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{euLi} Do Inferno – Allan Moore e Eddie Campbell

do_inferno_1414689154bSinopse: Essa é a história de Jack Estripador, o mais misterioso e famoso assassino de todos os tempos. Escrita por Alan Moore, o criador de histórias em quadrinhos como Watchmen e V de Vingança, Do Inferno é uma reflexão a respeito da mente enlouquecida cuja violência e selvageria deu início ao século 20. Do Inferno entrou na lista de best sellers do The New York Times, recebeu todos os principais prêmios do mundo dos quadrinhos, elogios entusiásticos de toda a imprensa, ganhou uma versão para cinema estrelada por Johnny Depp e foi aclamada como a mais importante graphic novel já produzida.

Convite para leitura em grupo

Antes a resenha um convite! Vamos ler um livro juntos? Eu e alguns blogs amigos vamos ler juntos esse mês o livro O bebê de Rosemary de Ira Levin, a primeira meta são as 50 primeiras páginas (ou até  capítulo 6) até o dia 12 em que estará aberto um fórum para conversarmos sobre essas páginas. Dia 12 avisaremos da próxima meta e data e assim por diante. Vou divulgar o link do fórum no facebook, fique de olho! Até lá poste seu progresso de leitura e divulgue o projeto usando a hashtag #NomeProvisório (nome muito criativo do nosso grupo haha).

Do Inferno

Hoje vamos falar do último livro que eu li para o #SETEMBROPOLICIAL, Do Inferno de Alan Moore (roteiro) e Eddie Campbell (ilustração). Gostei muito de ler essa Graphic Novel que traz uma versão ficcional, misturada com eventos que realmente aconteceram, sobre Jack Estripador e seus ataques em Whitechapel na Inglaterra. Ele foi um assassino que atacou 5 mulheres em 1888 e nunca teve sua identidade confirmada, é o serialkiller mais famoso de todos os tempos. Muitas teorias existem sobre sua identidade e seus motivos, Allan Moore trabalha em sua HQ uma delas a considerada por ele a que rende a melhor história. Não que ele acredite em todos os pontos, mas ele traz explicações no final do que é comprovado, o que é mito e o que foi criação sua. A história é cheia de referências a assassinos reais, escritores e livros sobre o tema, então a leitura das explicações que ficam no final do livro é fundamental para que tudo seja compreendido. Eu gostei muito de como a história foi desenhada, tudo é sempre sombrio e detalhado, um trabalho incrível.

A história prende totalmente o leitor, que pode até se sentir um pouco perdido no começo como eu, mas depois que as histórias vão se encaixando é impossível desgrudar os olhos. Eu nunca tinha lido nada do Alan Moore e foi uma experiência muito boa (V de Vingança só vi o filme). Não é o tipo de livro em que você descobre a identidade do assassino só no final do livro, temos a visão de todos os lados da história e começamos a acompanhar a criação de Jack Estripador desde o começo. É muito interessante a construção de como ele se torna um assassino e de que como forças maiores do que ele estão envolvidas.

O livro começa contando a história de um envolvimento não permitido pela família real inglesa. Uma união entre uma mulher comum e um príncipe, uma menina bastarda é gerada e essa união é desfeita a força. E as forças usadas para desfazer qualquer rumor sobre o caso despertam um mal muito maior que o previsto. Ao mesmo tempo ficamos conhecendo, Abberline, um investigador da polícia que fica encarregado da investigação em Whitechappel. Ele acaba sendo o lado bom da polícia que realmente quer desvendar e encerrar a matança. Enquanto mal sabe que seus superiores podem estar encobrindo os crimes. No caso se os jornalistas não fazem um grande sensacionalismo com os casos talvez nem houvesse investigação porque para eles as “putas” não fazem falta.

