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{euLi} Extraordinário – R. J. Palacio

EXTRAORDINARIO_1377304151BSinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que e difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele e um menino igual a todos os outros.

Esse livro é uma graça, estava há um bom Tempo parado na minha prateleira, eu fiquei com vontade de ler quando todos estavam falando dele mas depois me deu alguma trava… O lançamento do filme está chegando então resolvi ler logo, já que é um tema que considero muito importante.

No começo achei a escrita um pouco ok só, mas quando entendi que a ideia era que uma criança comum estivesse te contando compreendi melhor a forma como a história estava sendo narrada. Me lembrou da forma como minha irmã me conta as coisas que acontecem em seu dia a dia.  E é isso que temos, um menino contando a sua trajetória, intercalado com outros narradores que também colocam o seu ponto de vista. O que temos de especial é a história em si, porque ela vai mostrar como as diferenças podem ser respeitadas e os desafios para se chegar a isso.

Os pais do August gostariam de protege-lo do mundo, porque o mundo não está acostumado a deixar passar nada de diferente, ele não só nota, se espanta e analisa, como muitas vezes é cruel. E isso desde as crianças. Mas os pais sabem que Auggie precisa conviver com outros de sua idade, porque coisas maravilhosas podem vir disso também. Além disso, ele precisa ir para a escola para aprender mais do que a mãe pode ensinar em casa. Achei muito bacana como a autora colocou nas poucas palavras do menino o receio e dúvidas dos seus pais.

Ele vai para a escola e é recebido por um diretor bondoso (com nome ridiculamente desnecessário) e por algumas crianças para conhecer o lugar. Daí temos uma história que mostra o que esperamos, que algumas crianças vão ser más e outras amigas, e a maioria na verdade também precisa de tempo para entender que ele é muito mais do que a aparência. É bom que vemos como essas crianças não devem ser isoladas, que elas tem potencial de ensinar as outras a ter empatia com os problemas dos outros.

O bullying está presente mas o livro tem a mensagem positiva de que ele pode ser vencido, que muitas crianças precisam conviver com as diferenças para aprenderem a ser seres humanos melhores. Eu indico o livro para todas as idades; para os adultos porque a inclusão precisa ser refletida, e existem várias situações familiares que você pode se identificar, principalmente se você for pai/mãe ou conviver com crianças e adolescentes; e para as crianças para que elas aprendam a ser gentis e respeitar o outro. Acredito que o livro seja uma excelente ferramenta, porque você está pelo menos por um momento na cabeça de outra pessoa e isso faz com que você entenda.

A importância da família é um destaque importante e um ponto alto para mim no livro, por mais que o personagem tenha que enfrentar todas as barreiras fora de casa, ele sabe que pode contar com a sua família. E infelizmente nem todos os lares são assim, às vezes o preconceito está dentro de casa. Então se você tem um filho que foge do padrão que você acredita, aprenda a enxergar mais do que isso. Ler o livro pode ser uma boa ajuda.

Cinema

O filme estreia na semana que vem e as expectativas são altas por conta do trailer. No elenco teremos Julia Roberts como a mãe do August e Olwen Wilson como o pai, A interpretação de Auggie fica por conta de Jacob Trambley que fez o filme O quarto de Jack (que eu amei).

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Já leu o livro? Gostou? Você também pode gostar de: A coisa terrível que aconteceu com Barnaby Brocket do John Boyne (resenha).

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{euLi} No seu pescoço – Chimamanda Ngozi Adichie

NO_SEU_PESCOCO_1497459540687673SK1497459540BSinopse: A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vem conquistando um público cada vez maior, tanto no Brasil como fora dele. Agora é a vez de os leitores brasileiros conhecerem a face de contista dessa grande autora já consagrada pelas formas do romance e do ensaio. Publicado em inglês em 2009, No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.

Empatia é algo que bate muito forte em quem lê o livro, e não só isso, uma revolta, um entendimento de que as coisas precisam mudar no mundo. E que não dá para relativizar algumas questões por serem culturais, se a cultura não funciona para todos e é injusta ela pode ser mudada, como já li/ouvi da própria autora. Ela mostra faces da Nigéria, para muitos pela primeira vez. São 12 contos sensacionais, alguns merecem mais destaque, mas não há conto ruim.

