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[BEDA] O que tem na prateleira? [3 – Suspense, Mistério, Ficção Científica]

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Oi pessoal, hoje chegou a vez de falar d um cantinho que não é exatamente uma prateleira. Em cima da minha cômoda ficam livros de literatura policial (ou que tenham alguma investigação), suspense, mistério, ficção científica… É um cantinho bem querido também. Já falei do canto histórico e de fantasia.

18052786_1465996573474325_327382507_nPrimeiro vem o box com a obra completa do Sherlock Holmes escrita pelo criador, Arthur Conan Doyle. Eu tive o prazer de ler pela primeira vez ano passado e gostei muito. (Só pesquisar Sherlock na lupa que vai achar todos os posts que eu fiz sobre cada livro).  O grandalhão do lado é uma HQ enorme chamada Do Inferno de Allan Moore e Eddie Campbell que conta uma versão para a história de Jack Estripador (resenha).

18034643_1465996566807659_1358541509_nDepois vem o livro Concerto a Quatro Mãos (resenha) que li para o #SETEMBROPOLICIAL do ano passado (fica ligado que teremos mais uma dição esse ano). O livro é um suspense diferente, u mostra a cabeça confusa do assassino e ao mesmo tempo a cabeça de um inocente. Através de “diários” em que só temos a visão de dois personagens, há um verdadeiro mergulho na alma deles. E o final surpreende e assusta.

A Sangue Frio também traz uma investigação de assassinato mas pelo foco jornalístico. Esse livro é um clássico, considerado um dos começos do jornalismo literário e escrito por Truman Capote. Recomendo! (resenha)

Depois estão os livros escritos por J.K. Rowling com o pseudônimo Robert Galbraith que ela criou para escrever sua série policial do detetive Cormoran Strike. O quarto livro está para ser lançado, eu tenho os três, mas na foto só saiu os dois que já li: O Chamado do Cuco e O Bicho da Seda (resenha) . Gostei dos dois, lerei o terceiro para setembro (Vocação para o mal).

Na sequência estão todos os livros do Carlos Ruiz Zafón que sempre envolvem personagens querendo descobrir algum segredo do passado e só por isso estão aí. Ele é um autor incrível! E a continuação da até então trilogia do O Cemitério dos livros esquecidos está para ser lançada também aqui no Brasil.
Os livros do autor:

  • Trilogia da Névoa
    O Príncipe da Névoa (primeira publicação em 1993, relançado em 2010) – resenha
    O Palácio da Meia-Noite (primeira publicação em 1994, relançado em 2011)  – resenha
    As luzes de Setembro (primeira publicação em 1995, relançado em 2013)  – resenha
  • Marina  – resenha
  • Série Cemitério dos livros esquecidos
    A Sombra do Vento (2001)  – resenha
    O Jogo do Anjo (2008)  – resenha
    O Prisioneiro do Céu (2011)  – resenha
    O Labirinto dos Espíritos (2016) (ainda não tem no Brasil)

Aí ainda tem o pequeno mas muito bacana O escaravelho do diabo da Coleção Vaga-lume. Um romance policial que foi lido por muita gente na infância (resenha).

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Essa sequência começa com a trilogia policial do Stephen King: Mr. Mercedes (já li e amei – resenha), Achados e perdidos (estou lendo) e Último Turno.

Depois do mesmo autor vem Misery que é mais um thriller psicológico do que policial, mas que envolve um sequestro. E é o melhor livro do autor que já li até agora (resenha). Novembro de 63 que mistura Sci-Fi com história, viagem no tempo com o assassinato de Kenedy. E Sob a Redoma que conta a história de uma cidade u foi abruptamente cercada por um campo de força e todo o drama que se desenrola por isso. Leia Stphen King, e pode ler qualquer um desses, são todos incríveis.