As mulheres que estão na mira do assassino e ficaram conhecidas para sempre como as vítimas de Jack Estripador foram: Polly, Annie, Liz, Kate e Marie. Essas cinco mulheres são prostitutas, amigas e acabam dividindo um segredo mortal. É bem triste acompanhar a degradação delas que precisavam se vender para se alimentar e ter onde dormir. A maioria se entregando a bebida e aos homens por muito pouco. Ficamos conhecendo a história de cada uma delas e seus problemas na vida. No livro fica muito claro o preconceito e a posição da mulher na época na sociedade, inclusive das marginalizadas que se prostituem.

Whitechappel é muito bem retratado e acaba se tornando um dos personagens. Sua ruas escuras, a pobreza das pessoas, a presença forte da prostituição, a sujeira, as tabernas, tudo isso acaba se tornando o cenário perfeito para a atuação de um assassino. Há vários momentos em que os personagens falam sobre a arquitetura gótica e opressora e sobre os símbolos representados ali também.

O Apêndice I é muito importante para a compreensão da história, ali Alan Moore explica todas as referências e fontes que usou, o que inventou, é importante ler para compreender tudo (ele explica todos os capítulos e quase todas as páginas). E o Apêndice II, a parte final do livro, é muito interessante. Através de uma analogia com a caça de gaivotas que faz de tontos os caçadores e resulta em pistas muito desencontradas, o autor nos explica em quadrinhos como podem ter sido criadas as teorias sobre Jack Estripador e como ele acabou se tornando personagem dessa história.

Filme: Do Inferno (2001)

Eu gostei bastante do filme, tem uma pegada bem sombria. A diferença crucial é que a história é bem voltada para Abberline, o investigador vivido por Johnny Depp, foram concentrados nele mais de um personagem (já que é ele quem tem algumas visões). Outra diferença é que no filme só temos certeza da identidade de Jack no final com a descoberta do detetive.

Gostaram? Assistam também em vídeo:

 

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{euLi} Histórias de Sherlock Holmes – Arthur Conan Doyle #Sherlock9

SHERLOCK_HOLMES_1440119375520968SK1440119375BOi pessoal! Nesse post encerro o projeto do box Sherlock Holmes com a obra completa escrita pelo Arhur Conan Doyle. Confesso que já sinto falta dos personagens e que coloquei na minha listinha obras de outros autores envolvendo Sherlock e Watson. Então em breve eles devem reaparecer aqui, claro que um pouco diferentes.

Como comentei no post anterior, Doyle ensaiou essa despedida algumas vezes. Embora diga que nunca se arrependeu de tê-lo ressuscitado e que sem Holmes talvez ele nunca tivesse escrito outras coisas, mas talvez ele tenha impedido o reconhecimento de seu trabalho “mais sério”. E nesse livro, Histórias de Sherlock Holmes, ele foi definitivo. No prefácio, tomou o lugar de Watson e explicou que Sherlock precisava partir.

Isto tem de acabar, e ele precisa seguir o caminho de todo ser humano. Gostamos de pensar que existe um limbo fantástico para os filhos da imaginação(…). A fria realidade é que Holmes fez o seu debut em Um estudo em vermelho e O sinal dos quatro, dois livros pequenos que apareceram entre 1887 e 1889. Foi em 1891 que “Um escândalo na Boêmia”, o primeiro da longa série de contos, apareceu na The Strand Magazine. O público pareceu gostar e querer mais, de modo que, a partir dessa data, 39 anos atrás, elas têm sido produzidas a intervalos irregulares e que totalizam 56 histórias, republicadas em As aventuras, Memórias, A volta e Os últimos casos, ainda restam doze, publicadas durante os últimos anos e que são editadas aqui (…). Ele começou suas aventuras bem no meio da era vitoriana, continuou durante o curto reinado de Edward e conseguiu conservar seu lugar meso durante esta época febril. (…) Portanto, leitor, dê adeus a Sherlock Holmes! Agradeço a sua fidelidade e espero que tenha tido alguma recompensa, na forma de distração das preocupações da vida e uma estimulante mudança de pensamento, que só podem ser encontradas no reino encantado do romance.

