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{eu li} A irmã de Ana Bolena – Philippa Gregory

airmadeanabolenaSinopse: Aos 14 anos, a inocente Maria Bolena, sua irmã mais nova, Ana, e o irmão George chegam à corte. À época, as grandes famílias aristocratas habitavam os arredores do palácio real e ter uma mulher de sua prole nas proximidades do leito do soberano era garantia de ascensão social. A doçura e beleza de Maria chamam a atenção do rei Henrique VIII. Como nova amante de Henrique VIII sua aventura amorosa é incentivada pelos irmãos. A conspiração da família, no entanto, sofre uma reviravolta e Maria precisa declinar de seu sonho e amor em nome de sua melhor amiga e rival – Ana. A irmã se aproveita da ausência de Maria durante um curto período e conquista a atenção do rei, substituindo Maria no papel de primeira-amante. Mas Ana quer mais do que isso, seu desejo de tornar-se rainha não tem limites e, ao mesmo tempo em que cresce o desejo de Henrique VIII por um filho legítimo, Ana planeja o que fazer para se livrar da esposa dele. Vai ser tornar rainha doa a quem doer. Toda a família Bolena envolvida em uma intriga ainda maior – a dissolução do casamento do soberano com Catarina de Aragão.

Resenha em vídeo no final da página!

Eu não conduziria a minha vida como leva a sua. Sempre faz o que lhe mandam fazer, casa-se com quem mandam, deita-se com quem mandam que se deite. Não sou como você. Eu faço o meu próprio caminho.

Eu estou feliz da vida de finalmente ter lido esse livro, como vocês sabem eu adoro a Philippa Gregory (se você não sabe e é novo aqui, tudo bem, também). Fiz uma contagem e ela é a autora que tenho mais livros! Enfim, como vocês leram na sinopse esse livro conta a história das irmãs Bolena envolvidas para conquistar poder para sua família na Inglaterra. Se você não sabe, Henrique VIII foi um rei inglês, da dinastia Tudor, que conseguiu trocar de esposa muitas vezes. A Philippa contou em seus livros a história de cada uma dessas esposas, menos a Jane Saymor (parece que ainda vem livro aí), e ela não lançou esses livros na ordem, mas cronologicamente, ainda há um livro antes desse que já li A Princesa Leal, que conta a história da Catarina de Aragão ( a rainha que dança nesse livro). Os outros vou deixar a ordem lá embaixo e os links para as resenhas.

Esse livro é fantástico, você vive uma verdadeira relação de amor e ódio com os personagens. E uma conclusão pode ser tirada, era péssimo ser mulher naquela época. E era melhor, mesmo com todo o poder envolvido, ficar longe do rei. É claro que as famílias que frequentavam a corte, não estavam muito preocupadas com a felicidade de suas filhas e para receber prestígio, nomes, terras, dinheiro, jóias, valia a pena até sacrificar a “virtude” e por uma jovem solteira ou casada na cama do rei.

No livro temos dois exemplos disso, primeiro Maria que é mais nova. É convencida/obrigada a deixar a cama de seu marido, depois que o rei começa a flertar com elas e mostrar interesse, para seduzir o rei e trazer benefícios. Maria tinha casado com 12 anos e 2 anos depois se viu obrigada a por os otos de lado e a aceitar Henrique. No livro Henrique na época é muito atraente, galante e ela acaba se apaixonando e se afeiçoando, consegue até dar uma filha e um filho ao rei, mas o interesse por ela vai diminuindo. A mulher quando entrava no resguardo corria esse risco com Henrique de cair no esquecimento. E Ana vivia com a consciência culpada de trair a rainha, ela era dama da rainha e tinha algum coração. A rainha nessa época já estava mais velha e experiente e “acostumada” ao comportamento de Henrique, e já tinha perdido vários bebês, então os Bolenas criaram várias expectativas de que ele trocasse ela por Maria.