E exprimida no cantinho está a trilogia Millenium de Stieg Larsson: Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar (foi lançado um quarto livro, e será lançado um quinto, com outro autor  que não sei se tenho vontade de ler). Stieg faleceu depois de entregar essa trilogia brilhante, não aceito nada menos que incrível de continuação. Ela envolve tantos assuntos que é difícil de definir em poucas palavras.

Sinopse Os Homens que não amavam as mulheres: 

Os homens que não amavam as mulheres é um enigma a portas fechadas – passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada – o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada. E que um Vanger a matou.
Quase quarenta anos depois, o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mikael descobre que suas inquirições não são bem-vindas pela família Vanger, e que muitos querem vê-lo pelas costas. De preferência, morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados – de preferência, os mais sórdidos -, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois…. até um momento presente, desconfortavelmente presente.’

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Também estão aí os livros da Agatha Christie: Extravagância do morto (ótimo), Os elefantes não esquecem (ainda não li), O natal de Poirot (ainda não li), O assassinato de Roger Ackroyd (perfeito). E a biografia de Agatha Christie From My Heart escrita pelo brasileiro Tito Prates, recomendo!

18052569_1465996536807662_249657679_n.jpg O livro Meu Nome é Vermelho do Orhan Pamuk também envolve um assassinato mas tem uma narrativa muito diferente em que até objetos inanimados e animais podem sr narradores.

Narrativa policial, um amor proibido e reflexões sobre as culturas do Oriente se reúnem neste livro. Estamos em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da fuga de Maomé para Meca, o sultão encomenda um livro de exaltação à riqueza do Império Otomano. Na tentativa de afirmar a superioridade do mundo islâmico, as imagens do livro deveriam ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando intrigas e o assassinato de um artista que trabalhava no livro. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre Negro, que volta a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas.

Buffo e Spalanzani do Rubem Fonseca eu ainda não li, mas já li o debaixo O Seminarista. Rubem Fonseca tem uma escrita sangrenta, dura e seca, direto ao ponto, que eu amei. E O pintassilgo da Donna Tart ainda não li 18051852_1465996550140994_1958827793_nmas está na meta de 12 livros para ler esse ano.  Assim como a trilogia Hannibal de Thomas Harris que não é meu, peguei emprestado para ler em setembro.

Espero que tenham gostado do post! Em breve revelo mais um cantinho ou prateleira para vocês. beijos

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{euLi} Cela sem portas – Marcel Trigueiro

CELA_SEM_PORTAS_1477418308622431SK1477418308BSinopse: Portador de uma forma rara de esclerose, Miguel consegue mover apenas os olhos, pálpebras e parte da mão direita, o que lhe permite ter um mínimo de independência para portar-se normalmente no mundo cibernético e sair-se relativamente bem na escola. Como ontem foi dia dos professores, Miguel redigiu e sua mãe transcreveu de próprio punho uma pequena carta que pretendem entregar à professora preferida dele, numa singela homenagem, assim que ela chegar para dar aula.