Imagino a tristeza dos fãs na época que cresceram com essas histórias. Mas enfim nada pode durar para sempre e gostei muito desses contos de despedida. O primeiro traz mais um vilão, o barão Gruner, que desafia abertamente Sherlock que por sua vez também não teme usar de todos os métodos para por as mãos nele. E ficamos conhecendo mais um aliado infiltrado no crime de Holmes, Shinwell Johnson, que já cumpriu pena duas vezes mas que mudou para o lado da lei. E vemos também a plena consciência de Watson que Holmes não revela seus segredos totalmente a ninguém.

Ele levou ao extremo o axioma de que o único planejador seguro é o que planeja sozinho, Eu estava mais próximo dele do que qualquer outra pessoa, e mesmo assim estava consciente da distância entre nós.

E também há nesse livro o primeiro conto narrado pelo próprio Shelock em “A aventura do soldado descorado”:

As ideias de meu amigo Watson, embora limitadas, são extremamente obstinadas. Durante muito tempo ele me atormentou para que eu mesmo escrevesse uma aventura que eu tivesse vivido. Talves eu tenha provocado essa insistência dele, já que muitas vezes lhe disse que suas narrativas são superficiais e o acusei de querer agradas ao gosto popular em vez de limitar-se rigidamente a fatos e números _ “Tente você mesmo, Holmes!”, ele revidou _ e sou obrigado a admitir que, de pena na mão, começo a perceber que o assunto deve ser apresentado de modo que possa interessar ao leitor.

Fiquei imaginando o Watson falando “Ahá!” ao ler isso, se bem que ele é tão bonzinho. O conto em si é interessante, mas não um dos melhores. O que segue este no livro é “A aventura da pedra mazarin” que não identifica o narrador. O conto começa com Holmes esperando uma tentativa de assassinato e já no meio de um caso, tentando fazer confessar seus suspeitos. A estrutura diferente é bem legal. Outra história que se destaca é “A aventura do vampiro de Sussex”, com grande desgosto no começo Holmes aceita o cliente, mas logo o caso toma outras proporções e ele fica interessado. Outro conto que ele narra é o “A aventura da juba de leão”, esse eu já gostei muito, solução inesperada e plausível.

Minha mente é como um depósito cheio, com pacotes de todo tipo armazenados em tal quantidade que só consigo ter uma vaga ideia do que está lá dentro.

Um conto que traz um momento fofo da amizade de Sherlock e Watson é “As aventuras dos três Garridebs”, a engenhosidade do plano do bandido da toda a graça ao conto mas o momento raro de demonstração de afeição do detetive rouba a cena. Há um momento em que Holmes se desespera ao ver o amigo ferido.

_Você não está ferido, Watson? Por Deus diga que não está ferido.
Valia um ferimento _valia muitos ferimentos _ Conhecer a dimensão da lealdade e do amor que estavam por trás daquela máscara fria. Os olhos claros e duros ficaram sombrios por um instante, e os lábios frios tremiam. Durante um minuto, o único, vislumbrei um grande coração., bem como uma grande inteligência. Todos os meus anos de serviço culminaram naquele omento de revelação.

Acredito que todo mundo que acompanha essa cena também esperava por isso Watson, e foi perfeito para o clima de despedida. Ser amigo do Sherlock não é nada fácil, ele é impossível de lidar às vezes e entendo a emoção de Watson. Alguns acham que esse momento escancarou outro tipo de relação, para mim é o exemplo de uma amizade.

Não poderia encerrar esse post sem mencionar que uma brasileira aparece no conto “O problema da ponte Thor”. A pena é dizer que totalmente estereotipada no sentido de que as pessoas dos trópicos são mais emocionais e movidas pela paixão. Há e também não li a expressão “elementar, meu caro Watson” em nenhum momento no livro. E nem poderia porque ela foi criada depois em uma adaptação. No livro Sherlock usa as expressões  “elementar” e”meu caro”, mas de forma separada. Isso mostra como o personagem cresceu para além dos livros. Assim, encerramos as leituras de Sherlock Holmes, espero que vocês tenham gostado dos posts. beijos

Amanhã começa o #SETEMBROPOLICIAL ! Aguarde!