O primeiro conto, A cela um, mostra uma família em que o filho acaba preso e vê os horrores numa delegacia e esse já nos deixa com um buraco no estômago e nos mostra o que vem por aí. E a sequência toda é de tirar o fôlego, em alguns reconhecemos temas já retratados pela autora em seus romances como nos contos Fantasmas e Uma experiência privada em que Biafra aparece. Em Meio Sol Amarelo conhecemos justamente esse momento da história da Nigéria em que a guerra civil aconteceu entre os igbos e os muçulmanos.

Jumping Monkey Hill e No seu pescoço são dois contos tão bons que você acha que vão ser os melhores do livro, e olha que eles estão bem na metade. O primeiro é sobre um workshop de escritores em que o preconceito impera, aquilo das imagens que se tem que ter sobre os africanos, que se quer ter, e difere da que eles mesmos tem. E o paralelo do que acontece com as mulheres, sobre o machismo que falam na nossa cara que não existe.

No seu pescoço mostra a dificuldade de quem chega nos Estados Unidos e tem que lidar com todas as expectativas e diferentes costumes, sempre com aquele discurso de que nos EUA as coisas são melhores. Muitas vezes o discurso é incorporado pelos próprios africanos que estão lá a mais tempo quando chega um novo, uma forma de defesa/aceitação, isso também aparece em outros contos, e que é um assombro para quem chega no país. E fora outros abusos sofridos pela protagonista relacionados ao machismo/preconceito também.

O choque entre as culturas dos personagens também é um tema recorrente, quem já foi tocado por outras culturas e até aculturado de certa forma tendo que lidar com os parentes que ainda são ligados as raízes. E que acabam se tornando inconvenientes em vários momentos, ou forçando a barra para que o outro se comporte da maneira X ainda.

O casamento arranjado é uma daquelas questões que não dá para concordar e relativizar, não dá certo e não é certo que aconteça ainda hoje. E nós compreendemos toda a dificuldade em alguns contos e como as mulheres sofrem e são subjugadas com isso. Embora nem todas as personagens femininas sejam realmente submissas e muitas vez procurem formas de fazer sua vontade prevalecer um pouco.

O último conto fecha o livro de forma necessária e mostra a busca das raízes e a necessidade de ligação e conexão que não pode ser tirada. Uma vó e uma neta emocionam no conto Uma historiadora obstinada.

Leiam o livro que está incrível!

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Vocação para o mal – Robert Galbreith

VOCACAO_PARA_O_MAL_1459883276576254SK1459883276BSinopse: Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade. Depois de O chamado do Cuco (resenha) e O bicho-da-seda (resenha), o terceiro romance da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling,  estreou em segundo lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times. Com o título e os nomes dos capítulos retirados de músicas da banda Blue Öyster Cult, cujas letras são baseadas na literatura de horror e tratam de temas como maldições e ocultismo, Vocação para o mal tem um clima sombrio, que mistura pedofilia, assassinatos em série e Transtorno de Identidade da Integridade Corporal (TIIC), distúrbio psicológico raro que faz uma pessoa querer amputar seus membros saudáveis. Será que a dupla de investigadores consegue identificar seu perseguidor e sair ilesa?

Essa leitura foi um pouco mais difícil nesse #SetembroPolicial depois de ter lido dois livros seguidos com narrativas muito ágeis. Os livros de “Galbreith” são livros com uma trama mais lenta, em que sentimos a passagem de tempo com mais calma, uma investigação que dura meses. Então não temos cenas de ação de tirar o fôlego o tempo todo, temos alguns “quases” ao longo do livro, já que nosso assassino decide caçar Robin, mas os grandes confrontos ficam para o final da história.

Já a história é excelente, vale a pena essa leitura mais tranquila porém não sem peso e sem choque. Um livro recheado de detalhes em que você se acostuma com o ritmo e a ficar raciocinando junto com os personagens. Temos 4 suspeitos e ficamos até o final com dúvida sobre pelo menos 3, e olha que há capítulos que acompanham o serial killer, mas mesmo assim a dúvida é grande. Porque são 3 personagens perversos, com histórias brutais, todas muito ligadas a história do Strike, para mim todos os 3 eram possíveis, variando conforme a leitura, mas sem descartar ninguém. O final para mim foi uma surpresa.