Mas conforme o interesse por Maria ia diminuindo, sua irmã Ana foi incentivada a flertar com ele para que o poder continuasse em família, primeiro com a desculpa de que ela só estava distraindo ele para a irmã. Mas o volúvel rei, muda de lado, ao passo que a esperta Ana consegue despertar seu interesse fazendo um jogo de gato e rato, flertando mas fugindo da cama real. E assim aos poucos Maria perde, depois de ser obrigada a se degradar.

_Com sorrisos_ Não lhe contei que estava quase delirando de prazer por estar sendo cortejada pelo homem mais poderoso do reino. Não era difícil seguir o conselho da minha irmã e ficar sorrindo para ele. Não era difícil enrubescer e sentir vontade de fugir e me aproximar ao mesmo tempo.

É engraçado que como a Maria é a narradora e tem uma postura moral, você acaba odiando a Ana por ela ser capaz de fazer qualquer coisa para conquistar o rei. Qualquer coisa meeeeesmo! Ela é terrível. Ao passo que você também a admira por mesmo ela estar sedo obrigada ela conseguir lutar pelo que ela mesmo quer, sem ser só um pião. Mas o jeito que ela trata Maria depois que consegue o rei e está a passos de ser rainha é muito horrível para que eu consiga gostar dela. Dela, do tio, do pai e da mãe! Mas a Maria explica que ela e a irmã sempre tiveram uma relação de amor e inveja.

Por um momento, nos encaramos com fúria, obstinadas como gato no muro do estábulo, cheias de ressentimentos e de algo mas sombrio, o antigo sentimento entre irmãs de que só há realmente espaço no mundo para uma garota. A sensação de que toda luta seria mortal.

Esse livro mostra como Henrique arriscou tudo para se casar com Ana e se livrar de uma esposa considerada incapaz de garantir o herdeiro tão necessário. É claro que o desejo dele por Ana e o incentivo dela de dormir com ele só depois do casamento, são claramente importantes, mas a jogada política por trás é muito forte. Lembrem-se que as rainhas também eram consideradas escolhidas por Deus, então uma batalha ideológica muito forte é travada para “menosprezar” a posição de Catarina. E fica claro que isso estabelece um padrão para Henrique, que também não vai conseguir um filho homem com Ana Bolena e somando as tramoias de Ana ( que vai se desesperando e enlouquecendo, não tem um minuto de paz com as novas damas para atrair o rei)  com o desejo dele por um filho (a infidelidade também) vai trazer um fim trágico para o livro.

O livro tem um ritmo incrível, e a autora conta essa história famosa de um jeito feminino, voltado para a participação das personagens femininas. É claro que se trata de um romance e isso dá toda a liberdade para a autora inventar o que quiser, mas ela tem um respeito pelos dados históricos e sempre apresenta uma extensa fonte e às vezes uma explicação sobre os acontecimentos reais no começo ou fim do livro.

No vídeo eu aproveitei para comentar sobre outras séries da Philippa e como elas estão ligadas.

Ordem dos livros sobre os Tudors cronologicamente:
A Princesa Leal(1491)
A Irmã de Ana Bolena (1521)
A Herança de Ana Bolena (1539)
O Bobo da Rainha(1548)
O Amante da Virgem (1558)
A Outra Rai­nha (1568)

O filme:

O filme é mais ou menos, dá para assistir de boas, mas tem várias mudanças (é claro) e simplifica muito algumas coisas. Ana é vivida por Natalie Portman e Mary por Scarlett Johansson.

