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{euLi} O gigante enterrado – Kazuo Ishiguro

O_GIGANTE_ENTERRADO__1434052720447624SK1434052720BSinopse: Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova – será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une? Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, “O gigante enterrado” fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.

Oi pessoal! Finalmente chegou a hora de conversar sobre esse livro que eu gostei tanto, é um livro bem diferente e reflexivo. Daqueles livros que te convida a pensar e repensar…

O livro tem uma narrativa um pouco lenta que faz sentido já que acompanhamos personagens que não lembram do seu passado e são idosos. Isso pode não agradar todos os leitores, porque a trama é cheia de pequenas descobertas que fazem reviravoltas na história. Não é aquele livro que segue um caminho em linha reta.

A questão da memória é central, a história se passa depois do rei Arthur em um momento de “paz”, mas uma paz baseada no fato das pessoas não lembrarem do que aconteceu direito em suas vidas. Ninguém sabe explicar exatamente o porque, conforme os personagens avançam e conhecem outros é que as coisas vão aos poucos sendo esclarecidas. O casal de idosos bretões só sabe que precisa ir encontrar um filho perdido, e simplesmente resolve sair de sua aldeia como se soubesse a direção certa. No caminho também aparecem dois cavalheiros (um deles bem quixotesco), monges, saxões que vivem em uma verdadeira confusão em sua aldeia.

Essa questão da memória está diretamente ligada a discussão sobre os ressentimentos relacionados a guerra, como um povo supera o rancor do que massacrou o outro, como é fácil incutir o ódio em uma população. O que é melhor? Esquecer? Ou lembrar e saber perdoar? Só não posso contar como isso está ligado sem dar spoiler :X

O livro tem um caráter fantástico também, existem criaturas como ogros, fadas e outros seres, mas eles tem sua importância no mesmo nível da humana eu diria. São seres bem perecíveis e isso talvez não agrade que é muito apegado ao gênero. Eles estão ali, mas não dá forma como costumamos ver, em muito momentos fica a dúvida de se eles são reais ou imaginários. Tudo é muito simbólico no livro, nada deve ser levado exatamente ao pé da letra.

Espero que gostem! Não deixe de comentar 🙂

 

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{euLi} O Leopardo – Giuseppe Tomasi di Lampedusa

O_LEOPARDOSinopse:Romance histórico situado na segunda metade do século XIX, “O Leopardo” conta a fascinante história de uma aristocracia siciliana decadente e moribunda, ameaçada pela aproximação da revolução e da democracia. O enredo dramático e a riqueza dos comentários, o contínuo entrelaçar de mundos públicos e privados e, sobretudo, a compreensão da fragilidade humana impregnam “O Leopardo” de uma particular beleza melancólica e de um raro poder lírico, fazendo dele uma das obras-primas da literatura.

Esse livro veio no primeiro kit da Tag Experiências Literárias (saiba mais aqui) que recebi, não conhecia, a única coisa que eu sabia sobre ele é que ele era uma indicação do Mario Vargas Llosa. Então como não querer ler? A tag é um clube de associados, que envia todo mês um livro surpresa indicado por um grande nome cultural (não só autores).

Esse livro tem muito a ver com a história da família do autor do livro, porque Lampedusa baseou o personagem principal em seu avô, que era príncipe da Ilha de Lampedusa, e ele mesmo chegou a herdar o título. O livro vai contar 50 anos dessa família na época da unificação italiana, com a ascensão da burguesia e decaimento da nobreza. A história se inicia em 1860, quando o revolucionário Giuseppe Garibaldi e sua tropa de oitocentos homens desembarcam na Itália, que era formada por reinos.

Nós acompanhamos durante a narrativa os pensamentos de Fabrizio e o que acontece com o ele e sua família, ele vê tudo desmanchar aos poucos e vai ficando cada vez mais melancólico. Sua vida também não é como gostaria, nem seus filhos, e o que o distrai é a astronomia. As companhia que mais gosta são a do sobrinho Tancredi, que acaba apoiando os revolucionários mas não com o intuito de trazer algo novo e melhorar a vida dos “italianos”, mas sim assegurar o tipo de vida que eles levam.

Se não nos envolvermos nisso, os outros implantam a república. Se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude. Fui claro?

Tancredi entra em um relacionamento que mostra um pouco da mudança do poder, ele se apaixona fisicamente por Angélica, filha de um comerciante rico e acaba abrindo as portas para o futuro da nobreza. Além de muito bela e endinheirada, Angélica, e seu pai, tem interesse em serem repeitados na sociedade, enquanto para Tancredi que quase não tem herança o dinheiro não cai nada mal. O romance entre eles é bem tórrido, o autor descreve vários encontros furtivos entre eles na época do noivado, para tristeza da filha do príncipe que era apaixonada por ele.