Nesse livro nos aprofundamos mais nos sentimentos de Cormoran e Robin, o passado dos dois guardava vários segredos que eles acabam revelando um para o outro. Quem acompanha a série sabe que eles ora estão próximos ora mais reservados, Strike, principalmente, não quer que Robin saiba de todos os seus demônios. E também quer manter uma amizade controlada, algo que não passe do limite, mas ao mesmo tempo eles passam por muitas coisas juntos então isso fica complicado.

O noivo de Robin também não ajuda, muitas vezes é um cretino, o que faz ela reconsiderar a relação. Eu shipo Robin e Strike, mas acho que como a autora já previu uma série longa isso vai demorar a acontecer. Me lembra muito o casal da série policial de tv Bones, que fiquei bastante tempo vendo eles se relacionarem com outras pessoas, brigarem e sentirem ciúmes, até ficarem juntos. Se Robin e Strike forem ficar juntos em algum momento, percebemos nesse livro que vai demorar bastante. Faz sentido, não é uma história de amor, e poderia até não haver envolvimento, mas a própria autora sugere isso em alguns momentinhos.

O mais importante no momento é resolver as funções de Robin, ela vem deixando de ser a secretaria, e quer muito isso. Ela quer ser a parceira, uma investigadora em pé de igualdade com o chefe. Os acontecimentos e a ameaça a ela podem jogar um balde de água fria nisso, pela necessidade natural de que ela seja protegida. Mas nesse livro temos uma Robin cada vez mais corajosa, desafiadora e que vem estudando para conquistar seu sonho e ser valorizada. Amei isso. Ela não é um acessório, não quer só ficar no escritório, e toma sim a rédia da situação em muitos momentos no livro. Já estou curiosa com o quarto!

E esse transtorno que faz a pessoa querer amputar partes do corpo? Muito louco isso! Nem vou contar como se encaixa na trama para não quebrar o suspense.

>> A resenha em vídeo sai semana que vem, acabei a leitura domingo, então não tive tempo. Deve sair junto com minha última leitura do mês policial que foi Bufo e Spallanzani do Rubem Fonseca.

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Feliz aniversário Stephen King!

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Stephen King – Ilustração de  Roberto Parada

Stephen King hoje está comemorando 70 anos e já escreveu mais de 70 livros! Eu já li alguns livros do autor e só me surpreendo com a qualidade do que leio. Então hoje vou relembrar os que li e recomendo nesse post 😉

LIDOS DO KING:

sobaredomalivro“Sob a redoma é um livro impactante e surpreendente, apesar da redoma cair sob a cidade de Chester’s Mill logo no começo do livro, Stephen King consegue manter o suspense e o interesse na leitura do começo ao fim (e olha que o livro é beeeem grande). Aos poucos o mistério de como e porque foi criada a redoma para mim deixou de ser tão importante e sim a torcida para que os personagens do bem se salvassem”. (Confira a resenha).

 

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“O livro traz uma abordagem clássica do personagem que vai ao passado com o intuito de mudá-lo, mesmo sabendo que as consequências podem não ser boas. Como somos advertidos a todo momento no livro o passado não que se mudado. A vida é cheia de possibilidades, podemos tomar muitas medidas e fazer escolhas diferentes, e ainda assim tudo é muito complicado. Como ficaria a nossa cabeça se além das decisões para o futuro, tivéssemos o poder de alterar o que já aconteceu? E assim mudar o curso da história mundial?” (Confira a resenha).

 

E não deixe de participar dos nossos sorteios do #SetembroPolicial!

 

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Achados e Perdidos + Último Turno – Stephen King #SetembroPolicial

ACHADOS_E_PERDIDOS_1463492037584509SK1463492037BFoi com muita satisfação que terminei de ler essa trilogia do Stephen King, ainda não li nada do autor que me fizesse esperar por menos, mas ele me fez ter um carinho especial por esses personagens. Estou com saudades! E vendo a série pra matar um pouco dela <3. Já falei aqui sobre o primeiro livro, o Mr. Mercedes, então se você ainda não leu, fique a vontade para ir lá conferir a resenha (clique aqui).