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{eu li} A irmã de Ana Bolena – Philippa Gregory

airmadeanabolenaSinopse: Aos 14 anos, a inocente Maria Bolena, sua irmã mais nova, Ana, e o irmão George chegam à corte. À época, as grandes famílias aristocratas habitavam os arredores do palácio real e ter uma mulher de sua prole nas proximidades do leito do soberano era garantia de ascensão social. A doçura e beleza de Maria chamam a atenção do rei Henrique VIII. Como nova amante de Henrique VIII sua aventura amorosa é incentivada pelos irmãos. A conspiração da família, no entanto, sofre uma reviravolta e Maria precisa declinar de seu sonho e amor em nome de sua melhor amiga e rival – Ana. A irmã se aproveita da ausência de Maria durante um curto período e conquista a atenção do rei, substituindo Maria no papel de primeira-amante. Mas Ana quer mais do que isso, seu desejo de tornar-se rainha não tem limites e, ao mesmo tempo em que cresce o desejo de Henrique VIII por um filho legítimo, Ana planeja o que fazer para se livrar da esposa dele. Vai ser tornar rainha doa a quem doer. Toda a família Bolena envolvida em uma intriga ainda maior – a dissolução do casamento do soberano com Catarina de Aragão.

Resenha em vídeo no final da página!

Eu não conduziria a minha vida como leva a sua. Sempre faz o que lhe mandam fazer, casa-se com quem mandam, deita-se com quem mandam que se deite. Não sou como você. Eu faço o meu próprio caminho.

Eu estou feliz da vida de finalmente ter lido esse livro, como vocês sabem eu adoro a Philippa Gregory (se você não sabe e é novo aqui, tudo bem, também). Fiz uma contagem e ela é a autora que tenho mais livros! Enfim, como vocês leram na sinopse esse livro conta a história das irmãs Bolena envolvidas para conquistar poder para sua família na Inglaterra. Se você não sabe, Henrique VIII foi um rei inglês, da dinastia Tudor, que conseguiu trocar de esposa muitas vezes. A Philippa contou em seus livros a história de cada uma dessas esposas, menos a Jane Saymor (parece que ainda vem livro aí), e ela não lançou esses livros na ordem, mas cronologicamente, ainda há um livro antes desse que já li A Princesa Leal, que conta a história da Catarina de Aragão ( a rainha que dança nesse livro). Os outros vou deixar a ordem lá embaixo e os links para as resenhas.

Esse livro é fantástico, você vive uma verdadeira relação de amor e ódio com os personagens. E uma conclusão pode ser tirada, era péssimo ser mulher naquela época. E era melhor, mesmo com todo o poder envolvido, ficar longe do rei. É claro que as famílias que frequentavam a corte, não estavam muito preocupadas com a felicidade de suas filhas e para receber prestígio, nomes, terras, dinheiro, jóias, valia a pena até sacrificar a “virtude” e por uma jovem solteira ou casada na cama do rei.

No livro temos dois exemplos disso, primeiro Maria que é mais nova. É convencida/obrigada a deixar a cama de seu marido, depois que o rei começa a flertar com elas e mostrar interesse, para seduzir o rei e trazer benefícios. Maria tinha casado com 12 anos e 2 anos depois se viu obrigada a por os otos de lado e a aceitar Henrique. No livro Henrique na época é muito atraente, galante e ela acaba se apaixonando e se afeiçoando, consegue até dar uma filha e um filho ao rei, mas o interesse por ela vai diminuindo. A mulher quando entrava no resguardo corria esse risco com Henrique de cair no esquecimento. E Ana vivia com a consciência culpada de trair a rainha, ela era dama da rainha e tinha algum coração. A rainha nessa época já estava mais velha e experiente e “acostumada” ao comportamento de Henrique, e já tinha perdido vários bebês, então os Bolenas criaram várias expectativas de que ele trocasse ela por Maria.

