eu não consegui mais para de ler! Haha! O final do livro é muito bom! Quem ainda não ouviu falar da história, melhor ler o post que fiz sobre o livro 1. Vamos de sinopse…

downloadDepois do vírus alienígena, um ataque vindo do espaço
Estamos no início dos anos 1980, há mais de trinta anos a humanidade convive com os atingidos pelo xenovírus Takis-A, mas a integração ainda caminha a passos lentos. Os abençoados pelo vírus, os ases, combatem os perigos da Nova York que nunca dorme. Os amaldiçoados, com suas deformidades causadas pelo vírus, lutam pela sobrevivência no Bairro dos Curingas. E, no céu, uma ameaça espreita a humanidade, aguardando a oportunidade certa para lançar seu ataque. Um ser extraterreno chamado o Enxame ruma para a Terra, ao mesmo tempo em que alguns ases planejam uma conspiração para controlar o mundo. Entre jogos de aparências, teletransportes e irmandades envoltas em mistério, forças de ases e “limpos”, seres humanos não infectados pelo vírus, se unem para combater o monstro alienígena e a terrível Ordem que se esconde no Mosteiro de Nova York. Este segundo volume da série Wild Cards conta com a participação de novos gênios da fantasia e do próprio organizador, George R. R. Martin, autor do best-seller Crônicas de Gelo e Fogo. As cartas da humanidade estão na mesa!

 

Esse livro é surpreendente, ainda mais se você parar para pensar que não foi escrito por uma pessoa só. Como já expliquei quando falei do primeiro livro, existe uma divisão por personagens, alguns autores cuidam mais de um grupo outros de outros. É claro que quando vejo o nome do George no livro fico toda animada né, mas as páginas finais não foram escritas por ele (John J Miller) e ainda sim foram emocionantes. Os autores presentes no livro são: Lewis Shiner, Walter Jon Williams, Roger Zelazny, Melinda M. Snodgrass, Walton Simons, Victor Milán, Pat Cadigan e John J. Miller

O livro começa com um ataque alienígena, daqueles que você acha que a Terra não vai ter a menor chance. O Enxame é uma força inteligente, capaz de criar aliens dos mais variados ligados psiquicamente a mãe. TIAMAT.

“Entre as raças da Rede, ela era o inimigo com uma centena de nomes: semente do demônio, grande câncer, mãe infernal, devoradora de mundos, mães dos pesadelos. Nas mentes vastas das rainhas-deusas kondikki, seu nome era um símbolo que significava , pavor.”

No livro aparecem alguns personagens novos, mas também tem o retorno de Dr. Tachyon, Tartaruga, Croyd, Juba, Fortunato e outros. Que se juntam para combater o monstro e entender melhor o que está acontecendo, quem quer que o ataque aconteça, quem é aliado e quem são os verdadeiros inimigos. O que mais gosto na história é que apesar dos poderes e do lado ficção cientifica, os personagens são extremamente reais, não são aqueles heróis que porque ganham poderes resolver por uma roupa colorida e ir salvar a humanidade. Alguns só se metem em encrenca e são quase arrastados para abriga porque nem eles mesmos acreditam que a salvação é possível. São tantos traumas e perdas, tanta coisa que o vírus tirou de suas vidas. E também há uma crítica constante a como a humanidade reagiria ao vírus e ao ataque alienígena. A segregação dos curingas ainda presente depois de 30 anos, do começo da história, é muito forte e crível.

“Porém, era dezembro, e aquilo havia acontecido em março, e a vida era muito mais resiliente do que podia reconhecer. Como pombos-passageiros, os brotos ameaçaram escurecer o sol, e como os pombos-passageiros, desapareceram quase que imediatamente. Após aquele momento inesquecível, mesmo a guerra dos mundos havia se transformado em apenas outra tarefa. Era mais pesquisa do que combate, como matar baratas especialmente grandes e feias. Garras, pinças e unhas venenosas eram inúteis contra sua armadura; o ácido secretado pelos voadores ferraram bem suas lentes, mas aquilo era mais um incômodo do que um perigo. Ele se pegou tentando pensar em maneiras novas e imaginativas de matar aquelas coisas para aliviar o tédio. Voava com eles até bem alto no céu, cortava-os ao meio, agarrava-os em punhos invisíveis e os esmagava como guacamole. Dia após dia, de novo e novamente, sem fim, até pararem de chegar.

E, depois disso, de volta para casa, ficou surpreso com a rapidez na qual a Guerra do Enxame desapareceu das manchetes, e como a vida voltou tão facilmente ao curso normal. No Peru, em Chade e nas montanhas do Tibete, as principais infestações alienígenas continuavam sua devastação, e remanescentes menores ainda causavam problemas aos turcos e nigerianos, mas os enxames do Terceiro Mundo eram apenas conteúdo da página quatro na maioria dos jornais norte-americanos. Enquanto isso, a vida continuava. As pessoas faziam pagamentos de hipoteca e trabalhavam; aqueles cujas casas e trabalhos haviam sido destruídos, preenchiam devidamente os pedidos de pagamento de seguro e se inscreviam no seguro-desemprego. As pessoas reclamavam do tempo, contavam piadas, iam ao cinema, brigavam sobre os esportes”.