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{eu li} Ordem da escuridão: O substituto (Vol. 1) – Philippa Gregory

ordem da escuridãoSinopse: Dotado de beleza e inteligência fora do comum, Luca Vero foi visto com desconfiança durante toda a vida… até que o jovem é acusado de heresia e expulso de seu monastério. Para escapar da fogueira, aceita se tornar membro de uma Ordem misteriosa cujo objetivo é investigar estranhos relatos que assombram o mundo cristão: feras, possessões. Dono de mente analítica e surpreendentemente cético para um religioso, o rapaz está prestes, no entanto, a se tornar vítima do próprio coração. Isolde, de 17 anos, fora aprisionada como abadessa de um convento cujas freiras sofrem constantes ataques de histeria e estranhas visões. Todas as pistas apontam para bruxaria e colocam a abadessa como bode expiatório. Mas como Luca pode mandar para a fogueira a jovem que faz arder seu coração? Aliados improváveis, Isolde e Luca precisam aprender a confiar um no outro e em seus próprios instintos para vencer os inimigos e combater a crescente atração que sentem um pelo outro. Ou podem acabar num inferno jamais imaginado.

Esse livro foi escrito por uma das minhas autoras favoritas, Philippa Gregory, então foi uma aquisição cheia de expectativas. Imaginei que o livro seria em diferente de seus livros anteriores que são atrelados a fatos históricos e com personagens que realmente existiram, e talvez a linguagem fosse mais simples por ser publicado pelo selo juvenil da editora Record. Posso dizer que confirmei minhas expectativas, o livro é muito bom, continua tendo um fundo histórico muito bem embasado como era de se esperar pela qualidade da autora que também é pesquisadora, mas também é uma narrativa mais simples e dinâmica.

Por que este livro é diferente de meus romances históricos? Minhas histórias de ficção baseiam-se principalmente em tudo que sabemos sobre uma pessoa real, sua vida e sua época. Este romance é baseado em quatro jovens puramente fictícios e no mundo em que vivem. Reflete a realidade histórica de seu tempo, mas naturalmente ninguém além de um herói fictício tem uma vida cotidiana tão excitante! E por que o escrevi? Escrevi este livro pelo prazer e torço para que você também goste.

Como diz a sinopse temos dois personagens que entraram para o serviço religioso sem ter um chamado divino, como era muito comum na época, ser padre ou monge era uma boa opção para famílias pobres que queriam que o filho tivesse uma vida de estudos. E no caso feminino, as mulheres tinham opções na vida, geralmente a escolha era entre se casar ou ir para o convento. Como nem sempre o pretendente no caso era favorável, ir para o convento poderia ser uma opção melhor do que ser subordinada a um mal marido. O livro traz a história de Isolde que acaba virando abadessa de um convento sem querer e Luca que apesar de estar acostumado a ser um monge, tem um pensamento livre e questionador demais para a Igreja. Assim como seu amigo, Freize, que tem o papel de fiel escudeiro, sempre ali para qualquer coisa, e que traz o tom engraçado a história com tiradas cômicas/reveladoras. Isolde também tem uma melhor amiga/irmã, Ishraq, uma jovem de origem muçulmana que é sua defensora e desafia a definição de mulher para os outros personagens, por saber se defender, ser forte além de bela e considerada herege.

Orgulhosa demais de sua posição para ser uma amada ou boa esposa de qualquer homem. Tem um pé na cova fria, como uma solteirona, pensou eu. Isso se não queimar como uma bruxa, como já sugeriram.

A inteligência de Luca apesar de não serem ideias para um monge na história servem a outro tipo de trabalho da igreja, no caso a Ordem das Trevas, que busca solucionar alguns casos misteriosos. A história se passa em 1453, uma época em que muitas respostas ainda não tinham sido dadas, quase tudo podia ser respondido com mitos ou como sendo obra do demônio. Ainda mais no mundo depois que a Igreja perde Constantinopla para o Império Otomano, segundo a autora, além do medo, as superstições eram muito fortes. Como saber se o oculto estava realmente envolvido ou se uma grande confusão ou um embuste está por trás das histórias? Philippa conduz os personagens por dois casos bem interessantes e com resoluções bem inteligentes. Por mim a história poderia até acontecer mais devagar, o caso na abadia faz lembrar o O nome da rosa de Umberto Eco, que é bem grande e descritivo. Philippa optou por uma escrita dinâmica em que não demoramos muito para obter as respostas.

