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{euLi} O Leopardo – Giuseppe Tomasi di Lampedusa

O_LEOPARDOSinopse:Romance histórico situado na segunda metade do século XIX, “O Leopardo” conta a fascinante história de uma aristocracia siciliana decadente e moribunda, ameaçada pela aproximação da revolução e da democracia. O enredo dramático e a riqueza dos comentários, o contínuo entrelaçar de mundos públicos e privados e, sobretudo, a compreensão da fragilidade humana impregnam “O Leopardo” de uma particular beleza melancólica e de um raro poder lírico, fazendo dele uma das obras-primas da literatura.

Esse livro veio no primeiro kit da Tag Experiências Literárias (saiba mais aqui) que recebi, não conhecia, a única coisa que eu sabia sobre ele é que ele era uma indicação do Mario Vargas Llosa. Então como não querer ler? A tag é um clube de associados, que envia todo mês um livro surpresa indicado por um grande nome cultural (não só autores).

Esse livro tem muito a ver com a história da família do autor do livro, porque Lampedusa baseou o personagem principal em seu avô, que era príncipe da Ilha de Lampedusa, e ele mesmo chegou a herdar o título. O livro vai contar 50 anos dessa família na época da unificação italiana, com a ascensão da burguesia e decaimento da nobreza. A história se inicia em 1860, quando o revolucionário Giuseppe Garibaldi e sua tropa de oitocentos homens desembarcam na Itália, que era formada por reinos.

Nós acompanhamos durante a narrativa os pensamentos de Fabrizio e o que acontece com o ele e sua família, ele vê tudo desmanchar aos poucos e vai ficando cada vez mais melancólico. Sua vida também não é como gostaria, nem seus filhos, e o que o distrai é a astronomia. As companhia que mais gosta são a do sobrinho Tancredi, que acaba apoiando os revolucionários mas não com o intuito de trazer algo novo e melhorar a vida dos “italianos”, mas sim assegurar o tipo de vida que eles levam.

Se não nos envolvermos nisso, os outros implantam a república. Se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude. Fui claro?

Tancredi entra em um relacionamento que mostra um pouco da mudança do poder, ele se apaixona fisicamente por Angélica, filha de um comerciante rico e acaba abrindo as portas para o futuro da nobreza. Além de muito bela e endinheirada, Angélica, e seu pai, tem interesse em serem repeitados na sociedade, enquanto para Tancredi que quase não tem herança o dinheiro não cai nada mal. O romance entre eles é bem tórrido, o autor descreve vários encontros furtivos entre eles na época do noivado, para tristeza da filha do príncipe que era apaixonada por ele.

A plebe também aparece em vários momentos interessantes no livro, para eles tudo é uma questão de influência em quem eles devem apoiar, pois a princípio apesar de teoricamente libertária a República não mostra uma melhoria direta na vida dos camponeses. Eles preferem até continuar dependendo da boa vontade da “família real”. Tem um personagem que comenta que agora que são politicamente “livres” não terão apoio de ninguém.

O livro é fragmentado, há alguns saltos de meses no começo, depois de anos, e no final um de quase 50 anos, isso deixa o leitor em muitos momentos curioso com o que houve nos por menores da vida dos personagens, como as coisas desenrolaram? E, infelizmente, nem tudo tem uma resposta, somos convidados a imaginar e deduzir. E com todos esses saltos, obviamente a gente acompanha o envelhecimento dos personagens, a perda de alguns sonhos, as mudanças em uns e a estagnação em outros. É muito interessante.

Confira outros kits da TAG nesse vídeo:

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{euLi} Como dizer adeus em robô – Natalie Standford

COMO_DIZER_ADEUS_EM_ROBO_1367980252BSinopse: Com um toque melancólico, o livro conta a singular ligação entre Bea e Jonah. Eles ajudam um ao outro. E magoam um ao outro. Se rejeitam e se aproximam. Não é romance, exatamente mas é definitivamente amor. E significa mais para eles do que qualquer um dos dois consegue compreender… Uma amizade que vem de conversas comprometidas com a verdade, segredos partilhados, jogadas ousadas e telefonemas furtivos para o mesmo programa noturno de rádio, fértil em teorias de conspiração. Para todos que algum dia entraram no maravilhoso, traiçoeiro, ardente e significativo mundo de uma amizade verdadeira, do amor visceral, Como dizer adeus em robô vai ressoar profunda e duradouramente.