Nessa mesma manhã excepcionalmente quente de primavera, pouco mais de quinze pessoas são feitas reféns por dois homens armados dentro de um ônibus próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Tirar as vítimas das garras daqueles sequestradores deveria ser competência exclusiva das forças policiais cariocas. Entretanto, depois que a Polícia Civil começa a agir e a imprensa monta seu aparato para que todo o país fique ciente do que está acontecendo, uma fatalidade faz com que o agente federal de Inteligência Matheus Erming entre na operação. A partir daí, a situação vai ficando cada vez mais desesperadora para todos os que acompanham o sequestro. Para Miguel e sua mãe, que assistem a tudo na escola, o desespero e a sensação de impotência são amplificados quando se deparam com uma dura realidade e uma possibilidade talvez não tão remota. A realidade: a professora não chegará a tempo para a aula. A possibilidade: que aquela carta jamais seja lida.
O Marcel Trigueiro me enviou seu livro Cela sem portas como um romance policial e para mim foi uma adorável descoberta perceber que ele trata de muitos temas além de resolver um crime. Gostei bastante do livro como vocês podem conferir no vídeo abaixo. Confira como adquirir o livro no fim do post.
Entrevista feita por e-mail com o Marcel
1. Me fale um pouco sobre você.. Como começou a escrever? Seus livros? Próximos projetos?
Sou formado em Ciências da Computação. Na faculdade havia um pequeno jornal de circulação interna onde cada curso tinha uma coluna, e quem escrevia a coluna de Ciências da Computação era eu. Várias pessoas elogiavam a minha escrita e meu estilo, inclusive os professores e os editores do jornal. Eu sempre achei que escrever bem significa reescrever, e era assim que eu fazia com todos esses pequenos textos: escrevia com paciência. Nunca havia pensado em escrever nada que se parecesse com um livro de ficção, e nós sabemos que escrever uma redação é bem diferente de escrever um livro. Um tempo depois, quando eu estava já casado, comentei com minha esposa sobre minha coluna no jornal da faculdade, e ela então sugeriu: “por que você não escreve um livro?”. Isso foi a semente, que se transformou em iniciativa, que se transformou no embrião de meu primeiro livro: O Próximo Alvo.
O caminho natural para mim foi pensar no protagonista primeiro, para então pensar em alguma história. Pensei num analista de sistemas, ou engenheiro de sistemas; porém, as histórias que eu conseguia imaginar com isso seriam muito chatas. Pensei então que seria melhor se o protagonista tivesse porte de armas, e com isso veio a ideia do perito computacional federal. Uma vez decidido que o protagonista seria um perito, as coisas começaram a fluir melhor.
Cela sem portas foi decorrência natural de escrever um segundo livro. Decidi que tentaria fazer algo parecido com uma série policial, daquelas em que não é necessário seguir uma ordem de leitura (como os mais de doze livros (acho) da série Scarpetta, de Patricia Cornwell, que têm uma médica legista como protagonista). Claro, há algumas referências em Cela sem portas ao primeiro livro, mas a trama não tem dependência. Em Cela sem portas, Matheus já não é mais perito (é agente de inteligência), mas ainda põe a mão na massa.
Como próximo projeto, estou achando que vai ser algo que se passa daqui a 40 anos, aproximadamente, pois tenho algumas ideias para uma trama que aproveite certos elementos desse período, num exercício de futurologia. Essa história teria, sim, relação com a série policial. Porém, ainda não posso revelar como. Obviamente, Matheus Erming seria um vovô nesse livro, mas quem disse que será ele, necessariamente, o protagonista? Veremos… Pretendo lançar esse terceiro livro no ano que vem. No processo de criação, tudo pode mudar. Posso começar a escrever isso e ter uma outra ideia melhor, para uma história que se passe nos dias atuais, e então seguir outra linha. Nada é certo.
2. Como fez para publicar o Cela sem portas de forma independente? O que acha do mercado editorial hoje?