O papa Nicolau V ordenou que explorássemos os mistérios, as heresias e os pecados, que os explicássemos, sempre que possível, e os derrotássemos, quando pudermos. (Trecho sobre a Ordem, a autora baseou-se na Ordem do Dragão do séc. XV.)

A sinopse promete uma atração entre Luca e Isolde e de fato ela acontece, mas Philippa escolheu tratar o romance com muita cautela, nesse primeiro livro temos só a faísca, a maior parte da trama é voltada para a resolução dos mistérios. Essa atração com pequenos passos é bem coerente se pensarmos no comportamento da época e no compromisso de Luca com a Igreja. A história é bem cativante e acabei o livro querendo mais, espeo que as continuações não demorem muito. Em inglês a autora já lançou os outros dois livros da saga: Stormbringers e Fools Good.

A autora já foi muito mencionada aqui no blog, escreveu uma série famosa sobre a Dinastia Tudor e Plantageta, confira as resenhas.

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{eu li} O amante da virgem – Philippa Gregory

oamantedavirgemNeste romance, a escritora traça um retrato da rainha Elizabeth I, conhecida como a “Rainha Virgem”. Coroada aos 25 anos de idade, a jovem monarca encontra as finanças de seu reino em ruínas, além de um exército completamente desmoralizado. Apaixonada por um aristocrata casado, a ambiciosa rainha não vai medir esforços para conquistar seus grandes objetivos. Um romance soberbo cujas descrições transportam o leitor à Inglaterra do século XVI.

Antes que o ano acabe resolvi ler o livro da Philippa Gregory que estava na minha estante, um livro impossível de não gostar, já que amo os livros da autora. Alguns já foram resenhados aqui no blog.

Esse narra parte do reinado de Elizabeth I, uma rainha que no começo não me interessou muito, até aos poucos o livro revelar sua personalidade dividida entre as responsabilidades reais e sua vida amorosa. Esse livro é como olhar pelo buraco da fechadura direto na corte elisabetana os rumores palacianos ganham vida e contornos na história contada pela Philippa.

Elisabeth viveu um caso de amor com Robert Dudley, um nobre que antes de sua coroação estava fracassado e sem nada, e que ascende primeiro como grande amigo e cortesão da nova rainha e aos poucos como seu amante. Muitos planos para casar a rainha e afasta-lá de seu amante casado e da difamação são feitos, mas o destino e alguns atores que sabem representar muito bem seu papel frustam esses planos até a rainha ficar  em uma posição insustentável. Sem ter certeza de quanto pode ser guiada por suas emoções e se pode confiar em seu charmoso e ambicioso cavalheiro de armadura, são os conselhos de William Cecil s que ela mais escuta.

Lembrando que Elisabeth foi aprisionada e esperou muito para ter a coroa, então ela acaba tomando decisões desesperadas para manter o poder. Um poder que é constantemente posto a prova pelos homens de seu governo, suas capacidades por se mulher são sempre questionadas mesmo que não abertamente e todos estão sempre preocupados com que ela se case, gere um herdeiro e coloque um homem de confiança ao seu lado.

Diferente dos filmes que já assisti sobre a rainha, Philippa a retrata como alguém capaz de tomar decisões difíceis, mas não tão corajosa. Mais como alguém que sente muito medo de perder o que conquistou, pensa pouco no povo inglês e mais na imagem que as pessoas tem dela e também que precisa ouvir muitos conselhos antes de decidir. Alguém capaz de mudar de ideia do dia para a noite. Temos no livro somente os primeiros anos de seu reinado, então não sei se seu caráter para a autora que também é historiadora se mantém nos anos seguintes.