Para relembrar:

“George Martin criou pessoalmente este cenário para jogar RPG com amigos, também escritores de fantasia. No começo, a aventura servia apenas para a diversão do grupo. Mas foi virando uma obsessão e, quando viram, estavam todos abrindo mão de suas vidas e deixando de trabalhar e pagar suas contas. Foi aí que chegaram a um consenso: abandonavam aquele mundo ou o transformavam em uma forma de ganhar a vida. E hoje sabemos qual foi a opção escolhida. Além disso, cansado de heróis dos quadrinhos americanos, os criadores decidiram que o mundo de Wild Cards estaria em permanente evolução. Assim, acompanhamos personagens salvando o mundo, se apaixonando, tendo filhos, morrendo e permanecendo mortos. E por trás das metáforas e alegorias da ficção, os escritores fazem críticas diretas à política americana da época, envolvendo questões ligadas aos conflitos armados e a herança da geração pós-guerra.

A série Wild Cards é composta por 22 livros escritos. O primeiro foi publicado em 1987 e o último está sendo finalizado atualmente. A coleção conta uma história alternativa da Terra. Em 1946, um vírus alien que reescreve o DNA humano é acidentalmente lançado aos céus de Nova Iorque, matando 90% dos que têm contato com ele. Entretanto, 9% sofrem mutações que os transformam em criaturas deformadas (conhecidos como Coringas) e o 1% restante (conhecidos como Ases) obtém super poderes. Uma parcela dos Ases é chamada de Dois, são os que adquiriram super poderes ridículos ou insignificantes. O vírus transportado pelo ar por fim se espalha sobre todo mundo, infectando dezenas de milhares de pessoas. Fazem parte da série contos e romances-mosaico que compartilham um mesmo universo ficcional. Criada por um grupo de escritores americanos, foi reunida e editada pelo autor best-seller George R.R. Martin”. Para saber mais.

Continuação

Lançamento previsto para maio/2014:

apostas mortais wild 3

Publicado em Eu li..., Tem filme!

Wild Cards – O começo de tudo

imagesO que aconteceria com o mundo se um alienígena viesse para a terra? E se um vírus for disseminado? E se pessoas virarem heróis e outras monstros? A temática não é original e essas respostas já foram imaginadas por roteiristas e escritores de HQ, mas a maestria com que George Martin e seus amigos escreveram essa história faz tudo isso parecer bem real e adulto. A história que surgiu como RPG nos anos 1980, começa quando um alienígena parecido com um humano fantasiado de rei sol chega a terra tentando prevenir a todos de um desastre terrível. Mas o desastre acontece, os humanos são atingidos por um vírus, chamado Wild Cards (carta selvagem), que cai em Nova York e se espalha pelo mundo, matando muita gente, transformando outros em aberrações, os curingas, e dando a outros poderes especiais, os Às. Poderes que podem ser uma benção ou maldição tanto para um grupo quanto para o outro. Pessoas super poderosas mas reais e com problemas reais que tentam sobreviver sem essa de capa e máscara e com o governo no pé para usufruir delas. Com essas mudanças os autores aproveitam para discutir segregação social, política e poder no pós guerra de uma forma inesperada. A segregação é o tema mais surpreendente, enquanto em histórias de heróis os monstros são os vilões e aceitamos isso de forma natural, Wild Cards nos faz revermos nossos conceitos. O que aconteceria se os monstros fossem pessoas normais que tentam continuar vivendo a sua vida e sofrem preconceito, perdem o emprego e são banidas da sociedade “normal”. Não é difícil de imaginar isso acontecendo de verdade não é? Além disso, o livro tem personagens muito interessantes pro bem e pro mal, histórias brutais, sensíveis, perturbadoras, engraçadas, divertidas e heroicas.  A série tem 22 livros e continua sendo escrita, são muitos os grupos de personagens e só me resta torcer para que todos sejam lançados no Brasil. Além de escrever sobre alguns personagens, George é o editor responsável de juntar as peças do quebra cabeça feito por vários autores. Só no primeiro livro são 14: Herbert L. Cranston Howard Waldrop, Walter Jon Willians, Melinda M. Snodgrass, Michael Cassutt, David D. Levine, Lewis Shiner, Victor Milán, Edward Bryant, Leanne C. Harper, Stephen Leigh, Carrie Vaughn, John J. Miller e o próprio George.