Eu já tinha publicado O próximo alvo através da já falida Editora Bookmakers. Uma das integrantes dessa editora fundou outra editora (Lumos) e eu a contratei. Porém, devido à crise, a Lumos parou de ser editora e passou a prestar serviços editoriais somente, e depois nem isso. Então decidi que, para Cela sem portas, eu faria tudo. Eu mesmo contrataria diretamente os serviços de revisão, leitura crítica, diagramação, ficha catalográfica, capa, etc, etc… É meio trabalhoso ser o editor do seu próprio livro, mas o lado bom é que se tem mais liberdade. Nesse caminho, acabei fundando minha própria micro editora, e pretendo relançar ambos os livros com acabamento mais caprichado, e já com a nova logomarca (não mais com “Publicação Independente” na capa).
3. Que tipo de pesquisa fez sobre os bastidores da polícia para se basear e escrever o livro?
Eu tentei, juro que tentei, entrevistar policiais para escrever meus livros, sobretudo o primeiro. Quando estava escrevendo O próximo alvo, tentei contato com um ex-professor de faculdade meu, que atualmente é perito computacional lá em Natal/RN. Mas não tive sucesso. O contato seria através da esposa dele, que trabalha com um amigo meu, mas ela começou a colocar empecilhos (“ah, mas para que ele quer o telefone dele?”), e eu entendo. Quando se é policial federal, você não quer muita exposição, até por questões de segurança. Também entrei em contato com a delegada (na época) da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI, da Polícia Civil do Rio), e ela me respondeu. Me mandou um e-mail com um inspetor em cópia, dizendo que eu poderia enviar perguntas a ele. Enviei os e-mails e ele não respondeu nenhum.
Fiz outras tentativas, mas acabei desistindo e fazendo minhas pesquisas na Internet mesmo. Liguei umas duas vezes para a ouvidoria da Polícia Federal, mas só para saber, por exemplo, em que andar fica o Departamento Técnico-Científico da PF em São Paulo, ou para saber que devo usar o termo “Departamento Técnico-Científico” em vez de “Divisão Técnico-Científica”. A maioria das pesquisas foi pela internet mesmo (hierarquia da polícia, os cargos, etc).
4. O que te motivou a falar de sequestros?
Cada livro tem uma semente que dá origem à premissa principal. No caso de O próximo alvo, essa semente era o protagonista. A única coisa certa era que o protagonista seria um perito computacional. No caso de Cela sem portas, essa certeza era: um dos personagens vai ser Miguel, um garoto que já havia participado, digamos, de uma das minhas duas ou três crônicas que eu havia escrito sobre educação especial.
A ideia do sequestro veio de uma tentativa de criar um roteiro mais ágil, de dar algum senso de urgência maior, trazendo uma diferença na forma como a história é narrada (se comparada com o primeiro livro). De início, imaginei sequestro em shoppings, mas depois imaginei um ônibus. A ideia da professora veio justamente porque essas crônicas tratavam de educação especial, e eu queria de alguma forma falar sobre isso, mesmo que não fosse “um livro sobre educação especial”.
5. A política é um tema bem polêmico e para mim o Cela não é só policial, fala também de corrupção. Como você vê o tema no livro? E o que vc acha do assunto em geral?
A corrupção é um veneno que está entranhado em todas as esferas de poder. Eu também já havia falado sobre isso em algumas crônicas críticas. É algo que também aparece no meu primeiro livro, mas surgiu naturalmente durante a construção das tramas. Não decidi “vou fazer um livro de cunho político, ou com críticas à corrupção”. Foi um elemento que surgiu naturalmente na construção das tramas e sub-tramas.
6. Quais são os autores que te inspiram dentro da Literatura Policial?
Curiosamente, não leio tanto literatura policial. Apenas quando já havia escrito alguns rascunhos de Cela sem portas eu comecei a ler Agatha Christie. Acho que já li uns doze livros dela. Scott Turrow também é um autor de que gosto bastante. Para cada livro que leio, sendo policial ou não, tomo nota do que gostei, do que não gostei, que artifícios foram usados para se chegar ao climax ou para “enganar” o leitor, etc.
7. Pretende escrever sobre outro gênero?
No momento, não tenho pretensão de escrever sobre outro gênero, mas me vejo escrevendo, no futuro, talvez ficção científica. Mas atualmente pretendo seguir somente com a série policial.
Para adquirir o livro físico entre em contato com o e-mail: contato@freezeshadoweditora.com.br
E na Amazon: O próximo alvo e Cela sem portas
*Comprando pelo link vc ajuda a manter o blog*
Espero que tenham gostado! Beijos
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{tag} Literatura Policial