Olha a sinopse aí, promete mais que o livro cumpre infelizmente. Não foi uma leitura que fez muita diferença para mim, não chega a ser um livro ruim, mas não tem nada demais. Ele conta a história de dois jovens um pouco deslocados e com relacionamentos complicados com suas famílias. A narradora é Beatrice, a garota robô, mas que rouba mais a cena é Jonah. Tudo começa com Bea indo morar novamente em uma nova cidade, e sem grandes expectativas, ela também tenta lidar com o comportamento excêntrico da mãe (uma sensibilidade exagerada que pode mascarar algo que ela não sabe).

Na nova escola ela até faz alguns colegas, mas quem se torna realmente amigo é Jonah, um menino que perdeu a mãe e o irmão em um acidente e hoje mora sozinho com o pai. O drama mais interessante é o vivido por ele, não posso contar sem dar spoiler, mas achei mal resolvido, muito baseado em planos que nunca poderiam se concretizar. E o final acabou ficando meio capenga para mim.

O que é diferente no livro são os personagens, que infelizmente ficamos conhecendo pouco, que conversam através do rádio. Logo no começo da amizade, Jonah convida Bea para escutar um programa (ela já gostava bastante dessas coisas). O programa reuni pessoas bem diferentes que ligam e ficam trocando ideias bem loucas. O livro tem muitos diálogos, boa parte do texto, é uma leitura bem rápida.

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[euLi] Amor Amargo – Jennifer Brown

AMOR_AMARGO_1441839044519211SK1441839044BSinopse: Último ano do colégio: a formatura da estudiosa Alex se aproxima, assim como a promessa feita com seus dois melhores amigos, Bethany e Zach, de viajarem até o Colorado, local para onde sua mãe estava indo quando morreu em um acidente. O Dia da Viagem se torna cada vez mais próximo, e tudo corre conforme o planejado. Até Cole aparecer. Encantador, divertido, sensível, um astro dos esportes. Alex parece não acreditar que o garoto está ali, querendo se aproximar dela. Quando os dois iniciam um relacionamento, tudo parece caminhar às mil maravilhas, até que ela começa a conhecê-lo de verdade…

Gente essa resenha vai ser com spoilers porque não dá, se você vai desistir de ler o post por isso só peço então que dê uma chance para o livro que apesar da escrita da autora ser bem básica o tema é bem importante e o livro cumpre muito bem o seu papel.

Nesse livro nós ficamos conhecendo a Alex e seus dois melhores amigos e o quanto eles se amam. Mas nem todos os relacionamentos são fáceis para ela, já que o pai e as irmãs são bem afastados e a mãe dela morreu em um acidente de carro bem esquisito. Ela sente muita falta de diálogo dentro de casa. Também nunca tinha namorado, então fica encantada com Cole de cara, ele se mostra muito atencioso e apaixonado mas acaba se transformando em um namorado possessivo e agressivo. Ele a ofende, a agride, ofende seus amigos, e a gente tem que tomar muito cuidado na leitura para não chamar a Alex de burra e fechar o livro.

Ela não é burra, mas está presa em um relacionamento abusivo que a faz se sentir inferior e culpada. Isso acontece com muita gente, e tem que ter empatia para entender a história dela. Nós acompanhamos seus sentimentos o tempo inteiro e é bem triste de ver ela se sentir culpada pelas agressões que vai sofrendo, sempre arrumando um jeito de desculpar Cole que aos poucos vai se tornando um monstro.

Eu estava morrendo de vergonha. Não conseguia nem me imaginar contando aquilo para alguém. Aquilo me fazia parecer idiota, ingênua e carente, e eu sabia que não era nenhuma dessas coisas. Sabia que a explicação não era assim tão simples. Mas ninguém entenderia.

Me irritei muito com a Alex, principalmente, quando ela se afasta dos amigos e deixa Cole ser um tremendo babaca com eles. No começo o afastamento parece natural, já que agora ela tem que dividir o tempo que era todo dos amigos com o namorado, mas depois ele começa a impor isso e a maltrata-lá.

O controle era todo de Cole. Toda e qualquer guinada no relacionamento era orquestrada por ele. Era ele quem estava no comando. Era ele quem ditava as regras e dava as ordens.