Mas conforme o interesse por Maria ia diminuindo, sua irmã Ana foi incentivada a flertar com ele para que o poder continuasse em família, primeiro com a desculpa de que ela só estava distraindo ele para a irmã. Mas o volúvel rei, muda de lado, ao passo que a esperta Ana consegue despertar seu interesse fazendo um jogo de gato e rato, flertando mas fugindo da cama real. E assim aos poucos Maria perde, depois de ser obrigada a se degradar.

_Com sorrisos_ Não lhe contei que estava quase delirando de prazer por estar sendo cortejada pelo homem mais poderoso do reino. Não era difícil seguir o conselho da minha irmã e ficar sorrindo para ele. Não era difícil enrubescer e sentir vontade de fugir e me aproximar ao mesmo tempo.

É engraçado que como a Maria é a narradora e tem uma postura moral, você acaba odiando a Ana por ela ser capaz de fazer qualquer coisa para conquistar o rei. Qualquer coisa meeeeesmo! Ela é terrível. Ao passo que você também a admira por mesmo ela estar sedo obrigada ela conseguir lutar pelo que ela mesmo quer, sem ser só um pião. Mas o jeito que ela trata Maria depois que consegue o rei e está a passos de ser rainha é muito horrível para que eu consiga gostar dela. Dela, do tio, do pai e da mãe! Mas a Maria explica que ela e a irmã sempre tiveram uma relação de amor e inveja.

Por um momento, nos encaramos com fúria, obstinadas como gato no muro do estábulo, cheias de ressentimentos e de algo mas sombrio, o antigo sentimento entre irmãs de que só há realmente espaço no mundo para uma garota. A sensação de que toda luta seria mortal.

Esse livro mostra como Henrique arriscou tudo para se casar com Ana e se livrar de uma esposa considerada incapaz de garantir o herdeiro tão necessário. É claro que o desejo dele por Ana e o incentivo dela de dormir com ele só depois do casamento, são claramente importantes, mas a jogada política por trás é muito forte. Lembrem-se que as rainhas também eram consideradas escolhidas por Deus, então uma batalha ideológica muito forte é travada para “menosprezar” a posição de Catarina. E fica claro que isso estabelece um padrão para Henrique, que também não vai conseguir um filho homem com Ana Bolena e somando as tramoias de Ana ( que vai se desesperando e enlouquecendo, não tem um minuto de paz com as novas damas para atrair o rei)  com o desejo dele por um filho (a infidelidade também) vai trazer um fim trágico para o livro.

O livro tem um ritmo incrível, e a autora conta essa história famosa de um jeito feminino, voltado para a participação das personagens femininas. É claro que se trata de um romance e isso dá toda a liberdade para a autora inventar o que quiser, mas ela tem um respeito pelos dados históricos e sempre apresenta uma extensa fonte e às vezes uma explicação sobre os acontecimentos reais no começo ou fim do livro.

No vídeo eu aproveitei para comentar sobre outras séries da Philippa e como elas estão ligadas.

Ordem dos livros sobre os Tudors cronologicamente:
A Princesa Leal(1491)
A Irmã de Ana Bolena (1521)
A Herança de Ana Bolena (1539)
O Bobo da Rainha(1548)
O Amante da Virgem (1558)
A Outra Rai­nha (1568)

O filme:

O filme é mais ou menos, dá para assistir de boas, mas tem várias mudanças (é claro) e simplifica muito algumas coisas. Ana é vivida por Natalie Portman e Mary por Scarlett Johansson.

Posts relacionados:

Resenha A princesa leal
Resenha O Amante da virgem
Post sobre A rainha branca e A rainha vermelha
Resenha A Senhora das Águas
Resenha A Ordem da Escuridão Vol.1. – O Substituto 

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A rainha vermelha.. a história da outra rosa bem diferente da branca


2013-09-04 17.04.07

Na minha estante, os dois livros separados por uma rosa neutra.
Na minha estante, os dois livros separados por uma rosa neutra.