Oi pessoal! Hoje apresento a vocês a minha primeira tag, a tag Literatura Policial, que criei para esse mês de setembro. Quem quiser responder fique a vontade, o pessoal que está participando ficou de responder e vou deixar os links aqui embaixo!

Perguntas:
1. Qual o seu detetive favorito?
2. Qual a melhor dupla?
3. Autor favorito brasileiro e estrangeiro?
4. Melhor livro?
5. Melhor adaptação para o cinema/série que já assistiu?
6. Se você fosse um ladrão de livros, qual roubaria?
7. Que personagem literário você gostaria que morresse? E quem mataria?
8. Dedução ou ação?
9. Assassino que te deixou com medo?
10. Já conseguiu adivinhar o culpado ou o motivo de algum livro? Qual?

Hoje é o último dia para vocês participarem do sorteio!

Beijos

Respostas: Gaveta Alternativa, Ponto para ler, Plataforma 9 3/4

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{euLi} A sangue frio – Truman Capote #SETEMBROPOLICIAL

a_sangue_frio_1384353147bSinopse: Um homem religioso, uma mãe depressiva, um adolescente, uma garota dona de casa, um cachorro amedrontado e dois ladrões frustrados. Esses e outros personagens são os ingredientes chave para o romance jornalístico A sangue frio, de Truman Capote. O livro é uma reportagem investigativa sobre o assassinato de quatro membros da família Clutter, o casal e seus dois filhos caçulas, ocorrido em 1959 na cidade de Holcomb, no Kansas, Estados Unidos.

Resenha em vídeo no final do post, confira também nosso canal.

Oi pessoal! Hoje vamos falar sobre um livro incrível, o penúltimo da minha meta de #SETEMBROPOLICIAL. Estamos chegando ao fim de setembro e eu adorei as leituras que fiz, espero que vocês também tenham gostado. Amanhã (29) é o último dia para vocês participarem do nosso super sorteio.

A sangue frio é um livro de não ficção, um dos grandes nomes quando se fala em jornalismo literário. “O jornalismo é fato da realidade. A literatura, da realidade somada à ficção. O jornalismo literário, logo, é uma miscelânea de ambos. Cumpre a missão de informar, preservando a essência jornalística, porém com ganho em vocabulário, estrutura narrativa e aprofundamento de conteúdo. Esse trinômio alicerça e ornamenta o texto que é levado ao leitor” (Observatório da Imprensa). Truman Capote chegou a dizer que estava inaugurando um novo gênero, mas se sabe que o jornalismo literário já existia antes dele, talvez ainda não com tanta profundidade. E não há quem fale de jornalismo literário sem falar desse livro, eu ouvi muito sobre na faculdade e já queria ler há bastante tempo. “Ele não foi pioneiro, mas foi o primeiro na era moderna a jogar luz sobre essas técnicas. Outros escritores acabaram seguindo o exemplo” (Gerald Clarke, biógrafo de Capote).

No livro não percebemos Truman, ele como personagem não aparece, na busca pela objetividade jornalística o autor não declara suas impressões escancaradamente. Mas é claro que a subjetividade está ali na forma de contar e no olhar do autor sobre a história. E que história seria essa? O assassinato da  família Clutter, o casal e seus dois filhos caçulas, Nancy (16) e Kenyon (15), ocorrido em 1959 na cidade de Holcomb, no Kansas, Estados Unidos, que abalou a cidade. A família era considerada queria e perfeita pela maioria, o Sr. Clutter um líder na comunidade, Nancy a menina que ajuda a todos, o único abalo é os problemas psicológicos da inofensiva mãe de família. Quem os mataria? Porque motivo?

Acompanhamos no começo do livro um pouco da história da família, seus amigos próximos e parentes. E ao mesmo tempo a história dos assassinos, o encontro entre eles e o rumo do assassinato. Até os dois pontos convergirem no crime brutal. Mas qual foi a motivação desses dois ladrões? Dinheiro? Capote teve a oportunidade de conversar e ficar amigo de Perry Smith e Dick Hickcock, mais do primeiro, um cara com uma história de vida conturbada, uma infância horrível, alguém com quem o escritor acabou se identificando. No livro a visão sobre os vilões é bem humanizada, o que mexe muito com o leitor, eu não consigo perdoar o que eles fizeram, mas acabei olhando para a história com uma visão bem ampla.