Robert também é um personagem bem dúbio que usa todas suas armas para se manter ao lado da rainha e conquista-lá, o quanto disso é amor e o quanto é ambição de ser o futuro rei, é uma linha bem tênue. Se ele não fosse tão infiel a esposa e egoísta ao abandona-lá a infelicidade, logo a Amy uma esposa tão dedicada, talvez o leitor conseguisse ter algum carinho por ele. O final é bem interessante, e ficamos com um dilema tão grande com personagens que aos poucos aprendemos a amar e odiar ao mesmo tempo.

A narrativa mostra a diferença das preocupações de quem vive no campo e na corte, quais são os costumes e tradições dos dois mundos. Amy foi criada com dinheiro mas é alguém que se preocupa em como ele será mantidos e renderá, com a fertilidade de suas terras, enquanto seu marido só se preocupa em conquistar riquezas através de favores da rainha e esbanja-las (o que traz muitos inimigos). Essa dicotomia ajudou muito a afastar o casal na história, tanto quanto o desejo de Robert pela rainha.

Os outros livros sobre a dinastia Tudor publicados no Brasil:

  • A Princesa Leal (1491) (resenha)
  • A Irmã de Ana Bolena (1521)
  • A Herança de Ana Bolena (1539)
  • O Bobo da Rainha (1548)
  • O Amante da Virgem (1558)
  • A Outra Rai­nha  (1568)

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{Eu li} A Senhora das Águas – Philippa Gregory


senhoradosriosSinopse
Jacquetta é casada com o Duque de Bedford, regente inglês da França, que lhe dá a
conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. O único amigo de Jacquetta é o escudeiro do duque, Richard Woodville, que está a seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo, regressando à Inglaterra para servir na corte do jovem monarca Henrique VI, onde Jacquetta vem a ser uma amiga próxima e leal da sua nova rainha. Depressa os Woodville conquistam uma posição no núcleo da corte de Lancaster, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo de rivais pretendentes ao trono. Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lancaster. Jacquetta luta pelo seu rei, pela sua rainha e pela sua filha Elizabeth, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de York.

Quem escapa da roda da fortuna? Quem está no poder e escapa da roda da fortuna? Philippa Gregory mostra em seus romances históricos os reis e rainhas ingleses de uma forma muito humana, seus sofrimentos, aflições e paixões são retratados de forma ficcional s mas incrivelmente críveis. Não tem como não se apaixonar pela história e seus personagens, e sem querer até torcer pelos reis mesmo sabendo da crueldade com os plebeus.

Nesse livro conhecemos um pouco do que aconteceu no começo da Guerra dos primos ou Guerra das duas rosas, Philippa traz com maestria como já retratei aqui a importância das mulheres no jogo dos tronos ingleses. Nesse livro conhecemos a famosa Margarida de Anjou, a esposa francesa do Rei Henrique, odiada por muitos por querer se impor numa corte predominantemente masculina. Conhecemos a rainha pelos olhos da Dama de Companhia, Lady Rivers, mãe da futura rainha Elizabeth. Nesse livro Jacquetta ainda faz de tudo para apoiar a causa Lancaster e conhecemos também sua história de amor. Como não amar um casamento por amor naquela época? Um casamento sem benefícios financeiros? Que traz até dívidas? Com uma história tão romântica, esse livro reforça o amor instaurado em mim pela família Woodville, que começou em A Rainha Branca e A Rainha Vermelha.

Foto da série The White Queen - Jacqueta (Janet McTeer) e Richard
Foto da série The White Queen – Jacquetta (Janet McTeer) e Richard

_ Somos o escudeiro e sua dama de Grafton _ declara meu marido. _Arruinados pela luxúria, endividados até a raiz dos cabelos, vivendo no campo. É aqui o nosso lugar, entre os animais no cio, sem dinheiro. Eles são nossos pares. É aqui que devemos ficar.

Jacquetta é um mulher extremamente forte, que fez de tudo para proteger sua família, usufruindo e correndo os riscos das vantagens e desvantagens de ser uma família próxima da corte. Sua família conseguiu mudar de lado numa época conturbada entre os lordes ingleses, em que nem o parentesco conseguiu evitar os confrontos.