Ela reconhece o problema e se sente dominada, mas acaba tentando fazer com que ele não sinta raiva e agindo como ele quer, porque há sempre uma desculpa, ele também tem problemas familiares, ele é carinhoso, ele isso… ele dá flores, ele foi no analista. Meninas se você está com qualquer problema assim, se abra com alguém, a culpa nunca é sua. Não se arrisque tanto.

A autora explorou muito bem o tema, a gente consegue entender a dimensão do problema e tudo isso numa narrativa que flui e você lê e consome num piscar de olhos. Não é nenhuma escrita incrível como eu disse, mas acerta o alvo, põe pra pensar no tema, humaniza o. É diferente você saber de um caso e estar dentro da cabeça de uma personagem passando por isso, uma adolescente ainda por cima que já tem que lidar com várias questões da idade. O livro é voltado para os mais jovens, então talvez  a escrita simples facilite a disseminar essa história.

No final do livro ela explica seus objetivos e porque escreveu o livro e ainda traz várias perguntas para você saber identificar uma situação como essa, caso você ou um amigo esteja passando. Nota 10 isso! Leiam!

Meu objetivo era encontrar a resposta para a pergunta mais comum nesses casos: porque ela simplesmente não rompe o relacionamento? Inúmeras vezes ouvi a mim mesma dizendo coisas como: “Jamais permitiria que alguém abusasse de mim. Agrida-me uma única vez e caio fora!”. Na verdade ouvi várias mulheres dizerem coisas parecidas às vezes ficava me perguntando quantas mulheres, que continuaram reféns de um relacionamento abusivo por não terem a menor ideia de para onde ir ou do que fazer , tinham dito: “Jamais permitiria…” ou “Se algum dia um cara me agredir…”.

(…) Da mesma forma, na maioria das vezes, também não é por motivos racionais que permanecemos neles, amamos e, porque amamos, a coisa pode se tornar mais complicada do que uma questão de simplesmente “permitir”.

Publicado em Projetos de Leitura

{ConhecendoCervantes} Dom Quixote – Final

No fim de maio terminei de ler O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha de Miguel de Cervantes, e virou um dos meus livros favoritos. Apesar de em alguns momentos a leitura ser mais lenta, principalmente o segundo volume me conquistou de vez. Essa e outras leituras da obra de Cervantes fizeram parte do projeto Conhecendo Cervantes que também incluiu a leitura de Novelas Exemplares (ainda falta um post sobre a vida de Cervantes!).

Confira os vídeos anteriores.

Essa parte vai tratar do fim do governo do Sancho, muito interessante os capítulos sobre isso, porque ele não aguenta mais ser vigiado no que come e uma guerra arranjada contra sua “ilha” o faz perceber que isso não combina com ele. É bem bacana que ele faz questão de frisar que “nu chegou e nu vai embora”, ou seja, não lucrou nada com seu governo, não fez empréstimos nem desviou nenhum dinheiro para si. Quem dera tivéssemos mais governantes assim,  apesar da desistência, ele estava fazendo um ótimo trabalho. O narrador chega a dizer que as leis criadas por ele são famosas e consideradas boas.

Uma parte muito divertida é quando Sancho, ainda governador, escreve para sua esposa Teresa contando do seu novo status. Junto com a carta do marido ela também recebe uma da duquesa. Apesar de no começo dizer a Sancho para não procurar por uma situação social diferente das que eles nasceram, a coisa muda totalmente. E suas respostas apesar de muito cordiais, são motivo de risada para os nobres, o que me deixou muito incomodada com a atitudes deles. Fica claro que apesar de soarem bondosos demais, eles acham que a dupla e seus familiares são peças para eles brincarem como querem.

Sancho volta para Dom Quixote, e era o que faltava para o fidalgo decidir sair das comodidades do conforto da casa do Duque. Ele presa muito a sua liberdade e sabe que tem outros deveres a cumprir. O trecho sobre isso é de uma filosofia pura, um tratado sobre a liberdade (eu li uma passagem no vídeo, se você não quiser assistir todo confira: 12:05).