George Martin deu uma entrevista para a folha e explicou algumas coisas (não considero spoiler, eu mesma li a entrevista antes de ler o livro e não vi problema):

Acontece de um autor escrever para “Wild Cards” algo que o Sr. acha que não vai caber na história como um todo e isso ser vetado? Como é escrever em equipe para um autor tão acostumado a escrever sozinho [como em “As Crônicas de Gelo e Fogo”]?
Isso acontece o tempo todo. Vem acontecendo há 20 anos, e por isso sou necessário como editor. Os autores escrevem suas histórias e meu trabalho principal, além de também escrever as minhas, é juntá-las. E há um grande trabalho de reescrita envolvido, porque as histórias nunca ficam perfeitas juntas de primeira. Às vezes, tenho autores que escrevem duas cenas que se contradizem ou que se duplicam, e essencialmente eu conduzo a sinfonia aqui, como se fosse uma “big band”, com todos os instrumentos e personagens funcionando juntos.

É um trabalho difícil. Editei uma série de publicações ao longo dos anos, mas o trabalho envolvido em “Wild Cards” é certamente o mais desafiador tipo de edição, simplesmente porque você tem que pensar em equipe e ao mesmo tempo conseguir boas histórias dos escritores. Criamos um mecanismo pelo qual o criador de cada personagem revisa o texto quando seu personagem é usado por outro escritor. Além de mim como editor, os escritores interagem. Então, se alguém vai usar um personagem meu, como o Tartaruga, posso dizer: ”Não, ele não diria isso dessa maneira”, ou “Ele nunca faria isso”. Muita reescrita. Mas, felizmente, a maior parte dos escritores faz o trabalho com muita vontade, adora escrever sobre esses personagens e esse universo.

E como surgem esses novos heróis com o tempo, à medida que os outros envelhecem?
Isso depende. A genética de “Wild Cards” é complicada. É uma mudança na estrutura genética e se torna uma… Se os dois pais têm o vírus do “Wild Cards”, então a criança seria um Carta Selvagem [na tradução da LeYa, embora o título do livro seja em inglês, os infectados recebem no texto o nome em português], mas poderia também morrer, porque 90% das pessoas que pegaram o vírus e tornaram Rainha Negra [gíria para morte usada nos livros], como dizemos, morrendo. E 10% viram Curingas [personagens que ficam deformados], só um em cem se torna Ases e acabam como super-heróis. O bebê infectado tem as mesmas chances de qualquer um, não é algo simplesmente herdado.

Os Curingas, nesse sentido realista, são importantes para tratar de questões como o preconceito, não?Sim, sim. Muitas mutações não são boas. Queríamos dizer: ‘Sabe, se você sofresse uma mutação como essas dos quadrinhos, seria possível que isso não fosse tão bom, e isso é muito mais provável que uma mutação boa, inclusive’. Isso torna a história diferente de qualquer outra da Marvel, da DC Comics, Universal, a comunidade Coringa e a existência desse segundo time junto com os superpoderosos Ases, isso é algo que ninguém mais faz.

Os direitos de adaptação foram comprados pela Universal para o cinema. Em que pé está isso? O sr. lida bem com a ideia de transformar a série em um único filme, algo que não quis aceitar para “As Crônicas de Gelo e Fogo”?

Bom, Wild Cards não é bem uma história, são centenas de histórias, é um mundo. Esperamos que o primeiro filme conte uma história de um grupo particular de personagens, e, se fizer sucesso, o segundo filme pode ser com um time completamente diferente de personagens. E pode ser no passado, no futuro. Temos centenas de personagens e histórias. É uma franquia incrível, que funciona para uma série de filmes, que é o que esperamos conseguir, ou para uma série de TV, o que pode vir a acontecer se os filmes fizerem sucesso. Mas agora estamos no estágio inicial, Melinda Snodgrass [uma das autoras da série e coprodutora, com GRRM, do fillme] está escrevendo o roteiro, está no segundo rascunho. Estamos esperando.

Leia a entrevista completa

Livros da série:
capas wil copy◾Wild Cards (1987)
◾Aces High (1987)
◾Jokers Wild (1987)
◾Aces Abroad (1988)
◾Down and Dirty (1988)
◾Ace in the Hole (1990)
◾Dead Man’s Hand (1990)
◾One-Eyed Jacks (1991)
◾Jokertown Shuffle (1991)
◾Double Solitaire (1992)
◾Dealer’s Choice (1992)
◾Turn of the Cards (1993)
◾ Card Sharks (1993)
◾Marked Cards (1994)
◾Black Trump (1995)
◾Deuces Down (2002)
◾Death Draws Five (2006) (novel)
◾Inside Straight (2008)
◾Busted Flush (2008)
◾Suicide Kings (2009)
◾Fort Freak (2011)

O editor e autorimagesCA4ZHX75

George R.R. Martin não é só autor de ficção científica, ele também escreveu As Crônicas de Gelo e Fogo, uma saga de fantasia que está no quinto livro e é incrível! Ela ficou muito famosa, principalmente depois do lançamento da série “Game of Thrones” da HBO baseada nos livros. Merece um post só para falar um pouquinho e pretendo fazer isso quando sair o sexto livro que aguardo ansiosamente. Para saber mais indico o blog Game of Thrones BR, que tem até uma wiki própria e é muito bem informado. Foi nele também que li que a Editora Leya lançara outro livro do autor, Sonho Febril, sobre vampiros.