Foi assim, no frio que fez hoje, que terminei de ler A Rainha Vermelha… curtindo o frio com um chocolate quente. Primeiro tenho que parabenizar a autora, Philippa Gregory, pela proposta ousada do livro, que pertence a série plantageneta junto com A Rainha Branca, como comentei aqui antes (confira). Não contente em contar a história de Elisabeth  Woodville e seu amor com o ascendente rei da casa York, Eduardo IV, e junto com isso todos os seus problemas, conquistas e perdas durante o reinado de seu marido, fez um outro livro contando a história de sua “rival” em planos para a Inglaterra Margaret Beaufort da casa Lancaster. Ela conseguiu contar a mesma história sem deixar o livro repetitivo e chato, amei!

Os acontecimentos são quase o mesmos, só que vistos por óticas e planos diferentes, muito diferentes, não só por estarem em lados opostos que se bifurcam todo o tempo durante a história, mas por serem mulheres muito contrárias. Elisabeth viveu o amor e suas consequências, acreditava ter visões sobre o futuro e dons de amaldiçoar aqueles que a prejudicaram por ser descendente da deusa Melusina, e teve a capacidade de dar vários herdeiros ao rei.

Já Margaret, cresceu acreditando ser santa, capaz de fazer conexão direta com Deus, carola mesmo, condena os atos que não sigam totalmente a sua fé. No começo cresceu acreditando que seu caminho era religioso, mas devido as condições de uma mulher de sua posição na época, foi forçada a casar muito nova e nunca obteve nenhum prazer naquilo. E ao dar a luz ao seu único filho, passa a lutar desde o parto para coloca-lo no trono inglês e trazer de volta a casa Lancaster para o poder.

O plano de fundo dos dois livros é a guerra entre primos, a guerra entre os Lancaster e o os York, frutos de uma mesma dinastia e todos com muita vontade de ter o poder. Eu não consegui deixar de preferir a Elisabeth, mesmo depois de ler o lado da Margaret na história, achei ela muito chata rsrs Mas foi muito bom conhecer o que estava além dos olhos da Elisabeth. Pelo que pesquisei existem muitos outros livros em inglês sobre essa história, A senhora do lago, que conta a história da mãe da Elisabeth, Jacquetta, que deve ser muito interessante, outro sobre Anne Neville que acredito também conte a mesma história pela versão de outra rival da Elisabeth, a história da filha da Elisabeth. Espero que eles sejam logo publicados no Brasil, para que eu possa ler!

Séries da BBC

A BBC lançou esse ano a série The White Queen que junta as histórias desses livros, e acredito que também o livro sobre a Anne Neville (que ainda não li) que completa essa crônica sobre as 3 mulheres da história da Guerra entre primos, e um documentário que a própria Phillipa narra sobre os fatos mesmo envolvendo essas três mulheres.

The White Queen           00_41_Ep2_IMG_5833

Link para a série.                                                                Link para o documentário.

História – Guerra das duas rosas

Fonte: http://guerras.brasilescola.com/idade-media/guerra-das-rosas.htm

A Guerra das Duas Rosas é um conflito de grande importância para a compreensão do processo de formação da monarquia nacional inglesa. Essa guerra surgiu com a rivalidade entre duas famílias nobiliárquicas: os York e os Lancaster. Estas duas famílias eram provenientes da dinastia Plantageneta, que ocupou o trono britânico durante um longo período. No entanto, a crise entre essas duas famílias se deu por conta da morte do rei Eduardo III e a sucessão do trono às mãos de Henrique VI.