Eles ainda se envolvem em algumas aventuras antes de retornar para casa, conhecem bandoleiros, ricos fingindo serem pastores, nobres querendo cuidar deles e zombar deles ao mesmo tempo… Até que um outro Cavaleiro (fake, já conhecido) o desafia e derrota Dom Quixote, a derrota exige que ele volte para casa e fique por lá um ano, isso deixa ele arrasado e para mim é o motivo do que acontece no final.

Antes do fim ainda temos a descoberta de Dom Quixote de que há uma versão falsa sua e de Sancho andando por aí e um livro sobre eles, é engraçada a forma como ele lida com isso e esse livro escrito por outro autor realmente existiu segundo o texto introdutório.

Foi uma leitura grandiosa para mim, cheia e lições que vão ficar na minha cabeça por muito tempo. Todo esse lado sonhador e libertário nos ensina a dar asas as nossas vontades, e também a ajudar os outros e ser justo.

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{euLi} A máquina de contar histórias -Maurício Gomyde

A_MAQUINA_DE_CONTAR_HISTORIAS_1401363728BSinopse: Na noite em que o escritor best-seller Vinícius Becker lançou A Máquina de Contar Histórias , o novo romance e livro mais aguardado do ano, sua esposa Viviana faleceu sozinha num quarto de hospital. Odiado em casa por tantas ausências para cuidar da carreira literária, ele vê o chão se abrir sob seus pés. Sem o grande amor da sua vida, sem o carinho das filhas, sem amigos… O lugar pelo qual ele tanto lutou revela-se aquele em que nunca desejou estar.
Vinícius teve o mundo nas mãos, e agora, sozinho, precisa se reinventar para reconquistar o amor das filhas e seu espaço no coração da família.

Esse livro foi a leitura de abril do meu grupo de leitura Pacto Literário (antes Nome Provisório). Eu demorei a começar a leitura, eu ouvi alguns amigos dizendo que choraram já no começo, confesso que fiquei com medo do livro ser muito apelativo nesse sentido. Eu sou meio difícil de chorar lendo, mesmo emocionada, e passei o começo ok, apesar da perda que os personagens sofrem. Foi um livro que demorou um pouco a me conquistar, porque os personagens já começam sofrendo antes de eu ter aquela preocupação forte por eles. Comecei a gostar mais do livro quando eu vi que o grande foco da história era um pai tentando reconquistar as filhas, e no fim quando o autor faz várias conexões nas atitudes dos personagens que não posso contar quais.

Todos na família tem nome com V, o casal Vinícius e Viviana tem uma relação de apoio e feliz e são pais da Valentina e da pequena Vida. Tudo ia relativamente bem, apesar de Vinícius trabalhar demais, até Viviane descobrir um câncer. Nosso pai em vez de dar todo apoio a elas, se distancia ainda mais e se afunda na carreira para fugir do problema, isso gera uma revolta totalmente compreensível por parte de Valentina que viu a mãe morrer sozinha.

No começo temos muitas lamentações de Vinícius, aquelas famosas lamentações depois que não adianta mais, e ele dizendo que não sabe o que a Valentina pensa e que ela não se abre. Sendo que ela gritou na cara seus motivos. Não entendi o que ele não estava entendendo. Mas depois que ele passa de fato a lutar pelo amor das filhas e viaja com elas para tentar concertar as coisas e ter um tempo só com elas é que o livro todo melhora.

Também é um livro que debate o papel do escritor, se ele deve escrever com técnica pra vender ou com o coração e pela arte, ou os dois e se dá para ser as duas coisas. Vinícius é um escritor prestigiado por muitos fãs, um “Nicholas Sparks brasileiro”, e escreve romances que levam todas as lágrimas. Mas como ele pode ser isso e ser tão frio com a família? Ele é super metódico para escrever e reconhece que escreve de forma fria para atender resultados. Uma vez uma professora quando percebe que ele escreve bem o dá um livro de técnicas, o que era um empurrão acaba virando sua bíblia. Com toda a mudança para reconquistar as filhas ele acaba se deparando com a escrita de Valentina, caótica mas cheia de emoção e força. E essas meninas ensinam muito para ele.

É um livro que vai falar de perda e de perdão. Aquilo de que os pais também são seres humanos que erram bastante e que você deve ser capaz de perdoar são temas importantes.

Junho água com açúcar

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Leitura em grupo do #PactoLiterário (cliqueaqui)

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