Balanço a cabeça. Embora tenha cavalgado o dia todo contra a maré de homens feridos, não tinha pensado m nossa causa como perdida. Estive com Margarida por tanto tempo que só consigo pensar em termos de batalhas. Achei que tínhamos período mais uma, mas que ainda haveria outra depois dessa. Agora observo o rosto cansado de meu marido e os olhos fundos de meu filho.

download (1)Além disso, tem todo o lado lendário do uso de conhecimentos místicos, de visões e premonições, presente na história dela por ser considerada descendente de Melusina. Eu particularmente adoro essas partes, não importa que nada disso tenha sido comprovado, dão um toque muito especial ao romance.

_ Acredito que um desejo, uma oração e um sortilégio são a mesma coisa. Quando você reza, sabe que quer alguma coisa Esse é sempre o primeiro passo. Saber que quer alguma coisa, que anseia por isso. Às vezes é o mais difícil.

Uma das ideias centrais da lenda é o medo que os homens medievais tinham do lado desconhecido das mulheres e das mulheres instruídas. Jacquetta viu mulheres de sua época serem jogadas na fogueira no “caça as bruxas” por terem conhecimentos considerados hereges na época.

Foto da série The White Queen - Elizabeth (Rebecca Ferguson) e Jacquetta (Janet McTeer)
Foto da série The White Queen – Elizabeth (Rebecca Ferguson) e Jacquetta (Janet McTeer)

_ Vai me ensinar? _ pergunta ela.
Olho para ela e reflito. É uma filha da nossa casa e ,talvez, a garota mais bonita que tivemos. Tem a herança de Melusina e o dom da Visão. Um de meus filhos deve herdar as cartas que minha tia-avó me deu e o bracelete com talismãs. Acho que sempre soube que seria Elizabeth, a criança nascida do desejo das ervas, da minha vontade. E como minha tia-avó Jehanne dizia: tinha que ser a filha mais velha.
_ Sim _ respondo. _ Não são tempos propícios e estas são as habilidades proibidas. Mas eu vou lhe ensinar.

Fora isso tudo, a capa do livro é muito linda. O próximo volume lançado deverá ser sobre as filhas de Richard Neville, conde de Warwick. Uma delas, Anne, consegue chegar ao trono inglês de maneira tortuosa. E fica aqui o meu apelo a Record, que faça nova edição do Irmã de Ana Bolena e o A herança de Ana Bolena.

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{Eu li} A princesa leal – Philippa Gregory

Ela nasceu para ser rainha da Inglaterra e não aceitaria menos do que isso

untitled (2)É impressionante como Philippa Gregory é uma excelente autora, sem dúvidas uma das minhas favoritas. Esse romance é sobre o começo da dinastia Tudor da Inglaterra, e é bárbaro, a trama é tão rica e bem intrincada que nada fica sem explicação. Nesse livro ela conta a história de Catarina de Aragão que teve muito trabalho para garantir o seu destino e ser rainha da Inglaterra. Diferente do que se esperava para ela não bastava ser rainha e acatar as ordens masculinas, ela queria mais que isso, queria governar a corte e o país. Nasceu prometida ao príncipe Artur, e foi obrigada a ver a morte prematura de seu grande amor pouco depois de se casar. Resistiu a mão do próprio rei, seu sogro, para ser esposa do príncipe Henry, manipulável e egoísta deixando para ela o verdadeiro comando do reino. Numa época em que as princesas só serviam para o casamento e para depois dar um herdeiro ao trono, ela contestou as duas funções mantendo a coroa por um bom tempo, até sofrer o revés e ser traída pelo rei que conseguiu um bastardo com Ana Bolena.

Consegui. Meu deus, consegui. Depois de sete anos intermináveis de espera, depois de privações e humilhações eu consegui. Vou par ao meu quarto, ajoelho-me no genuflexório e fecho os olhos. Mas falo com Artur, não com Deus.