A série acompanha a luta entre o assassino do Mercedes (Brady) e o detetive Bill Hodges (acompanhado de sua “equipe”), mas no segundo livro, Achados e Perdidos, há uma pequena pausa, para acompanharmos os problemas de outras pessoas. Conhecemos a história de Peter, cujo pai foi debilitado pelo ocorrido no primeiro livro no fatídico dia da feira de empregos. Peter e sua família ficaram dependentes do dinheiro de um auxílio que devido a crise vai minguando, muito preocupado, esse menino de excelente coração encontra uma solução que o coloca em perigo. Ele acha um tesouro enterrado por um assassino, muito dinheiro e manuscritos valiosos de um escritor famoso.

O assassino é um louco obcecado por seu autor e personagem favorito, que fica raivoso pelo final que esse personagem tem. Isso te lembra alguém? (Para fãs de King lembra). O autor gosta de retomar alguns temas em suas obras mas sempre faz isso de forma magistral, nada repetitivo. Dessa vez o autor recluso realmente é assassinado, mas o fã louco não tem tempo de aproveitar o dinheiro e os manuscritos que acha, ele é preso por outros motivos. Passam 35 anos e estamos na história principal, ele sai da cadeia e vai atrás do seu tesouro.

Esse livro é de luta contra o tempo, o assassino vai encontrar Peter? Quem vai ajudá-lo? É certo o que ele está fazendo, usando um dinheiro que não lhe pertence para ajudar a família? E o que fazer com os manuscritos que ele também passa a se afeiçoar? Você vai ter que ler pra descobrir.

E onde entra Bill Hodges nisso tudo? Isso eu posso falar, há várias conexões na série e ele acaba atendendo a um pedido de ajuda já que agora tem seu escritório de investigação particular: Achados e Perdidos. Junto com Holly, que é uma das minhas personagens favoritas também, com todas as suas questões próprias, a dificuldade de se relacionar, e o talento para enxergar os problemas a sua volta, eles vão acabar tentando ajudar Peter. Ela é peça chave nesse livro e na continuação. É claro que Jerome acaba participando também, mostrando que o trio é a melhor equipe.

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Pista gincana: Lucas precisava de sinal de celular para postar uma foto no Instagram.

Já o Último Turno é um livro que te deixa louco até a última página, ainda mais que você sabe que vai acabar, você precisa saber como vai acabar, é um desespero, porque tem horas que parece que não tem como ter solução para o problema. Mas calma!

Na história temos Brady de novo, tudo gira em torno desse maluco e em torno do tema do suicídio. Tem até um alerta fofo do King no final para as pessoas procurarem ajuda quando estiverem achando a vida horrível, até dentro da história tem. Não custa nada lembrar as pessoas que elas podem pedir ajuda. Amei isso, o tema permeia toda a série, e se intensifica nesse de forma responsável.

Não tem como não contar um pouco de spoiler se você não leu os livros anteriores e não sabe o que aconteceu com os personagens! Até nas propagandas do livro tem, na sinopse…

Quando Holly acertou Brady e evitou uma desgraça, ele ficou nocauteado por um tempo, mas ele acorda e acorda pior ainda. Continua sem poder se mexer, mas dessa vez consegue utilizar um lado da mente que não temos acesso, ele passa a conseguir utilizar sua mente doentia para mover coisas e até influenciar outras pessoas. E para que ele quer fazer isso? Além de se vingar de Hodges, para terminar de matar as pessoas que sobreviveram a seus ataques anteriores…. TENSO! Muito TENSO! E tudo isso é feito de forma bem explicadinha, para você embarcar nessa viagem e ficar com medo pelos seus personagens queridos.

Os 3 livros são conectados, os personagens possuem ligações com tudo que desencadeou a primeira história. Assim, revemos personagens que já apareceram e fazemos conexões com novos mas que na verdade já estavam ali em algum lugar. Tudo de forma criativa, emocionante, impactante, sufocante e real. Leia!

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