A plebe também aparece em vários momentos interessantes no livro, para eles tudo é uma questão de influência em quem eles devem apoiar, pois a princípio apesar de teoricamente libertária a República não mostra uma melhoria direta na vida dos camponeses. Eles preferem até continuar dependendo da boa vontade da “família real”. Tem um personagem que comenta que agora que são politicamente “livres” não terão apoio de ninguém.

O livro é fragmentado, há alguns saltos de meses no começo, depois de anos, e no final um de quase 50 anos, isso deixa o leitor em muitos momentos curioso com o que houve nos por menores da vida dos personagens, como as coisas desenrolaram? E, infelizmente, nem tudo tem uma resposta, somos convidados a imaginar e deduzir. E com todos esses saltos, obviamente a gente acompanha o envelhecimento dos personagens, a perda de alguns sonhos, as mudanças em uns e a estagnação em outros. É muito interessante.

Confira outros kits da TAG nesse vídeo:

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{euLi} Como dizer adeus em robô – Natalie Standford

COMO_DIZER_ADEUS_EM_ROBO_1367980252BSinopse: Com um toque melancólico, o livro conta a singular ligação entre Bea e Jonah. Eles ajudam um ao outro. E magoam um ao outro. Se rejeitam e se aproximam. Não é romance, exatamente mas é definitivamente amor. E significa mais para eles do que qualquer um dos dois consegue compreender… Uma amizade que vem de conversas comprometidas com a verdade, segredos partilhados, jogadas ousadas e telefonemas furtivos para o mesmo programa noturno de rádio, fértil em teorias de conspiração. Para todos que algum dia entraram no maravilhoso, traiçoeiro, ardente e significativo mundo de uma amizade verdadeira, do amor visceral, Como dizer adeus em robô vai ressoar profunda e duradouramente.

Olha a sinopse aí, promete mais que o livro cumpre infelizmente. Não foi uma leitura que fez muita diferença para mim, não chega a ser um livro ruim, mas não tem nada demais. Ele conta a história de dois jovens um pouco deslocados e com relacionamentos complicados com suas famílias. A narradora é Beatrice, a garota robô, mas que rouba mais a cena é Jonah. Tudo começa com Bea indo morar novamente em uma nova cidade, e sem grandes expectativas, ela também tenta lidar com o comportamento excêntrico da mãe (uma sensibilidade exagerada que pode mascarar algo que ela não sabe).

Na nova escola ela até faz alguns colegas, mas quem se torna realmente amigo é Jonah, um menino que perdeu a mãe e o irmão em um acidente e hoje mora sozinho com o pai. O drama mais interessante é o vivido por ele, não posso contar sem dar spoiler, mas achei mal resolvido, muito baseado em planos que nunca poderiam se concretizar. E o final acabou ficando meio capenga para mim.

O que é diferente no livro são os personagens, que infelizmente ficamos conhecendo pouco, que conversam através do rádio. Logo no começo da amizade, Jonah convida Bea para escutar um programa (ela já gostava bastante dessas coisas). O programa reuni pessoas bem diferentes que ligam e ficam trocando ideias bem loucas. O livro tem muitos diálogos, boa parte do texto, é uma leitura bem rápida.

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De volta no canal! Livros lidos no 2º trimestre ;)

Quem acompanha o Eu li ou vou ler deve ter notado minha ausência, mas tive grandes motivos para isso 😉 E no vídeo de hoje eu falo deles e das leituras que foram feitas em abril, maio e junho (bora recapitular!).

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Contos de Guimarães Rosa no vestibular da UERJ

imagesOi pessoal, desculpe o sumiço, estou num momento complicado, mas pretendo ir voltando aos poucos! O post de hoje é sobre os contos A Terceira Margem do Rio e O Espelho de Guimarães Rosa, presentes no livro Primeiras Estórias, que serão cobrados na primeira fase do 1º Exame de Qualificação do Vestibular da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), no domingo. Apesar da prática ser comum nos vestibulares paulistas, há muito tempo isso não acontecia em uma prova para uma universidade no Rio. A lista traz ainda outros livros que serão cobrados em outras etapas, de autores como Clarice e Saramago. Então fica aqui uma ajudinha 😉

O conto A Terceira Margem do Rio (leia completo aqui) conta a história de uma família separada por um rio. O narrador é um dos filhos, não são apresentados os nomes dos personagens, e ele conta como um dia, misteriosamente, seu pai encomendou uma canoa e partiu nela sem explicar nada a ninguém. Na verdade, o pai passa a habitar o rio, que corre próximo a casa, subindo e descendo sem jamais colocar o pé em terra novamente. O filho ainda conta como se portaram os outros membros da família, a dúvida sobre a loucura ou lucidez, como ele furtava para alimentar o pai e porque acabou ficando para trás para cuidar dele a distância. E até a dúvida de qual seu papel nisso e se deveria assumir seu lugar.

Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais.

Já O Espelho (conto completo aqui) é um conto bem mais complexo, o seu começo causa até um estranhamento no leitor. O narrador, sobre o qual sabemos muito pouco (também sobre o lugar que ele vive não se sabe nada), convida o leitor a “seguir-lo” e saber sobre uma “experiência” que ele passou. Dessa forma, se comunica diretamente com o leitor. E começa a indagar se o que vimos no espelho pode ser real, ou ao menos próximo do real, já que nem mesmo nossos olhos são confiáveis. O autor mistura termos técnicos com explicações simples.

Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo, desânimos, esforços. Dela me prezo, sem vangloriar-me. Surpreendo-me, porém, um tanto à-parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja na verdade — um espelho? Demais, decerto, das noções de física, com que se familiarizou, as leis da óptica. Reporto-me ao transcendente. Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.

O narrador não acredita em superstições, mas um dia viu no espelho uma figura que o assustou e aterrorizou, e para sua surpresa era ele mesmo. Assim, ele passou a buscar essa imagem nos diversos espelhos e nas diversas posições, chegando até a perder o próprio reflexo. Uma grande analogia sobre o que pensamos sobre nós mesmos e como chegar a um conhecimento profundo da própria alma, a cada passo de sua busca as máscaras vão caindo até sobrar

Próximas provas da UERJ em 2017:

– 2º Exame de Qualificação: A hora da estrela, de Clarice Lispector;

– Exame Discursivo (Prova de Língua Portuguesa Instrumental): Dom Casmurro, de Machado de Assis;

– Exame Discursivo (Prova específica de Língua Portuguesa e Literaturas): Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, e Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago;

Questões de vestibular (respostas no final do post)

(UFRN-RN) O fragmento textual que segue, retirado da narrativa A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, servirá de base para esta questão..

Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio — o rio — pondo perpétuo [grifo nosso]. Eu sofria já o começo da velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar o vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976.

No quadro do Modernismo literário no Brasil, a obra de Guimarães Rosa destaca-se pela inventividade da criação estética.
Considerando-se o fragmento em análise, essa inventividade da narrativa roseana pode ser constatada através do(a):

  • (A) recriação do mundo sertanejo pela linguagem, a partir da apropriação de recursos da oralidade.
  • (B) aproveitamento de elementos pitorescos da cultura regional que tematizam a visão de mundo simplista do homem sertanejo.
  • (C) resgate de histórias que procedem do universo popular, contadas de modo original, opondo realidade e fantasia.
  • (D) sondagem da natureza universal da existência humana, através de referência a aspectos da religiosidade popular.
  • E) Todas as afirmativas são corretas.

o-espelho

Com relação a leitura do texto acima e do resumo do conto O espelho, de Guimarães Rosa, assinale a alternativa incorreta

a) a partir da posição do narrador, no texto, infere-se que a superstição pode ser um ponto de partida para estudos.
b) Em “A alma do espelho – anote-a – esplêndida metáfora.” (linha 4), se os travessões forem substituídos por vírgulas, o sentido original da oração não sofre alteração e ela ainda continua dentro do padrão formal de escrita.
c) O autor procura atribuir ao espelho características enigmáticas, valendo-se da escolha semântica de vocábulos e de expressões.
d) Do período “serviam-se deles, como da bola de cristal, vislumbrando em seu campo esboços de futuros fatos, não será porque, através dos espelhos, parece que o tempo muda de direção e de velocidade?” (linhas 8, 9 e 10) pode-se inferir uma ligação à magia, aos mistérios representados pelo espelho.
e) Na oração “O espelho inspirava receio supersticioso aos primitivos” (linhas 1 e 2), a expressão destacada, sintaticamente, classifica-se como complemento nominal.

prova questão

Considere as seguintes afirmações sobre “O Espelho”, conto de Guimarães Rosa.

I – Ele aborda o tema do duplo ao colocar como protagonista um personagem cindido entre a aparência externa e a natureza íntima.
II – Ele sublinha a rejeição da máscara, simbolizada pela “feiúra” projetada no espelho, e a necessidade de busca do autêntico Eu.
III – Nele, o renascer do protagonista decorre de sua escolha pela solidão e de sua aceitação do sofrimento.

Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Gabarito: A, E, B, E