Os York apoiaram a chegada de Henrique VI ao trono, mesmo este não tendo nenhuma habilidade para lidar com as questões políticas e militares do período. Nessa época, a Inglaterra vivenciava os últimos e decisivos conflitos da Guerra dos Cem Anos e passava por sérias dificuldades por conta das sucessivas vitórias francesas. Mesmo com o fracasso militar britânico, Ricardo de York apoiou a permanência de Henrique VI no trono, esperando que o mesmo morresse em pouco tempo.

No entanto, o inapto rei Henrique VI conseguiu conceber um herdeiro, o que poderia colocar em risco os planos de Ricardo de York. Tendo em vista a situação desfavorável, Ricardo se uniu a um grupo de barões que exigia o afastamento dos Lancaster dos quadros da administração real. Insultado com a exigência do ambicioso nobre, Henrique VI organizou um exército contra as forças de Ricardo de York. Em 1455, na batalha de Saint Albans, o exércitos de York conseguiram vencer as tropas reais.

Logo em seguida, Ludford Bridge, dos Lancaster, apoiou o rei e conseguiu bater os York, que se refugiaram na Irlanda. No ano de 1460, Ricardo de York recuperou suas forças e conseguiu mais uma vez derrubar as tropas Lancaster durante as lutas travadas em Northampton. Nesse momento, Ricardo tinha amplas condições para finalmente chegar ao trono britânico, mas na Batalha de Wakefield foi brutalmente assassinado por seus inimigos.

Entretanto, os planos de Ricardo foram continuados pelo Barão de Wareick, que formou exércitos em prol da ascensão de Eduardo York, filho de Ricardo, ao trono. Dessa vez as tropas pró-York conseguiram tomar a cidade de Londres e proclamar Eduardo IV como o novo rei da Inglaterra. Na batalha de Towton os exércitos dos Lancaster foram completamente destruídos, o que obrigou o rei Henrique VI a se refugiar em terras escocesas.

A significativa vitória dos York não sinalizava um ponto final para a guerra civil que se instalou na nação inglesa. Durante o reinado do York Eduardo IV, vários desentendimentos com os nobres que o apoiavam enfraqueceram politicamente a sua permanência no trono. Em 1469, o barão de Wareick e o duque de Clarence romperam laços com o rei e decidiram lutar em favor dos Lancaster. Graças a essa mudança de cenário, o rei Henrique VI conseguiu reassumir o trono britânico.

No entanto, a aliança entre a nobreza daquela época poderia se reconfigurar ao menor sinal de desentendimento. No ano de 1471, o deposto Eduardo recuperou o apoio do duque de Clarence e imprimiu uma expressiva vitória na Batalha de Barnet, onde novamente Eduardo IV foi empossado como rei da Inglaterra. Alerta para um possível contragolpe, Eduardo assassinou vários membros da família Lancaster e ordenou a execução de Henrique VI e de seu futuro herdeiro.

Esse episódio acabou interrompendo o conflito entre os York e os Lancaster. O conflito só reacendeu quando Eduardo IV morreu, em 1483. O trono acabou ficando nas mãos de Ricardo III, tio mais novo de Eduardo IV, que assumiu o governo após o misterioso desaparecimento dos dois filhos do antigo rei nas instalações da Torre de Londres. Nesse período os Lancaster financiaram uma nova batalha em prol de um novo pretendente ao trono: Henrique Tudor.

No ano de 1485, Henrique Tudor saiu da Bretanha e invadiu a Inglaterra com um contingente armado de mais de cinco mil soldados. Em contrapartida, os York tinham um poderoso exército que contava com o dobro de guerreiros. Surpreendentemente, as tropas de Henrique Tudor venceram a Batalha de Bosworth Field, onde Ricardo III foi morto. Com isso, Henrique Tudor foi coroado como Henrique VII, novo rei da Inglaterra.

Para evitar outro possível confronto entre a rosa vermelha (a família Lancaster) e a rosa branca (a família York), Henrique VII casou-se com Elisabeth de York. Com isso a dinastia Tudor passou a ser representada com a sobreposição das duas rosas, o que indicava o fim do confronto.