Philippa consegue dar alma a uma narrativa que envolve sempre batalhas e esperas por meninos, mas sempre confiando à história a força das princesas, rainhas e plebeias que conta. Dando as mulheres o seu lugar de direito, numa história que negligencia muitas vezes o papel fundamental que as mulheres tiveram em guerras e governos monárquicos. Philippa traz a tona segredos e artimanhas usado por elas para levantar e derrubar reinos. Na narrativa temos dois narradores, um narrado observador e a própria Catarina

O livro conta um pouco um dos primeiros reinados depois da dinastia platageneta, ainda temos como personagem Margaret de Beautfort, mãe do Rei Henrique sogro de Catarina, que perde aos poucos seus espaço para a nova rainha, quando essa chega a governar. E hoje é o dia que Margaret nasceu em 1443, coincidentemente acabaram de publicar isso na página da Philippa no facebook.  Também é citada a Guerra das duas Rosas, e como seus personagens ficaram vistos depois de um tempo. Também temos a oportunidade de conhecer, a partir da visão de Catarina, seus pais: Isabel de Castela e Fernando de Aragão, amantes e incansáveis na luta contra os mouros, no amadurecimento de catarina vemos ela primeiro com um olhar de total veneração para a mãe guerreira, que a ensinou tudo que sabe, e depois certas dúvidas sobre o certo e errado sobre as cruzadas. Aqui tem uma árvore genealógica das linhagens York, Lancaster e Tudor.

Phillipa escreveu muitos livros sobre a dinastia Tudor já publicados no Brasil e outros sobre os Plantageneta que ainda não foram todos publicados, já falei aqui do A rainha Branca e do A rainha Vermelha.

A continuação dessa história é A irmã de Ana Bolena:

a irmã de Ana BolenaA história de duas irmãs competindo por um grande prêmio: o amor de um rei. Rivalidades, intrigas e paixão se misturam neste envolvente romance da inglesa Philippa Gregory, “A Irmã de Ana Bolena”. Aos 14 anos a inocente Maria Bolena, sua irmã mais nova Ana e o irmão George chegam à corte. À época, as grandes famílias aristocratas habitavam os arredores do palácio real e ter uma mulher de sua prole nas proximidades do leito do soberano era garantia de ascensão social. A doçura e beleza de Maria chamam a atenção de Henrique VIII, soberano da dinastia Tudor na Inglaterra entre 1509 e 1547, lembrado no imaginário popular por sua fama de conquistador – ao longo de sua vida, foi casado com seis mulheres, além das inúmeras amantes que mantinha em sua corte.Encantada com a atenção do rei, Maria se apaixona pelo nobre e pelo papel não-oficial de rainha. Como nova amante de Henrique VIII sua aventura amorosa é amplamente incentivada pelos irmãos e o relacionamento se estende por anos, gerando dois filhos, inclusive um homem. Entretanto, toda a família Bolena está envolvida em uma intriga ainda maior: a dissolução do casamento do soberano com Catarina de Aragão.

Filmes e séries:

A série The Tudors trata do começo do governo de Henrique VIII e o filme A outra do caso com as irmãs Bolena.Ainda não assisti nem um e nem o outro, mas não demorarei mais para fazer isso.

Lista dos livros da Philippa sobre a dinastia Tudor publicados no Brasil (ela não publicou eles na ordem cronológica):

  • A Princesa Leal(1491)
  • A Irmã de Ana Bolena (1521)
  • A Herança de Ana Bolena (1539)
  • O Bobo da Rainha(1548)
  • O Amante da Virgem (1558)
  • A Outra Rai­nha  (1568)

* A autora tem muitos outros títulos e inglês, fica o pedido para que eles sejam logo publicados no brasil. Aqui tem a lista completa em inglês.

Leia também aqui no blog: A rainha vermelha.. a história da outra rosa bem diferente da branca