 Os assassinos são condenados a pena de morte, que no Kansas da época significava enforcamento. A parte do tribunal e o fato deles terem ou não problemas psicológicos levanta várias discussões sobre a justiça desse tipo de pena. Na época, no Kansas, havia também prisão perpétua mas com possibilidade de condicional em 15 anos. Seria justo eles serem condenados com possibilidade de serem soltos em 15 anos? Seria justo a pena de morte para alguém como Perry? Muitas questões fazem a cabeça do leitor girar. O próprio Capote ficou muito abalado com a execução dos assassinos e tentou ajudá-los.

Além das entrevistas com os assassinos, o autor entrevistou incessantemente e sem gravador ou anotações a maior parte dos moradores e dos investigadores envolvidos. Vemos a angústia da população, o medo de que algo aconteça novamente, a desconfiança de que alguém da própria comunidade esteja envolvido antes da verdade ser descoberta. A desconfiança com um motivo tão banal levaria uma família tão querida. A garra e o trabalho duro dos policiais tentando descobrir e pegar os criminosos. A mudança na sociedade local depois do crime é bem escrita e muito interessante. Capote era amigo de infância da autora de O sol é para todos, Haper Lee, e ela não só viajou com ele para o Kansas como ajudou a convencer as pessoas a falarem com ele. Truman era uma figura bem diferente dos moradores do interior e ela facilitou o contato.

Foi tudo verdade? Capote com certeza teve a licença poética de mudar falas e até algumas cenas, no fim do livro há um posfácil de Matinas Suzuki Jr. que discute isso. O livro recebeu várias críticas de que nem tudo aconteceu daquela forma, alguns moradores não gostaram de como foram retratados. Já outros acharam que ele alcançou mais do que eles disseram mas o que queriam realmente dizer. Não dá para levar o livro totalmente ao pé da letra, mas o que aconteceu acredito que esteja muito bem representado. Para mim o autor montou um livro que também interessasse o público como um romance e não necessariamente como uma reportagem, então teve a liberdade de adaptar situações.

Um autor Philip K. Tompkins, dedicou-se a pesquisar discrepâncias entre passagens do livro e o que ele diz ter apurado como fatos reais. No seu artigo “In cold fact” (“A fato frio”), ele conclui que Capote pôs suas próprias observações na boca e na cabeça dos personagens, e, para piorar, criou um retrato irreal e românico do assassino Perry Smith _ o qual o crítico Harold Bloom, que alega ficar deprimidos com a “imaginativa sublimação da identificação de Capote com os assassinos”, afirma ser o “demônio ou outro eu de Capote. (Posfácio)

É um livro que cada leitor deve tirar suas próprias conclusões a respeito disso. Capote esperou os quase seis anos entre a condenação e a execução dos assassinos, porque precisava de um desfecho para o seu livro. Primeiro a história saiu serializada na revista The New Yorker, em 1965, e só depois em livro.

p90443_p_v8_aaO filme Capote (2005) retrata os bastidores da apuração e escrita do livro: como a história mexeu com o autor, a ajuda da Haper Lee, todo o processo. É um filme excelente para conhecer mais sobre a personalidade e vida de Capote, tem um clima bem sombrio e sério, apesar de mostrar também que ele era famoso e frequentava várias festas. Quem interpretou o escritor, de forma brilhante, foi o ator Philip Hoffman (que faleceu aos 46 anos durante as gravações da parte 2 de Jogos Vorazes A Esperança). O filme foi baseado na biografia escrita por Gerald Clarke que conviveu com Capote, em entrevista ao Correio Braziliense ele fala da fidelidade do filme ao livro:

O filme foi fiel ao livro? Chegou a trabalhar diretamente com Philip Seymour Hoffman?
O filme foi, na maior parte, leal ao livro, mas houve algumas licenças poéticas. No longa, por exemplo, Perry Smith encara uma greve de fome e Truman o alimenta com papinhas de bebês para mantê-lo vivo. Perry, realmente, passou por uma greve de fome, mas Truman estava na Suíça na época. Eventualmente, eu conversava com Philip. Dei-lhe minhas fitas com as gravações das entrevistas com Truman, para que ele pudesse encontrar o tom ideal para fazer a voz. Philip fez um trabalho memorável. Na vida real, nem se parecia com Truman, mas quando o vi nas telas… Parecia que eu estava assistindo ao próprio Truman. (Correio Braziliense)

downloadCapote, cujo verdadeiro nome era Truman Streckfus Persons (ele adotou o nome do padrasto), começou a sua carreira em 1940 como colunista social numa revista nova-iorquina. Seu primeiro livro foi Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo no Brasil) publicado em 1958, que foi levado às telas em 1961, com Audrey Hepburn. Se fosse vivo, Truman Capote faria aniversário esse mês. Nasceu em Nova Orleães, nos Estados Unidos, a 30 de setembro de 1924. E morreu aos 60 em 1984 devido a problemas agravados pelo alcoolismo. Eu ainda não li a biografia do autor, no filme ele fala que a mãe se suicidou e que ele teve uma criação bem conturbada. Talvez por isso a grande identificação com Perry.

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{news} Eu li notícias literárias

‘A Casa Torta’: Glenn Close e Gillian Anderson em adaptação de Agatha Christie
‘A Casa Torta‘ (Crooked House), livro escrito por Agatha Christie em 1949, será adaptado para as telonas com um elenco estrelar. Glenn Close (‘Guardiões da Galáxia’), Gillian Anderson (‘Arquivo X’), Christina Hendricks (‘Mad Men’) e Max Irons (‘A Hospedeira’) assinaram contrato para estrelar a adaptação. Fonte: CinePop. Continue lendo

Confira a entrevista com Tito Prates biógrafo de Agatha Christie no Brasil.

Ex-diretoras da Cosac Naify abrem nova editora
Fonte: Folha de SP. Continue lendo

JAMES PATTERSON MATA STEPHEN KING
A “picardia” entre Stephen King e James Patterson acaba de conhecer mais um capítulo. Depois de muito elogiar a obra do autor de livros como Bem-Vindos a Joyland e 22/11/63, Patterson decidiu agora publicar um livro intitulado The Murder of Stephen King (“O assassinato de Stephen King”), ficcionando a morte do autor. Fonte: Revista Fnac. Continue lendo

Jogo Perigoso | Livro de Stephen King vai virar filme na Netflix
A Netflix comprou a ideia de um filme baseado em Jogo Perigoso, livro de Stephen King e projeto antigo do diretor Mike Flanagan, que assinou o sucesso Hush: A Morte Ouve, uma das aquisições mais vantajosas nos últimos anos para a Netflix. Fonte: Obseratório do cinema. Continue lendo

Para mim é um crime: Livros da Cosac Naify serão destruídos na virada do ano
Diretor financeiro da editora diz que não pode doar os volumes para bibliotecas, porque isso gera ‘transtorno contábil’, nem dar aos autores. Fonte: Estadão. Continue lendo

Busca por restos mortais de García Lorca é retomada na Espanha
Iniciada em 2014, ela foi interrompida por problemas de logística. Fonte: Estadão. Continue lendo

Horrores da guerra da Bósnia são contados em quadrinhos
Conhecido por desenhar histórias de Tarzan e Batman, Joe Kubert tem obra “Fax de Sarajevo” lançada na Bienal de São Paulo. Fonte: O Globo. Continue lendo

Finalistas do Man Booker Prize 2016 são anunciados
Autores britânicos, canadenses e americanos disputam o prêmio de R$ 215 mil. Fonte: O Globo. Continue lendo

Criação e crítica se encontram na 15ª edição da Abralic
Evento literário quer reafirmar universidade pública como espaço de discussão. Fonte: O Globo. Continue lendo

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